Horas depois, a noite já havia caído no Alasca. O quarto estava imerso em penumbra, quebrada apenas pelo brilho trêmulo da lareira, que depois de ser acesa, projetava reflexos âmbar sobre a pele marmorizada de Kate e Garrett. Os cabelos loiros de Kate espalhavam-se graciosamente sobre a fronha de linho do seu travesseiro e um sorriso surgia em seus lábios enquanto seus olhos dourados miravam o teto branco do quarto.

Quando séculos atrás perdeu sua mãe, Sasha, Kate e suas irmãs buscaram refúgio nos braços de homens humanos, dando início ao mito succubus. Agora tinha perdido sua irmã mais nova e a saudade para sempre estaria acompanhando-a, mas Kate havia encontrado os braços de Garrett um propósito para continuar após a morte de Irina. Tudo que Kate desejava era que Tanya também encontrasse o propósito dela.

A mão direita de Kate repousava contra seu peito e ela segurava firme a manta de pêlos cinza que cobria sua nudez, que ainda palpitava com a lembrança do que ela e Garrett tinham vivido horas antes. Nenhum homem, vampiro ou humano, com quem tinha se envolvido a fazia sentir o que ela sentia com Garrett. Ele era sua alma gêmea e agora Kate entendia o porque de Irina ter enlouquecido após a morte de Laurent. Se ela perdesse Garrett, também endoidaria.

A mão esquerda de Kate repousava entre eles, unida à mão direita de Garrett. Seus dedos entrelaçavam-se num elo silencioso e ela podia sentir o polegar de Garrett acariciando o dorso da sua mão. Seus anéis prateados refletiam à luz avermelhada das chamas da lareira.

Ao seu lado, Garrett estava sentado, com suas costas encostadas na cabeceira acolchoada e sua cabeça encostada ali. Seus cabelos castanhos, um tanto compridos, estavam bagunçados, indo pra todas as direções, mas ele estava um gato na opinião de Kate. Seu braço esquerdo dobrado atrás da cabeça servia-lhe de apoio, enquanto o direito permanecia esticado no meio deles, com seus dedos da mão entrelaçados aos dedos de Kate. A manta envolvia seus quadris, deixando exposto seu torso nú, iluminado de modo sutil pelas chamas da lareira. Seus olhos rubis estavam fixados na loira que tinha ao seu lado e seus lábios curvavam-se para o lado, em direção à ela.

Apesar do seu silêncio e da sua calmaria estampada no rosto, sua mente borbulhava. Depois de dois séculos vagando solitário, vivendo uma existência regada ao sabor do sangue humano, sem nunca cogitar se unir a um clã por nunca encontrar um com o qual se identificasse, lá estava ele, com Kate e sua nova família, vivendo no Alasca. Mesmo a conhecendo a tão pouco tempo, a amava mais do que tudo no mundo. Foi por seu amor que ele suportou toda a dor lancinante das descargas elétricas que percorreram o corpo dela naquela clareira. Garrett sabia destino de Kate seria o mesmo de Irina se permitisse que ela atacasse Caius e ele simplesmente não podia permitir-se viver em um mundo sem Kate agora que finalmente a havia encontrado. Deixá-la partir equivaleria a morrer junto.

Kate, ao perceber que era observada, olhou para Garrett. Kate apertou suavemente os dedos dele no instante que seus olhos dourados e intensos encontraram os olhos rubi dele. Garrett inclinou levemente o rosto para mais perto do rosto dela, com os lábios curvados num meio sorriso reverente.


-Você está bem?- Garrett sussurra e Kate sorri preguiçosamente

-Mais do que bem — ela respondeu, estreitando seus dedos entre os dele e puxando a mão dele para seu próprio peito, o que faz Garrett olhar para suas mãos unidas sobre o peito dela e sorrir. Kate continua olhando para ele — E você?

-Como não estar se tenho a mulher mais linda do mundo ao meu lado? — Garrett responde, abrindo um sorriso de uma forma que seus dentes brancos ficassem à mostra. Kate sorri e observa como Garrett ergue seu torso e desencosta a cabeça da cabeceira, de forma que se apoiava em seu cotovelo na cama. Os olhos dourados de Kate o observam se inclinando sobre ela — eu te amo, Katie — ele sussurra, olhando nos olhos dela, enquanto sua mão esquerda deslizou até repousar no seu quadril direito enquanto a mão direita dele se soltava dos dedos dela apenas para envolver o corpo dela por baixo e pousar sua mão espalmada no meio das costas nuas dela.

-Também te amo, patriota.... — ela sussurra de volta, erguendo suas mãos até o rosto de Garrett. Seus dedos roçam a pele fria e marcada do maxilar, sentindo a textura da barba dele. Kate fechou os olhos e suspirou quando seus lábios por fim se encontram — Esperando o quê pra me tornar sua de novo? — ela responde divertida. Garrett solta uma risada antes se seus lábios se encontrarem mais uma vez — Kate pergunta, de olhos fechados e roçando seus lábios nos lábios dela. Garrett ri, ainda de olhos fechados, e volta a beijá-la.


Garrett mais uma vez se perdeu no gosto dela e Kate mais uma vez se perdeu no gosto dele. O calor do corpo dela contra o seu, mesmo na frieza natural de ambos, parecia incendiar cada nervo de seus corpos imortais. Como não precisavam respirar igual faziam os humanos, o beijo se aprofundava de uma forma que parecia incendiar até o ar ao redor deles. Até o fogo da lareira pareceu intensificar. Garrett, ainda com a mão firme na lombar de Kate, deslizou a outra mão que estava no quadril dela até alcançar a manta de pêlos que os cobria e com um único movimento decidido, a jogou para longe, tirando a última barreira que impedia que seus corpos nús se unissem novamente, assim deixando que o tecido denso caísse pelo lado da cama, esquecida.

Garrett sobe encima de Kate e seus braços voltam a rodear o corpo dela. Suas mãos passeiam pelas costas nuas de Kate. Seus corpos nús pareciam que foram esculpidos sob medida para se encaixar no outro, sem falhas. Kate envolveu a cintura dele com suas pernas, atraindo-o mais para perto. O roce do membro enrijecido de Garrett contra sua intimidade arranca um gemido tanto dela quanto dele, abafados contra os lábios do outro. Garrett não perde tempo e a penetra, apertando um pouco mais a mão contra a lombar de Kate, apertando ela contra ele, como se temesse que o universo pudesse roubá-la dele. Kate, com os dedos enterrados nos cabelos dele, geme contra sua boca, sentindo-o estocar dentro dela e aumentar gradativamente a velocidade.

As mãos de Garrett passeiam pelas costas nuas de Kate com delicadeza. Percorria cada curva, sentindo cada reação dela, cada estremecimento que surgia debaixo de seus dedos. Kate, por sua vez, afundava mais as mãos nos cabelos dele. Seus corpos se moldavam naturalmente, como se fossem feitos um para o outro. O toque de suas mãos, o encostar de suas testas, o roçar de lábios em lábios e em bochechas transformava cada instante em um momento eterno, como se o tempo tivesse parado só para eles.

Ali, nos braços um do outro, já não havia pressa, não havia mais medo. Apenas a certeza de que pertenciam um ao outro, e que a eternidade inteira não seria suficiente para saciar o amor que os unia. Finalmente Kate sentia que estava no lugar certo nos braços dele, onde agora pertencia.

Depois do orgasmo, eles abrem os olhos ao mesmo tempo. O dourado intenso dos olhos de Kate encontrou os rubi profundos de Garrett, e um sorriso suave se espalhou por seus rostos. Seus lábios ainda se roçavam em um beijo preguiçoso, e seus narizes se tocavam levemente.

Garrett permaneceu sobre ela, com seus braços envolvendo Kate com firmeza. As mãos dela permaneciam nos cabelos castanhos dele e seus braços passados sobre os ombros dele, reforçando a conexão íntima e silenciosa que compartilhavam. As pernas dela continuavam a abraçar a cintura dele, mantendo os corpos próximos, perfeitamente moldados um ao outro, como se o universo tivesse feito cada detalhe para encaixá-los assim.


-Eu poderia ficar assim para sempre com você — sussurrou Garrett, a voz baixa, rouca e cheia de emoção, enquanto sua mão direita deixa as costas nuas dela para deslizarem pelo rosto de Kate. A ponta de seus dedos acariciam a bochecha dela e Kate fecha os olhos, sorrindo — queria ter te conhecido antes...

-Eu também queria ter te conhecido antes, mas pensa pelo lado positivo. Nós temos toda a eternidade pra recuperar o tempo perdido — respondeu Kate em um sussurro, com um sorriso suave nos lábios, absorvendo cada toque dele. Garrett sorri e lhe rouba um selinho, fazendo Kate roubar outro dele. Os dois riem e Kate abre os olhos para encarar os olhos de Garrett, ao mesmo tempo que suas mãos deslizam pelos ombros dele até pousarem na clavícula dele — te amo, patriota...


Garrett sorri com o apelido. Ele poderia fácilmente se acostumar com aquilo.


-Também te amo, corrente elétrica — ele brinca, claramente se referindo ao dom de Kate de criar correntes elétricas, o que arranca uma risada dela. Ele ri e a mordisca de leve e demoradamente o lábio inferior de Kate, ao mesmo tempo que sua mão direita volta para as costas dela e a acaricia lentamente com a ponta de seus dedos de ambas mãos. Kate emite um gemido abafado contra os lábios de Garrett e desliza ambas mãos pelos braços dele. A ponta de seus dedos tateavam o contorno definido dos bíceps de Garrett e cada gesto trazia consigo a certeza de que não havia nada no mundo mais precioso do que aquele instante. E ali, entre beijos e toques carinhosos, eles permaneceram, entrelaçados e sem pressa, entregues à eternidade que agora tinham um ao outro para explorar.


