Nos Dê Uma Chance - Concluída
19 Apenas uma dança?
Notas iniciais
Dias depois...
P.O.V Da Sam
— Não tenho hora para voltar. — Freddie terminou de organizar a mochila com seu equipamento de trabalho. Ele havia sido contratado para fotografar uma campanha de moda infantil.
— Okay. Vou almoçar com a Carly, faz tempo que não tenho um tempinho com a minha amiga. — Falei.
— Beleza. Faça isso, saia com sua amiga, mas não faça nenhum esforço, está bem? E nada de comer besteiras. — Ele colocou a mochila nas costas e eu revirei os olhos.
— Tá bom, papai. — Ironizou.
— Sam, você... Hum... Se por acaso você quiser comprar alguma coisa... Tipo roupas e sapatos ou coisas que você precisa, se precisar de dinheiro, eu posso te...
— Não quero o seu dinheiro. — Sem querer acabei soando ríspida.
— Tudo bem, eu só...
— Não se preocupe com isso, é sério. Eu tenho dinheiro, e a Carls pode me emprestar se eu precisar. Foi mal, eu não quis ter falado daquela maneira. — Me desculpei.
— Sem problema. Deixa pra lá, eu preciso ir, tenho que chegar e montar o equipamento... Tchau! — Se despediu e assim que ele foi embora, bufei frustrada comigo mesma.
Lamentei por ter sido ríspida com ele, Freddie não merecia. Ele fazia de tudo para me agradar, fazia de tudo para me deixar confortável e fazia de tudo para me ver bem e eu só conseguia estragar tudo como sempre... Se eu pudesse ao menos retribuir o que ele sentia por mim, eu... Caramba! Não. Não. Não. Eu não poderia, talvez eu... Talvez nunca desse certo.
Fui para o meu quarto, tranquei a porta e comecei a me despir. Coloquei a roupa suja no cesto, adentrei o pequeno banheiro. Tomei um banho relaxante, vesti meu roupão e saí do banheiro. Havia um espelho de corpo inteiro no quarto, tirei o roupão e fitei o reflexo do meu corpo, virei de ângulos umas quatro vezes.
As veias dos meus seios estavam mais visíveis, os mamilos mais escuros e maiores, meus seios estavam crescendo, inchando... Meus quadris alargaram e minha barriga que era lisinha já aparentava um certo volume. Passei a mão no meu ventre, sentindo uma certa rigidez e suspirei.
O meu corpo já não era mais o mesmo, as mudanças já estavam nítidas. Os seios e a barriga crescendo, e tudo aquilo não me agradava. Eu não me sentia mais bonita, havia perdido a vontade de me arrumar. Uma blusinha básica e meu jeans favorito não estavam mais servindo em mim. E meu corpo ia mudar ainda mais, eu sabia que ia ficar enorme e com possíveis estrias.
Balofa. Inchada. Horrível.
— Merda... — Comecei a chorar.
Droga de hormônios de grávida. Eu ficava muito sensível e chorava por besteiras. E claro, meu apetite tinha se tornado ainda mais voraz e as idas ao banheiro para aliviar a bexiga só aumentavam... Cólicas, gases, azia, estresse, sonolência e enjoos... Os malditos enjoos ainda persistiam. Aquilo era pior coisa, sem dúvidas.
Eu ia completar 4 meses de gestação em 5 dias. Carly e Freddie já estavam super ansiosos para saber o sexo do bebê, na última consulta descobrimos que as perninhas do bebê estavam cruzadas. O sexo do bebê não importava, eu só não queria que ele ou ela fosse parecido com aquele desgraçado...
Ainda era bastante difícil olhar para o Freddie, escutar sua voz e lembrar daquele maldito. Os pesadelos pareciam nunca terem fim, só pioravam... Quase todas as noites eu acordava chorando ou gritando.
