Notas iniciais
Espero que gostem e tenham uma boa leitura.

Christian estava com os braços cruzados, em frente ao hotel, olhando para o chão. Já Ana Júlia,estava sentada, olhando de vez em quando o rapaz e virando o rosto quando este olhava para ela.

–Você só fez isso para deixá-lo com raiva,não foi?! — Perguntou a bruxa, recebendo um olhar confuso do anjo. — O Iran.

–Eu não preciso deixá-lo com raiva. Quando isso acabar, vocês dois voltaram para a cidade e eu voltarei á ter minha vida normal.

–Então quer dizer que eu sou um incômodo na sua vida?!

Christian ficou em silêncio e desviou o olhar.

–Eu sabia. -Respondeu a garota.

–A culpa não é minha. Que pessoa em sã consciência faria um feitiço para trazer os mortos de volta a vida?!

–Eu só queria garantir que venceríamos a guerra.

–E agora estamos aqui. Em frente á um hotel, procurando por uma garota que por sua culpa, é a causa desse problema.

–E o que você faria se estivesse no meu lugar?! — Perguntou Ana Júlia, levanto do banco em que estava e elevando seu tom de voz.

–Eu deixaria que eles morressem. Todos eles. E fugiria. Assim, eu salvaria a minha vida e não me sentiria culpado pela morte de ninguém.

–Claro. Foi o que você fez com a sua família, não foi?! Fugiu. Foi um fraco e fugiu. Deixou eles sozinhos nas mãos dos caçadores.

–Não foi assim que aconteceu.

–É por isso que você não tem amigos e precisou hipnotizar uma cidade inteira para eles gostarem de vocês, por que você sabe que se não fosse assim, ninguém gostaria de você. Você é fraco.

–E você é ridícula e estúpida. -Desta vez, Christian também elevou seu tom de voz. Ambos se encaravam. Iran chegou junto com os companheiros do anjo e a bruxa tratou de se afastar do rapaz. Iran caminhou até Ana Júlia.

–Ele fez alguma coisa com você?! — Perguntou, recebendo um sinal negativo da bruxa.

–Vamos entrar logo neste hotel, quando mais cedo acabarmos com isso, mais cedo eu me livro de vocês. -Disse, fixando seu olhar em Ana Júlia.

Os cinco entraram no hotel. O recepcionista logo, impediu a passagem dos bruxos,mas Christian fez com que eles entrassem, ao dizer que eles o estava acompanhando.

Iran novamente entrou na mente de Nathalie e conseguiu ver o número do quarto dela.

–462. -Disse o bruxo.

Nathalie já estava arrumando as suas coisas para sair da cidade. Pegou a sua mala enorme que estava em cima de sua cama e caminhou até a porta.Mas ao abrí-la, teve um surpresa.

–Iran... -Disse a garota.

–Sentiu saudades?! -O bruxo foi logo entrando no quarto.

–Como você sabia que eu estava aqui?!

–Por acaso conheço uma garota que sabe feitiços de localização. -Respondeu, sorrindo.

–Mas quem... Ana Júlia. Aquela filha da...

–E então?! Pronta para voltar de onde nunca devia ter saído?!

–Não tenho outra escolha, não é?! Bom, pelo menos deixa eu pegar esse abajur de hotel, que é um luxo. -Disse a garota, caminhando até o objeto.

–Não sei por que. Você não terá tempo de usá-lo.

–Mas, eu posso apreciá-lo, enquanto tenho tempo. — A humana sorriu para Iran e dirigiu-se até a sua mala, mas em uma reviravolta, acabou quebrando o objeto na cabeça de Iran, que caiu no chão, imediatamente.

–Foi bom te rever, Iran. Mas adeus para sempre... Eu espero.

A garota largou o abajur e correu para fora do quarto, deixando para trás sua mala. Desceu as escadas o mais rápido que podia e embora estivesse cansada,não podia parar descansar. Correndo em direção á porta, acaba se esbarrando em Christian e caindo no chão.

–Uau. Você é forte.