*******

Eles tinham acabado de sair do banho. Kate estava parada diante do armário aberto do closet, enrolada em uma toalha que cobria seu corpo ainda úmido como um vestido curto tomara que caia. Seus longos cabelos loiros escorriam por seus ombros e pelas suas costas, grudando em sua pele alva. Kate passava os dedos pelas roupas no cabides, ainda indecisa sobre qual roupa vestir, enquanto Garrett se movimentava silenciosamente atrás dela.

Garrett, assim como ela, estava descalço sobre o carpete cinza do closet, e tinha apenas uma toalha amarrada ao redor do quadril. Seus cabelos, úmidos, caíam bagunçados sobre sua testa, e Garrett retirava, um a um, todos os itens de sua mochila apoiada no banco da penteadeira de Kate. Cada peça de roupa amassada por ter sido dobrada de qualquer jeito, era examinada por ele. Enquanto Kate ainda estava indecisa sobre o quê vestir, ela olhou para Garrett por cima de seu ombro e o viu tirando da mochila algumas cuecas surradas. Algumas cédulas amassadas caem no chão, parecendo ter sido jogadas dentro da mochila às pressas.

Kate percebeu a gaita vermelha com detalhes prateados sobre sua penteadeira, brilhando sob a luz suave do closet. Garrett abaixou-se para pegar uma nota de vinte dólares que havia caído no chão, e Kate, curiosa, não conseguiu conter sua curiosidade.


-Você disse que me contaria sobre a sua gaita... — ao ouvir Kate, Garrett se endireitou, fitando-a com seus olhos intensos — onde foi que você conseguiu ela? Aposto que não foi de um jeito convencional...


Garrett ri e olha para sua gaita, pegando-a em sua mão direita, a mesma que segurava a nota de vinte dólares, e deixa o instrumento em evidência enquanto olha para ela. Kate olhava para a gaita e para ele, intercalando sua atenção.


-Bom... Eu a tenho a dois anos já... — ele faz uma pausa e olha para Kate, que olhava agora para ele — mas pra você entender a história. Eu preciso contextualizar antes... — ele faz uma pausa dramática e Kate ri baixinho. Ele então continua — eu tenho um código de ética, se é que vampiros podem ter algo assim — ele brinca, passando a mão nos cabelos molhados para jogá-los para trás, e Kate ri, pondo as mãos na cintura — Você precisa saber que eu odeio matar... não acho que os humanos sejam tão desprezíveis como muitos da nossa espécie acreditam, quer dizer, alguns são.... — ele faz uma pausa dramática e Kate ri — O que quero que você saiba é que eu já tentei ser vegetariano uma vez, logo que me tornei vampiro em 1782 quando conheci Carlisle e ele me contou sobre a dieta de sangue animal. Eu tentei por alguns meses, mas não manter porque era muito difícil controlar minha sede sendo recém-criado... Por isso segui meu próprio caminho.


Kate fica surpresa com a revelação de Garrett, e um sorriso orgulhoso, quase inconsciente, se formou em seus lábios enquanto ela percebia que ele compartilhava o mesmo apreço pela vida humana que ela e sua família sempre valorizaram. Mais surpresa ainda estava ela por saber que ele já tentou ser vegetariano uma vez...


-Garrett... — Kate ia dizer algo, mas Garrett a interrompe

-Mesmo me alimentando de sangue humano, bem no início da minha vida imortal, eu decidi que nunca, jamais, me alimentaria de crianças, mulheres ou pais de família. E de fato, nunca o fiz... — ele faz uma pausa e se aproxima dela, olhando nos olhos de Kate. Ele para alguns centímetros diante dela e continua: — o fato é que eu apenas me alimentava de pessoas que não fazem bem pra sociedade, como é o caso do antigo dono da minha gaita — Garrett olha para sua gaita e Kate também olha para o instrumento que ele segurava — O cara era um traficante de metanfetamina que vendia drogas num beco escuro em Houston. Eu o observei por horas e, ao fim da noite, perto do amanhecer, o peguei desprevenido indo embora e me alimentei dele... — Garrett conta e volta a olhar para Kate, que o ouvia em silêncio, agora olhando para ele — A gaita foi minha única companhia nos últimos dois anos, até Rosalie e Emmett me encontrarem em New Orleans e me pedirem para ir com eles para Forks para testemunhar o crescimento da filha do Edward e da Bella.



Kate sorriu. Os cantos de sua boca se curvavam lentamente enquanto seus olhos dourados olhavam para a gaita na mão de Garrett. Ela se lembra que Garrett havia sido o primeiro vampiro a chegar em Forks depois da chegada dela e de sua família. A lembrança do primeiro encontro, e de como, dia após dia, eles se aproximaram e acabaram se apaixonando, fez seu sorriso se alargar.


-Agora eu entendi porque você não quis contar onde a conseguiu na frente da Nessie — Kate constata, olhando para a gaita, e Garrett ri, assentindo, olhando para o objeto em sua mão também

-Bella e Edward me matariam — Garrett brinca, rindo, e Kate cai na risada também

-Realmente...

-Bom... continuando com a nossa história... antes de desaparecer com os corpos, eu pegava as roupas que me serviam e alguns objetos os quais me interessavam... também pegava algum dinheiro pra comprar alguma roupa e sapatos, porque é muito difícil encontrar um humano pra drenar que calce o mesmo número de sapato que eu... — Garrett brinca e Kate ri — e essa mochila, que carrega tudo o que eu tenho, está comigo a pelo menos cinco anos, desde que a peguei de um assaltante de quem me alimentei depois que o sujeito assaltou um senhor idoso na Philadélphia. — Garrett apontava para a mochila, olhando para ela, e Kate olhava também, rindo com a história. A mochila surrada estava aberta sobre o banco de sua penteadeira, com todo seu conteúdo espalhado sobre ela. Garrett então olha para Kate, que olha para ele — E saiba que eu devolvi os pertences ao senhor.. — ele completa e olha para Kate, que olha para ele sorrindo — mas agora, eu estou pronto para mudar. Eu quero ser vegetariano, Katie, e não vou falhar dessa vez... — Garrett sussurra, olhando para ela — Não quero matar mais ninguém, mesmo quem não presta... eu quero ser merecedor do seu amor — ele revela e ela dá alguns passos, se aproximando, sentindo um pesar ao ouvir Garrett. Kate coloca as mãos no rosto dele e Garrett coloca sua mão esquerda sobre a mão direita dela enquanto ainda segurava a gaita na outra.

-Você já é, Garrett... Eu te amo e estarei aqui pra te ajudar — Kate sussurra e ele sorri e beija a palma da mão direita dela, que estava em seu rosto. Seus olhos rubi não desgrudam dos dourados dela. Kate sorri com o beijo em sua mão. Era a coisa mais doce...

-Eu também te amo e não vou desperdiçar a chance que você e a sua família estão me dando... — ele promete e coloca a outra mão, mesmo segurando a gaita, no rosto dela

-Nossa família... — Kate o corrige, sorrindo, e ele ri

-Tá certo. Eu não vou desperdiçar a chance que você e a nossa família estão me dando — ele se auto corrige e então a beija nos lábios. Kate ri contra os lábios de Garrett e passa os braços ao redor do pescoço dele, unindo suas mãos na escápula dele.


*******

Depois de horas trancados no quarto, Kate e Garrett surgiram de mãos dadas, percorrendo lado a lado o mezanino em L da ampla sala de estar dos Denali. Desde um dos sofás, Tanya levantou os olhos do notebook assim que ouviu os passos deles no mezanino e arqueou as sobrancelhas com um sorriso malicioso. Com a lareira da sala acesa diante dela, Tanya estava com as pernas cruzadas em posição de índio e o seu computador em seu colo, apoiado sobre uma almofada. Tanya vestia um vestido curto azul petróleo de mangas três quartos com cinto de couro preto na cintura, uma meia calça preta e nos pés, um par de coturnos pretos de couro. Seus cachos loiros estavam soltos e seus cabelos jogados para um lado, com seu pescoço a mostra, deixando em destaque seus brincos grandes de zircônias negras lapidadas no formato de pétalas de uma flor.

Kate usava um conjunto de moletom cinza claro, composto por uma calça e casaco com zíper e capuz de pelinho cinza. Por baixo, ela vestia uma blusa fina cinza de mangas compridas. Nos pés, Kate calçava um par de botinhas marrons uggs que abafavam seus passos. Seus cabelos, agora secos, estavam soltos e esvoaçavam a cada movimento.

Garrett, em contraste, trajava sua calça jeans de lavagem escura, a única que possuía, presa por um cinto de fivela grande, e uma camiseta cinza escura de mangas três quartos colocada para dentro da calça, junto de suas botas de couro gastas. Suas roupas revelavam a vida nômade que ele levava até então.


-Ora, ora... até que enfim os dois pombinhos resolveram sair do ninho — Tanya ironizou, com a voz carregada de divertimento. Garrett, que vinha à frente, ainda de mãos dadas com Kate, soltou uma risada tímida, desviando o olhar para os degraus de madeira como se eles fossem subitamente a coisa mais interessante da sala. Atrás dele, Kate segurou no guarda-corpo de vidro e inclinou-se um pouco para frente. Seus cabelos loiros voaram para a frente.

