Noites Sombrias
1 Capítulo 1
Uma tempestade chega muito forte na aldeia de Arllyon, uma pequena aldeia rodeada de casas antigas construídas de pedras graníticas, contendo uma estrutura magnifica. Ventos batiam nos telhados das casas fazendo barulhos estranhos que deixaram os cidadãos aterrorizados, roupas e objetos diversos rodavam e batiam um contra o outro por conta da chuva forte e ventos quase virando furações causando destruição por onde passava, com iluminarias acessas, pessoas enfrentaram a chuva constante no meio da noite, tentando salvar o resto do que tinha sobrado da colheita que foi arruinada pela chuva e também ajudar os animais e algumas mulheres com crianças no colo a saírem da tempestade.
Na manhã seguinte Melissa acordou assustada e com a garganta seca, lembrando-se do que tinha acontecido na noite passada, quando colocou os pés no chão sentiu o frio da água penetrar em seus dedos.
— Meu deus! A casa está toda alagada – disse Melissa com os olhos arregalados, pegando um balde e panos limpos para retirar a água acumulada no chão. Ela morava em uma casinha simples de quatro cômodos bem pequenos, continha paredes descascadas, telhado arruinado e portas caindo aos pedaços.
Abrindo a porta do quarto onde a mãe estava Melissa se aproxima colocando uma colher de remédio em sua boca, à mãe dela tenta recusar mais por fim engole de uma só vez o liquido ruim, ela estava muito pálida e com um aspecto de tristeza em seu rosto.
— Tivemos sorte que nada aconteceu conosco, a casa poderia ter desabado com a tempestade – disse a senhora com um tom de voz baixa e tossindo muito.
— Mãe não se esforce muito, a senhora está doente, por favor, não levante da cama, eu vou lá fora tentar conseguir alimentos, eu também quero saber se Cristine está bem. – disse Melissa levantando e indo na direção da porta.
Ela saiu correndo para encontrar a amiga, as duas desde pequenas sempre foram unidas.
— Você está bem? – perguntou Cristine que estava atrás da amiga.
De repente Melissa a abraça, com os olhos úmidos de felicidade ao reencontra-la.
— Ei eu não morri- disse Cristine sorrindo.
—Fiquei preocupada, não quero que nada de ruim aconteça com você, já sofri perdas demais... – murmurou Melissa com a voz rouca.
— Isso não vai acontecer, pode ficar tranquila – disse Cristine olhando para a amiga.
Passado horas conversando, rindo e ajudando várias famílias que foram afetadas com a tempestade, as duas passaram em frente a uma barraca contendo frutas, vegetais, grãos, e raízes a venda. Ao ver que Cristine estava distraída, com o senhor Marques, Melissa com um rápido movimento nas mãos, colocou dentro da bolsa cenouras e duas maças, constrangida por sentir tamanha vergonha por ter feito aquilo saiu às pressas do lugar.
—Por que está andando tão rápido?
— Quero saber se minha mãe está bem — não gosto de deixa-la sozinha, ainda mais doente daquele jeito – respondeu Melissa de repente, com os olhos baixos de frustração.
— Você disse que iria comigo perto da ponte olhar o castelo real, hoje faz trinta dias que o rei Sebastian faleceu — disse Cristine fazendo um olhar de cachorro abandonado.
— Hoje à noite os soldados vão acender velas deixando-as flutuar pelo mar, por causa do falecimento do rei — Disse Melissa.
— Ele foi muito ruim para as Pessoas Dessa Vila, como pode ser tão perverso tirando as mulheres e crianças da vila, o que pode ter acontecido com eles? – Disse Melissa
— Não posso responder a isso Melissa, sinto muito pelo que ... – respondeu Cristine com o rosto sem expressão.
— Eu sinto muita raiva e ódio dele, mesmo ele estando morto, ter levado meu irmão e de ter mandado matar meu pai, eu... Melissa disse chorando abraçada com a amiga.
— Vai ficar tudo bem. São só tempos difíceis — Cristine falou limpando as lágrimas do rosto de Melissa.
— Eu sempre cumpro o que eu digo, então vamos ver o castelo — respondeu melissa ajeitando o vestido azul claro, que estava sujo de lama.
— Tem certeza?
— Sim.
Ao anoitecer as duas seguiram direto para perto da ponte, escondidas em duas moitas onde continha algumas rosas vermelhas, fazia frio e o vento ficava cada vez mais forte de onde elas estavam passadas horas esperando a pequena cerimonia da morte do rei começar, de repente barulhos e galhos quebrando ecoavam muito forte em direção a elas, assustadas viram duas sombras se aproximando.
— Não me empurra Daniel – Disse uma voz no fundo da floresta
— Quem está ai? – falou Cristine com as mãos tremulas
Dois meninos atrapalhados apareceram, os dois eram idênticos, um estava caído perto da moita enquanto o outro tentava levanta-lo.
— Que susto que vocês dois me deram! – gritou Cristine.
— Ei fale mais baixo eles podem ouvir, por aqui contem muitos soldados ao redor desta região onde estamos – disse um dos meninos.
— O que está acontecendo aqui? – Melissa disse aparecendo de repente.
— Não é nada são só apenas os irmãos gêmeos Daniel e Denzel, sempre aparecendo nas horas erradas.
— Não sabíamos que vocês duas estavam aqui, é muito perigoso está região perto da ponte, vocês poderiam ser pegas desprevenidas! – respondeu Denzel olhando fixamente para Melissa, com uma expressão bastante seria no rosto.
Melissa direciona seus olhos pelo castelo e percebe uma pequena luz sobre o mar, já estava acontecendo a cerimonia os soldados levantaram suas espadas para o céu e outros acendiam velas colocando-as sobre a água do mar em um momento de silencio um homem começa a cantar uma música que Melissa não conseguia entender, e nem seus amigos compreendiam a letra, os gêmeos estavam deslumbrados com a quantidade de velas formando um efeito incrível sobre as águas.
Um homem sério de cabelos castanhos e roupas pretas aparece e acende a ultima vela, ele não demonstrava nenhum sentimento em seu rosto, Melissa não conseguia parar de observa-lo, com uma rápida piscada ele desapareceu.
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