Ana Júlia suspirou e ficou cara a cara com a sua velha ''amiga''.

–Ana Júlia. A vadia da história.

–É bom ver você também Nathalie.

Iran juntou-se á eles, ainda meio tonto. Os dois companheiros de Christian levantaram a garota e a seguraram. Cada um em um braço.

–Não precisam apertar, eu não vou fugir.

–Bom, não seria a primeira vez que tentariam. -Retrucou Ana Júlia

–Então... Você foi derrubado mesmo por uma humana?! — Perguntou Christian, soltando alguns risos.

–Isso não tem a mínima graça.

Iran colocou Nathalie no carro, no banco de trás. Ana Júlia usou seus poderes para prender o cinto na garota.

–Está apertado.

–Eu sei. É só para garantir que você não tentará se soltar. Opa, é magia, você não conseguirá se soltar. — Sorriu.

–Você, vá com eles. Para garantir que chegam em sua cidade. -Disse Christian, com um de seus companheiros.

–Não precisamos de ninguém da sua laia. -Respondeu Iran. — Vamos, Ana.

E antes de Ana Júlia entrar no carro,olhou pela última vez, nos fundos dos olhos brilhantes de Christian. Ela sorriu para ele,mas ele desviou o olhar.

Então, os dois bruxos e Nathalie, começaram a viagem de volta para casa.

***

Na casa de Jack, Angeline dirigiu-se até a Krystal.

–Krys, vamos brincar de esconde-esconde?! — Perguntou a garotinha anjo.

–Estou ocupada agora, baixinha. -Respondeu Dalila.

–Estranho... Você sempre quis brincar de esconde-esconde comigo. Por que hoje,não?! — Perguntou novamente, desta vez, arqueando uma sobrancelha.

–Isso é verdade, Krys. Tem algum problema?! Ultimamente você não parece... Você.

–Eu estava brincando. É claro que eu brinco de esconde-esconde com você. -Disse, rangendo. Tentando dar um falso sorriso. Dalila iria beijar Jack, mas Angeline impediu.

–Legal. Então vamos. -Disse, puxando a garota pelo braço.A garota anja subiu as escadas com a agora humana, Dalila.

–Muito bem,vamos logo começar com isso. -Disse a garota.

Angeline empurrou Krystal, fazendo-a sentar-se na cadeira que havia ali.

–Tem certeza disso?! — Perguntou Sally.

–Mas é claro.

–O que você está fazendo?! — Perguntou Krystal

–Desista Dalila, eu já sei que é você. E nem adianta negar.

–Ok. Até que enfim alguém percebeu. Eu estava no seu corpo. Iria tentar fazer com o Jack terminasse com a Krystal, por você. Mas, depois eu tive chance de entrar no corpo da magrela de olhos puxados e não é que funcionou?!

–É bom você sair daí, ou irei te forçar.

–Você não teria coragem.

–É, eu não. Mas ela teria.

Nesse momento, Rose entra no quarto.

–Rosalya. -Rangeu Dalila.

–A garotinha me convenceu. Ela tem bons argumentos. -Disse a vampira.

–Nada do que vocês fizerem irá me afetar.Apenas irá machucar o corpinho da querida Krystal.

–Vamos ver então,senão te afeta. -Diz Alexia, dirigindo-se até Dalila, com uma faca em mãos, mas foi parada por Angeline.

–Calma. Dalila, por favor, devolva-nos a Krystal.

–Será que vocês não perceberam que a Krystal não existe mais?! Ela agora está em um lugar, onde irá ficar para sempre.

–Onde?!

***

Krystal abre seus olhos, duas vezes, antes de sua visão ficar nítida. Ela se levanta e percebe que havia várias pessoas no mesmo lugar. Algumas chorando, outras apenas tristes. Eles estavam em uma espécie de cubo escuro enão havia para onde ir. Então, a garota caminha até uma das pessoas.

–Com licença, você pode me dizer onde estou?!

–Aqui é o purgatório de almas roubadas.

–Purgatório de almas roubadas?! Mas...Como assim?! Eu não morri.