Carly continuava me aconselhando, alegando que eu deveria procurar um psicólogo e blá, blá, blá... E Freddie concordava com ela, mas eu ainda me recusava. Falar sobre aquilo, me abrir com um estranho não ia me fazer esquecer, não ia me ajudar. Nada e ninguém seria capaz de me ajudar.
Minha mãe havia me ligado 3 dias depois que retornamos à Seattle. Teve a cara de pau de me ligar apenas para pedir dinheiro, falei para ela que não iria lhe dar nenhum centavo, ela ficou muito zangada e disparou muitas ofensas.
Palavras machucam, machucam mais que um tapa.
Flashback on...
— Eu não vou mais te dar dinheiro, pare de me ligar. — Falei irritada.
— Você é muito ingrata, sabia? Muito ingrata. Sua vagabunda! Não passa de uma vadia! Vai, admita! Deu um belo golpe no primeiro otário com uma bela conta recheada, não é mesmo? Aposto que o filho nem é dele, com certeza deve ser de algum marginalzinho pé rapado. E você está enganando esse pobre rapaz, vou mandar ele exigir o teste de DNA, você vai se foder, Samantha! Puta desde de pequena, não é mesmo? Edgar e Phill sempre diziam isso... Você já se oferecia para os meus homens, sua vadia, acha mesmo que eu não desconfiava? Você sempre foi uma putinha descarada...
— ISSO NÃO É VERDADE, MÃE! — Gritei chorando. — Eu não sou... Eu nunca... Não era culpa minha... Você botava aqueles homens nojentos dentro de casa... Eu era criança, mãe... O Edgar sempre vinha com elogios e me dava doces, mas eu nunca deixei ele tocar em mim, eu j-juro... — Solucei.
— Mentirosa! — Esbravejou.
— Eu só tinha 13 anos quando você tentou me convencer a subir para o quarto com um daqueles malditos... Uma mãe que ama a filha não faria isso... Você queria ganhar dinheiro fácil... Queria que eu fosse para a cama com um dos seus amantes... Que tipo de mãe você, é hein? Aposto que a Melanie gostaria de saber! — Falei amargurada e ela ficou muda por alguns segundos.
— Escute aqui, sua ingrata, não ouse...
Desliguei na cara dela, joguei o celular na cama e sentei na mesma, em prantos... Minha mãe. Minha própria mãe era um montro.
Flashback off...
Limpei as lágrimas e comecei a me arrumar. Havia marcado de ir passar o dia com a Carls no apartamento dela, ela havia prometido que faria o meu prato e minha sobremesa favoritos.
Passei hidratante no meu corpo e coloquei um vestido florido, presente da morena. Era branco com estampa de flores vermelhas, vesti uma legging vermelha e calcei minhas sapatilhas pretas. Fiz uma trança lateral, passei um pouco de gloss rosa-claro e borrifei um pouco de perfume.
Tirei uma nota de 20, uma de 10 e duas de 5 do meu porta-jóias que acabei transformando em cofre, peguei algumas moedas também e coloquei o dinheiro na minha velha e favorita carteira, guardando-a numa pequena bolsa de couro marrom. Freddie havia me dado um cartão para eu poder fazer compras no mercado que ele frequentava, mas eu não queria usá-lo... Ainda não.
Eu já tinha separado o dinheiro para o táxi, estava guardado no bolsinho interno da bolsa. Andar de ônibus estava me deixando muito nauseada, por isso passei a evitar.
[...]
— Sammy! — A morena abriu a porta e praticamente pulou em cima de mim. — Senti tanto a sua falta. — Ela me apertou em seus braços finos e delicados.
— Eu também, Carls! — Fechei os olhos, o abraço da Shay era tão gostoso.
Carly parou de me abraçar e se afastou para me analisar.
— Você está tão linda. — Tocou no meu rosto. — Está mais corada e com um brilho no olhar. — Sorriu. — Até o seu cabelo está ainda mais bonito. — Pegou na minha trança.
— Não exagera... — Afastei sua mão e ela deu espaço para eu poder entrar.
