Notas iniciais
Ahn, começando entao, mais um fic!

“Força, força, força, força!” – era só o que eu ouvia ao fundo.

“ARGHH” – e eu obedecia.

“Vamos, estamos quase lá! Mais força!”

“ESTOU TENDANDO! ARGH! ARGHHHH”

Muita força. Muito esforço. E eu só consegui ouvir seu choro. O som da gritaria dos homens e mulheres daquela sala foi abafado por seu choro. Um pequeno murmúrio feito com muito esforço por ele. E nada mais importava. Só ele.

“Mas obrigada, sem problemas” – desci as escadas com calma, segurando no corrimão e segui na calçada. Era verão, estava quente. Andar na rua àquela hora não devia fazer bem. Eu estava estressada, mas só de olhar o rostinho daquela criança linda em meu peito me acalmava.

“Hey Bê, vai ficar tudo bem, nós vamos arranjar tudo, vai ficar tudo bem”

O telefone toca, dou graças a isso.

“Oi, sim já sai. Ela vai me adiantar o pagamento sim, vai depositar hoje mesmo. Sim, a Sra. Blade também, ok, estou indo pra lá”

“Um Vanilla Ice Blend, por favor. Muito obrigada”

Me sentei na mesa mais fresca possível. Sem muito ar condicionado senão podemos ficar gripados. Ele ainda é muito frágil.

“Pronto, aqui está. Nossa, mas que criança linda” – a garçonete disse, colocando minha bebida gelada a minha frente. Eu a conhecia.

“Ah, obrigada novamente. Muito obrigada May” – Bernardo se mexia, agora o mudo de posição.

“Sophie, a muito tempo não a vejo aqui” – a garçonete olha para o lado a verificar se não há clientes e se senta a minha frente.

“Eu não tenho tido muito tempo para sair” – Estou me ajeitando para amamentar Bê. Ele já deve estar com fome, depois de tanto tempo andando em seu suporte.

“Olha, Sô... Se você está precisando de alguma coisa, você pode falar comigo” – eu olhava ela com um olhar duvidoso, mas assim mesmo, carinhoso. Tecnicamente, ela não havia me feito nada. Realmente, nada. Para me ajudar, ou me salvar quando mais precisei. Mas ela não podia, quase ninguém podia.

“Sem problemas May. Agora tudo vai melhorar” – tentei sorrir, mas quase toda minha preocupação em parecer educada havia sumido. Eu ainda lembrava. Lembrava de como foi difícil. Ficar sem comida, por não ter dinheiro para compra-la. Permanecer fraca, e mesmo assim indo a casa das Sra.’s e cuidando de seus animais, netos, ou só da casa mesmo. Aqui, as idosas eram as únicas que podiam me empregar. Odeio essas leis estúpidas.

“Sophie? Estou falando com você” – eu havia me perdido em meus pensamentos. Ficou comum, depois que descobri a gravidez.

“Mil perdoes. Você pode repetir, por favor?”

“Por que vai tudo melhorar? Você arranjou um emprego melhor? Ou a prefeitura aceitou sua petição?” – eu já citei que odeio esse lugar? Se não, odeio.

“Hm, não não. Essas pessoas daqui são completamente atrasadas, eu não teria como me manter aqui. Não nós dois” – olhei para Bernardo, que estava mamando de olhos fechados. A coisa mais linda desse mundo.

“Então, o que você pretende fazer?” – a resposta a sua pergunta era num entanto obvia, e ela já devia saber, mas ela perguntou mesmo assim. Queria ter certeza. Certeza de que eu ia ter coragem de fazer isso.

“Sim, eu vou sair daqui. E nunca mais vou voltar a essa cidade que só me trouxe desgraça. Não só desgraça, tiremos Bernardo dessa” — ela me cumprimentou, fez carinho na bochecha de Bê, que permitiu sem resmungar. Ela se levantou e foi atender o pequeno grupo de clientes que havia se acumulado. Estava bebericando meu café quando quase derrubo o café com tamanho sorriso aberto em meu rosto. Ela havia chego.

