Norfolk

7 Capítulo 6


Capitulo 6

Um pouco mais de uma semana havia se passado desde a “trágica” noite de núpcias e o casal não voltou a se envolver, mas conseguiu estabelecer uma boa convivência. Para surpresa do cavaleiro, apesar de ser uma mulher rica e criada com todos os luxos, Katrina lidava muito bem com os afazeres domésticos. Ele, Hyoga e Clarisse estavam completamente envolvidos com os treinamentos dos aspirantes a cavaleiros e a jovem se dedicava aos cuidados da casa sem parecer estar nem um pouco incomodada. Ao contrário, ela se sentia bem em ter o que fazer, cuidava da arrumação e também de todas as refeições e, para o contentamento geral, cozinhava muito bem.

Durante aquele tempo Camus teve a oportunidade de conhecer um pouco mais sua esposa e a forte atração sexual que sentia por ela apenas aumentou com a constatação de que além de ser “bela, recatada e do lar”, ela era absurdamente inteligente. Katrina tinha um humor divertido, irônico e elegante, conversava sobre qualquer assunto e conhecia muito sobre a forma que os ingleses tinham de lidar com a política o que ajudava Camus a se preparar para assumir suas funções como Primeiro Duque e membro da Câmara dos Lordes. Hyoga também criou laços de amizade com a jovem e os três passavam bons momentos juntos.

A simpatia da moça fazia com que Clarisse tivesse vontade de esganá-la e o afastamento do aquariano a estava deixando a beira de um ataque de nervos. Mas tinha que dissimular para manter a confiança do cavaleiro, mas não conseguia negar para si mesma que tinha se viciado no sexo com ele. Camus era um amante espetacular, algo que ela não esperava quando o ex-cavaleiro de Taça a contratou para espioná-lo. A primeira impressão que teve é de que Camus seria capaz de dormir durante uma relação. Ele relutou muito em ter algo com ela o que a fez pensar que ou era gay, ou era até mesmo assexuado. Mas com o tempo ele cedeu as constantes investidas dela e ela se surpreendeu com o amante experiente, sexy, sedutor e muito quente que se escondia por detrás do cosmo gelado.

Não estava apaixonada por ele, disso tinha certeza, entre eles não havia qualquer afinidade, mas lamentava, de verdade, a ausência do contato físico. Se era para atuar como uma grande colaboradora, uma pessoa confiável e disponível, que fosse ao menos tendo alguma recompensa em suportar as humilhações nem sempre sutis, as críticas constantes e até um certo machismo! Aquela semana estava sendo especialmente maçante com a presença da fedelha inglesa, pois além de suportar os aprendizes inúteis, tinha que se fazer amigável, mesmo sabendo que a jovem também a estrangularia se tivesse forças e fosse menos educada!

Estava repousando em seu quarto quando sentiu que ele passava pelo corredor. Com o sorriso malicioso prometeu a si mesma que aquela abstinência acabaria naquele instante. Quanto ele passou pela a porta ela o puxou para dentro, empurrando o corpo do cavaleiro um pouco atônito na porta que acabava de fechar. Sem dar chance para ele se manifestar começou a beijá-lo com volúpia sendo igualmente correspondida.

Ela começou a apalpar todo o corpo do aquariano, mas quando buscou pelo membro entumecido não encontrou nada.

— O que é isso?! – Não conseguiu conter a indignação!

— Não preciso explicar o que é isso para uma mulher da sua idade e experiência, Clarisse... – Ele respondeu, se esquivando da porta e se afastando dela.

— Isso nunca aconteceu! O que significa?

— Significa que minha esposa está no quarto ao lado...

— Esposa?! Vocês nem ao menos dormem juntos! Sei que você é uma pessoa muito correta e que não é dado a aventuras e rapidinhas com risco de ser pego, mas...

— Exato!

Sem mais dar chance para que ela continuasse a expor sua súbita dificuldade ele saiu do quarto batendo a porta. Katrina era realmente a responsável pela sua “falha”, mas não pelo pudor em respeitá-la, ou pelo fato de não ser dado a aventuras e rapidinhas... Com aquele beijo ele teria se excitado nem que estivesse na frente de Atena, apenas seria dissimulado. E ele chegou a sentir o corpo reagir ao toque sensual de Clarisse, mas imediatamente sua mente foi dominada pelas imagens da sua noite de núpcias e a frustração de não ser ela a estar ali acabou com tudo.