–Não. Mas a alma de uma pessoa já morta entrou no seu corpo,expulsando o seu espírito. Desse modo, você vem parar aqui. Todos nós viemos.

–Um espírito entrou no meu corpo?! E como eu volto?!

–Não volta. Não até a garota que devia ter voltado continuar andando por aí.

–Nathalie... -Krystal virou-se para a parede e tocou-a, mas nada acontecia. Assustada,a humana soltou um grito de horror.

***

Ana sentou-se ao lado de Tyler no sofá.

–Onde ela está?! — Perguntou Tyler.

–Tomando banho. Liguei para o Jack e ele disse que não houve nenhum fantasma entrando no corpo de alguém lá,ao menos, que ele saiba.

–Iran também ligou. Disse que ele e Ana Júlia estão voltando com Nathalie. Eu não contei sobre a Hiendi.

–De qualquer forma, acho que ele ficará bem surpreso. Sabe, é estranho conviver com uma pessoas que tem a alma de sua irmã,mas não tem o corpo dela.

Tyler segura nas mãos de Ana.

–Relaxa. Você se acostuma.

Ana sorriu e deu-lhe um beijo.

***

Na prefeitura, James mostrara as partes da casa, que Rin ainda não havia visto.

–Por que, tem todas essas pessoas?! — Perguntou Rin

–Meu pai vai fazer um pronunciamento hoje. Irá finalmente legalizar a introdução dos seres sobrenaturais na sociedade.

–Isso é incrível. É uma pena, eu não ser mais um deles. Mas de qualquer forma, é magnífico.

Rin e James se juntam á multidão. A garota percebe algo de estranho em uma das pessoas.

–O que foi?! — Perguntou James

–Aquele homem... Não me é estranho.

–Talvez seja apenas a impressão sua. Eu também não conheço ele.

–É, talvez seja impressão.

Rin percebeu que,quando o homem virou á direita, seu rosto mudou e agora,ela sabia muito bem quem era.

–Impressão nadam aquela dali é a Raven. Mas, o que ela está fazendo aqui?! Ela devia estar com o Levi n casa da Ana Júlia.

Rin corre atrás da sua amiga,sendo seguida por James. A garota puxa o braço de vampira transmorfa.

–Raven, o que está fazendo aqui?!

–Tenho que matar o prefeito e todos aqueles que tentem me impedir.

–O que?! Por que?! — Indagou James

–Por que ele é a favor das aberrações. E por causa dele,os caçadores perderam e Patrick virou um vampiro.

–O que Patrick tem haver com isso?!

Neste momento, Patrick se junta á Raven, junto com seus dois ajudantes.

–Vamos querida, ainda temos um serviço para cumprir. -Disse o vampiro.

–Ele está a levando para a sala do meu pai. Ele quer matá-lo.

James tenta impedí-los,mas o anjo acerta um soco em seu rosto, fazendo-o cair no chão.

Rin pega seu telefone e disca o número de Levi. Christanny tenta acertá-la, mas James a impede, jogando-a contra a parede.

–Christanny!!! — Grita o anjo, que ataca James.

Levi abre os olhos e escuta o telefone tocando. Ele não hesita em atende-lo.

–Rin,o que foi?!

–Você precisa vir rápido, a Raven está aqui junto com o Patrick, eles querem ma... — Antes que terminasse de falar, Christanny pega o celular e o quebra ao meio. A anja tenta hipnotizá-la.

–Preste bem atenção no que você vai fazer...

James chuta o anjo, fazendo-o cair em cima da garota. Rin consegue sair do trânsito e corre em direção á sala do prefeito.

O anjo levanta-se e ataca James.

–Vá atrás da garota, eu cuido dele. -Gritou. A anja abriu suas asas e voo atrás de Rin.

***

Alguém bateu na porta, Jack levantou-se e foi atender. Era uma garota.

–Pois não?! — Perguntou o lobisomem.

–Oi.Eu sou Thayná. Entrei no corpo desta garota, por que preciso te avisar sobre a Krystal.