— Pelo visto o Freddie está cuidando muito bem de você. — Comentou.
— E pegando muito no meu pé, pode apostar... — Murmurei colocando minha bolsa no gancho, tirei minha jaqueta e pendurei também.
— Ele só faz isso porque se preocupa com você. — O defendeu.
— É... — Tive que concordar.
— A gente nem conseguiu conversar direito por telefone. Você nem contou os detalhes, agora pode ir me contando tudo... — Sentou no sofá e eu sentei ao seu lado.
— Contar o quê? Não aconteceu nada demais... — Me acomodei no sofá e coloquei uma almofada em cima das minhas coxas.
— Ah, qual é, loira? Você viajou com ele. Conheceu a família dele. Deve ter sido especial para os dois. — Abriu um sorrisão.
— Eu... É... Talvez você tenha um pouquinho de razão. Foi legal viajar pra Minneapolis, o rancho é um lugar maravilhoso. A família do Freddie é amorosa e todos gostaram de mim, exceto pela prima Bethanny. Ela me odiou. Mas eu fiz amizade com a mulher de um dos primos dele. As crianças se apegaram a mim e não foi nada fácil na hora de me despedir delas... Enfim, talvez um dia a gente te leve lá. — Falei omitindo os meus desentendimentos com a nojenta da Bethanny e também não falei sobre o Benson ter se declarado.
— Por quê a tal de prima Bethanny não gostou de você? — Indagou.
— Ah, fala sério, Carly! Depois de tudo que eu falei, você só prestou atenção nisso? — Retruquei.
— Responda a minha pergunta, loira! — Cruzou os braços.
— Ela gosta do Freddie e ficou o tempo todo com ciúmes. — Decidi contar.
— Credo! — A morena fez careta. — Nossa! Que vaca! — Exclamou.
— É... Mas não quero mais falar sobre isso... — Falar sobre a vaca Bethanny não era nada agradável.
— Mas, então... O Freddie não tentou se aproximar mais de você? Tipo, ficar mais íntimo, sei lá, não rolou nenhum clima entre você, hein? Hein? — Sorriu cutucando o meu braço.
— C-claro q-que n-não... — Acabei gaguejando e entregando a minha mentira. Merda.
— Não adianta tentar mentir pra mim, Sam. Eu te conheço, loira! — Começou a rir. — Ai, meu Deus! — Se levantou com um pulo. — Me conta! Me conta! Me conta! — Implorou dando pulinhos.
— Senta aí e pare de bancar a adolescente pirada. — Joguei uma almofada nela.
Ela parou de pular, voltou a sentar e me olhou ansiosa, os olhos dela estavam até brilhando de curiosidade.
— Ele se declarou. — Falei por fim, sentindo minhas bochechas pegarem fogo.
— EU SABIA QUE ISSO IA ACONTECER! — Gritou e levantou com um pulo de novo e começou a surtar, bem típico dela mesmo.
Horas depois...
— Já dá para casar, morena. — Falei após provar o macarrão com almôndegas que a minha amiga preparou especialmente para mim. — O molho também está uma delícia. — Elogiei.
— Sério? Ah, eu nem levo muito jeito na cozinha, até hoje ainda não aprendi a fazer uma limonada gostosa. — Fez bico e eu comecei a rir.
— Um dia você aprende. O Gibby sabe cozinhar? — Perguntei.
— Sim. A comida dele é maravilhosa! — Sorriu e vi aquele brilho especial no olhar dela. — E o Freddie, ele manda bem na cozinha? — Indagou.
— Até que ele se vira, mas não é lá essas coisas, sabe? O macarrão fica sempre um grude e ele sempre queima o frango quando vai fritar. — Expliquei e ela riu.
— Ainda bem que ele tem você lá, acho que ele se sentia muito solitário... — Comentou. — Está sendo ótimo morar com o Gibby, mas ele sempre esquece a toalha molhada em cima da cama, nunca abaixa a tampa da privada e alaga o banheiro. — Contou.