Ele não entendia como aquilo era possível! Clarisse era, sem sombra de dúvidas, muito mais sensual e voluptuosa que Katrina, tinha um corpo perfeito, como era de se esperar de uma Amazona, era alta, tinha tudo, absolutamente tudo, para agradar qualquer tipo de homem, enquanto Katrina era uma boneca de porcelana, delicada, formas delgadas, até rijas, pois era ótima esgrimista, praticava hipismo, balé clássico, mas ainda assim não tinha a mesma firmeza muscular de uma guerreira, era uma mulher bonita, atraente, mas Clarisse era estonteante... E sem qualquer conteúdo! Fato era que o maior triunfo de Katrina era a inteligência, com 20 anos já era formada em história clássica! Amava sua ironia, aquele sotaque sexy, a sensualidade não pensada, mas ao mesmo tempo deliberadamente presente. Bastou pensar nela para sentir o corpo reagir, assim como deveria ter feito minutos atrás. Aquilo era tortura, ela só poderia estar se vingando pelo tempo em que esteve internada por sua causa, ainda que indireta, talvez estivesse descontando tudo, até o fato de ter crescido menos que média.

Estava começando a descer as escadas quando deu de frente com a morena.

— Algum problema, Louis?! – Desde a consumação do casamento ela não voltou a chamá-lo por qualquer dos seus títulos, o que ele, embora não confessasse, lamentou muito.

— Não! Apenas fui informar a Clarisse que os treinos de amanhã foram suspensos, haverá uma grande tempestade, seria uma imprudência, os garotos ainda não estão preparados.

— Entendo... – Ela mordeu o lábio, demonstrando nervosismo, não sabia como abordar aquele assunto depois da sua reação quando estiveram juntos — Louis, sei que já conversamos sobre isso, mas, eu andei pensando, já estamos casados e... o bebê...

— Sei que o bebê é importante! Mesmo que estejamos lidando com o imponderável, se mantivermos relações constantes poderíamos ter sucesso...

— Não vou fazer exigências absurdas, sei que não posso exigir que apenas chegue lá e... Mas quero que entenda, não quero que haja intimidade além do necessário para que você... Entende?...

Ele não respondeu, mas seu silêncio foi uma aquiescência.

— Me avise, então...

— Estou no décimo quarto dia do ciclo, é normalmente o dia de ovulação, eu não posso garantir que seja realmente o dia ideal, mas, bem, se quiser, podemos tentar hoje e amanhã, apenas para garantir... Claro, se não for nenhum incomodo para você!

— Encontro com My Lady logo após o jantar!

— Perfeito, estarei esperando. – E desviando o olhar, pois sabia que estava completamente vermelha, tamanho o embaraço, continuou a subir em direção a seu quarto enquanto ele descia apenas imaginando a próxima tragédia que seria o encontro com a esposa.

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Ela queria ter sido honesta com ele, dizer que, mais do que ter um bebê, ela queria repetir o encontro entre o dois e, ainda mais, ela queria ter um casamento de verdade! Sabia que se fizesse essa proposta para ele tudo que ouviria seria um redondo não! Camus tinha a tendência de racionalizar as coisas, pensaria em todas as desgraças poderiam ocorrer caso o casamento fosse de fato um casamento. Então decidiu que não conversaria com ele, que o convenceria de outra forma. A semana que havia se passado mostrou que eles tinham afinidades em gosto por comida, filmes, música, interesses. Aquele casamento tinha tudo para dar certo, mesmo que tivesse começado de uma maneira meio torta.

Ela sabia que estava colocando seu coração em cheque, que apesar de tudo, mesmo que ele mesmo percebesse que o estava feliz e que não tinha nenhum problema em um homem como ele ser casado, ele ainda assim poderia insistir que o melhor seria a separação. Mas era um risco que estava disposta a correr. O tempo que havia passado em San Valentin havia mostrado o quanto os bons momentos devem ser valorizados, pois a roda da vida nunca para. Então, faria de tudo para que aquele bom momento durasse e não pensaria no futuro.

Um dos elementos do seu plano era desfazer a distância que ela tinha imposto quanto às relações íntimas. Ela não poderia apenas chegar e dizer que estava arrependia, aquilo levantaria suspeita, ou poderia fazer com que percebesse que ela estava apaixonada e isso faria ele se afastar. Tinha que ser estratégica, convencê-lo a voltar para o quarto e ai lhe mostrar uma nova e bastante receptiva esposa.

