Após sair do quarto onde estava Nimarie, Neforha caminhava em direção ao salão onde a comida era preparada. Já estava quase na hora de o jantar ser servido, e ela mesmo fazia questão de levar a comida para o rei. Antes de chegar em seu destino, Neforha foi abordada por Ofhimos que lhe perguntou um pouco alarmado:

_E Nimarie como está? melhorou?

_ Sim ela já acordou e está conversando com Gandalf no quarto. — O elfo fez uma cara de desânimo. _ O que queres com ela Ofhimos? é a terceira vez que me procura para pedir informações sobre Nimarie, devo pensar que estás apaixonado?

_ Não senhora Neforha! — Ofhimos sorriu completando: _ Desde que cheguei procuro Nimarie para entregar algumas cartas que Legolas escreveu, mas nunca consigo ter com ela.

_ Sendo assim me deixe que eu as entrego. — A elfa estendeu a mão.

_ Não posso senhora! Legolas recomendou-me que eu as entregasse pessoalmente. Tenho pressa pois já faz alguns dias que estou com elas... A senhora permitiria meu acesso até o seu quarto?

_ Não! Sabes muito bem que Thranduil não permite qualquer um circular nos aposentos do castelo. Mas pedirei para Nimarie que o procure!

_ Obrigado senhora! — Ofhimos se retirou sorrindo satisfeito.

Neforha, sorriu também, mas estava preocupada. Como o rei resolveria esse impasse? Apaixonados pai e filho pela mesma mulher! Isso parecia uma armadilha das trevas! Com esses pensamentos ela seguiu adiante a fim buscar o jantar de Thranduil.

Quando Legolas não estava o rei jantava sozinho. A mesa extensa era ocupada somente por ele que se sentava na ponta sobre uma cadeira de carvalho belamente entalhada. O convidado, Gandalf não jantaria com ele pois esta noite estava "investigando" os arredores do reino. O rei havia convidado Nimarie para juntar-se a ele, mas a moça não havia chegado ainda. Neforha colocou as badejas de prata sobre a mesa, gesto que foi imitado por outras duas elfas que a auxiliavam. Como de costume, as serviçais se afastaram da mesa e como estátuas ficaram ocultas nas sobras, atentas aos gestos do rei. Neforha a direita, a alguns metros do rei, o olhava silenciosa. Distraída, imersa em seus pensamentossobressaltou-se quando o rei em um gesto atípico ergueu-se rapidamente causando um barulho com o afastar da cadeira. Era Nimarie que entrava na sala. O rei estarrecido com a sua presença erguia-se impulsivo. Nimarie ficou sem jeito frente a cortesia do rei, afinal um rei nunca se ergueria para um inferior a ele, ainda mais tratando-se de Thranduil.

Ele esperou ela aproximar-se da mesa e ordenou afável: _ Senta-te Nimarie!

Ela ensaiou um sorriso cortês e sentou-se ao lado do rei, onde estava o prato a ela reservado. Uma quarta elfa serviu-os. A refeição era leve, basicamente composta de vegetais e frutas.Nimarie muito abatida mal tocara nos alimentos. Ao final de alguns minutos, o rei,rompeu o silencio:

_ Nimarie! perdoe-me! — O rei olhava Nimarie com uma expressão humilde. A moça fora pega de surpresa, jamais esperava tal atitude do rei. Atônita falou com docilidade:

_ Oh meu rei! O que dizes?... Não há nada a ser perdoado... — Ela olhou o rei nos olhos, apertando instintivamente a sua mão que estava sobre a mesa. Ele estremeceu frente ao toque dela, mas ela sem perceber a impressão que causara no rei com seu simples gesto, continuou: _ Eu que te devo sinceros agradecimentos, o que fizeste por mim... — ela ergue-se da cadeira e ajoelhou-se aos pés de Thranduil, em sinal de respeito e gratidão beijou a sua mão dizendo: _ Obrigada meu rei! — O elfo paralisou por alguns segundos, ela estava ali aos seus pés, submissa, olhava-o fixamente, como era encantadora!... sentia impulsos de abraçá-la,o que foi contido com esforço: _ Cala-te!Não sabes de nada Nimarie! – A voz lhe saiu quase sem forças, revelando seu abalo interior. De forma enérgica ergueu-se da cadeira, ao mesmo tempo que a moça se colocava igualmente de pé. Ele estava se referindo aos terríveis planos que havia feito na ideia de afastar Nimarie do reino e de Legolas. _ Apesar de a sua linhagem não ser clara, você faz parte do meu povo, e como rei é meu dever protegê-la! – Disse isso enquanto caminhava alguns metros em direção a uma fonte de água cristalina que corria pelas entranhas do castelo.

_ Jamais poria em risco aqueles que amo, não lhe cobraria isso meu rei! – Ela havia seguido os passos do rei em direção a fonte.

Thranduil virou-se e como se quisesse vasculhar sua alma olhou-a fixamente falando: _ Então não me pedirás ajuda? — Nimarie não falou nada, apenas desviou o olhar provocativo do rei. Ele aproximou-se colocando a mão sobre a sua face fez com que a moça o olhasse. Ao encará-lo novamente Nimarie percebeu um estranho brilho no seu olhar: _ Se me pedires ajuda não te negarei! Se quiseres ficar farei de tudo para protegê-la!

