Nolram.
2 Parte 2
Olá. Vejo que se interessou pelo destino do nosso amigo Nolram, não é mesmo? Creio que ele ficaria feliz em saber que você voltou, se pudesse saber disso, claro. Ãh? Ah, isso mesmo... Ele não faz ideia de que tem sido observado. Talvez essa seja a parte mais triste nisso tudo. Não podemos interferir em nada que acontece nos mundos que observamos. Isso mesmo, mundos. Quem sabe algum dia te leve para conhecer alguns outros... Seria interessante.
Antes de voltarmos ao Nolram, devo te contar um pouco sobre as nossas viagens e as peculiaridades delas. Como você vai perceber, pouquíssimo tempo se passou aqui enquanto estivemos em nosso mundo. Como isso é possível? Bem, existem coisas que é melhor que permaneçam na ignorância. Em todo caso, não se magoe comigo... Tenho uma proposta que pode ser bem interessante para você. Já se pegou desejando, bem no íntimo, que gostaria de saber o que alguém realmente está pensando? Ver o que se passa na mente desta pessoa tão claramente quanto assistir televisão? Pois bem. Que tal experimentarmos isso com o Nolram? Acha errado? Admita, sempre quis fazer isso, não é mesmo? Vamos lá.
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"... foi mesmo muito bom que isso tenha acontecido. Assim vejo que não interessa se eu der o meu máximo, as pessoas só enxergam aquilo que fazemos de errado. Essa rua nunca esteve tão vazia. Onde estão os moleques que sempre brincam por aqui? Devem ter lição de casa ou algo assim... Essa árvore está ficando cada vez mais velha. Acho que deveriam ligar na prefeitura para que mandassem alguém aqui pra avaliar se ela não corre risco de cair. Bom, não é problema meu, não moro nessa rua mesmo..."
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Ok, acho que eu estava errado. A mente de Nolram não é muito interessante. Posso te mostrar alguns dos pensamentos dele depois, se quiser. Mas acho que devemos observá-lo daqui mesmo. Não se preocupe, vou ficar na minha... Veja por si só.
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Então Nolram passa pela árvore, absorto em seus pensamentos. Percebe um vulto escuro, que some entre as folhas da copa. "Deve ser um gato", pensa Nolram. Ao chegar à esquina, nota que as crianças na verdade estão brincando ali. Em sua direção, aproxima-se um casal que parece estar no começo do namoro. "Costumávamos andar abraçados daquela forma". Do outro lado da rua, um grupo de jovens conversa alegremente na porta de uma casa. "Delinquentes". Mais à frente, porém, está alguém que chamou ainda mais a atenção de Nolram. Não parecia se adequar àquele lugar: era alto demais, magro demais, usava uma bota preta que parecia bem pesada e tinha o rosto coberto pelas sombras do capuz da sua jaqueta. Nolram tentou fixar o olhar naquela figura excêntrica, mas levou uma pancada nas costas que o jogou de joelhos. Tentou se virar para ver quem o derrubara, mas uma dor alucinante explodia em seu braço direito. Mal teve forças para gritar:
— Socorro!
E a dor aumentava. Era como se estivesse enfraquecendo a cada segundo, como se a sua vida estivesse sendo sugada. Olhou em direção à rua. As pessoas corriam. "Esperem! Essa é a direção errada, seus idiotas! Me ajudem!" ele não teve forças para gritar. Tudo escureceu.
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