Logo após o jantar ela subiu, tomou um longo banho e vestiu a camisola que deveria ter usado na noite de núpcias. A peça era lindíssima, de seda branca, costas nuas, renda sobre os seios e uma bela fenda em uma das pernas. Ela deixou apenas a luz do abajur ligada, não se sentia preparada para uma exposição direta.

Ouviu as batidas na porta e respirou fundo, não tinha como voltar atrás. Voltou a entrar no banheiro, não queria que ele a visse de imediato. Ele entrou e percebeu que ela não estava. Viu a luz do banheiro acesa e sabia que não poderia ficar como um idiota em pé no meio do quarto esperando que ela voltasse. Se sentou na cama, surpreso com o quanto estava ansioso, suas mãos suavam, o coração estava acelerado, se sentia um adolescente.

Ela saiu do banheiro fingindo que não sabia que ele já estava ali, vinha displicente, esfregando um creme nas mãos.

— Já está aqui?! Não te ouvi bater...

Camus tentou não abrir muito a boca. Ela estava divina com aquela camisola, os cabelos presos nos rabo alto... Teve vontade de se levantar e ir logo até ela, matar o desejo que o vinha consumindo, mas não queria deixá-la assustada. Engoliu seco antes de responder.

— Desculpe, como já havíamos combinado eu nem esperei você responder. Sua camisola é muito bonita...

— Acha mesmo?! Eu gosto desse decote que ela tem nas costas. — Ela se virou para ele. Ali não havia um decote, havia sim uma ausência completa de tecido até o final das costas revelando ainda mais o volume perfeitamente redondo e empinado que estava escondido pela seda fina.

Camus umedeceu os lábios, será que ela tinha mínima noção do quanto aquilo era provocante. Parecia despretensiosa, quase trivial. Ele pigarreou:

— Lindo mesmo! — Pelos deuses ele não sabia como agir, não sabia se deveria se levantar e ir até ela, se deveria esperar que ela fosse até a cama e se deitasse. Continuou imóvel, já considerava um avanço que a luz estivesse acesa e que ela não vestia um saco de batatas. Tinha certeza que se fizesse qualquer coisa eles voltariam ao quarto escuro e, se bobeasse, até ao lençol com furo.

Katrina estava impressionada com a própria capacidade de fingir que não estava ansiosa com situação, estava esperando que ele tomasse a inciativa, mas entendia que ele estivesse receoso depois do primeiro encontro, sabia que ele estava esperando que ela mostrasse o que poderia fazer. A verdade é que ela estava morrendo de vergonha do queria fazer! Queria experimentá-lo, como ele havia feito com ela. Como seria a textura daquela parte tão íntima, o gosto... Ela sabia, de ouvir falar, que os homens adoravam! E Ela queria muito mesmo agradá-lo, mas como fazer?! Ele ainda estava vestido...

Ser inexperiente era horrível, mas, bem, sexo tem muito a ver com instinto, não? Respirou fundo e decidiu, faria o que queria fazer!

A via caminhando até ele, quando chegou bem próximo ela se ajoelhou a sua frente, deixando-o confuso, ele não estava nem um pouco preparado para o que viria. As mãos delicadas foram até o cós da calça jeans e a desabotoou, abriu o zíper bem lentamente... O cavaleiro nem respirava, tamanho o pânico em atrapalhar a iniciativa dela, não estava acreditando no que ela estava prestes a fazer, aquilo não parecia real...

Se pudesse ele gostaria de ajudá-la na tarefa, pois a calça estava muito apertada naquele momento. Se de tarde ele não deu sinal de vida, naquele momento sentia até dor, tamanha era sua animação. Mas sabia que qualquer conduta sua quebraria o encanto.

Ela conseguiu completar a tarefa com certo êxito e quando se viu diante de tudo aquilo se perguntou se correto era colocar de uma vez na boca! Tipo, com certeza não caberia... Não queria aparentar nervosismo, mas como faria sem parecer ridícula?!

Ele percebeu a insegurança dela, e sentiu que se não a deixasse confortável ela acabaria por se sentir mal e talvez até desistisse por medo da frustração.

— Katri, se quer mesmo fazer isso, eu posso te falar como se faz...

Ela não sabia o que responder, mas ele entendeu como um consentimento.

— Não tem que colocar tudo — Ele riu, a situação era mesmo engraçada, embora nada a tornasse menos excitante. — O que importa mesmo é a parte de cima... Você pode começar só com beijos, mas beijos como se fossem na boca, usando a língua, e depois, quando se sentir a vontade... Bem... É só ir colocando aos poucos na boca e chupar... – Ela nunca pensou que dar instruções para alguém lhe fazer sexo oral pudesse ser tão maravilhosamente excitante!

