Nos Dê Uma Chance - Concluída
42 Atos & Consequências
Notas iniciais
P.O.V Do Freddie
Passamos uma semana com seus tios, nossa estadia no sítio foi de fato proveitosa. Me dei muito bem com seus tios, principalmente com seu Thomas. Era um bom homem, uma ótima figura paterna para a Sam. E sua tia era uma mulher muito gentil. Depois que conheci seu amigo de infância, Duke, passei a ficar tranquilo. Ele e a Sam eram apenas amigos e nada mais. Eu não tinha com o que me preocupar.
Voltamos para casa, eu tinha trabalho agendado e a loira muitas encomendas para fazer. O pessoal do campus simplesmente adorava as sobremesas dela. Sam se animava cada vez com os pedidos que os universitários faziam para o dono do trailer de lanches.
Nosso relacionamento estava indo tão bem, na verdade, ótimo.
Não tínhamos notícias do meu irmão há semanas, ele estava fora do radar. Quanto mais longe de nós, melhor. Meus pais ainda estavam inconformados. Eles nem mesmo tocavam mais no nome do Edward.
Minha mãe passou a nos visitar. Comprou mais coisas para o enxoval da bebê. Apesar de tudo, Alice era sua neta e não tinha culpa de nada assim como a Sam que foi apenas uma vítima de uma grande barbaridade.
Sua mãe aparecia de vez em quando, elas estavam mais próximas. O que me deixava feliz, minha namorada precisava mesmo de todo o apoio da mãe. Pamella havia mudado muito.
Melanie estava afastada, mal atendia as ligações da irmã. A relação entre elas acabou se abalando. O que deixava a Sam um pouco triste e frustrada.
Minha relação com o meu irmão já tinha se abalado há muito tempo.
— Gostou? — À caminho de casa parei numa loja de confecção infantil.
— Amei. São fofos. — Pousou os sapatinhos cor de rosa na barriga.

— Não vejo a hora de pegar nossa princesinha no colo. — Acariciei seu ventre.
Sam abriu um lindo sorriso e me deu selinho.
— Faltam poucos meses. — Comentou.
Estávamos bastante ansiosos para a chegada da Alice.
[...]
Era aniversário de sua amiga Carly. Ela nos convidou para um jantar na casa dela.
— Hum, todo arrumado e cheiroso! — Sam alisou minha camisa.
— E você está toda linda. Parece uma fada com esse vestido. — Sorri.
— Uma fada balofa só se for. — Riu.
Ela estava usando um vestido lilás com listras brancas todo rodado. Tinha os cachos presos para o lado.
— Vamos? — Peguei a sacola com o presente da nossa amiga.
— Vamos! — Assentiu pegando a bolsinha transversal.
Quando chegamos ao prédio residencial, deixei o carro na garagem. Fomos andando de mãos dadas. Ao passarmos pela portaria, cumprimentamos o funcionário simpático. O porteiro autorizou nossa entrada, pegamos o elevador.
Logo estávamos no andar onde Carly morava.
Foi Sam quem tocou a campainha quando chegamos na porta. Logo a morena simpática nos atendeu animada.
— Que bom que chegaram! — Exclamou.
— Feliz aniversário, morena! — Sam abraçou a melhor amiga.
As duas sorriram. Foi minha vez de felicitá-la. A loira entregou o presente.
— Vocês são tão fofos, gente. — Nos conduziu para dentro do apartamento.
Além do seu namorado Gibby, eu não conhecia mais ninguém ali. Havia cerca de 15 convidados.
Como nenhum de nós dois bebíamos, aceitamos refrigerante.
— Quero que conheçam minha mais nova amiga, ela também é minha colega de trabalho. — Carly estava toda animada. — Alex, vem aqui, querida! — Chamou uma moça que estava de costas.
Quando a moça usando um vestido vermelho se virou, eu quase derrubei meu copo de refrigerante.
Ela caminhou confiante e toda sorridente até nós.
Os cabelos lisos estavam maiores. Castanho-acajú. Pele bronzeada. Grandes olhos cor de avelã brilhantes.