“Ai meus deuses, graças a deus, você está linda, e essa criança também, amém senhor, que emoção, não acredito, mana, por favor me perdoe por eu não conseguir vir antes, por favor, me perdoe por permitir que você passasse por tudo que passou, por favor” – ela estava ajoelhada, chorando. Eu a entendo. Completamente. Bernardo estava em meu colo e se mexia para tentar entender o que se passava ali. Eu ajoelhei com cuidado ao seu lado, e com minha mão esquerda, a única livre, levantei e segurei seu rosto em frente ao meu. Deus sabe o que passamos, e não foi fácil.

“Não faça isso, não chore, não implore. Eu nunca te culpei, não preciso te perdoar. Você é minha irmã, e sei que faria e fez tudo que podia por mim” – eu não sei. Estávamos ajoelhadas no chão daquele café, chorando. Talvez não fosse o lugar apropriado para um reencontro depois de mais de um ano. Mas era melhor do que ao ar livre, com chances de sermos recriminadas. Pode ser, que até seja um lugar bom. Ninguém ali iria nos impedir. Todos eram jovens, e entendiam o que era o regime dos pais, da prefeitura e sabiam da minha historia. Não poderiam me ajudar, nem se quisessem.

“Bom, vamos sair daqui né?” – nos levantamos, Camilla pegou Bernardo de meu colo e nos ajeitamos. Não acredito que consegui sobreviver vendo minha irmã apenas pela webcam de um computador ruim da Lan House da esquina. Isso quando me permitiam entrar nela. Me despedi de May, e seguimos para fora daquele café. É, não sentirei saudades daqui. Não, não mesmo. Encontrei aquele” homem” aqui. Se é que aquilo é considerado ser humano não é mesmo?

O braço de Camilla me ajudava a andar, me envolvendo pela cintura, sendo que ela segurava meu filho no outro braço. OK, eu não precisava de tudo aquilo, não agora.

Durante a gravidez eu estava muito pesada. Muito, mesmo. Mesmo com eu comendo MUITO menos do que alguém deveria e não tomando os cuidados que alguém na gestação deveria tomar, minha barriga atingia um tamanho inimaginável. Eu mal podia andar, e mesmo assim me forçava a trabalhar. Precisava pagar o pequeno plano de saúde, e também o mínimo de comida que eu digeria. Eu precisava sobreviver.

“Calma Cami! Eu consigo andar agora, agora sim” – gemi, pois eu havia colocado peso no lado do corpo que eu havia caído quando estava com apenas 31 semanas de gestação. Eu quase perdi meu filho ali.

“Aham, sei. Deixa eu te ajudar” – ela me ajudou a entrar no banco traseiro e me entregou a criança. Olhei para o lado e me surpreendi com uma cadeirinha de bebê nova ao meu lado. Havia também umas 4 sacolas e bolsas de bebê também, que tinham comida, fralda, e coisas de necessidades de recém nascidos. Quase chorei de novo. Deixa disso Sophie, tudo é parte da depressão pós-parto. Não a parte da depressão, mas a parte em que estou muito emotiva por um pequeno ser ter saído de dentro de mim. Sim, agora, aos 17 anos, sou mãe.

“Sophie? Está tudo bem ai atrás?” – Camilla ajeitava o espelho retrovisor e sorria para mim. Sei que por trás daquele lindo sorriso havia tristeza. Muita tristeza. Mas isso vai acabar, vamos sair daqui e ser felizes.

Ou não.

“Pode parar aqui Camilla” – ela estacionou o carro naquele espaço entre carros que deveria ser uma vaga. O cheiro do prédio mal cheiroso já invadia nossas narinas, antes mesmo de atravessarmos a rua. O prédio mal cheiroso era um Motel, que ficava colado ao ‘meu’. Peguei a chave da minha simples bolsa, e pedi para que Camilla abrisse o portão com a chave verde. Ela abriu e entramos em um corredor simples, um pouco longo, com carpete vermelho, se é que pode se chamar aquela cor de vermelho. Está mais para vermelho sujo. Paredes desbotadas e quadros velhos. Não viviam muitas pessoas ali. Ele era um dos únicos prédios para os mártires da cidade. Ótimo lugar para uma adolescente como eu, viver.