— Homens. — Revirei os olhos.
— É, o Freddie também faz alguma coisa do tipo? — Perguntou.
— Não. Ele é organizadinho demais. Às vezes isso me irrita. — Respondi.
— Será mesmo que ele existe ou é um sonho? — Sorriu divertida.
— Às vezes eu me pergunto isso... — Dei de ombros.
[...]
Antes de voltar pra casa, parei no mercado e comprei os ingredientes para preparar o prato preferido do Freddie. Era minha vez de me esforçar e dar um agradinho a ele, seria uma ótima forma de agradecer por tudo que ele estava fazendo por mim.
Cheguei em casa antes de anoitecer, e às 18:26 coloquei a lasanha de frango no forno elétrico e a sobremesa na geladeira. Comprei sorvete de chocolate e montei quatro taças com biscoitos Oreo, pedaços de morango e chantilly.
Tomei um banho rápido e coloquei um vestido azul-turquesa de alcinhas, soltinho e com o comprimento certo para a ocasião. Deixei meu cabelo solto, passei um pouco de batom cor de cereja e delineei meus olhos realçando a cor. Calcei minhas sandálias prateadas com tirinhas em torno do tornozelo, sem salto e borrifei um pouco do meu perfume novo.
Enquanto a lasanha ainda estava no forno, postei a mesa. O suco de abacaxi já estava pronto e geladinho, escolhi pratos brancos com desenhos nas bordas, copos de vidro e guardanapos de pano bordados.
Coloquei um pequeno arranjo de flores artificiais no centro da mesa num jarro de vidro. Eram rosas amarelas, foi o que deu para comprar por 4 dólares.
O forno apitou, a lasanha já estava pronta. Desliguei da tomada e deixei a travessa no forno para ficar aquecida com o normaço, olhei as horas no relógio da cozinha. 19h:09min.
— Uau! — Me virei rapidamente e vi ele parado na entrada da cozinha.
Ele franziu o cenho e abriu um sorrisinho bobo, coçou a nuca e eu murmurei um 'Oi' sem jeito.
— Oi. — Entrou na cozinha e se aproximou, com certeza havia deixado a mochila na sala. — Isso tudo é... — Apontou para a mesa, ficou sem palavras.
— Me deu vontade e decidi preparar uma lasanha. — Falei sentindo minhas bochechas ruborizarem.
— Oba! Estou faminto! Amo lasanha. Só vou tomar um banho e não vou demorar, ok? — Avisou e eu assenti.
Minutos depois...
Freddie apareceu usando uma camisa branca com mangas, calça cinza de moletom e pantufas azuis. O cabelo dele estava úmido, ele deve ter tentado alinhar os fios usando os dedos, sentou-se sorridente e eu fui tirar a lasanha do forno que estava no modo 'aquecer'.
— Você está especialmente linda hoje. — Me elogiou.
— Obrigada. — Agradeci sem jeito.
Servi uma generosa fatia de lasanha, fiquei com preguiça de fazer arroz, mas caprichei bastante na decoração e no molho. Coloquei uma fatia ainda maior no meu prato e ele serviu o suco, enchendo ambos os copos.
— Que cheirinho maravilhoso... — Inalou o cheiro. — É a minha preferida, sabia? De frango... — Pegou a faca e o garfo.
— Sério? — Me fingi de desentendida. — Eu também faço uma de bacon com molho vermelho que levanta até defunto. — Falei e ele achou graça.
— Não duvido. — Provou o primeiro pedaço e fechou os olhos. — Muito saborosa. — Elogiou após engulir.
— Que bom que gostou. Também fiz sobremesa. — Avisei.
— É mesmo? Já estou ansioso para provar. — Tomou um gole do suco. — Rosas amarelas... — Olhou para as flores de plástico.
Abaixei o rosto, me sentindo uma boba. Eu não devia ter comprado as flores, o que ele devia estar pensando de mim?