-Fica quieta, Tanya... — Kate sussurrou e Tanya cai na risada, sem se importar com a advertência. Kate revira os olhos e continua a descer com Garrett. Tanya os observa, se preparando para aproveitar ainda mais a provocação. Como toda boa irmã mais velha, amava deixar Kate e Irina constrangidas. Irina... novamente Tanya sente um aperto no peito ao pensar na irmã caçula... Como seria se Irina estivesse com eles? Será que a ajudaria a envergonhar Kate como sempre faziam? Afinal, Kate era a irmã do meio e o alvo principal das duas. Tanya queria pensar que sim, mas Irina estava tão mudada nos últimos meses que é difícil saber.

-Não se preocupem que eu não vou perguntar o que vocês estavam fazendo lá em cima... dá pra imaginar bem — Tanya responde, rindo.


Kate apertou mais forte a mão de Garrett enquanto os dois se sentam juntos no sofá de costas para a cozinha, perpendicular ao sofá em que Tanya estava. Tanya continuava observando cada gesto com aquele sorriso malicioso estampado no rosto. Assim que se sentou, Kate soltou a mão de Garrett, dobrou as pernas para o lado e puxou todo o seu cabelo para o lado jogando-o sobre o seu ombro direito. Garrett, em silêncio, apenas esticou o braço direito por trás dela, apoiando-o no encosto e a envolvendo de forma natural. O gesto fez Kate se inclinar instintivamente para ele, repousando a cabeça em seu ombro, confortável. A mão dele deslizou até os fios soltos dela, começando a acariciá-los com suavidade, como se aquilo fosse automático.


-Mas me digam... O sexo foi bom? — Tanya provocou, em tom malicioso. Kate arregalou os olhos na mesma hora e desencostou a cabeça do ombro de Garrett para agarrar uma almofada do sofá, jogando-a contra a irmã. A almofada bate em cheio em Tanya e faz o computador no colo dela estremecer. Tanya o segura rápido para que não caísse — Meu computador, Katrina! — Tanya reclama antes de devolver a almofada num arremesso certeiro de volta em Kate, que solta um "ai" ao ser atingida.

-Tanya! — Kate exclamou, tentando soar indignada, mas traída pelo riso nervoso — Cala a boca! — Kate exclama novamente, rindo nervosa. A mais velha gargalhou alto, segurando a almofada contra seu corpo.

-Deve ter sido pra vocês terem ficado todas essas horas trancados no quarto — Tanya constata, rindo ainda mais, enquanto Garrett só baixava a cabeça e ria baixinho, claramente constrangido mas divertindo-se com a situação. Tanya percebe e ri dele. Kate também olha para Garrett, rindo — Irmãzinha, o seu namorado acabou de confirmar o que eu queria saber...

-Onde estão a Carmen e o Eleazar? — Kate pergunta, tentando mudar o foco da conversa e assim fugir da provocação de Tanya. Ela parecia nem ter notado a palavra "namorado" que saiu da boca de Tanya, mas Garrett sim, tanto que ele sorri envergonhado, principalmente por ter se esquecido completamente de ter feito o pedido oficial. Ao lado dele, Kate encosta as costas no sofá e inclina sua cabeça para encostá-la de volta no ombro de Garrett. A almofada ela pousa sobre suas pernas e coloca suas mãos sobre a almofada. Garrett, com o braço direito ao redor de Kate, pousa sua mão direita no braço de Kate e o alisa por cima do moletom enquanto observa Tanya em silêncio.

-No quarto deles, provávelmente fazendo o mesmo que vocês dois... — Tanya responde maliciosa e Kate esconde o rosto no ombro de Garrett, que ri envergonhado — a qual é, Kate! Ninguém aqui é mais virgem! Você e eu quem o diga...

-Tanya pelo amor de Deus! — Kate coloca suas pernas para baixo. Seus pés tocam o chão enquanto ela joga seu corpo pra frente e afunda seu rosto na almofada, pressionando-o contra ela. Seus cabelos loiros caem para a frente, deixando a nuca de Kate a mostra. Tanya cai na risada, se divertindo com o desespero de Kate — cala a boca, Tanya... — a voz de Kate sai abafada pela almofada. Tanya ria, assim como Garrett, que também ria. Ele mantinha o braço direito estendido, agora sobre o encosto do sofá, enquanto sua mão esquerda pousava sobre sua perna esquerda.

-Tá, parei! — Tanya joga as mãos pra cima em sinal de rendição. Kate então tira o rosto da almofada e olha para ela, levantando a cabeça como se quisesse confirmar — é sério, eu parei... não vou falar mais nada...


Ao sinal de rendição da irmã, Kate se endireita e volta a encostar suas costas no sofá, sendo novamente envolvida pelo braço direito de Garrett, que agora pousa sua mão direita no quadril dela. Kate desce um pouco no sofá e, ao dobrar suas pernas para cima, colocando seus pés encima do sofá, ela coloca suas mãos unidas entre suas pernas. Sua cabeça novamente encosta no ombro de Garrett e seus cabelos loiros espalham-se.


-E você? — Kate pergunta à irmã, observando como Tanya voltou a concentrar-se no seu computador. Tanya olha para ela — fez o quê nessas horas?

-Estava trabalhando pra ocupar a minha cabeça e me desconectar um pouco de tudo... — Tanya responde com um tom de melancolia que contrastava com o seu humor de minutos atrás. Kate a observava em silêncio, pensativa — quando amanhecer, vou à cidade para colocar uns pedidos no correio...

-Eu também tenho que voltar a trabalhar... tenho que enviar algumas peças que já estão prontas e embaladas no meu quarto desde antes de irmos pra Forks e preciso começar a confeccionar peças que serão entregues em uma semana — Kate responde baixo e então olha para Garrett ao lembrar que ele talvez não estivesse entendendo nada. E de fato não estava. Garrett estava em silêncio, as observando. Os olhos rubi dele agora estavam olhando para Kate — a Tanya também tem uma loja online... ela é quem faz as velas aromáticas que eu tenho no nosso quarto — Kate completa, dando ênfase no "nosso quarto" e Garrett olha para Tanya, surpreso com a revelação.

-E modéstia parte, as minhas velas são um sucesso — Tanya diz toda convencida e Kate e Garrett riem. Tanya então olha para seu novo cunhado — eu as faço no meu ateliê que fica separado do resto da casa, na pequena cabana que fica logo na entrada... Depois eu te levo pra conhecer... — ela completa e Garrett assente.

-A Tanya passa horas e horas trancada lá — Kate brinca, esboçando um sorrisinho lateral, e Tanya sorri para ela. Garrett olha para Tanya, com um sorriso singelo.

-E a Irina? O que ela fazia? — Garrett pergunta, curioso, e olha para Tanya. Ela e Kate se surpreendem com a pergunta — desculpem, eu não quis.... — ele se desculpa ao perceber o nervosismo das duas. Kate ergue a cabeça e olha para ele.

-Não tem problema.... — Kate garante e Tanya balança a cabeça, assentindo. Ambas concordavam que seria bom Garrett saber quem foi Irina e seria bom para elas relembrarem a irmã — bom, a Irina se formou no verão passado em ciências políticas na Universidade do Alasca Fairbanks, onde o Eleazar leciona — Kate responde

-Ela estava dando um tempo... tinha formado na faculdade, de novo, e não estava trabalhando fora, mas me ajudava a fazer as velas, a tirar as fotos, a levar para o correio... — Tanya conta para Garrett, se lembrando de Irina com um sorriso surgindo em seu rosto — ela gostava bastante de me ajudar. Às vezes a Kate ficava com a gente e nos divertíamos trabalhando juntas — Tanya continua contando e Kate sorri, se lembrando dos momentos felizes das três juntas. Garrett olhava para ela, ouvindo-a com atenção, e sorria também. Para Tanya, lembrar da irmã era um sentimento agridoce de saudades misturada com a felicidade dos momentos que passaram juntas.

-Ela também gostava de ir comigo para a cidade para levar os pedidos tanto da Tanya quanto os meus ao correio — com um olhar vago, Kate sorria ao lembrar de seus momentos com Irina. Uma cena em específico vem em sua mente -.. íamos cantando igual duas loucas no carro a caminho para a cidade — Kate sorri ao lembrar das cantorias desafinadas das duas, dos batuques no volante ao ritmo da música... ela daria tudo para ter um minuto a mais com Irina, dar um último abraço, dizer um último "eu te amo"...

-E então veio Laurent... — Tanya completa, com a mandíbula semicerrada. Garrett olha para as mãos de Tanya, notando como os dedos dela se fechavam e se apertavam sobre o teclado de seu computador. Ele olha para Kate ao sentir como ela enrijecia em seus braços pela tensão ao lembrar do homem que pelo visto não foi bom para sua irmã. Kate mordia o interior de sua bochecha e mantinha suas mãos fechadas — e é por causa dele que tudo isso aconteceu... foi um efeito dominó...

-E quem era ele? — Garrett pergunta, mesmo sabendo que estava entrando em um território desconhecido, mas não se continha em querer saber a história. Kate e Tanya se entreolham antes de olharem para ele.

-Laurent era um nômade francês que vivia pela América do Norte com seu clã, que era composto por ele e mais um casal — Kate responde e faz uma pausa em seguida. Garrett olha para Kate e a vê desencostar a cabeça do seu ombro e se sentar de lado ao lado dele, cruzando suas pernas em posição de índio sobre o sofá enquanto seus olhos dourados fixavam-se em Garrett — ele chegou aqui em Fairbanks no começo do ano passado depois de deixar o antigo clã o qual ele fazia parte. Disse que conhecia os Cullen e que queria recomeçar... Nós o deixamos ficar conosco e ele foi tentando se adaptar à nossa dieta e ao nosso estilo de vida, ou pelo menos era o que ele dizia... Ao todo, ficou seis meses com a gente e virou nosso cunhado...