Seguimos um pouco até uma pequena escada, escondida. Não era a principal nem nada, só uns três ou quatro degraus até uma porta. A porta era velha, desgastada com o tempo e rangia. A porta do quartinho do zelador. O zelador, Sr. Whitler, morreu há uns dois anos. Ele tinha um apartamento no prédio, mas começou a morar aqui quando se “separou” de sua mulher, há uns três anos. Eu o conheci, enquanto ainda tinha minha casa e minha dignidade. Sua ex-esposa, uma das únicas pessoas decentes dessa cidade, me deixou morar neste quarto, mediante o pagamento do aluguel. Subir essas escadas não era cabível com minha barriga. Como a Sra. Whitler ainda era “ligada” ao marido, se é que me entendem, não aguentou permanecer naquele prédio, nem na cidade. Já uma senhora, resolveu sair dessa cidade horrível, coisa que quase ninguém tem coragem de fazer.

“Sophie, não acredito que você morou aqui esses meses. Olha que lugar horrível! Serio, nunca vou me perdoar por ter te deixado aqui” – até que não está tão ruim. Se ela tivesse visto como eu encontrei o lugar, estaria no chão novamente me pedindo perdão.

O lugar não era bom, mesmo. Era bem ruim até. Um banheiro, pequeno. Tinha uma cama, que o colchão era novo, concedido pela Sra. Whitler a mim. Uma mesa de cabeceira, com um relógio velho, e um retrato meu e de Camilla. Tinha um pequeno armário, se quisermos elogia-lo, onde eu guardava as minhas roupas e de Bernardo. Uma geladeira e um pequeno “fogo”. Era tipo um fogão, de apenas uma boca. E nada mais.

“Ei, alguém precisa ser trocado né?” – fiz uma careta e Bernardo riu. Ele estava com um cheiro esquisito, e sua fralda pesada. Ele ri bastante, diferentemente de mim.

“Deixa que eu faço isso! Posso fazer, se você deixar” – Camilla pediu.

“Claro, vai ser bom para você” – e assim ficamos. Eu juntei todas as minhas roupas (não que fossem grande coisa) em uma mala enorme que minha irmã me entregou. Adicionei as roupinhas de Bernardo, suas fraldas, talcos, e todos os nossos pertences. A mala estava praticamente vazia.

Nós ficamos olhando para ela. Cadê as roupas de uma adolescente normal? Os brinquedos até? Material de escola? Livros, pertencentes? Fotos de família, objetos de recordação? Não havia. Eu não tinha. Tudo me foi tirado.

“O promotoria aceitou o nosso pedido. Podemos entrar na casa, ficar lá se preferir. E tudo é nosso de novo. Eles vão devolver o dinheiro, e as casas de praia, e o seguro do carro vai nos dar outro. Tudo. O governo também vai pagar uma pensão bem gorda para você. E uma também pelos nossos pais. Nós vamos melhorar de vida Sô, você vai ver”

A única certeza que eu tinha era que íamos melhorar de vida. Era o que eu achava.

“Não quero voltar lá. Não quero carros, ou casas de praia. Não quero continuar aqui. Eu... eu só não posso. Um dia, vou acabar encontrando algum amigo, familiar, ou conhecido de Jeff. Eu, eu não iria aguentar lembrar daquele cretino de novo” – falar dele me causava um remorso horrível. Meu estomago se torcia, meu coração fraquejava e não sabia se chorava, gritava, ou pior, tentava me matar. Aquele menino afundou ainda mais minha vida.