Jantamos e começamos sobre coisas banais, ele falou sobre o dia dele no trabalho e eu falei sobre o meu dia com a Carly, omitindo sobre certas coisinhas...
— Espero que goste. — Entreguei a taça de sobremesa.
Fomos para a sala e ele ligou o aparelho de som, deixou no volume nem tão alto e nem tão baixo.
— Amo sorvete de chocolate. — Comentei e enchi a colher.
— Prefiro de creme com ameixa. — Sorriu e eu fiz careta.
[...]
P.O.V Do Freddie
Ela estava tão linda com aquele vestido azul, e ficava ainda mais linda toda vez que corava. Eu não queria deixá-la ainda mais envergonhada perguntando se ela tinha feito o meu prato preferido para me agradar, mas eu já desconfiava que sim. Até reparei na mesa posta com aquele pequeno e simples arranjo de rosas amarelas.
Ela preparou uma lasanha divina, até fez sobremesa. Será que era especialmente para mim? Ou eu estava me iludindo lindamente? Aquilo tudo realmente foi uma surpresa, eu não estava esperando nada daquilo...
Pousei a taça pela metade na mesinha de centro ao lado da dela, Sam já até havia esvaziado a dela.
— Quer dançar? — Tomei coragem e perguntei me levantando.
— Eu não sei dançar... — Respondeu dando uma risadinha.
— Também não sei. — Falei e ela riu de novo. — Mas podemos arriscar alguns passos, o que acha? — Lhe estendi a mão.
— Pode ser... — Concordou.
Ela segurou a minha mão nos primeiros versos de I Won't Give Up.
Repousei uma das mãos em sua cintura e seus braços enlançaram o meu pescoço, acariciei seu rosto com a mão livre e começamos a nos mover devagar de um lado para o outro. Sam sorriu e eu retribuí, em seguida apoiou o lado direito do rosto perto do ombro, desci a outra mão até a sua cintura e continuamos praticamente no mesmo lugar, apenas nos movendo bem devagar, ambos meio desengonçados.
Senti ela abafando uma risada contra o meu peito, suas mãos escorregaram pelos meus ombros.
— O que foi? — Perguntei girando-a junto comigo.
— Nós dois... Isso é... Que tipo de dança é essa? — Perguntou entre risos.
Acariciei sua cintura e girei novamente fazendo ela me acompanhar.
— Assim vou acabar ficando tonta. — Apertou meus ombros.
— Desculpe... — Deslizei as mãos por suas costas.
— Pelo menos você não está pisando no meu pé. — Riu voltando a colocar os braços ao redor do meu pescoço. — Ops! — Ela pisou no meu pé direito.
— Ai, doeu. — Brinquei.
— Que molenga, nem foi tão forte...
— É brincadeira. — Falei e rimos.
A música chegou nos últimos versos. Sam continuava sorrindo, me encarando com aqueles belos olhos azuis, segurei sua cintura com mais firmeza e não consegui mais me segurar...
Nossos lábios apenas se tocaram, não durou nem três segundos.
— Não! — Sua voz saiu alterada. Fui empurrado com força.
Sam se soltou dos meus braços e saiu correndo. Corri atrás dela, ela fechou a porta do quarto com violência.
— Por favor, abre! — Pedi desesperado. — Precisamos conversar. — Bati na porta. — Eu sinto muito... Me desculpa, Sam... Sinto muito mesmo... — Parei de bater na porta.
Ela não abriu, sequer falou alguma coisa. Sentei no chão e me encostei na parede, eu conseguia ouvi-la mexendo em algo, mas eu não conseguia distinguir o barulho direito...
Levantei do chão quando a ouvi abrindo a porta.
— Sam, eu... — Me calei quando ela passou por mim bruscamente, sem me olhar, ela estava levando uma mala.
Fui atrás dela, implorando pra ela parar um minuto e me ouvir.
