Nos Dê Uma Chance - Concluída
38 Amor que machuca
Notas iniciais
Dias depois...
P.O.V Da Melanie
Meu corpo continua dolorido, eu estou na base de analgésicos, ainda me recuperando das fraturas que tive. Foi por pouco, poderia ter sido mais grave. A médica disse que tive sorte, que escapei de ter lesões sérias, eu até mesmo poderia ter batido a cabeça com força, o que me levaria a ter mais complicações, sabe Deus se eu sobreviveria se o carro tivesse me acertado em cheio.
Como eu pude me deixar ser enganada pelo Edward? Fui tão tola, ingênua, patética. Sam tinha razão, minha irmã deve estar me odiando, vi mágoa e repulsa em seu olhar lá no hospital.
Eu a traí da pior maneira. Não pensei nela, passei por cima dos seus sentimentos, saí correndo para os braços do homem que a machucou e a marcou da forma mais dolorosa que existe. Minha irmã, minha única irmã, eu a magoei. Sei que fui sua pior decepção.
Talvez eu merecesse a morte.
Errei feio, não foi justo com ela. Nem comigo, Edward me enganou, me iludiu. Brincou com meus sentimentos, me manipulando. Eu acreditei em suas palavras, saí que nem louca achando que ele estava em perigo.
Tudo não passou de um jogo.
Sam deve estar arrasada, será que um dia vai me perdoar? Será que eu mereço o seu perdão? Deus, que tipo de irmã eu sou?
— Filha. — Minha mãe bateu na porta.
— Pode entrar, mãe. — Falei sentando na cama com certa dificuldade.
— Só vim avisar que estou de saída. Marquei uma consulta no dentista. Vou chegar antes das 11h. Qualquer coisa me liga. — Ela avisou.
— Pode ir tranquila, vou ficar bem. — Ajeitei o travesseiro atrás das minhas costas.
Ouvi os passos dela se afastando, minha mãe já estava indo embora. Eu tinha uma jarra de água com gelo, um copo e duas cartelas de comprimidos sobre o criado-mudo.
— Melanie? — Ela retornou e abriu a porta.
— Esqueceu de me avisar algo? — Perguntei.
— Freddie está lá na porta, ele veio te visitar. Posso deixar ele subir? — Indagou.
— A Sam não veio? — Fiquei desanimada.
— Não. Ele disse que será rápido, que quer conversar com você. Sua irmã não quis vir. — Explicou.
— Deixe ele entrar. — Fiquei curiosa e um pouco apreensiva.
Ela assentiu e encostou a porta, desceu para falar com o Freddie.
— Melanie. — Paralisei ao ouvir aquela voz.
Ele empurrou a porta e foi logo entrando no quarto.
Olhei para o lado direito, meu celular estava à poucos metros de mim, carregando. Tentei levantar, minhas costas e minhas costelas latejaram, gemi de dor.
— Não! Por favor, não faça esforço. — Veio para o meu lado rapidamente.
— O que faz aqui? Como ousou enganar minha mãe? — O encarei indignada.
— Se acalma, eu vim em paz. Eu jamais...
— Jamais faria algo contra mim? Você já fez muito! Por sua culpa estou aqui toda machucada e dolorida! Eu poderia ter morrido! Como se atreve a me procurar? Eu vou ligar para a polícia! — Ameacei.
Tentei levantar, eu precisava alcançar meu celular.
— Não precisa, eu te imploro, Mel. Por favor, me escuta. Só quero conversar. Vim aqui te pedir perdão. — Edward segurou meus ombros com cuidado e me fez apoiar as costas no travesseiro.
— Vá embora, me deixa em paz. Seu amor me machuca. É doentio. — Comecei a chorar.
Ele me olhou triste. Desviei o olhar.
Edward enganou minha mãe se passando pelo irmão. Ele não tinha limites.
— Não foi minha intenção, eu preferia morrer a te ver nessa situação. As coisas sairam do controle naquela noite, sinto muito... Me perdoa, Mel. Olha para mim, apenas diga que me perdoa. — Suplicou tocando meu rosto.
— Não me toque... — Fechei os olhos.
Eu queria sentir nojo, juro que queria. Mas eu só sentia mágoa.
— Quando o carro te atingiu, senti tanto medo, pensei que fosse te perder, juro que eu não suportaria... — Estava tão perto, ele encostou o rosto no meu ombro.
Sua voz se embargou. Mantive meus olhos fixos na parede.
— Você já me perdeu. — Falei.
— Não, isso não é verdade. Sei que me ama, você pode até tentar me enganar, continue negando, mas não minta para si mesma. Tudo que vivemos foi intenso, foi real. Eu me abri para você, compartilhei meus segredos mais obscuros. Me entreguei por completo. Todas as vezes que te toquei, que nós fizemos amor, você se entregou, Mel. Você sabe que me...
— Não. Não. Não! Pare, apenas pare... Não quero mais ouvir. Vá embora, Edward! — Pedi em meio ao choro.
Por mais que eu negasse, ele estava certo. Eu me odiava por aquilo.
— Assim que eu me recuperar e puder sair dessa cama, irei pedir medidas protetivas. Você não vai mais poder chegar perto de mim, e se voltar a me importurnar, você irá ser preso. Você vai pagar por tudo que fez, Edward! — Eu disse reunindo coragem para encará-lo. — Você já devia estar atrás das grades ou internado num manicômio, uma pessoa doente como você não deve ficar convivendo no meio da sociedade! — Minhas palavras duras o atingiram.