“Sophie, para com isso! Ele está preso! Não vai lhe fazer mal! Nem ao seu filho” – peguei meu filho no colo. O fiz parar de chorar. Fui ao banheiro, me lavei rapidamente e as pernas e rosto do bebê. Tentei ajudar Camilla a descer as malas, sem sucesso, mas ela acabou que se virou sozinha. Entramos no carro e saímos dali.

POVS NIALL

Acordei com os olhos pesados. Minha cabeça estava latejando, e meu corpo estava suado e cansado. Essa deu trabalho. Mas, qual seu nome mesmo?

“Bom dia, meu amor” – argh. Fofura não é comigo.

“Oi” – levantei pulando da cama. Eu não estava vestido. Vestir-me pra que?

“Não vai falar comigo?” – a garota perguntava. Já não bastava eu ter dado a ela a chance de dormir comigo e ela ainda pede mais atenção?

“Ahn, tem água na pia” – entrei no banheiro para tomar banho, torcendo para que quando eu saísse não encontrasse mais ela lá.

Minutos, mais minutos, mais minutos. Mas espera, não é mais dia de semana, então que dia é hoje? Domingo? O que eu tenho domingo? Merda, casa do Zayn. Fuck!

Sai correndo do Box e não achava a toalha. Foda se, se a garota continua aqui nem vai ligar mesmo.

“Eu estava tentando preparar o café” – ela não vestia nada. Suas curvas não eram tão grandes, mas o rosto era bonitinho. Já tive melhores, bem melhores. Eu devia estar muito bêbado para vir com essa daí. Mas ok, não tenho tempo para isso agora.

“Eu tenho que ir” – falei vestindo a calça. Peguei uma camisa qualquer e fui vestindo enquanto procurava meu tênis “Deixe a chave embaixo do tapete quando sair. Adeus”

Saí correndo. Merda, eles vão me matar.

POVS SOPHIE

Estávamos estacionando o carro. Por que aqui? Eu havia cochilado, mas tinha certeza de que andamos muito pouco para chegar a Londres. Ohh não.

“Vamos, quanto mais cedo entrarmos, mais cedo saímos” – de certa forma tem razão. A questão é que não deveríamos entrar. Se não entrássemos, estaríamos poupando muito mais tempo. Mas não iria ficar de pirraça. Não vou dar mais esse gostinho a todos que tiraram a casa de mim. O que fizeram comigo lá vai voltar a minha memória, mais cedo ou mais tarde.

Me levantei, e antes de sair tirei Bê da cadeirinha e passamos por debaixo da porta com o maior cuidado, já que eu havia batido minha cabeça com força ao entrar no carro depois da ultima parada.

“Você primeiro” – disse Camilla. Grande corajosa essa daí. 20anos na cara. Eu girei a chave e entrei na minha antiga casa.

Começo a tossir, pois há muita poeira na casa. Os olhos de Bernardo estão ficando irritados, então peço que Camilla abra todas as janelas. Ela o faz.

Caminho lentamente, por entre os plásticos que cobre nossos moveis, ainda novos. Mamãe e papai haviam reformado a casa pouco tempo antes de sofrerem o acidente que tirou suas vidas. Sem querer me fazer de coitadinha, já fazendo, tudo de ruim tem acontecido a mim desde a morte deles.

“Isso estava lindo, não estava?” – disse ela, de costas a porta da frente. Nessa posição, conseguimos enxergar boa parte da enorme sala, agora sem vida. Me junto a ela e nos esforçamos para lembrar como aquilo ali era.

Maioria dos dias da semana, chegávamos da escola ás pressas, rindo quase sempre, pelas palhaçadas do pessoal da nossa condução. Limpávamos o pé no carpete grosso que ficava lá fora e tirávamos os sapatos, regra bem rigorosa da Sr. Pupys, como gostava de ser chamada. Segurando ainda nossos livros, cadernos, ou fichários, íamos até a poltrona de nosso pai e dávamos um beijo em sua bochecha. Em retribuição, ele largava seu jornal, ou controle da televisão e nos babava. Íamos até a cozinha, falávamos com nossa mãe e furtivamente, pegávamos doces e guloseimas da geladeira. Tudo tão lindo. Tudo tão nosso.