— Por favor, não vá... — Implorei me colocando em frente à porta.
— Me deixe ir, eu só quero ir embora... — Disse nervosa, a voz dela estava ficando embargada.
— Não, Sam, eu sinto muito por ter estragado tudo, mas não vá embora... Não vá. — Comecei a chorar.
— SAIA DA MINHA FRENTE! — Gritou começando a chorar. — Você me beijou... Ia tentar se aproveitar de mim... Você...
— Eu jamais iria me aproveitar de você, eu juro. Só encostei os lábios nos seus por uma fração de segundo, aquilo sequer foi um selinho... Isso nunca mais vai se repetir, eu... Pensei que...
— Eu não estou preparada, você devia saber... Eu não quero... Nós não... — Ela começou a soluçar.
— Acabei me apaixonando por você... Não foi minha intenção... Mas eu juro que não vou mais tentar nada, apenas fique. — Supliquei.
— Eu... Eu gosto de você, Freddie. Você é bom para mim, já te considero como amigo, mas eu não posso me envolver com você... — Disse me olhando com tristeza.
— Posso ao menos te levar? — Saí da frente da porta.
— Não... — Balançou a cabeça. — Eu vou ficar... Só me alterei... — Disse baixinho sem me olhar.
— Vou pegar um copo d'água para você. — Falei e ela assentiu.
[...]
P.O.V Da Melanie
— Quando você vai me levar para conhecer os seus pais? — Perguntei enquanto passava hidratante nas pernas.
— Não sei, linda, não sei... — Respondeu observando cada movimento meu.
— Estou louca para conhecê-los. — Falei sendo sincera.
— Tenho certeza que eles vão adorar conhecê-la também. — Sorriu para mim.
— Ontem minha mãe me ligou, tive que enganá-la. Ela pensa que estou em Milão, coitada, eu não sei até quando vou aguentar mentir para ela. Isso não é certo, Ed. Eu não deveria ter trancado a minha faculdade, eu...
— Relaxa, a gente vai dar um jeito nisso. Você pode voltar para a faculdade no ano que vem. Vou com você, não se preocupe com isso. — Tentou me tranquilizar.
— Own, Ed, você é muito fofo, sabia? — Guardei o hidratante e subi na cama indo para perto dele. — Lindo... — Beijei seu queixo e rocei nossos lábios.
— Você é que linda. — Me puxou para cima dele e me beijou.
Suas mãos desceram para as minhas coxas e sua língua invadiu a minha boca. Seus dedos deslizaram pela minha pele, subiram por baixo da minha camisola e começaram a me acariciar por cima da calcinha.
— Ooh, Ed... — Gemi contra seus lábios.
Paramos de nos beijar e ele afastou minha calcinha, me penetrou um dedo e eu ofeguei, apoiando as mãos em seu peito.
— Já está molhadinha para mim, é? — Sorriu malicioso.
— S-sim, ah, amor... — Seu dedo me estocando devagar era uma tortura.
De repente ele retirou o dedo, me tirou de cima dele e se ajoelhou na cama, abaixando a calça de moletom, ele já estava excitado como sempre...
— Vem aqui. — Me puxou e forçou minha cabeça para baixo. — Abra a boca. — Pediu.
— Ed, eu não...
— Cale a boca e me obedeça! — Ordenou.
Enguli um seco, seu tom e seu olhar haviam mudado. Aquele já não era mais o Ed fofo e carinhoso...
Minutos depois...
Limpei a boca, lutei contra a ânsia de vomitar, se eu corresse para o banheiro ele ia ficar muito bravo comigo.
— Pare de fazer careta. Odeio quando você faz isso. Não gosto de mulheres que ficam de frescurinha. — Ele disse irritado, me deitando.
— Espere um pouco, Ed, eu...
— Calada! — Me cortou.
Subiu minha camisola, rasgou minha calcinha, abriu minhas pernas e se acomodou entre elas...
[...]