-O ponto que a Kate quer chegar é que o Laurent era legal e eu e Kate estavámos felizes pela nossa irmã ter encontrado alguém — Tanya a interrompe Kate e Garrett olham para ela e então Tanya tenta continuar, mas Kate suspira, e Garrett, ao perceber o desconforto dela ao relembrar, alisa as costas dela. Kate sorri para ele. Ele sorri de volta para ela antes de voltar a olhar para Tanya, que os aguardava dar atenção para continuar — eles iniciaram um relacionamento. Foi tudo muito rápido, muito intenso, e Irina queria viver a eternidade com ele. Eu não dúvido que ele amou a Irina na mesma intensidade, mas Laurent não parecia ter Irina como prioridade. Ele ainda mantinha-se leal à vampira do antigo clã dele, Victoria, que queria matar a Bella, que era humana ainda, depois que o parceiro dela tentou matar a Bella, que era a cantora dele...

-Laurent estava tendo dificuldades pra se adaptar à nossa dieta e descobrimos que ele estava caçando humanos aqui na região. Tanya o confrontou e ele foi embora. Descobrimos depois que Laurent foi para Forks e lá tentou matar a Bella, mas os lobos o mataram antes. Isso fez Irina sair do eixo dela e se afastar de nós, sem contar que ela passou a ter rancor dos Cullen por serem amigos dos lobos que o mataram — Kate completa e Garrett permanece calado, absorvendo toda informação.

-Por consideração à dor da nossa irmã e tentar reatar nossa relação, eu e Kate nos afastamos dos Cullen e nos recusamos a ajudá-los quando Victoria criou um exército de recém criados para matar Bella e destruir Edward por ele ter matado seu companheiro. Por consequência, Carmen e Eleazar também se afastaram... — Tanya continua.

-Nós fomos ao casamento do Edward e da Bella para nos redimir com nossos primos, mas a Irina surtou quando viu os lobos na festa e novamente se afastou de nós. Passou meses sem entrar em contato sabe-se lá onde. Um dia, Tanya conseguiu falar com ela e conseguiu convencê-la de que os Cullen não tinham culpa pela morte de Laurent e ela foi para Forks para fazer as pazes com eles — Kate completa, olhando para Tanya, que assentia em silêncio. Garrett olhava para Kate — Nem preciso dizer que Irina nunca chegou à casa dos Cullen...

-No começo de dezembro, Irina ligou e falou comigo e com a Kate. Nos pediu desculpas pelo que iria fazer, o que não entendemos na hora. Bom, hoje sabemos que Irina, ao chegar em Forks, se deparou com Bella, Nessie e Jacob em forma de lobo em uma clareira e confundiu a Nessie com uma criança imortal e foi para Volterra denunciar os Cullen para os Volturi... — Tanya diz baixinho à Garrett, com a voz carregada de dor. Garrett e Kate olham para ela — e o resto você sabe...

-Essa ligação dela foi nossa última conversa com a Irina... — Kate sussurra — a culpa toda é do Laurent — Kate diz e Garrett pôde perceber como as mãos dela se fechavam de raiva. Tanya também olhava para a irmã, assentindo com a cabeça.

-Ele também não tinha porque ter tentado matar a Bella e essa é a nossa mágoa. Se ele tivesse ficado aqui, com a gente, colocado a Irina como prioridade, estaríamos todos juntos agora... eu, vocês dois, Irina, Laurent, Carmen e Eleazar... Era pra sermos uma família feliz, completa...


Kate sorriu com as palavras de Tanya, deixando-se levar por seus desvaneios, imaginando como tudo poderia ter sido diferente se o destino não tivesse sido tão cruel. Kate desejava que Irina tivesse voltado para casa, cheia de vida como sempre foi, e que Laurent nunca tivesse tentado matar Bella ao invés de permanecer com eles, amando Irina como ela merecia ser amada. Nesse devaneio, Kate via a si mesma ao lado de Garrett, com quem queria passar o resto de sua imortalidade. Tanya, Carmen e Eleazar completariam o quadro, formando uma família de sete. E quem sabe, num futuro sonhado, eles não seriam oito, quando Tanya enfim encontrasse o amor de sua existência, completando a harmonia que Kate tanto desejava para todos eles.

Garrett e Tanya notaram o olhar distante de Kate, perdida em pensamentos que a afastavam da realidade. Tanya a observou em silêncio, reconhecendo a expressão suave e sonhadora no rosto da irmã, enquanto Garrett, ao perceber a mesma distração, deixou escapar um sorriso sereno, achando encantador vê-la assim sem que Kate percebesse.


-Tanya — Garrett a interrompe de forma quase instintiva. Sua voz sai firme, carregada de tensão. Tanya olha para ele enquanto Garrett olhava para Tanya. Kate desperta de seus desvaneios e olha para Garrett — eu jamais farei o que Laurent fez... A partir do segundo que eu decidi seguir a Kate, ela virou a minha prioridade. Eu prometo sempre cuidar dela — Garrett então olha para Kate ao seu lado e ela sorri para ele. Garrett sorri de volta e pega a mão dela, entrelaçando seus dedos e pousando suas mãos unidas sobre a almofada no colo de Kate, antes de olhar para Tanya, que sorria para os dois — Tanya, eu quero estar do lado da Kate e, por consequência, quero estar do lado de vocês. Mesmo que não os conheça a muito mais do que três semanas, eu tenho você, a Carmen e o Eleazar como da minha família... eu vou me adaptar à dieta de vocês... e não é só pela Kate, mas por todos vocês... eu não quero mais matar nenhum humano... eu nunca gostei da parte de ter que matar um para me alimentar.


Um sorriso leve e sincero surgiu no rosto de Tanya, suavizando a rigidez que antes havia em sua expressão. A maneira como Garrett falava transbordava verdade, e ela reconhecia isso. Seus olhos então se voltaram para Kate, que ao lado dele exibia um sorriso radiante, iluminado pela confiança e pelo afeto que sentia. Garrett, por sua vez, tinha o olhar preso nela, devolvendo-lhe o mesmo sorriso, carregado de devoção. Diante daquela troca silenciosa, Tanya suspirou e, com um brilho fraterno nos olhos, declarou em tom firme porém afetuoso.


-Eu sei, Garrett. Todos nós sabemos que você não é como Laurent. E, por isso, vocês dois tem a minha bênção, assim como têm a benção do Eleazar e da Carmen — Tanya responde e Garrett e Kate sorriem — você é dessa família agora... só promete que vai cuidar da Kate que o resto é resto...


Ao ouvir a bênção de Tanya, Garrett sentiu uma onda de alívio e gratidão percorrer-lhe o corpo, como se um peso invisível fosse arrancado de seus ombros. O coração dele, se ainda batesse, teria explodido no peito de tanta felicidade. Ele sabia que já não havia retorno: Kate era o centro de sua existência, mais preciosa do que a própria sobrevivência.

Kate também sentiu alívio. Depois da morte de Sasha, ela e Irina passaram a ver Tanya como uma figura de autoridade e a aprovação da irmã era quase sagrada para ela e ver como Tanya confiava em Garrett trouxe-lhe uma certeza de que ele não apenas pertencia à sua vida, mas que também era aceito plenamente na família. Um sorriso suave se formou em seus lábios, e um calor se espalhou pelo peito, se é que isso era possível.



-Eu prometo cuidar da Kate com a minha vida, Tanya. Você tem a minha palavra e eu nunca quebro as minhas promessas — Garrett promete e Kate sorri, toda apaixonada. Garrett olha para ela e beija a bochecha dela antes de voltar a olhar para Tanya, que sorria com eles. Kate também olha para a irmã, sorrindo toda boba — Se eu falhar em me adaptar à dieta vegetariana, vocês tem todo o direito de querer que eu vá embora — O sorriso de Kate desvaneceu-se lentamente com as palavras de Garrett. Seus olhos, antes brilhantes de alegria, fixaram-se em Garrett com uma intensidade quase dolorosa, refletindo o medo que cresce dentro dela. A simples ideia de viver sem Garrett era insuportável. Tanya percebe o medo nos olhos de Kate e olha para Garrett.

-Garrett, também não é pra tanto... todos nós, sem exceção, falhamos vez ou outra antes de definitivamente conquistarmos o auto-controle... — Tanya responde e Kate e Garrett olham para ela — você não precisa ir embora por isso

-E se acontecer de você falhar, estaremos aqui — Kate se inclinou levemente, aproximando seu rosto do rosto de Garrett. Sua voz sai em forma de sussurro enquanto sua mão esquerda toca o rosto dele. Garrett a escutava com seus olhos rubi fixos nela, apaixonado, e um sorriso surgiu em seus lábios ao mesmo tempo que ele coloca sua mão sobre a mão dela que tocava o seu rosto — EU vou estar aqui pra te levantar caso você caía... — ela sorria ao dizer. Com sua mão direita, ainda unida à mão esquerda de Garrett, seu polegar traçava movimentos delicados no dorso da mão de Garrett, num gesto simples, mas que condensava todo seu amor por ele — só não vai embora... por favor

-Eu vou te seguir aonde for, esqueceu? — ao responder, Garrett sorria pelas palavras de Kate, que tinha se tornado um lar, o qual ele jamais pensou que fosse encontrar — só vou embora se você me escorraçar da sua vida, mas é melhor que você me mate logo e me queime. Vai ser um favor pra não ter que viver sem você... — ele brinca e Kate ri também.

