Notas iniciais
Boa leituraaaaaa. Leiam as notas finais, quero fazer uma votação com vocês

Catharina sentou-se no sofá, com uma xícara de chocolate quente em uma mão, e um álbum de fotos na outra. Levou a xícara até a boca, e encarou a capa branca de seu álbum. Ela passou a mão em todas as suas extremidades. Lentamente, com um certo medo, Catharina o abriu. A primeira foto que se deparou foi ela usando um tutu de balé. Ela se lembra claramente daquele dia.

Era seu primeiro dia como bailarina, e ela estava muito receosa com o novo espaço.

Nessa foto, ela tinha um pouco mais de 6 anos. Muito pequenina. A próxima foto, é ainda mais especial. A primeira vez em que ela montou um cavalo.

É verdade que foi difícil, pelo fato do cavalo não parar quieto, e ela chorar o tempo todo. Mas, no final deu tudo certo.

Era tão estranho lembrar do passado, da sua infância. Foram momentos tão bons e doces, que só de lembrar lágrimas sapecavam em seus olhos. Seus pais, fizeram questão de criá-la com todas as regalias que uma criança merecia. Tomou mais um gole de seu chocolate quente e virou a página. Oh!

Eu tinha acabado de me formar no fundamental. Meus pais estavam tão orgulhosos!

A infância é um momento que tem que ser aproveitado. Tem que ser lembrado! Nem que seja por uma peripécia, tem que ser lembrado. Toda as crianças merecem isso. Julia, que já estava entregue as lágrimas, fechou o álbum. Amanhã terminaria de olhá-lo.

Pegou um cachecol violeta e olhou as horas. 20:09! Perfeito. Pegou a bolsa e o casaco e saiu de casa, em direção a casa a da frente. Bateu rapidamente. A senhorinha de cabelos grisalhos, com seu típico coque alto abriu a porta sorridente.

- Quem bom que veio, Catharina

Catharina, a cumprimentou com a cabeça, enquanto ela abriu a porta dando passagem a Catharina

- Vim ver como a senhora estava. – Ela falou, entrando na casa. – A senhora não me visita desde do final de semana.

Dona Ana, bateu sua bengala no chão, enquanto Catharina a observava, encantada.

- Ah, minha filha. – A velha senhora sentou-se na cadeira de balanço – Meus sobrinhos-netos vieram me visitar. Tomaram o meu tempo todo.

Os olhos de Dona Ana, brilharam ao falar de seus sobrinhos. Ela parecia muito feliz.

- Eu não soube. – Catharina falou, timidamente – Estive fora da cidade.

A senhora Ana franziu o cenho, e olhou desconfiada para Catharina.

- Como assim, dona Catharina? Fora da cidade?

Catharina sabia que ela perguntaria. Porém, quanto mais ela pudesse adiar a verdade, era melhor.

- Fui visitar uma prima. Ela queria que eu ficasse lá, mas eu já estou acostumada a passar as minhas noites frias de inverno aqui.

Dona Ana torceu o lábio. Catharina mentia, ela sabia, mas pressioná-la podia piorar tudo. A velha senhora resolveu não tocar nesse assunto.

- Vou fazer um chá para nós. Espere. – a velha levantou-se e foi em direção a cozinha.

Catharina podia ficar sentada no sofá. Mas, algo atraiu a sua atenção. A primeira nesse deste inverno havia caído. Lentamente, ela caminhou até a janela, e tocou o vidro. Parecia uma criança, que vira a neve pela primeira vez.

A neve branca caia tão calmamente, e isso era lindo. Catharina sabia, que estava um frio terrível lá fora, mas a neve era tão pura... O inverno era a estação mais linda do ano. Tudo bem, ela gostava do verão, porém o inverno... Ele tinha um quê poético com ele e isso deixava ele muito atrativo.