Ela fez exatamente do jeito que ele havia sugerido, e ficou muito surpresa como a coisa era até bem mais simples do que havia imaginado e muito divertida. Era gostoso, a textura era aveludada. Logo ela estava bem a vontade com a carícia e ficou ainda mais empolgada quando ele começou a demonstrar o quanto aquilo estava o satisfazendo. Ele a segurava pelo rabo de cavalo e não tirava os olhos do que ela estava fazendo.

Ela sentia os olhos dele e decidiu também lhe dirigir o olhar sempre que a carícia permitia, ela havia percebido que se alternasse entre abocanhá-lo e lamber a parte de cima ele ficava ainda mais satisfeito e sempre que fazia a mudança ela o encarava, sentido todo o poder que tinha sobre ele naquele instante.

Para quem havia precisado de instruções ela estava se saindo maravilhosamente bem! Tão bem que se ele não interrompesse acabaria com alegria deles muito cedo.

Ele a puxou para cima e beijou intensamente, empurrando a camisola para baixo pelas alças finas. Assim que os seios foram descobertos ele se concentrou em beijar cada um deles, com vagar, sentindo os bicos enrijecerem com o toque de sua língua. Ela arfava e ele se deliciava com o prazer dela.

Assim que se sentiu saciado ele quis lhe devolver o controle, a noite era dela.

— E agora, Sra. Camus Stonehaven, o que quer fazer?!

— Quero ficar por cima, quero que fique assim sentado como esta e sentar por cima...

— De frente ou de costas?! – Ele perguntou enquanto retirava por completo as calças e a camisa.

Ela pareceu ficar confusa com a pergunta, mas sentiu que ficava ainda mais excitada diante do corpo nu.

— Bem, se ficar de frente pode se apoiar em mim, assim vai conseguir se movimentar melhor, mas, se ficar de costas, eu posso tocá-la enquanto estiver te penetrando...

Ela pareceu parar para pensar e ele se perguntava de onde tinha tirado uma capacidade monstra de conter uma ejaculação. Nunca se imaginou naquela situação de ter que ensinar coisas que se fazem sem pensar, mas estava achando delicioso.

— O que My lord sugere?!

— Que escolha logo, pois eu não estou mais aguentando e nosso filho vai pular fora do lugar!

Ela então decidiu que queria mesmo ficar de frente para ele, para não perder contato visual.

Assim que sentiu que ele estava todo dentro dela, ela o envolveu pelo pescoço e passou a se movimentar lentamente, mas logo percebeu que seu corpo pedia por um contato mais profundo e rápido. Ele também a segurou pelos ombros, para poder ajudá-la nas estocadas e penetra-la tão fundo quanto possível. Ela não demorou a sentir o corpo ser tomado por um prazer ainda mais intenso do que tinha sentido na primeira noite quando ele a tocou com a boca. Ao sentir ela se apertar em volta dele, indicando o ápice, ele se permitiu derramar, se empurrando ainda com mais força até ter certeza que até a última gota estava onde deveria estar.

Ficaram na mesma posição ainda por um bom tempo, sentindo as respirações voltarem ao normal. Ainda sem sair dela, ele a abraçou com carinho, dando beijos suaves no pescoço, mal acreditando no que tinham acabado de fazer, bem, não no ato em si, mas na forma.

— O que a fez mudar de ideia?

— Sobre o que?

— Sobre a forma de vivermos nossa intimidade?

— Bem, é como você disse, não precisamos fazer desse casamento um suplício, se temos que ter o bebê que seja da melhor forma... Mas se quiser que a gente faça as coisas como eu propus não tem problema. — Ela disse de forma desinteressada, mas com medo da resposta que viria.

Ele a retirou de cima dele e a fez com se deitasse ao lado dele na cama a abraçou por trás e ficou acariciando seus cabelos e ombros.

— Sabe eu ouvi falar que quando um casal está tentando engravidar, eles devem levar a coisa de uma forma tranquila, para que o psicológico não atrapalhe. Acho que a gente fica muito tenso com essa coisa de marcar hora...

Katrina mal continha o sorriso de satisfação com que ele estava implicitamente propondo. Mas tinha que esconder sua alegria para não entregar seu plano.

— o que acha que deveríamos fazer?