-Nunca que eu vou te expulsar daqui! — Kate responde entre risadas e então Garrett se inclinou em direção à ela. A mão direita de Garrett vai parar no rosto de Kate e ele acaricia a bochecha dela com o polegar. Seus olhos, assim como os olhos dela, se fecham no momento que seus lábios se encontraram num beijo breve, mas carregado de uma intensidade doce, um toque leve que transmitia mais amor do que qualquer palavra poderia expressar. Kate coloca sua mão esquerda na nuca de Garrett, enterrando seus dedos adornados com anéis prateados nos cabelos castanhos dele, enquanto sua mão direita permanece unida à mão esquerda dele. Pela primeira vez em séculos de existência, Garrett sentia-se vivo, se é que podia se considerar vivo.


No outro sofá, Tanya os observa em silêncio, com um sorriso suave em seu rosto, satisfeita em ver a irmã feliz, mas ao mesmo tempo, fica pensando em como queria que as coisas tivessem sido distintas. Tanya queria Irina ali, com ela, celebrando pela felicidade de Kate igual ela e Kate celebraram pela felicidade de Irina.

Tanya desejava que Laurent nunca tivesse escutado Victória e voltado para Forks. Reconhecia que Laurent errou em tentar matar Bella e os lobos apenas a defenderam, mas matá-lo talvez não tivesse sido a única forma de pará-lo... Por isso o ressentimento de Irina e ela compreendia a dor da irmã... Se ela tivesse perdido o seu amor dessa forma também ficaria com raiva dos lobos.

Tanya desejava que tudo teria sido diferente. Quem garante que os Volturi não descobrissem sobre Nessie de outra maneira e assim, dessa forma, Irina e Laurent teriam, junto com o resto da família, testemunhado a favor dos Cullen. Kate teria ainda teria conhecido Garrett e agora estariam os sete juntos, ela, Kate, Garrett, Irina, Laurent, Carmen e Eleazar, vivendo naquela casa, felizes. E quem sabe não tinha por aí um vampiro gato e gostoso que estivesse solteiro e que quisesse aderir à dieta dos Denali para ela se apaixonar perdidamente e ser correspondida na mesma intensidade? Aí sim as coisas ficariam perfeitas.


*******

Algumas horas depois, finalmente começava a amanhecer em Fairbanks e, como era esperado, a neve caía suavemente do lado de fora, cobrindo tudo em branco. Nas janelas, uma suave luz azulada dava lugar ao que pela noite foi escuridão. Na sala, Tanya permanecia concentrada em seu trabalho, fazendo o controle de estoque de sua loja de velas aromáticas. Tanya estava no sofá diante da lareira, com as pernas cruzadas em posição de índio e o notebook apoiado sobre uma almofada de fronha de pêlo animal em seu colo.

No sofá perpendicular ao de Tanya, de costas para a cozinha, cujas luzes estavam acesas somente pelo conforto visual, Garrett estava sentado no canto, com o braço esquerdo apoiado no braço do estofado, enquanto Kate se deitava de barriga para cima, com a cabeça nas pernas dele. Juntos, eles assistiam um filme que passava na televisão, com o controle remoto largado junto à eles, enquanto o calor suave da lareira preenchia o cômodo com uma sensação de aconchego.

Os cabelos loiros de Kate se espalhavam pelas pernas de Garrett enquanto ele acariciava seu couro cabeludo com as pontas de seus dedos, delicadamente em movimentos circulares. Os pés de Kate, com bota e tudo, estavam encima do sofá, e suas pernas dobradas para cima. Seus braços cruzavam-se sobre o seu peito e ela tinha um sorriso estampado em seu rosto, amando o carinho dele. Apaixonado, Garrett olhava para Kate de minuto a minuto e sorria também, além de roubar um selinho dela a cada cinco minutos, o que Tanya só observava em silêncio, com um sorrisinho lateral, enquanto trabalhava.


O som seco de uma porta batendo ecoou pelo andar de cima, chamando a atenção dos três na sala. Tanya ergueu os olhos do computador, enquanto Kate e Garrett apenas desviaram o olhar para o mezanino iluminado. Kate não se moveu, permanecendo com a cabeça repousada nas pernas de Garrett, e ele, por sua vez, não interrompeu o gesto de afagar os fios loiros entre seus dedos. Carmen e Eleazar surgiram de mãos dadas e dedos entrelaçados, caminhando lado a lado pelo mezanino em L até alcançarem a escada.


-Bom dia! — com um sorriso caloroso, Tanya os saudou e já foi fechando levemente a tela do computador para lhes dar atenção. Carmen e Eleazar olham para ela, sorrindo, enquanto desciam os degraus da escada em velocidade humana. Os Denali, assim como os Cullen, gostavam de agir como humanos mesmo em casa, porque assim era mais fácil de atuar como humanos quando estivem no meio deles. Garrett sabia que seria um longo processo para ele aprender a agir como humano, mas por Kate, ele enfrentaria tudo.

-¡Buenos días, Tanya! — sorrindo, Carmen responde em seu idioma natal, o espanhol, e termina de descer as escadas. Carmen e Eleazar se aproximam e param atrás do sofá onde estavam Kate e Garrett. Kate se endireita e volta a se sentar no sofá ao lado de Garrett, encostando suas costas no encosto e ajeitando seus cabelos com as mãos. Garrett sorri para ela e Kate sorri para ele.

-Buenos días, Carmencita de mi corazón — Tanya brinca, gastando o seu espanhol que não era lá muito bom, e estende os braços em direção à Carmen, que, risonha, solta a mão de Eleazar e caminha até Tanya para envolvê-la num abraço caloroso, depositando um beijo terno em seus cabelos loiros cacheados. Enquanto isso, Eleazar, de pé atrás do sofá, envolve Kate por trás com os braços, pousando um beijo afetuoso em seus cabelos, ao que ela responde com um sorriso suave, com suas mãos repousando sobre os antebraços dele. Garrett, ao lado de Kate, observa a cena sorridente, e Eleazar, mantendo o braço direito ao redor dela, estende o esquerdo em direção a Garrett, dando-lhe leves tapinhas no ombro, gesto que Garrett corresponde da mesma forma, ambos trocando olhares amistosos. Kate sorri diante da troca entre eles, enquanto Tanya e Carmen, ainda abraçadas, riem baixo, preenchendo o ambiente de uma leveza familiar.

-¡Buenos días, Kate! ¡Buenos días, Garrett! — Carmen sorri para eles. Garrett olha para Carmen sorrindo e Kate, nos braços de Eleazar, também.

Oi Carmencita — Kate responde sorrindo e Carmen se aproxima de Kate com um sorriso no rosto, curvando-se levemente para alcançar seu rosto, colocando delicadamente as mãos nas bochechas dela e cumprimentando-a com beijos ternos nas duas bochechas.

-Você está bem? — Carmen pergunta carinhosamente. Kate assente com um sorriso, colocando suas mãos sobre os pulsos de Carmen em um gesto de conexão e confiança. Carmen, então, deposita um beijo suave nos cabelos de Kate, que fecha os olhos, sorrindo, sentindo-se acolhida e envolvida por aquele gesto afetuoso.


Garrett os observa em silêncio, encantado com a forma como Carmen e Eleazar, Tanya e Kate interagiam entre si. Conheceu muitos vampiros durante sua segunda vida e nunca viu entre os membros dos clãs um laço tão forte e genuíno como via entre os Cullen e os Denali. Ele sabia que a perda de Irina para sempre seria uma ferida aberta para os Denali e percebia a dor no olhar de cada um deles, mas também enxergava a força que tinham para seguirem em frente juntos. Depois de duzentos anos de solidão, ele estava aprendendo, novamente, o significado de pertencer a uma família.

Na prática, Garrett via como a escolha de se alimentar de sangue animal tornava possível a existência de laços verdadeiros, familiares, e isso o fazia ansiar ainda mais pelo dia que seus olhos se tornariam dourados como os deles. Seus pensamentos foram interrompidos quando sentiu o toque delicado da mão de Carmen em seu ombro direito. Ao levantar o olhar, Garrett encontrou o sorriso acolhedor dela, e retribuiu com um sorriso genuíno.


-Como vai, Garrett? — Carmen manteve seu sorriso e seus olhos dourados brilhavam de afeto.

-Vou bem, obrigada. E você?

-Me alegra. É um prazer ter você conosco, fazendo parte da família...


Garrett sorriu e, apesar de ele não dizer nada, Carmen notou a sinceridade presente no olhar dele. Depois de um último afago em seu ombro, Carmen se afastou e Garrett permaneceu em silêncio, observando-a caminhar até o outro sofá e sentar-se ao lado de Tanya, que sorriu para ela. Garrett ouviu algumas palavras trocadas entre elas, mas não prestou atenção, absorvendo mais a cena do que a conversa.

Seus olhos rubi então captaram Eleazar se acomodando ao lado da esposa e Garrett repara na forma como o braço direito dele envolveu Carmen e sua mão repousou no quadril dela. Carmen olhou para Eleazar, apaixonada, e os dois trocam um beijo. Garrett também nota como Carmen descansa a mão esquerda sobre o joelho dele, em um gesto que deixava em evidência a aliança dourada em seu dedo anelar.

Garrett então desviou o olhar para Kate, que ao seu lado, agora estava sentada com os pés sobre o sofá, as pernas dobradas para cima, mãos nos joelhos e a cabeça apoiada no encosto do sofá. Kate olhava para ele, com um sorriso suave nos lábios. Um calor percorreu Garrett, que retribuiu o sorriso antes de se inclinar, depositando um beijo terno nos lábios dela. Suas mãos deslizaram até a cintura de Kate, enquanto as mãos dela pousam delicadamente em seu rosto. Kate e Garrett estavam mergulhados em seu próprio mundinho, como se o mundo ao redor não existisse, até que a voz grave de Eleazar quebrou o silêncio.