_ Conheces o peso dessa decisão! Eu já lhe mostrei, não mostrei Thranduil? — A moça falou isso em um tom ameaçador ao mesmo tempo que o rei ofendido retirava bruscamente a mão de sua face. O rei retrucou evidenciando o seu orgulho ferido:

_ Pobre de ti que enxerga o futuro, mas não tens o poder de modificar seu próprio destino! — O rei deu alguns passos e com um sorriso sarcástico, mas triste, completou: _ Mesmo se ficar, não será com Legolas que viverá! — Ao ouvir essa sentença Nimarie se sentiu acuada, sabia do que ele estava falando, instintivamente procurou com o olhar a porta de saída, surpreendendo-se com a figura do rei bem próxima novamente: _ Estarás indecisa de seus desejos desde de agora? ou que eventos despertarão esse amor que agora repousa? — Ele se referia a visão do futuro onde via Nimarie em seus braços. Ela estava confusa, não entendia como, mas o rei lhe atraia, mas não o amava no momento isso estava claro, ela amava e sempre amou o seu Legolas. O que aconteceria para que ela voltasse o seu coração para Thranduil? Frente a essa dúvida que lhe assombrava subitamente, ergueu a cabeça procurando os olhos do rei falou ríspida:

_ Bem meu rei, isso nunca saberemos! — Ela seguiu em direção da porta, dando as costas para o rei. Não o cumprimentou, e não agradeceria o jantar. Suas conversas com o rei sempre terminavam assim: ele despertava nela uma fúria incalculável! Ele era sempre arrogante e maldoso com ela, com essa última frase por certo ela lhe calaria a vaidade excedente. Media seu próprio atrevimento, mas ele havia deixando espaço para que ela se portasse dessa forma... Saia da sala imersa nesses pensamentos quando ouviu novamente a voz do rei:

_Sei que Legolas lhe aprecia muito!– Ao ouvir o nome do amado, as pernas de Nimarie imediatamente pararam de caminhar. Ela apurou o ouvido, mas não se voltou para o rei que continuou, aproximando–se: _ Legolas lhe aprecia sinceramente! e pela felicidade do meu filho eu suportaria essa união que transgride os princípios da nossa estirpe.– Nimarie identificava sinceridade na voz do rei, era incrível a sua capacidade de modificar rapidamente o seu estado de espírito! Ele continuou com certa tristeza: _Porém Nimarie, eu já vivi muitos séculos e sei que nada posso fazer para que fique... O queres que fale para Legolas? Ele merece a verdade, mas o conhecemos a ponto de saber que não aceitará a separação...

"...da mesma forma que ele me conhece a ponto de saber que minto!" Nimarie disse isso em pensamento completando a frase de Thranduil. Não se moveu, apenas espiou o rei por cima do ombro, queria evitar o seu olhar e uma possível comoção dele pelo seu sofrimento, impresso nas lágrimas que lhe rolavam pela face. Baixou a cabeça dizendo: _ Diga a ele... — Ela vacilou,se amava realmente Legolas, não gostaria que ele fosse atrás dela e corresse o risco de ser torturado, ou até morto. Agora entendia o porque que sua mãe sempre lhe alertava sobre esse amor que sentia pelo príncipe. Não! ela não podia arriscar a vida do seu amor, mas, ela não tinha coragem de lhe despistar por completo. — _ Diga a ele... que se ele vier... que ao sentir a sua presença eu o despistarei, eu fugirei assim como fugirei dos olhos de Sauron. Eu não o desejo por perto, eu repudio a sua presença!– Ele não acreditará nisso! Foi a primeira coisa que Nimaire pensou quando se calou, abalada falara uma série de mentiras impensadas, que lhe saiam da boca quase instantemente. Por fim uma ideia lhe surgiu na mente, sim! isso seria o fim! animou-se em um misto de sanidade e loucura. Virou-se para o rei, estava mais alta que ele, pois subira já alguns primeiros degraus da escada que levava a saída, sua face demonstrava consternação, mas com a voz firme falou: _ Diga que amo Thiedhel! E use sua manipulação para que ele acredite que isso é verdade.

O rei ficou um tanto surpreso com a declaração da moça. Isso por certo faria Legolas desabar! Jamais permitiria um sofrimento de tal magnitude para o filho, porém, nessa situação, isso era necessário. Tinha que admitir Nimarie possuía coragem e estava obstinada em cumprir sua tarefa. _ Sabes que podes sacrificar Thiedhel com essa declaração?

_ Thiedhel não possui a mesma coragem de Legolas! Ele não virá em minha procura, mas peço que essa declaração não chegue em seus ouvidos para poupá-lo de uma desilusão que por certo lhe trará.

O rei largou um suspiro e para o alívio de Nimarie falou: _ Farei o que me pede!

_ Obrigada! — Dito isso Nimarie virou-se e rapidamente subiu as escadas, deixando o rei no salão com os seus serviçais de pedra.

Notas finais
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