— Esses são os meus amigos, Sam e Freddie. Te falei deles. — Nos apresentou.
Senti a Sam apertar minha mão. Eu estava tenso.
— Pessoal, essa é a Alexandra. — A morena sorriu para a nova amiga.
— Oh, meu Deus! Freddie! Há quanto tempo, não? — A morena de vermelho me puxou para um abraço.
Continuava usando o mesmo perfume de flores de laranjeira.
Quando ela me soltou, Carly nos olhava confusa e Sam havia até se afastado. Estava me encarando interrogativa.
— Somos ex-namorados! — A cara-de-pau da minha ex soltou a bomba.
Ela havia me traído. Transou com meu irmão perdendo a virgindade com ele. Talvez nem fosse virgem mesmo. Ela dizia que sim. Mas na verdade, Alexandra não era confiável de qualquer forma.
O clima pesou no ar.
— Minha nossa! — A Shay ficou toda sem jeito com a situação.
— Que mundo pequeno. — Sam forçou um sorriso.
— Eu era modelo dele. Velhos tempos. A gente se divertia tanto no stúdio. — Comentou sugestiva.
Mas era muito cínica mesmo.
Beberiquei meu refrigerante me sentindo um pouco irritado.
— É menino ou menina? — Se virou para a Sam.
Alexandra tentou tocar na barriga da loira, Sam desviou e se afastou.
— Menina. — Respondeu de má vontade.
Alexandra ficou com cara de tacho.
— Ainda fotografa? Tô louca para fazer um ensaio. — Ignorou minha namorada e tocou no meu braço.
Sam saiu dali e Carly ficou sem saber o que fazer.
— Pede para o Edward te fotografar. Ele é experiente se for ensaio sensual! — Eu disse seco. — Com licença. — Pedi para a Carly.
Fui atrás da minha namorada.
Sam estava na cozinha, ela segurava um copo d'água.
— Sinto muito por aquilo, a Alexandra é sem noção, ela...
— Você ainda sente algo por ela? — Me interrompeu.
— De jeito nenhum! — Fui sincero.
— Ótimo. Se ela chegar perto de você e ousar te tocar de novo, vou dar na cara dela! — Avisou.
— Amor, não vale à pena. — Me aproximei.
— Repete? — Pediu.
— O quê? — Franzi o cenho.
— Você me chamou de amor. — Seus olhos brilharam.
— Amor. Amor. Amor. — A puxei para os meus braços com cuidado.
— Me beija. — Ergueu o rosto.
A segurei e a beijei com calma.
Ouvimos alguém pigarrear. Nos separamos.
Era a Carly parada ao lado do balcão.
— Desculpa, casal. — Sorriu. — A Alexandra foi embora. — Avisou.
— Que bom. Melhor assim. — Falei aliviado.
— Sobra mais bolo! — A loira nos fez rir.
[...]
P.O.V Da Melanie
Dias atrás...
— Que tal Miami? — Ed sugeriu.
— Tira essa ideia da cabeça, pelo amor de Deus! Não vou fugir com você, Ed! — Falei pela décima vez.
— Então, me assume, porra! — Levantou bruscamente.
— Não vou! Não posso e você sabe! Com que cara vou olhar para a minha mãe e para a minha irmã? Não vamos assumir nada, é a minha condição! — Deixei bem claro.
— Larga tudo, a gente pode morar até fora do país, Mel. Itália, Rússia, Canadá, Chile ou Espanha. É só você escolher, meu amor! — Estava desesperado.
Eu não sabia o que fazer. Estávamos nos encontrando como dois bandidos fugitivos. Eu o amava e me sentia tão depravada por querer ficar ao seu lado. Por mais que tentasse o afastar, eu simplesmente não conseguia.
Era mais forte que eu.
Meus sentimentos insanos me levavam de volta à ele.
— Preciso pensar, Ed. Preciso mesmo. — Suspirei.
— Não temos todo o tempo do mundo, linda. Se nossa família descobre, quem mais sofrerá com julgamentos será você! — Tinha razão.