-O que vocês pretendem fazer hoje? — claramente dirigindo-se a Carmen e Tanya, Eleazar pergunta. Kate e Garrett, sem desfazer o contato imediato, abriram os olhos ao mesmo tempo e voltaram-se instintivamente para ele. Tanya sorria para os dois, divertindo-se.

-Eu preciso voltar a produzir as velas pra ter em estoque... — Tanya responde, sem tirar os olhos de Kate e Garrett — e preciso postar algumas encomendas no correio para enviá-las aos clientes. Kate se desvencilha um pouco dos braços de Garrett, tirando as mãos do rosto dele, e passa os braços ao redor dele ao mesmo tempo que encosta seu queixo no ombro dele para prestar atenção em Tanya. Garrett, olhando para ela, sorriu suavemente para Kate e beijou o topo da cabeça dela antes de se recostar no sofá, mantendo seus braços ao redor do corpo dela e apertando-a de leve contra si. Kate sorria quando repousa a cabeça no peito dele e Garrett inclinou sua cabeça então, encostando a bochecha na testa de Kate, em um gesto silencioso de afeto, enquanto seus olhos voltavam-se para Tanya.

-E quanto à vocês dois? — Carmen se volta à Kate e Garrett, que olham para ela — planejam fazer o quê?

Kate olha para Garrett, que sorri para ela, antes de olhar novamente para Carmen, olhando para Eleazar e Tanya também.

-Talvez caçar, mostrar a região ao Garrett, trabalhar um pouco... — Kate faz uma pausa e olha para Tanya, dirigindo-se à ela — eu também pensei em buscar o carro da Irina no estacionamento do aeroporto... — Kate completa, com certa dúvida em sua voz. Olhando para Kate, Tanya aperta os lábios ao ouvir o nome da irmã falecida e assente.

-Se quiser que eu vá com você... — Tanya responde com um fio de voz e Kate assente, forçando um sorriso.

-Eu quero... — Kate confirma, com um fio de voz também, e Tanya sorri para ela também — eu não estou pronta para enfrentar o fato que a Irina não vai voltar — Kate admite, com a voz trêmula, e solta um soluço. Tanya imediatamente, em velocidade vampiresca, deixa seu computador fechado sobre a mesa de centro e vai até ela. Num borrão, Tanya aparece sentada ao lado de Kate e a abraça forte. Kate abraça a irmã mais velha e deita a cabeça no ombro dela para chorar. Tanya começa a chorar também e alisa as costas de Kate delicadamente.



Sentado ao lado de Kate, Garrett sentia seu peito apertar ao vê-la chorar nos braços de Tanya, que também se permitira chorar por Irina, com o rosto enterrado nos cabelos de Kate. A mão direita de Tanya alisava as costas de Kate enquanto sua mão esquerda pousava na parte de trás da cabeça da Denali mais nova, de modo que Tanya alisava com carinho os cabelos loiros e lisos de Kate, como se aquilo pudesse talvez trazer mais conforto para ela.

Os ombros de Kate se mexiam violentamente, efeito dos soluços audíveis que ela emitia, e Garrett via como Kate enterrava o rosto nos cachos loiros da irmã mais velha. Garrett sentia a dor de Kate cortar sua própria alma, como se o sofrimento dela fosse inevitavelmente o dele. E era, porque doía nele vê-la chorar. Garrett não conhecera Irina, apenas viu a irmã mais nova do seu amor por uns minutos, mas concordava com Tanya e Kate que Irina deveria estar ali, com sua família. Irina errou em ter ido até os Volturi sem deixar que Bella e os Cullen lhe explicassem. Todos se equivocam alguma vez na vida e tudo poderia ter sido diferente se Caius não tivesse tanta sede de causar confusão.

Em silêncio, ele observa quando Carmen e Eleazar surgiam num movimento quase indistinto e envolvem as duas em um abraço firme e carregado de luto, compartilhando a mesma perda profunda. Carmen, em pé diante delas, inclinava-se para a frente e passava seus braços ao redor das duas. Eleazar, ao lado da esposa, as observava em silêncio e alisava as costas da esposa, delicadamente. Sentado com as mãos unidas sobre suas pernas, Garrett permanecia quieto, respeitoso e compadecido, até que o toque suave da mão delicada de Kate tocando a sua o faz olhar para ela.

Abraçada por Carmen e com o braço direito ao redor da cintura de Tanya, Kate olhou para Garrett, estendendo o braço esquerdo na direção dele. Assim, dessa forma, sua mão esquerda tocava a mão direita de Garrett, pousada sobre a perna direita dele. Quando seus olhos rubi encontraram os dourados dela, ele compreendeu que ela o queria consigo naquele momento, parte de sua dor e de seu consolo. Sem hesitar, Garrett desliza para o lado, se aproximando e envolvendo-a em seus braços. Kate repousou a cabeça em seu peito, fechando os olhos entre soluços, como se buscasse nele um refúgio para lidar com a ausência da irmã, e com a outra mão, a qual não estava pousada na cintura de Tanya, agarrou na blusa que Garrett vestia.

Garrett encostou a cabeça na cabeça de Kate, de modo que sua bochecha tocasse a testa dela, num gesto silencioso que demonstrava que ele estava ali com ela e que para sempre estaria. Ele sentiu então a mão de Eleazar pousar em seu ombro esquerdo e um sorriso escapou de seus lábios, sem que desviasse os olhos de Kate. Ali, naquele instante, os cinco permaneceram imóveis, unidos pelo mesmo laço de dor e afeto, como se o tempo tivesse parado apenas para abrigar o luto compartilhado.


*******

A residência dos Denali repousava em silêncio após o momento de dor compartilhada. O peso da ausência de Irina ainda pairava no ar, mas a vida os chamava de volta às suas respectivas rotinas. Eleazar havia se recolhido ao home office para preparar suas primeiras aulas do novo semestre letivo na Universidade do Alasca, que se iniciaria em dois dias.

Carmen, aproveitando a liberdade de seu trabalho autônomo, encontrava-se na sua estufa, projetada pela própria e construída em ferro forjado e vidro por ela com a ajuda de Eleazar e de Tanya, Kate e Irina a alguns metros da casa que quatro anos atrás eles construíram do zero. O perfume suave das suas flores preenchia o espaço enquanto Carmen as regava e as adubava enquanto "conversava" com cada uma delas, encontrando assim um refúgio em meio à dor pela perda de Irina. Carmen cultivava diversas espécies, dentre as quais destacavam-se as suas preferidas: tulipas vermelhas e amarelas, cores que remetiam sua Espanha natal; rosas vermelhas; orquídeas; papoulas; cravos e lírios-de-Espanha.


Tanya, por sua vez, estava fechada em seu ateliê, que também ficava separado da casa, logo na entrada. Tanya estava imersa no processo de criar suas velas aromáticas artesanais e permitia que a mistura das essências e o cheiro da cera preenchesse o ambiente e ocupasse seus pensamentos. Cada detalhe do seu trabalho, que ia desde o preparo da parafina ao cuidado com as essências escolhidas até o ato de embalar as velas e etiquetá-las era o que realmente amava fazer, e naquele espaço, cercada por frascos, moldes e aromas, Tanya encontrava o seu cantinho de paz, onde podia simplesmente existir, sem pressão de ter que liderar um clã ou de ser a irmã mais velha perfeita e responsável como jurou sempre ser.



Tanya vestia um avental branco por cima da roupa, com as mangas três quartos de seu vestido curto azul petróleo nos cotovelos e seus cabelos loiros presos em um rabo de cavalo alto e despojado, com a franja caindo livremente sobre o rosto. Os olhos dourados de Tanya permaneciam atentos à marcação que indicava a medida exata a ser derramada e ela sorria triste com a lembrança de quando tinha Irina ao seu lado, rindo e fazendo suas piadas enquanto despejava com cuidado a cera líquida no derretedor industrial, já aromatizada para dar vida a cada peça.

Sentia ter falhado em cumprir seu papel de irmã mais velha, dádiva que lhe foi dada por Sasha ao transformar Kate e posteriormente Irina. Diante das chamas que consumiram o corpo de sua mãe, Tanya jurou proteger suas irmãs mais novas para sempre, promessa sagrada que cumpriu por um milênio e que deu sentido à toda sua existência até agora. Contudo, agora, com a perda de Irina, Tanya sentia como se tivesse quebrado a promessa feita à mãe, e se perguntava se um dia conseguiria perdoar a si mesma por não ter conseguido proteger Irina e impedido ela de ir até os Volturi.

Tanya estava concentrada quando ouviu três batidas ritmadas na porta de seu ateliê. Virou a cabeça, captando de imediato o cheiro doce e familiar de Kate, e um pequeno sorriso suavizou sua expressão.


-Pode entrar — Tanya disse em voz calma, e logo a porta se abriu, revelando Kate.

-Quer uma ajuda? — perguntou Kate, colocando a cabeça para dentro do ateliê da irmã. A mistura de cheiros das essências que Tanya usava em sua confecção de velas invade suas narinas.

-A que devo a honra da sua visita? — Tanya brinca e Kate ri baixinho — você quase nunca vem aqui...

-Eu sei... só queria saber se quer ajuda... — Kate responde e coloca suas mãos nos bolsos laterais de sua calça de moletom cinza.