Uma folha de jornal voou para meu pé, e Camilla abaixou para pegá-la. Era o pior jornal de todos.

“MANCHETE! FAMILIA POYNTER PERDE OS PAIS! JUSTIÇA PEDE A GUARDA DAS CRIANÇAS! PREFEITURA DE DOWNWOOD PEDE A POSSE DA CASA E DE TODOS OS BENS!” – Lembro-me do dia.

FLASH BACK

“Mãe? Pai? Chegamos! Venham!” – gritei. Nada.

“Eles estão viajando lembra? Eles foram hoje, sem nós, porque não queríamos perder as provas” – lembrei. Eba, sozinhas em casa.

Pegamos nossos doces. Subi para o meu quarto e larguei a mochila na cama. Como eu tinha usado força, a mochila rola e cai no chão. Camilla me grita avisando que está preparando sanduíches! Tudo está bom nesse dia! Além de ter minha irmã como empregada, por ela ter perdido uma aposta nossa, ganhei 700euros de mamãe e mais 700euros de papai! Me dei muito bem nas provas de hoje, física e trigonometria, em que ambas sou péssima. Mas acho que o melhor presente foi ter sido chamada pra sair por três caras incríveis! O primeiro é meu melhor amigo, Cody, por quem tenho muito carinho, e nossa, como ele é lindo. O segundo é Chady, o popular do colégio. Além de maravilhoso, gostoso e popular, ele é jogador de futebol! Mas o ultimo, e nada menos importante, é Jeff. Não é qualquer garoto. É O garoto. Ele é misterioso, com olhar penetrante e sorriso sensual. Todas as meninas derretem por ele. Mas nenhuma nunca teve chance. Até hoje.

FIM DO FLASH BACK *PARTE UM*

“Isso me deu ânsias de vomito” – falo em voz alta. Lembrar dele já era horrível, ainda mais com minha paixonite por ele. Nojo de mim.

“Enfim, acho que precisamos ir rápido. Bernardo não parece muito bem aqui dentro” – e não era para estar. Esse lugar me traz lembranças horríveis, quem dirá o que meu filho está sentindo?

Subimos a escada. Peguei o pano que Cami me esticou e fui segurando no corrimão, tirando os níveis de poeira acumulados por meses e meses de abandono. Chegamos ao corredor do segundo andar. À direita, dava ao quarto de nossos pais, ao armário de malas e roupas de inverno, essas coisas. A escada para o sótão, um dos quartos e banheiro de visitas, que mais ficava para Buster brincar do que para alguma visita, já que nossos parentes em grande maioria moravam na Inglaterra e não tinha coragem de vir até DownWood.

Fomos para a esquerda, onde ficava o meu quarto, no fim do corredor, na reta para o dos meus pais, já que com 10anos comecei a ter pesadelos horríveis e constantes. Visto do corredor, o quarto de Camilla ficava a direita. Em frente ao dela se encontrava o que deveria ser o segundo quarto de visitas, mas a muito, nossos pais o transformaram em um quarto para nós duas, com um balanço de plástico para crianças bem pequenas, casinhas de boneca espalhadas aos ventos, lego e mais peças de lego pelo chão, como uma armadilha a quem tentasse invadir nosso território. Tinha uma parte cheia de almofadas, onde ficávamos contando nossos segredos ou apenas tirando uma soneca. Esse quarto seria perfeito para um bebê. Mas nem pensar em ficar aqui. Fomos para o quarto de minha irmã primeiramente.

POVS CAMILLA

Não sei o que eu estava pensando. Que se voltássemos a casa, talvez, pudéssemos relembrar dos nossos momentos ótimos em que nossa família ficava unida e brincando de ler historias para suas filhas sapecas? Talvez. Mas isso também trouxe todas as lembranças daquele dia. E acho que nada nos convence a ficar.