— Bem, nós somos casados, podíamos simplesmente fazer quando quiséssemos, sem ficar pensando no bebê, acho que quanto mais fizermos mais chances temos de que dê certo.

Ela se virou para ele.

— Mas como vamos fazer? Como eu vou saber que você quer e vice-versa? A gente nem divide o mesmo quarto, eu tenho que ir no seu bater na porta e perguntar se está disposto?

— Eu sempre vou estar! — Ele disse rindo, dando um beijo no nariz dela. — Mas acho que o correto seria a gente dividir o mesmo quarto, para criarmos uma intimidade, assim fica fácil saber se outro está ou não disponível.

Mentalmente Katrina se lembrava da conversa que teve com a avó de Camus antes de partir em busca dele na Grécia "Uma mulher inteligente sempre tem o que quer de homem, e ainda o faz acreditar que a escolha foi dele". Ela se aconchegou nele e fechou os olhos, estava exausta e certa!

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Já passava das dez na manhã seguinte e nem Camus e nem Katrina haviam aparecido para o café. Hyoga estava sentando, lendo, e sentia a hostilidade do cosmo da Amazona de Lebre.

— Que horas ele pretende iniciar o treinamento hoje?

— Ele não te informou que hoje não haveria treinamento, tempestade, Camus não coloca discípulos muito jovens para enfrentar tempestades...

A jovem sentiu o certo alívio, por um momento chegou pensar que a demora dele se dava por outro motivo, tendo em vista a ausência da inglesa.

— Para quem é tão exigente me parece uma concessão estranha. Nada melhor para treinar a técnica de controle.

— Camus é experiente, sabe que essas crianças não têm a menor condição de enfrentar circunstâncias tão severas.

— Que seja, mesmo assim, ele está demorando, acho melhor chamá-lo!

Hyoga viu a jovem seguir na direção do quarto de baixo da cabana, que era ocupado por ele e Camus e ficou pensando se avisava a bela Clarisse que seu mestre havia dormido em outro lugar ou a deixava descobrir por si mesma. Tinha vontade de rir, destetava a jovem e vê-la contrariada seria um prazer.

Ele podia ouvir os passos duros voltando para sala e fingia que continuava a ler, mas não parava de rir por dentro.

— Ele não está no quarto! Será que saiu cedo?

— Bem cedo....

— Por que não me disse isso antes, seu palerma?! Por que me fez ir até o quarto?

— Não sou seu secretário, e nem dele!

— Está se divertindo, não é?! A idiota também não desceu até agora, vai me dizer que os dois resolveram passear pela linda paisagem siberiana...

— Clarisse, embora não seja da minha conta, vou matar sua curiosidade, embora eu saiba que você sabe muito bem o que está acontecendo, apenas não quer acreditar. Camus está com Katrina no quarto dela onde dormiu, não preciso de lembrar que eles são casados e que querem ter um filho, junte as premissas e tire sua conclusão. Vou ler no quarto, para que possa arrancar os cabelos a vontade, com sua licença!

Como ela tinha vontade de matar aquele louro metido! Por vezes a ironia dele era muito pior que a de Camus! Moleque infernal!

Outra pessoa que ela queria ver morta era a morena insossa! E ela sabia muito bem que adoraria vê-la sob sete palmos, talvez fosse hora de incluírem o novo articulador nos planos contra o cavaleiro a quem ela começava odiar, como poderia dispensá-la em troca de uma mulher sem qualquer atributo?! Conversaria com Ian, tinha certeza que ele concordaria com mudança.

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Ela mal acreditou quando, ao acordar, percebeu que ele ainda estava ao seu lado dormindo tranquilamente. Ainda estava nua, mas envolta em cobertores. Já ele dormia espalhado, virado de barriga para cima, totalmente descoberto e igualmente nu.

Ficou ali, reparando no levantar e descer da barriga perfeita, o sexo entumecido, como era possível que mesmo dormindo estivesse daquele jeito?! Sentiu vontade de tocá-lo, não intimamente, tocar o corpo bem feito, ainda não o havia tocado e nem beijado a pele branca. Tudo entre eles era tão estranho, queria que fosse menos programado, mais espontâneo, mas simplesmente não conseguia agir sem pensar em como ele poderia reagir. E se simplesmente fizesse, sem qualquer medo de estar certa ou errada, apenas por estar com vontade?! Será que ele acordava mal humorado? Estava casada com um homem que não conhecia...