Realmente não era muito comum que Kate se oferecesse para participar da produção de velas. Kate geralmente era mais focada em suas joías enquanto ajudar Tanya sempre foi mais a praia de Irina, mas Tanya não precisava ter o dom de Edward para perceber que, por trás da oferta, havia a verdadeira intenção de Kate de não deixá-la sozinha. A lembrança de Irina tornava o gesto de Kate ainda mais significativo, e Tanya se sentiu tocada em silêncio.


-Tudo bem, pode ficar — Tanya respondeu, e Kate entrou, fechando a porta atrás de si. Tanya voltou a se concentrar no seu trabalho, terminando de despejar a cera líquida no derretedor industrial, antes de perguntar sem erguer muito a voz — Onde está o seu Romeu?


Kate, prendendo seus cabelos em um coque improvisado com as próprias mãos, riu com o apelido.


-Ficou na sala, assistindo tv... — olhando para o que Tanya fazia, Kate posicionou-se ao lado da irmã e puxou as mangas de seu casaco de moletom antes de estender o braço direito na direção da pratileira e pegar o pote de parafina, pronta para iniciar a mistura de outra vela — ele está encantado com a tecnologia envolvida na geração de imagem e na infinidade de canais que pode escolher pra assistir — Kate conta, sorrindo, enquanto concentrava-se para derramar parafina dentro de uma vasilha sobre uma balança de precisão com a ajuda de uma pázinha plástica. Tanya ri e olha para ela.

-É tudo novo pra ele... — Tanya responde, pousando a vasilha agora vazia que segurava em sua mão direita, com a pázinha plástica dentro dela, e então olha para o que Kate fazia, apoiando suas mãos na mesa sobre a qual trabalhavam — imagina, Kate — Tanya cutuca o braço direito de Kate, que olha para ela — o cara passou duzentos anos vagando solitário, fazendo sabe-se lá o que, e do nada, por causa de uma mulher que conheceu e se apaixonou quando estava prestes a enfrentar a realeza dos vampiros, vai parar em uma família de vampiros vegetarianos em uma casa com TV, computadores...


Kate deixou escapar uma risada leve, achando graça no tom certeiro de Tanya ao comentar que era óbvio o encanto de Garrett com a tecnologia, afinal, para alguém que viveu séculos longe de qualquer modernidade, ficar fascinado com aparelhos simples parecia inevitável. O jeito direto da irmã a divertia, e a risada de Kate quebrou um pouco a seriedade do momento, arrancando risos de Tanya.


-Realmente... — rindo, Kate volta a concentrar-se nos números que a balança de precisão mostrava a medida que ela adiciona mais parafina na vasilha — E de quê vai ser essa aqui? Lavanda? Morango? Ou você vai inventar alguma fragrância nova? — Kate perguntou, arqueando uma sobrancelha, e olha para Tanya, que soltou uma risada leve ao olhar para Kate, sacudindo a cabeça.

-Faz uma pra você usar quando estiver transando com o seu namorado sexy... — Tanya responde com um sorriso malicioso e Kate ri nervosa — canela apimenta as coisas.

-O Garrett não é meu namorado! — Kate exclama e, ao atingir a quantia de gramas exata, ela fecha o pote de parafina, rosqueando sua tampa, e coloca o vidro no lugar na prateleira.

-E então vocês são o quê, criatura? — Tanya coloca as mãos na cintura e Kate olha para ela, sem saber o que responder — ele abdicou da vida de nômade pra vir pra cá ficar com você, vai tornar vegetariano e não é seu namorado?

-Bom... Ele não fez o pedido... — Kate responde triste. Embora tentasse não demonstrar, Kate aguardava que Garrett a pedisse em namoro. Após um milênio esperando encontrar sua alma, ela queria experimentar a experiência de ser pedida em namoro com Garrett...

-E precisa? — Tanya franze a testa.

-Claro que precisa!

-Kate, Kate... — Tanya dá dois passos em direção à irmã e toca os ombros de Kate, que era alguns centímetros mais alta — O Garrett te segurou enquanto você dava choques nele, só para que você não atacasse os Volturi e terminasse queimando com a Irina... — Tanya diz e Kate olhava para ela em silêncio, com um nó na garganta ao lembrar da cena horrível que presenciou da irmã sendo desmembrada e queimada diante dela. Apesar da dor no momento, Kate jamais se esqueceria da bravura de Garrett, que a segurou firme, mesmo enquanto ela dava choques nele e ele sentia dor. Ele provou que a amava e que estava disposto a tudo por ela naquele momento — O Garrett te seguiu até aqui e está abrindo mão do estilo de vida nômade e da dieta porque se apaixonou por você, minha irmã... Depois de tudo isso, ainda precisa de pedido de namoro? — Tanya pergunta e Kate encolhe os ombros. Tanya rola os olhos — O cara já tá provando que te ama e que você é o centro da vida dele... Eu queria tanto encontrar alguém que fizesse isso por mim!

-Você vai encontrar alguém que vai fazer você sentir borboletas no estômago, que te faça sentir viva... — Kate sorri toda apaixonada ao enumerar as sensações que ela mesma sentia com Garrett por perto. Tanya sorri com o jeito dela. Nunca tinha visto Kate sentir-se assim por nenhum de seus parceiros sexuais humanos.

-Só de te ver feliz, pra mim já está de bom tamanho — sorrindo, Tanya tira as mãos dos ombros de Kate e volta a olhar para sua mesa, apoiando suas mãos na mesma.

-Mas eu quero te ver feliz também — Kate sorri e Tanya sorri também — e sei que ainda vou te ver casando de véu e grinalda como você sempre sonhou...


Tanya sorriu. Seu maior sonho era se casar de véu e grinalda e Kate e Irina sabiam disso como ninguém, mas primeiro tinha que conhecer alguém, a parte mais difícil. A ideia de ter alguém ao seu lado por toda a eternidade, cuidando-a, amando-a e a protegendo, a faz suspirar suavemente. Seus olhos dourados brilham e seus lábios se curvam em um sorriso, deixando transparecer o anseio guardado em silêncio. As vezes isso parecia distante demais, inalcançável, mas a esperança era a última que morre e Tanya tinha esperança de que um dia aconteceria.


-E quando acontecer, você e a Carmen serão minhas damas de honra... — Tanya pegou nas mãos de Kate. Ela sorria, apesar da dor ao pensar que, no dia em que realizasse seu sonho de se casar, Irina não seria sua madrinha, como deveria. Kate, segurando nas mãos da irmã, sorri de forma triste ao notar a quietude da irmã mais velha, sentindo também o peso da ausência ao perceber que o nome da irmã mais nova não foi pronunciado. As duas se conheciam o bastante para, ao olhar nos olhos da outra, se comunicarem sem palavras. A partir de agora seriam apenas as duas e teriam que se acostumar a não incluir Irina — e quem sabe eu não te veja vestida de noiva, com o Garrett te esperando no altar? — Tanya brinca para descontrair.


Kate riu, balançando a cabeça. É claro que amava Garrett, mais do que tudo, mas tudo entre eles era tão recente para pensar em casamento. Não havia urgência se tinham a eternidade inteira pela frente. Tanya ri.


-Por falar no meu novo cunhado... — Tanya muda de assunto e Kate ri. As duas soltam as mãos da outra e Tanya estica o pescoço para olhar para dentro do derretedor industrial. A parafina estava totalmente derretida, então ela desliga o aparelho — você e o Garrett vão caçar mais tarde? — Tanya pergunta e volta a olhar para Kate ao tirar o aparelho da tomada antes de pegar uma forma na pilha de formas que ela tinha em estoque. Kate agora colocava suas mãos sobre a mesa.

-Acho que sim — Kate olhava para ela, assistindo como Tanya pegava o derretedor e começava a derramar a parafina líquida na forma. — é melhor que o Garrett conheça o quanto antes a região e aprenda quais serão as preferências dele...

-É bom — Tanya assente, sem tirar os olhos do que fazia — mas é sério... Faz aí uma vela de canela pra você.


Kate arqueou a sobrancelha, desconfiada.


-De canela?

-É — Tanya assentiu, rindo baixinho, e coloca o derretedor de novo sobre a bancada antes de olhar para a irmã — Pra você acender quando você e o Garrett forem transar — completa e Kate soltou uma risada nervosa, apertando os lábios. Se pudesse corar, já estaria vermelha igual uma pimenta malagueta.

-Você está falando sério? Realmente... apimenta as coisas? — Kate perguntou e Tanya gargalhou, inclinando-se contra a bancada e balançando a cabeça.

-Uhum... — Tanya assente com um sorriso malicioso e Kate sorri, já pegando o frasco com a etiqueta escrito "canela" e pingando algumas gotas da essência. Tanya observou a cena rindo.

-Você realmente não tem jeito... — Tanya murmurou, rindo, e empurra de leve o ombro da irmã. Kate morde de leve o lábio inferior, focada em derramar as gotas da essência de canela. No entanto, Tanya via que ela pingava demais e segura a mão de Kate e a endireita para impedir que ela pingasse mais e ficasse muito forte. Kate olha para ela — Katrina, tá bom! Desse jeito vocês dois vão subir pelas paredes e vão quebrar tudo dentro do quarto!


As duas explodiram em gargalhadas. Kate riu tão alto que precisou se apoiar na irmã, e Tanya, já chorando de rir, a abraçou pelos ombros, trazendo-a para perto. Por alguns instantes, não havia dor, apenas o riso genuíno como há muito tempo não conseguiam ser. Depois, enquanto mexiam juntas os ingredientes, foi inevitável para Kate não se lembrar de Irina.