FLASH BACK

“Então, quem vai comer?” – perguntei entrando no quarto de Sophie. Ela estava naquele telefone em forma de boca e me ignorou. Fez sinal com a mão para que eu entrasse, mas eu mandei o “nosso código” e disse que estaria no quarto de princesas. O nosso quarto de brincar. Ele ainda tinha brinquedos de criança, mas muitos guardados em caixa enquanto o chão era dominado por livros adolescentes e livros de estudos, jogos de tabuleiro e carta. Sentei nas almofadas, puxei uma mesinha baixa e comecei a comer. Logo chega Sophie com o maior sorriso na cara.

“Mana, você não vai acreditar. Nem eu acredito! Ai, estou tão nervosa, quer mesmo saber?” – ela me olhava com aquelas grandes bolas cinzas e quase chorosos. Não podia resistir.

“Fala logo!” – exclamei enquanto sugava o suco com o canudinho gay que todo mundo aqui em casa tem. Ela pegou o suco dela, botou o canudinho e sugou o máximo possível.

“PELA PRIMEIRA VEZ EU FUI CHAMADA PARA SAIR! AHHHHH” – Que linda.

Eu levantei com ela e comecei a gritar também. Minha irmãzinha, de apenas 15anos. 15anos ouviram bem? Ela tinha acabado de completar 15anos e foi chamada para sair.

“Quem é o cara?” – cai sentada.

“Os caras, você quis dizer” – fiquei espantada. Ela se jogou no meu colo e não parávamos de rir. Ela disse seus nomes e suas idades, mesmo não sabendo ao certo a desse tal de Jeff. Sei lá, pelo que ela me descreveu, me parece familiar, mas mesmo assim, não faço ideia de quem seja. Um arrepio na espinha me ocorreu e tenho que me lembrar de investigar. Não quero minha irmãzinha perto desse sujeito sem minha aprovação.

O meu quarto estava intacto desde o dia que saí de casa. Por que? Por que tive de ir? Se eu tivesse ficado em casa ao invés de ir para a faculdade, minha irmã não teria sido estuprada.

Andei até a janela e pude ver meu carro. Saudades das noites em que passava aqui esperando o cara gatinho da pizza chegar. Ele era da faculdade local e usava esse bico para pagar suas saideiras. Sô andava até minha cama, onde por varias noites confidenciamos nossos segredos mais íntimos. Algumas caixas estavam empilhadas nos cantos do quarto, mas a grande maioria se encontrava espalhava pelo chão. Não havia muito o que ver ou pegar. Minhas roupas e meus pertences mais importantes já haviam sido levados para minha casa. Os móveis todos também já estavam lá, como eu, a mais de um ano. Se eu não quis voltar para ver minha irmã antes? Obvio, mas as leis da cidade não permitiram. Se você sai, você fica lá fora. E ponto. Mas lá fora eu tenho minha casa. Um apartamento bem grande e bem localizado, perto da minha faculdade. Presente de 18anos.

Segui Sophie enquanto ela caminhava para entrar em seu quarto. Devia ser difícil para ela. Ter perdido tudo, ter deixado de ser menina de uma hora para a outra e agora ter que ver tudo que antes era seu.

“Era lindo, não era?” – ela perguntou enquanto passava a mão pelas paredes, mas toma cuidado para não se sujar muito, pois tem um bebê no colo.

“Sim, muito lindo” – tudo dela ainda estava como sempre. A mochila agora empoeirada do lado da cama. Depois que ela foi abusada, foi direto para o hospital, e de lá, direto para a delegacia. A polícia disse que ela estava caluniando com tudo aquilo, mesmo que a perícia pudesse provar que ela foi estuprada. O cara a espancou, estuprou e ela ainda foi acusada! A família do garoto abriu um processo contra Sophie e até pouco tempo, estava ganho. A prefeitura tinha o controle dos nossos bens, dinheiro, tudo. Não sei como ela não foi para a assistência social. Graças a deus ela não foi. Minha irmã não teve chance de pegar uma roupa! Ela tinha uma parte do dinheiro do aniversario, uns 300euros. Ela contou sua historia, e a Sra. Whitler a deixou ficar com um apartamento comum, depois se mudando para o quartinho. Minha pequena arranjou bicos e empregos como empregada na casa de idosas (as únicas que a empregavam). Quando descobriu a gravidez, tudo piorou muito mais.