— Vamos esperar até a minha sobrinha nascer. Quero vê-la, pegá-la no colo. Por favor, só te peço isso. — Falei.
— Boa ideia. É minha filha. Ela vai com a gente. Seremos uma família feliz. — Ele estava louco de vez?
— Não! Você não vai roubar a Alice! — Protestei.
— Faremos um favor à sua irmã. — Ele não parecia estar brincando.
— Não, por favor. — Entrei em desespero.
— Você acha que não tenho coragem? Posso comprar uma enfermeira. Vai ser fácil. Vou levar minha filha, Melanie. — Sorriu me assustando.
— Eu te imploro. — Me ajoelhei. — Não ouse fazer isto. Eu te suplico, Edward. Você não pode... É só um bebê. A Sam enlouqueceria. — Caí em prantos.
Ele estava disposto a roubar minha sobrinha.
— Então, fuja comigo. — Se abaixou segurando meu queixo.
— E-está b-bem... — Concordei, derrotada.
Eu estava pagando um grande preço por amá-lo.
[...]
Tempos atuais, Austrália, às 20h:44min...
— O que foi aquilo lá no restaurante, caralho? — Apertou meu braço.
— Aquilo o quê? — Estremeci com medo.
— Você dando mole para o garçom! — Acusou.
— Só estava sendo gentil, não fiz... — Ele me calou com um tapa.
— É muito cínica mesmo, anda! — Me empurrou pelo corredor do hotel.
Tropecei atordoada, Ed me segurou com brusquidão e me arrastou com ele até chegarmos ao nosso quarto.
— Não fiz por mal, eu juro... — Comecei a chorar.
— Ele estava te comendo com os olhos! Tira esse maldito vestido, vá tomar banho, vou te esperar na cama! — Me empurrou para dentro da suíte.
— Não, eu não vou! Por quê está fazendo isso comigo? Eu larguei tudo por você! — Aquilo doía muito.
— Melanie, não me faça perder a paciência! — Começou a desabotoar a camisa social.
— Que tipo de amor é esse? Você não era assim, você me tratava como uma princesa! — Falei.
— Te trataria como uma rainha se você não se comportasse como uma vagabunda! — Esbravejou.
— ME RESPEITA! — Gritei.
Ele não tinha motivos para me bater, muito menos humilhar.
O soco me fez cair por cima da cama.
— Foi você quem pediu, te avisei, não avisei? — Estava fora de si.
— Você é louco. — Senti o gosto de sangue.
— Repete, repete, sua vadia! — Ed ficou ainda mais furioso.
Meu rosto doía, minha boca sangrava.
— Chega! Vou embora! — Levantei já farta.
— Ah, mas não vai mesmo! — Tentou me segurar.
O empurrei, ele revidou com mais força. Me arrastei pelo chão acarpetado. Queria chegar no banheiro e ligar pra polícia. Ele chutou minha bolsa pra longe.
— Não me faça te machucar, meu amor... Não me faça... — Urrou de dor quando chutei suas partes íntimas quando ele se curvou para me alcançar.
Foi a minha deixa. Levantei mancando e corri para o banheiro. Ed me puxou pelos cabelos, gritei de dor.
— SOCORRO! — Berrei o mais alto que pude.
Comecei a lutar por minha vida.
Ele foi parar no chão com uma acotovelada. Alcancei a mesinha, havia um balde de alumínio vazio e um furador de gelo.
Apanhei o furador.
— Me dá a chave! — Exigi.
— Solta essa porra! — Levantou com dificuldades.
— Quero a chave, agora! — Estávamos trancados.
Ele se aproximou, apontei o furador pra ele.
— Você não teria coragem, amor! — Duvidou.
— Só quero ir embora, amanhã mesmo volto pra Seattle. Me deixa sair! — Pedi.
— Eu já disse pra soltar essa merda! — Avançou em mim.
Gritei em puro horror. O furador o atingiu na barriga.
Edward caiu aos meus pés sangrando.
Fiquei paralisada, estava em choque.
A culpa era toda dele. Somente dele.
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