Notas iniciais
Mais um capítulo para essa fic atrasada. Dessa vez, curto.

Se foi. Mais uma vez, tudo estava silencioso, mesmo os passos que eu ouvi após sua partida se foram também. Fiquei alguns minutos mais olhando minha mão em que havia sido tocada. Sua mão... era quente... suspirei. Queria entender o que foi tudo aquilo, qual era o motivo daquela historia absurda de dois lordes? Bufei. Eu estava cansado dessa confusão toda, peguei aquele embrulho colorido, o que ela tinha dito sobre isso mesmo?
" isso vai te ajudar a dormir "
Será? Bom, eu não tenho nada a perder se tentar.

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(??? ANOS ATRÁS — ??????)

Estava escuro, três sombras se aproximavam e aparentemente eu estava acorrentado, coberto de sujeira e sangue. Olhando em volta eu poderia localizar facilmente na escuridão uma lamparina balançando ruidosamente com um som agonizante que, naquela total quietude, pareciam gemidos de almas desesperadas por ajuda. Imaginava se eu ia soar a algo assim em breve.

Tentei localizar os rostos, ver algo especifico em algum deles, um por um demorei cerca de dois ou três minutos analisando, mas a escuridão não era apenas do local escuro pois a lamparina ajudava um pouco, sempre balançando ao fundo dos três. Na verdade o que me atrapalhava era o fato de cada um deles estar cercado por uma nevoa levemente negra. Resolvi por tanto perguntar algo, estavam murmurando entre si, numa língua muito estranha quanto familiar e quando quebrei o silêncio perguntando o que acontecia ali um deles gritou, não tenho certeza se foi comigo ou com os outros, apontou para mim berrando novamente, nesse momento as correntes caíram me soltando e cai no chão embora conseguindo me recuperar rapidamente, e surpreendentemente pra mim mesmo. Fiquei em pé, em posição de ataque, foi ai que percebi a estranheza de estar me movimentando sem ser eu e ao mesmo sendo. Como se fosse um replay de algo ou vendo alguém me controlar o meu corpo de dentro do meu próprio corpo e... Argh! Isso é meio difícil de explicar...

Agora, o que acontecia ali na minha frente, não. Todos os três me olharam de forma curiosa, como se procurassem dentro do canto mais escuro da minha alma para poder resolver um enigma único e dolorosamente difícil, aquilo me arrepiou no meu eu plateia, mas de alguma forma o meu eu que estava se controlando por si só já estava acostumado e percebi isso quando mudei da posição de ataque para uma mais apaziguadora e começava a falar naquela mesma língua com as "sombras". Entendi poucas coisas, como: "vocês sabem que não necessário", "isso loucura", "tudo ótimo se todos entendessem" (pode-se perceber que meu eu plateia não estava entendendo suficientemente bem). Depois de alguns segundos sendo observado com aquela mesma coisa, talvez um ar de escarnio e ironia acrescentados, eles me responderam com coisas não muito agradáveis de se ouvir e talvez algo como: "coitado", "não necessidade um ser você", "acredita mesmo paz?", "já foi resolvido". A última coisa que um deles disse me deixou na dúvida se era: "Corra" ou "Morra". No final o meu eu piloto interpretou o primeiro, mas mesmo que fosse o segundo acho que ele não ficaria parado.

No final eu havia corrido tanto e, como se eu estivesse num desses filmes clichês com perseguição, acabei chegando a um precipício. Eu havia tentando me avisar diversas vezes no entanto, coisas como; "não vá por aí seu grande idiota!", nem me pergunte como eu poderia saber, mas nem meu outro eu pode saber até chegar lá. Pelo o que eu percebi, eu mesmo não me ouvia. Ainda acho isso um absurdo, apesar de tudo isso ser muito louco.

Por fim eles chegaram. Cada um dos "rostos" de antes, não pude identificar nenhum mais uma vez. Falaram coisas absurdas, imagine todo tipo de xingamentos possíveis (piores que aqueles de quando você bate o mindinho no pé da mesa). Eles estavam com raiva por ter me soltado, tentar um acordo de paz, e depois ter fugido. Não quero nem imaginar se fosse outra coisa. Me olharam com nojo por fim e começaram a fazer uma especie de citação. Seus rostos, não! Não eram rostos, não normais assim o diga, era como...como imaginar os acontecimentos após sua morte, poderia se dizer assim, inexplicável. Poderia ficar ali uma eternidade tentando entender apenas aquilo, no final eu não fiquei nem tempo suficiente para aproveitar o arzinho lá, parece que meu eu piloto curte um banho de mar e adrenalina noturno, me mostrou isso se jogando lá de cima, MARAVILHA!

Caindo, de repente naquele momento e daquela forma, poderiam se sentir várias e várias coisas, mas... quando se cai, ao menos eu, acho que você tenta pensar se todas coisas feitas valeram a pena ou se mesmo sua vida valeu. Não tinha certeza porque, mas ainda queria viver mais para descobrir se sim. Depois desse momento filosófico, percebi então que caia, meu eu espectador gritava estridente enquanto o piloto só apenas abria os braços e esperava (quis chuta-lo)

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( AGORA ????? )

Acordei pulando da cama e no outro instante já no chão. Não lembro direito o que sonhei, mais um desses pesadelos em que estou caindo? Argh. Minha cabeça lateja há dias, mas agora apenas com dor de pancada, provavelmente bati com ela quando caí.

Olhei por todas as paredes de vidro ouvindo atentamente à qualquer coisa, qualquer coisinha diferente do som da lampada no número 14... nada. Suspirei e lancei meu olhar para a embalagem colorida em uma das minhas mãos, apenas guardei num dos bolsos e voltei a me deitar. Tentar dormir era a única coisa que poderia fazer agora.

Notas finais
Quer mostrar sua força? O melhor é guardar até o momento certo, ninguém vence uma batalha cansado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.