Sophie estava sentada em um banco,brincando com Bernardo. Ela parece não se importar com as lembranças de ter tido tudo isso tirado dela. Ou estava, mas espera ai. Ela está... feliz?

“Vamos pegar minhas coisas e ir logo” Juntamos tudo que ela queria em caixas. Certos livros, certos jogos. Pelúcias diversas, várias e varias roupas. Tentamos deixar muitas coisas para trás, principalmente por que o corpo dela mudou muito. Ela adquiriu muito mais peito e por incrível que parece, está com tudo em cima. Pegamos fronhas, lençóis, produtos de beleza ainda na validade. A mala do meu carro é bem grande e o carro é novo, então ajuda um pouco. Ela pegou sua pelúcia preferida, chamada roxy. Seus eletrônicos. Um notbook antigo. Seu celular, que agora nem sei se funciona. Um ipod que ficou jogado por ai por mais de um ano e mais algumas coisas.

“Temos que entrar” – ela saiu do quarto dela e tomou coragem. Não sei. Era mais difícil talvez porque ali que acumulamos maioria de nossas lembranças felizes, mas só talvez.

POVS ZAYN

Niall atrasado, atrasado, atrasado. Mais uma vez.

“Será que ele nunca consegue acertar o horário?” – Lou perguntou. Sempre o mais responsável. Por que meu deus, tinha que esperar por esse muleque?

“Melhor, assim consigo malhar mais” – todos riram. Eu estava fazendo flexões na barra que ficava na porta do corredor.

“Voce? Malhar mais? É melhor se esforçar bastante, até chegar onde estou” – disse Liam. Mas de onde ele estava falando?

Senti meu corpo caindo para trás. Aquele filho da puta correu pelo corredor e me derrubou. Vou matar esse desgraçado.

“Volta aqui filho da mãe!” – corri atrás dele. Niall chegou.

“Mais um domingo comum e relaxante com amigos” – gay. Por que tão gay? Ele pega mulheres?

Comemos restos de comida da geladeira. Assistimos ao futebol. Comemos mais. Conversamos e nos batemos. Comemos mais. Nossos domingos geralmente variavam quando resolvíamos treinar nossas organizações no time, ou só assistir televisão e comer. Fomos na segunda opção.

“Louis, abre essa janela” – Louis foi e quando chegou lá gritou e me chamou. Ué, mas a vizinha gostosa estava em casa? E com uma amiga gostosa também? Perai, aquilo é um bebê?

POVS LIAM

A vizinha gostosa quase nunca estava em casa. Que vizinha era aquela, papai do céu. E a amiga dela também não é nada de se jogar fora.

Ficamos todos os cinco encarando as duas, com interesse sim, com segundas intenções ou não. Acho que ela estava com um bebê, mas acho que deixou ele em um quarto. Elas duas estavam na sala.

“Elas são bem bonitas. Não mais do que Camilla já era, mas a outra é bonita também. Devem ser irmãs” – Lou observou. Então nossa vizinha se chamava Camilla? Interessante também.

“Será que elas vão ficar?” – perguntou Harry. Iludido.

Ela não percebeu, nem tenho certeza se alguém já percebeu, mas gostei. O papai aqui já achou o que queria.

Notas finais
Ficou BEM grande, mas é só por que precisava esclarecer MUITAS coisas a voces. Os proximos capitulos vao ser bem mais curtos, facilitando pra voces, ok? Espero os reviews, tweets e espero que gostem!
Amo voces
- #Lasanha