Notas iniciais
Espero que ninguém estranhe, mas é algo estranho mesmo. Err... Provavelmente essa fic possa demorar para ficar algo que se mostre o que realmente é, até lá paciência.

(???????)

A todo momento me vejo encarando através das paredes de vidro que me mostram o número 14 invertido, colado de frente para mim, somos só nós dois na absoluta escuridão quando as únicas luzes que acendem são as que me mostram aquele número.

...14...

Até agora esse número não me sai da cabeça... é como se ele quisesse me dizer alguma coisa que as paredes de vidro não pudessem deixar.

Com o bater frenético do desespero a minha mente tenta me chamar para uma coisa que eu não consigo ver. "ACORDE!", ela grita.

Acordar de que?

Tudo que posso fazer aqui é dormir e esperar comida.

Mesmo pelas quatro paredes de vidro deste quarto, nunca vi quem me alimenta, nem os ouvi. Sinto que há outros aqui como eu e também não os vejo. É apenas uma certeza absoluta sobre uma coisa que não vi. Talvez a loucura chegando.

Abaixo a cabeça e olho para minhas mãos. Desde a primeira vez que vi o número 14 me pergunto se estou louco e preso em um manicômio qualquer. Só que um manicômio de paredes vítreas negras, todas, exceto a parede do 14.

Todos os momentos e não sei se está noite ou dia.

Não sei se é quente ou frio lá fora.

Nem qual o cheiro do ar.

Sem sentir o vento soprar...

...ou a chuva. Por mais estranho que pareça, eu ainda lembro das gotas frias da chuva pingando em meu rosto.

"ACORDE!", meu subconsciente batia mais uma vez.

...

"ACORDE!"

...

"Ei você, acorde! Vamos!"

Dou um pulo olhando rapidamente para todos os lados, aquela voz não tinha sido minha mente. Eu não vejo ninguém além do meu reflexo fraco nas paredes de vidro e começo a me sentar novamente acreditando ser apenas um sonho.

"Você quer vir aqui fora não é mesmo?" a voz soou baixa e escoada, como se estivesse vindo do lado de fora das paredes e do meu lado ao mesmo tempo.

Meus olhos se arregalaram com a bela proposta. Quase como se apenas com palavras eu pudesse sentir a brisa em meu rosto, até mesmo o calor do sol. Porém apenas larguei a ideia de lado, isso era apenas meu inconsciente pregando-me peças por eu não ter dormido as ultimas noites. Loucura vindo a tona.

– É claro que não poderia ir para fora — ri brincando, já estava cansado e apenas deitei tentando encontrar o sono.

"Por que acha que não pode sair?"

– Impossível — murmurei de volta inflexível ainda tentando dormir.

"Quebrar uma maldita vidraça é impossível?"

– Esse vidro é diferente. — abri os olhos irritado.

"Por acaso você é igual"

– Igual?

"Diferente!"

– Hã? — Por que ainda insisto nisso? Francamente.

Apenas solto um grunhido e me viro para o outro lado da "cama" que eu usava para sentar, deitar, dormir... ou ao menos tentar. A voz não falou comigo por algum tempo e finalmente eu conseguia sentir o pesar do sono.

"Você... ainda não percebeu?" parecia surpresa.

Ignorei a voz e o susto que havia levado.

"Você ainda não percebeu!" agora não acreditada.

...

"Argh, não importa, apenas se apresse."

Ignorei novamente, colocando agora uma almofada sobre a cabeça. Era idiotice, afinal se tratava de meus pensamentos. Não é mesmo?

...

"Ei! Não me ignore!" estava irritada

Eu deveria estar irritado aqui, na verdade estou! Estava me atrapalhando de dormir! Ou melhor... eu estava me atrapalhando de dormir? Isso não estava mais certo. De forma alguma.

– Apenas me deixe dormir! — Disse com minha voz sendo abafada pela almofada.

"Eu-" se interrompeu e ficou em silencio por um instante.

"Ah, alguém está vindo. Volto pra falar com você amanhã, vê se fica pronto pra derrubar umas paredes até lá!" soava meio irritada, divertida e preocupada, então finalmente parecia que tinha ido.

E por mais que eu estivesse insistindo, já tinha me arrependido de lhe mandar calar a boca. Tudo estava quieto novamente. Mórbido.

Eram apenas eu e o número 14 de novo.

"ACORDE!", foi a ultima palavra a qual minha mente me reservou antes de me atirar no sono.

Notas finais
...