— Não sou um maníaco, muito menos um pedófilo. Sei o que fiz, estou ciente que ataquei sua irmã naquela noite! Uma única vez, eu não sou um predador sexual! Eu não sou doente! Não sou um monstro! — Ficou alterado.
Seu rosto estava vermelho, veias saltavam na sua testa, no seu pescoço.
— PARA MIM VOCÊ É PIOR! NUNCA VOU TE PERDOAR! — Gritei.
Nervosa, eu estava tão nervosa. Pontadas dolorosas atingiram meu corpo. Eu precisava dos meus analgésicos.
Ele viu quando eu olhei para as cartelas de remédio. Agiu rápido, encheu o meu copo d'água.
Tirou um dos comprimidos compridos e brancos, me entregando junto com o copo.
Lágrimas escorriam por meu rosto, molhando minhas bochechas. Meu coração batia acelerado. Coloquei o analgésico na ponta da língua. Segurei o copo com a mão ainda trêmula e tomei um gole de água.
Edward sentou na cama, ao meu lado.
— Descanse. — Pegou o copo e deixou sobre o criado-mudo.
O silêncio caiu sobre nós. Nos entreolhamos.
Ele segurou meu rosto e colou os lábios nos meus, relutei travando a boca. Seus toques acariciando meu rosto eram suaves, fui relaxando, me corpo me traindo, a mente nublando.
Após o beijo lento e demorado, Ed encostou nossas testas.
— Você devia se entregar. — Segurei seus ombros.
— Sinto muito. — Se afastou.
— Por favor, se entregue. — Implorei.
— Não, Melanie. Eu enlouqueceria atrás das grades, você sabe o que fazem com estupradores? Eu prefiro morrer! — Disse saindo da cama, rumando até à porta. — Adeus. — Falou sem olhar para trás.
Caí aos prantos quando a culpa me golpeou com força. O beijei. Eu o amava... Amava tanto. Enlouquecidamente.
Aquele amor ainda ia acabar comigo.
[...]
P.O.V Da Sam
— O que acha de viajarmos para a casa dos meus tios? Eles moram no Sul da Georgia. São solitários, sem filhos, não se importariam se nós fôssemos passar alguns dias com eles. — Convidei Freddie.
— Eu adoraria conhecer os seus tios. Vai ser bom para nós, quando podemos ir? — Pareceu animado com o convite.
— Sério? Isso vai ser ótimo! Vou pesquisar o preço das passagens depois. Você vai gostar de lá, eles são legais. — O abracei passando os braços ao redor do seu pescoço.
— Nada mais justo, você já viajou comigo e conheceu parte da minha família. Agora quero conhecer a sua! — Segurou meu rosto para me dar um beijo terno.
— Quando a Alice nascer podemos ir visitar sua família de novo. Adorei conhecer seus tios e tias, seus primos são legais, exceto a Beth. — Fiz carinho em sua nuca.
— Pensei que não guardasse rancor. — Acariciou meu rosto, deslizando os polegares por minhas bochechas.
— Não a odeio, foi ela que implicou comigo. Só não acho que seremos amigas. — Falei.
— Tudo bem, linda, não precisa ser amiga da Beth. — Beijou minha testa.
— O que vamos fazer nessa sua folga hoje? Cansei de ficar aqui sem ter nada inovador para fazer. — Mudei de assunto.
— Vamos passear? Para qualquer lugar, só basta você escolher. — Seus olhos castanhos encaravam os meus.
Marrom no azul. Duas cores tão distintas.
— Ainda tem aquela feira de comidas e prendas, onde comprou isto? — Toquei meu pingente.
— Vamos à feira então, todo mês eles renovam o cardápio de vendas e novidades artesanais chegam de outros estados. — Sorriu, contornando o meu nariz com a ponta do indicador.
— Já estou ansiosa para hoje à noite. — Retribuí o sorriso.
Freddie me ajudava com as tarefas de casa, nunca reclamava de nada. Era um bom namorado, uma ótima companhia.
À cada dia a minha admiração por ele aumentava.
[...]
P.O.V Do Freddie
— Você está linda. Na verdade, você é linda, nunca duvide disso. — Peguei sua mão delicada e depositei um beijo.
— Obrigada. — O rubor se espalhou por suas bochechas.
Ela estava usando um vestido azul-escuro, o tom quase negrume como a noite. O que destacava a cor de seus olhos azulados, o tecido soltinho se ajustava em seu corpo.
Sandálias prateadas com tiras que se entrelaçavam nos tornozelos, com pedrarias brilhantes enfeitando os pés pequenos e gordinhos pela gravidez. Sua barriga se encontrava discreta por baixo do tecido escuro.
— Vamos? Estou louca para provar os quitutes. — Sam tinha muito apetite, não se preocupava com dietas e não tinha frescura para comer.
Aquilo era uma das coisas que me encantavam nela.
— Alice, sua mamãe é a mulher mais gulosa desse mundo. — Brinquei falando com sua barriga.
— Ela vai herdar meu apetite, minha filha vai se parecer muito com a mamãe. — Acariciou o ventre orgulhosa.
Assim eu esperava. Que a bebê fosse como ela, que herdasse seus traços, que fosse uma miniatura da loira.
— Ela vai ser tão linda e maravilhosa como você. — Fiz carinho em sua barriga. — Amo vocês duas. Muito. — Beijei sua testa e desci para a sua boca, Sam segurou minha nuca devolvendo o beijo.
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