Sua mente, te desobedecendo, lembrou-se da primeira vez que ela tocou a neve. Sua mãe havia deixado a porta aberta, e ela, traquina que só, saiu rolando pelo tapete que a neve fez em seu Jardim. Lembra ainda, do sorriso doce que sua mãe lhe deu, vendo a nova descoberta de sua filha. Seu pai, quase morreu de preocupação ao vê-la coberta de neve daquela maneira, mas no final riu da peripécia de sua menina.

Como ela sentia falta disso. Daquelas noites frias de inverno, em que ela passava abraçadinha com seus pais no sofá, a lareira acesa, uma bela xícara de chocolate quente, assistindo um desenho besta na TV, enquanto o cachorro brincava com sua bolinha vermelha favorita. Ela sentia falta com certeza. Mas, isso é passado. Um passado distante. Suas noites frias de inverno agora eram aqui. Acompanhadas de chocolate quente e o seu álbum de fotos.

- Trouxe o chá. – A voz da senhora Ana disse atrás dela.

Ela virou-se sorrindo para a senhorinha, que trazia consigo uma de suas xícaras de porcelana, com um fumegante chá, que ela acredita que seja de Cidreira. Porém, seu sorriso sumiu ao ver a careta que a senhora Ana fez ao olhar para ela.

- O que foi, senhora Ana? – Ela passou as mãos pela roupa, vendo se tinha algo de errado.

Dona Ana, estendeu um lencinho para ela.

- Está chorando, querida.

Catharina tocou as úmidas bochechas. Ela chorara e nem tinha percebido. Aceitou de bom grado o lenço dado por Dona Ana. A senhora, olhava para ela de preocupada. Delicadamente, ela colocou sua mão sobre a de Catharina e a guiou para o sofá no centro de sua sala. Aquele lugar, cheirava a canela, e lembrava a ela o que ela queria esquecer.

- Me conte, Catharina. Não minta para mim. Quero apenas te ajudar.

Ela apertou a mão de Catharina, amigavelmente. A garota, agora chorou com todas as forças que tinha. Dona Ana a abraçou. Ela imaginava o que a incomodava, mas queria ter certeza. E essa certeza viria só quando ela dissesse.

- Eu estou revivendo tudo, Dona Ana. Tudo! Daqui a pouco, vou lembrar do pior momento de minha vida.

Dona Ana, acariciou os cabelos negros sedosos como uma mãe. Catharina se sentia protegida daquela maneira.

- Eu sei querida. Sei que esse acontecimento doeu demais para você. Mas, pense bem, está se lembrando.

Catharina balançou a cabeça, no peito de dona Ana. Ela não queria de lembrar, não precisava se lembrar.

- Não quero, Dona Ana. Não posso lembrar! Sei que se lembrar, tudo desmoronará! Voltaria a ser o que era antes.

Dona Ana a ninou. Ela não era um bebê, mas precisava ser cuidada como tal. Depois de tudo que passou, merecia esse tratamento. As noites frias de inverno na vida de Catharina, tinham lembranças muito boas. Lembranças de uma infância bem vivida. Porém, nem tudo são flores e a dor também vem junto.

- Catharina, por que não aproveita a sua noite fria de inverno? Sei que você gosta?

Pela primeira vez, Catharina riu. Riu de verdade

- Está nevando tanto! Nem posso por os pés lá fora. Quem sabe próxima noite?

Dona Ana assentiu, enquanto Catharina se preparava para voltar para casa. Por fim, nem um chá ela tomou. Não vai saber se era de Cidreira ou não. Seu cachecol violeta cintilava em seu pescoço, enquanto ela atravessava a rua.

Em casa, ela ligaria a TV, em um canal de notícias e se aconchegaria no sofá com um lençol pesado e quente. E sempre, é claro, acompanhada de sua xícara de chocolate quente. Essa é sua nova vida. Passado é passado.

Notas finais
Dias de postagem que vocês acham melhores:
Segunda, quarta e sexta
Terça, quinta e sábado
Quarta, quinta e sexta
Sábado, domingo e segunda
Domingo, terça e quinta
Sexta, sábado e domingo
Votem, por favor! E, o que acharam de nosso primeiro capítulo?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.