Noriko
1 Prólogo
Notas iniciais
Assim que o garoto pisou dentro daquela casa abandonada, sentiu um enorme calafrio percorrer todo o seu corpo. A cada passo que dava, podia ouvir o ranger das tábuas soltas. Respirava ofegante e seu coração estava tão acelerado, que parecia que se ouvisse algo suspeito, poderia dar um grito e sair correndo de imediato.
Agachou-se assim que alcançou seu objetivo. A bola branca de beisebol que havia sido rebatida com muita força, acabara parando naquela casa onde ninguém — nem mesmo os adultos — se via pisar. Porém, aquele garotinho estava disposto a bancar o forte na frente de seus amigos.
A casa abandonada era um aviso de que demônios existiam. Sempre cheia de avisos para não se aproximar do locar tanto por fora, quanto por dentro. O garoto apertou fortemente a bola contra sua mão. Sua curiosidade estava falando mais alto, porém, foram apenas por breves segundos, pois ele havia visto um vulto e sem mais delongas, o garoto dá alguns passos para trás, grita e dá um giro para sair, entretanto, ele tropeça em seu pé e acaba por machucar seu joelho. O mesmo, olhou para trás, mesmo sabendo que se arrependeria, pois descobrira que não se tratava de um simples vulto. Novamente, repetiu o grito e começou a correr em direção a porta, porém, estava tão assustado que mal conseguia se locomover.
Ao chegar na porta, sentiu um leve toque em seu ombro. Apavorado, o garoto hesitante olhou para trás. Então, tudo ficara muito quieto. Seus olhos encontraram-se com as de uma garota.
Sentiu seu rosto arder. Perguntava-se o que uma garota como ela fazia em uma casa como aquela. Também estava fascinado pelos olhos da garota que parecia ter sua idade. A mão gélida da garota era o que mais lhe assustou... será que os boatos eram verdadeiros? Havia realmente um demônio morando ali? Muitas perguntas estavam surgindo em sua mente. Porém, sem obter resposta para nenhuma delas, a garota lhe soltou o braço e colocou a mão a frente de seu rosto, como se pedisse para que ele esperasse. Foi o que fez, a garota saiu correndo e em poucos instantes estava com uma caixinha enferrujada. Ela se agachou e colocou a caixa no chão, onde a abriu logo em seguida. A mesma apontou para o joelho ferido do garoto e ele entendeu que ela queria cuidar. O garoto inspirou e reuniu coragem para lhe perguntar seu nome. Entretanto, ela apenas contorceu a boca. Assim que terminara de cuidar do ferimento, ela abriu a porta e o empurrou. O garoto atordoado com que acabara de acontecer, voltou a espiar por dentro da casa pelos vidros quebrados, porém, a garota já não estava mais lá.
— Ei, Yuta! Saia logo daí! Quer ser amaldiçoado?!
Berrou um de seus amigos.
O pequeno garoto sentiu seu coração palpitar. Certamente pretendia voltar ali, estava disposto a vê-la novamente. Então, bateu levemente na porta, deixou a bola no chão e saiu correndo. Chegando perto do pequeno grupo de amigos, um deles perguntou:
— Então, conseguiu pegar a bola?
— Desculpe, estava escuro demais e não a encontrei.
Respondeu calmamente.
— Não se preocupe com isso, provavelmente aquele demônio está lá e se apossou da bola. — Disse outro de seus amigos. Porém, Yuta não acredita que aquela garota que lhe fez um curativo é um demônio, quem acreditaria?
— Ei, o que você fez no joelho?
— Já estava assim.
E para fugir das perguntas que estavam prestes a fazer, começou a correr com todas as suas forças.
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