Pare de pensar, Katrina, apenas faça! Falou consigo em pensamento. Nunca ia saber como ele iria reagir se não fizesse. Tentando se afastar de qualquer racionalização tocou a barriga marcada por músculos perfeitamente definidos. Sentiu cada gominho, primeiro com toda a palma, depois com o dedo indicador brincando como se tivesse apertando botões.

Camus acordou ao primeiro toque, mas resolveu fingir que estava dormindo, aquilo era muito engraçado, ela agia como uma criança que explorava um novo brinquedo pela primeira vez.

Da barriga ela migrou para o peito largo, será que os mamilos eram tão sensíveis quanto os dela?! Acreditava que não. Pelo menos não pareciam reagirem ao toque, talvez com contato dos lábios... Passou um dos braços em volta do tronco, se mantendo suspensa sobre ele, um pouco impressionada pelo fato dele não ter acordado, ainda que naquele instante ela nem chegasse a tocá-lo.

Abaixou os lábios até um dos mamilos e o beijou do mesmo jeito que ele fazia com ela, passando de um para outro... Agora ela entendia o porquê dele logo não se contentar em apenas beijar o local, sentia ânsia em mordê-lo, sugar... E foi o que fez. Logo ela estava em cima dele, também o cruzando com as pernas e instintivamente passou a friccionar a parte mais sensível de seu próprio corpo sobre o falo entumecido, sentindo-o crescer ainda mais.

Passou a mordiscá-lo até chegar ao pescoço, o gosto da pele dele era viciante. Camus se perguntava que horas ela se daria conta que ele não era um brinquedo. Ela não parecia nem um pouco preocupada em preguntar o que ele achava da sua incursão. Estava louco de tesão, mas queria ver até onde ela ia, se em algum momento se perguntaria o porquê dele ainda não ter acordado.

Do pescoço ela finalmente chegou aos lábios e só se deu conta do que estava fazendo ao se deparar com um par de olhos azuis inquisidores. Ela mordeu o lábio, sem antes umedecê-los com a língua, fazendo com que ele respirasse fundo diante da cena tentadora.

— Bom dia! — Ela disse com o sorriso tímido, mas não saiu de cima dele.

— Acha que eu sou um tipo de brinquedo erótico, My lady? — Sua voz era provocante.

— Nobres ricas e mimadas podem se dar ao luxo de ter brinquedos caros, Norfolk. — Os olhos dela brilhavam de desejo quando respondeu para em seguida tomar os lábios dele com uma fome que nem ele mesmo já havia demonstrado ao tomar a inciativa.

No instante seguinte ele estava sobre ela, dentro dela, e a satisfação veio com uma intensidade quase sufocante.

Ele terminou o ato com um longo beijo e passou a olhá-la diretamente, buscando por respostas nos olhos profundamente castanhos.

— Por que sinto que você está me armando uma armadilha?

— Talvez porque esteja caindo nela!

— Você é uma bruxinha...

Ela apenas sorriu, passou a acariciá-lo no rosto, pondo alguns fios atrás da orelha.

— Da última vez que me chamou de bruxa foi para me dizer que eu não era uma mulher com qualquer atrativo, que meus seios eram tão pequenos que nem enchiam sua mão... – Ela tentou disfarçar a voz embargada, mas a lembrança daquele dia desastroso ainda estava latente.

— Você é linda, Katrina Rovena Camus Stonehaven! Linda! Minha duquesa é linda! Minha mulher é linda! — Ele começou falando bem baixo, mas as últimas palavras foram ditas quase ao aos gritos.

Ela fez sinal para que ele falasse baixo, não queria chamar atenção de ninguém, bem, talvez da loura burra invejosa, mas não gostava de se sentir exposta.

— Viu agora todo mundo sabe que eu acho minha esposa linda! Apreciável, gostosa, e... Você, definitivamente, é uma bruxa!

Os dois não conseguiriam conter a gargalhas e os gritos de alegria, estavam se sentindo leves, unidos e felizes. E as coisas entres eles permaneceram em perfeita harmonia pelos meses que se seguiram ao retorno deles ao Santuário, com constantes idas a Londres e a Sussex. Vivam como qualquer casal recém-casado e apaixonado, não percebiam o passar do tempo e nem mesmo pareciam se importar com o fato de que, apesar de se dedicarem muito, com direito a travesseiro para manter as pernas elevadas após as relações, ainda não tinham sido agraciados com um bebê. No mais íntimo, eles até mesmo agradeciam por ainda não terem sido contemplados, nenhum deles queria se quer pensar em mudar aquela realidade...

CONTINUA...