********

Horas depois, a tarde, Kate e Garrett se aventuravam pelos arredores de Fairbanks, longe da zona urbana. Os dois corriam entre os altos pinheiros do Steese National Conservation Area (NCA), uma vasta e remota área protegida no leste do Alasca, a cerca de 160 quilômetros a nordeste de Fairbanks. Por ser uma região remota e sem a presença de humanos, era o lugar perfeito para Garrett aprender a caçar animais enquanto construía seu autocontrole para poder viver entre os humanos.

Kate ia um pouco a frente, guiando-o. Suas botas afundavam na neve macia que se acumulava no solo da floresta boreal e seus cabelos loiros voavam com o vento, deixando um rastro suave do seu perfume de baunilha. Garrett a seguia de perto. Seus cabelos castanhos também voavam com o vento. A neve que caía do céu tocava seu rosto tão gélido quanto e pousava em seus cabelos, acumulando-se, assim como fazia nos cabelos loiros de Kate.

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O som das gargalhadas dos dois se misturava ao vento frio, ecoando pela floresta remota. Ali, longe de olhares e preocupações, sentiam a liberdade de serem quem realmente eram, desfrutando do prazer simples de estarem juntos, enquanto a floresta boreal passava ao redor deles como um borrão em alta velocidade. Garrett desviou subitamente, escondendo-se atrás de um pinheiro, e Kate levou milésimos de segundo para perceber, desacelerando e olhando para trás por cima do ombro.


-Te peguei! — com um sorriso travesso no rosto, Garrett surgiu à sua frente, fazendo Kate tomar um susto, e a encurrala, envolvendo seus braços ao redor da cintura de Kate e pousando suas mãos na lombar dela. Kate jogou a cabeça para trás e soltou uma gargalhada que se perdeu no vento enquanto passa os braços ao redor do pescoço dele.

-Você é doido... — em meio às risadas, ela exclama e com as mãos, afasta de seu rosto os fios loiros de sua franja que batiam contra ele pelo vento antes de afundar sua mão direita nos cabelos castanhos de Garrett, enquanto sua mão esquerda pousa na escápula dele.

-Eu sou doido por você — Garrett completa a fala dela e, com as mãos pousadas na lombar de Kate, ele a puxa contra ele antes de inclinar-se e pressionar seus lábios contra os lábios dela. Num primeiro momento, os lábios de Garrett apenas roçam nos de Kate. Depois, Garrett entreabre a boca e deixa sua língua deslizar pelos lábios entreabertos de Kate, tocando a língua dela em um movimento quente e envolvente. Kate, entregue ao momento, soltou um gemido e levou as mãos ao rosto dele, segurando-o com carinho. As mãos de Garrett, em um gesto instintivo, deslizaram desde a lombar até pousarem nas nádegas dela, segurando-a junto a si, estreitando ainda mais o espaço entre seus corpos.


Apesar do frio cortante que os envolvia, a temperatura só parecia crescer entre eles. As mãos de Kate deixaram o rosto de Garrett enquanto seus lábios trilhavam um caminho suave pela linha da mandíbula dele, espalhando beijos quentes por cima da barba dele que contrastavam com o vento gelado da floresta.

A boca de Garrett capturou a de Kate novamente com urgência, e ela, num sorriso provocador, chupou o lábio inferior dele, arrancando um gemido abafado de prazer de sua garganta. Garrett, incapaz de resistir, manteve sua mão esquerda pousada na nádega de Kate e levou a direita à nuca dela, afundando os dedos entre os cabelos loiros e lisos dela, puxando-a para mais perto enquanto seus lábios deslizavam pelo pescoço alvo de Kate. Ela riu baixinho, jogando a cabeça para trás, entregando-se à sensação, sem jamais tirar as mãos do rosto dele. Quando Kate voltou a endireitar a cabeça, seus olhares se cruzaram por um instante antes de seus lábios se encontrarem novamente. O beijo recomeçou intenso, misturando risadas abafadas ao som úmido e ardente de suas bocas se movendo em perfeita sintonia.


Felicidade e amor eram as palavras que definiam o que os dois sentiam. Livres da tensão e da incerteza que pairara sobre eles nos últimos dias, agora podiam finalmente viver seu amor em paz depois de tudo, como se a própria sorte tivesse conspirado a favor deles. Para Garrett, aceitar ajudar os Cullen foi a decisão mais acertada de toda a sua existência, porque foi através dela que Kate entrou em sua vida. Kate ainda estava com as mãos no rosto de Garrett quando, de repente, interrompeu o beijo e virou o olhar em alerta em direção ao nordeste, farejando o ar gelado.



-Você sentiu esse cheio? — Kate perguntou em sussurro e olha para Garrett, que Garrett também farejava o ar gelado na mesma direção que ela, com os braços ao redor dela. Garrett olha para Kate, assentindo, e um sorriso se desenhou em seus lábios.


O silêncio da floresta é então cortado pelo batimento ritmado do felino, vindo do nordeste, próximo o suficiente para que pudessem ouvir o fluxo sanguíneo que percorria seu sistema circulatório. Kate voltou o olhar para Garrett, e os dois trocaram um sorriso cúmplice, de pura sintonia.


-Parece um animal suculento... — ele murmura e Kate ri baixinho.

-Parece um lince canadense, meu preferido! — ela sussurra, sorrindo. Garrett sorri e deposita um último selinho nos lábios dela. Kate sorri e, sem precisarem de palavras, se soltaram dos braços um do outro.

-Pronta? — Garrett olhou para ela, já assumindo a postura de ataque.

-Sempre pronta — Kate olha para ele ao responder, já em posição de ataque ao lado dele. E então, como dois borrões, os dois partiram juntos pela neve, correndo lado a lado em direção ao coração pulsante que os esperava na floresta.


Instantes depois, Kate e Garrett estavam agachados lado a lado, curvados sobre o corpo imóvel do lince canadense, que jazia morto enquanto sua essência vital se esvaía contra a neve fria. Os dentes de Garrett se prendiam à jugular do felino, sugando o sangue quente em goles ritmados enquanto Kate sugava o sangue da veia cava cranial do animal. Não era a primeira vez que os dois caçavam juntos. Ainda quando estavam em Forks, se preparando para o encontro com os Volturi, Garrett havia acompanhado Kate, Tanya, Carmen e Eleazar nas suas caçadas ao redor do Parque Nacional Olímpico, e inclusive experimentou sangue animal, mas esta era a primeira vez que caçavam sozinhos.

O sabor do sangue animal era mais amargo e terroso comparado ao sabor do sangue humano, tampouco possuía a mesma doçura, mas Garrett sabia que era uma questão de tempo até adaptar-se totalmente à nova dieta. Estava sendo mais fácil do que pensou que seria e o sangue humano não estava fazendo tanta falta, pelo menos por ora.

Ao esvaziar a jugular do felino, limpando os últimos traços da sede em sua garganta, Garrett permaneceu sentado ali na neve, com as pernas dobradas para trás e as mãos unidas entre suas pernas entreabertas. Seus olhos pousam em Kate, que permanecia concentrada em sugar a veia cava com precisão. A visão dela, entregue ao instinto, fez com que ele se perdesse na beleza dela.

Quando Kate terminou sua refeição, afastou-se do animal com leveza e tombou para trás na neve, apoiando-se sobre suas pernas dobradas. Kate coloca suas mãos sobre suas pernas, sentindo-se saciada. Seus olhos dourados então encontravam os olhos de Garrett e um sorriso suave se abriu em seus lábios ao notar a diferença sútil nos olhos de Garrett, que haviam mudado de tom depois dessa caçada, adquirindo um alaranjado mais vivo.

Kate se arrastou de joelhos pela neve branca até chegar à Garrett., que a segue com o olhar em silêncio. De joelhos diante dele, Kate toca com carinho o rosto dele. Garrett a olhou fixamente, quieto, quase hipnotizado, retribuindo o gesto com um sorriso sereno.


-O que foi? — ele pergunta com a voz baixa, quase rouca. Seus olhos estavam fixos nos olhos dourados dela e suas mãos instintivamente pousam na cintura dela.

- Seus olhos... — Kate murmurou, com a ponta dos dedos acariciando as bochechas dele — Estão menos vermelhos e mais alaranjados do que antes... — completou, deslizando os dedos da mão direita até perto do olho esquerdo dele, tocando de leve a pele. Garrett fecha os olhos com o toque delicado dela e Kate toca de leve na pálpebra móvel dele.


As pálpebras de Garrett tremeram antes de que seus olhos voltassem a se abrir para fixarem-se nos dela. Um pequeno sorriso nasceu em seus lábios enquanto suas mãos viajam até o rosto dela. Seus dedos percorrem a pele fria das bochechas dela, com delicadeza, e Garrett traz o rosto dela para perto do dele, fechando os olhos ao roçar a ponta de seu nariz na ponta do nariz dela. Kate também fecha os olhos, sorrindo com o toque.


-E, acredite, não vejo a hora de ter olhos dourados — ele murmura, agora roçando seus lábios nos lábios dela, e o sorriso de Kate se alargou, terno, orgulhoso. Sem precisar dizer nada, ela apenas uniu seus lábios aos dele, beijando-o ali mesmo, diante do corpo inerte do animal, como se o mundo inteiro tivesse desaparecido.


Seus lábios se moviam em perfeita sintonia e a cada toque de suas línguas, o gosto de sangue fresco do lince ali contido se misturava, espalhando-se entre eles. Garrett a puxou pela cintura, trazendo Kate para o colo dele com firmeza, enquanto Kate se acomodava de lado sobre as pernas dele, com suas pernas para fora e mantendo as mãos no rosto de seu amado. Os braços de Garrett a envolveram pela cintura, apertando-a contra si, enquanto o beijo se aprofundava ali no meio da neve, em contraste com o calor crescente entre os dois.