Ele finalmente saiu de cima de mim, virei para o lado direito, me encolhi, controlando o choro. Aquela não era a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira vez que ele praticamente me forçava a fazer sexo com ele... E o pior de tudo era que eu sentia prazer, sempre chegava ao ápice, era inexplicável. Era errado, porém, eu não conseguia evitar.
Saí da cama e tirei a camisola, eu estava suada e um pouco dolorida. Nós rumamos para o banheiro, ele foi fazer xixi e eu entrei no box. Me lavei rapidamente usando o chuveirinho, me enrolei na toalha e ele adentrou o box.
Voltei para o quarto, vesti uma calcinha e a mesma camisola, descartei a calcinha rasgada. Deitei na cama e peguei um livro, o Ed terminou de tomar banho, se vestiu em silêncio e voltou para a cama. Nenhum de nós trocou uma palavra.
Li um capítulo inteiro de um romance, fechei o livro e o coloquei na mesinha de cabeceira. Olhei para o Ed e ele já estava dormindo profundamente, passei a mão por seu cabelo macio e beijei sua testa antes de me acomodar para dormir.
Acordei durante a madrugada, assustada com os gritos dele. Meu namorado estava agitado, tendo mais um de seus terríveis pesadelos. Liguei o abajur.
— Por favor, não faz isso comigo... Você é mau... Você sempre me machuca... Você é mau... — Ele agitava as pernas e fazia caretas de dor. Estava todo suado.
— Edward! Ei, Amor! Ed! — Comecei a balançá-lo, segurando seus ombros com firmeza. — Acorde! Acorde, Ed! ACORDE, EDWARD! — Gritei sacudindo-o com força.
Ele despertou me empurrando, quase fui jogada para fora da cama.
— MELANIE! — Gritou sentando na cama.
— Estou aqui. Estou bem aqui, meu amor. — Me aproximei e meu moreno se jogou nos meus braços.
— Me desculpe, se eu te machuquei, por favor, me perdoa, minha linda... — Começou a chorar contra o meu peito.
— Shhh, está tudo bem, estou bem, foi só um empurrãozinho, nem doeu... Shhh, não chore, olha para mim, Ed. — Levantei seu rosto. — Foi um pesadelo. Só um pesadelo, meu amor... Você está seguro. — Acariciei seu rosto banhado em lágrimas.
— Parecia tão real, eu pensei que... — Olhou para os lados, amedrontado.
— Você está tendo muitos pesadelos, Ed. Isso não é normal. Você sempre acorda assim, todo apavorado... E diz coisas, quase sempre as mesmas coisas... Me diz, quem é mau? Quem machuca você nesses pesadelos? Não são apenas sonhos ruins, não é? São lembranças? — Perguntei cautelosa.
— Quantas vezes eu tenho que dizer que não? Não! Não são lembranças, Melanie! São apenas pesadelos! — Disse rude, levantando bruscamente.
— Tem certeza, Edward? É difícil acreditar, você sempre fica transtornado quando eu pergunto. Você nunca me conta sobre esses malditos sonhos, eles torturam você, te deixam assustado, isso tudo também me assusta. Me assusta tanto, Ed... Não gosto de vê-lo assim, chorando e gritando, eu também estou sofrendo junto com você... — Comecei a chorar.
— Não fique assim, minha linda. — Voltou pra cama e me abraçou.
— Pode confiar em mim, Ed... Você pode desabafar comigo, meu amor... Não guarde todo esse tormento apenas para si. — O apertei em meus braços.
— Você tem razão, Mel... É complicado e muito doloroso... — Disse bem baixinho.
— Promete que um dia vai desabafar comigo? — Pedi acariciando suas costas.
— Prometo... Eu prometo. — Deitou e me aconchegou em cima de seu peito.
— Eu amo você... — Sussurrei.
Ele não respondeu. Ficamos em silêncio. Talvez ele não tenha escutado, fechei os olhos quando ele nos embrulhou e beijou a minha cabeça.
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