–O quê que tem?! Ela é a minha namorada.

–Esse é o problema. A garota com quem você está convivendo não é a Krystal.

–O que?! Isso é um absurdo.

–É mesmo?! Ela está agindo estranho?! Não faz o que sempre fazia?! E aquela tal amiga dela,com quem sempre joga indiretas?! Que tal fazer uma prova?!

Jack encarou um garota or um breve momento.

–Está bem então. Vamos lá para cima.

***

Ana Júlia estava com a cabeça encostada no vidro do carro, durante toda viagem para Collsville. Em alguns momentos, ela recebia olhares preocupados de Iran, que não dizia uma palavra. Nathalie apenas os observava.

–Então... O que você tem?! — Perguntou, não recebendo resposta. — Entendi.É o bofe de olhos escuros. Eu percebi a troca de olhares de vocês antes de entrar no carro. Sabe, eu achei ele um gatinho. Você tem um bom gosto, mas ele não.

–Você não está ajudando. -Disse Iran. — Dá pra trocar de assunto?!Ou melhor, fica quieta.

–Ta bem... Ana Júlia e o anjo, ela é estranha e ele a perfeição. Mas não posso falar dele, por que o Iran não gosta não. Talvez seja por que ele é lindo e sabe seduzir, ou por que a bruxa da história se apaixonou por ele ali. O Iran está me olhando com uma expressão de raiva, vou parar agora ou irei levar um tiro no meio da cara.

–Obrigado.

Os três voltam a permanecer em silêncio. Mas Nathalie o quebra, outra vez.

–Preciso ir ao banheiro.

–Aguenta.

–Iran, eu sou uma humana agora, tenho as minhas fraquezas e necessidades. Então, por favor, eu te suplico,preciso ir ao banheiro.

–E eu digo: Aguenta.

–...... Ana Júlia e o anjo, ela é estranha e ele a perfeição. Mas não posso falar dele, por que o Iran não gosta...

–Está bem, eu paro o carro, tem um banheiro comunitário bem ali, mas para de cantar essa droga de música.

–Obrigada. Espera, banheiro comunitário?! Eu me recuso á usá-lo.

–Prefere no mato?! — Perguntou o bruxo.

–Está bem. Só que alguém vai ter me soltar. -Diz, mudando seu olhar para Ana Júlia, que apenas estala os dedos, e o cinto se solta.

–Que delicadeza.

–Vai rápido.

Nathalie sai do carro e caminha até o banheiro.

–Quer conversar?!

–Não,eu to legal.Ou vou ficar.

–Você sabe que ela só quis provocar,não é?!

–Eu simplesmente a ignoro.

Sem que os dois percebessem, Nathalie sai do banheiro e dá a volta, para tentar fugir novamente. Ela corre, mas algo a segura e a levita.

Ao chegar no chão, a humana percebe que Christian a segurara.

–Droga... -Sussurrou.

–Cuide melhor das suas coisas. -Disse o anjo para Iran, que segurou no braço da garota e a levou de volta ao carro.

–O que está fazendo aqui?! — Perguntou Ana Júlia, saindo do carro.

–Você tinha razão, eu não mereço ter amigos. Eu realmente sou fraco, não consigo conquistar ninguém com o meu jeito de ser e tive que usar meus poderes para fazer todos gostarem de mim. Eu, é que sou ridículo e estúpido. Terá sorte o cara que conseguir conquistar seu coração.

–É, realmente você é muito ridículo e estúpido mesmo. E idiota. Você esqueceu do idiota. Mas, numa coisa você está errado. Você não precisou usar seus poderes comigo para me fazer gostar de você. Quer dizer, não que eu lembre.

–Você gosta de mim?!

–Eu sei, tenho um péssimo gosto. — Christian sorriu. — E então?! Você voou até aqui para me dizer isso?!

–Não, eu voei até aqui para dizer que quero ir com você para Collsville. E me tornar forte. — O rapaz aproximou seus lábios nos da garota, mas acabou recebendo um tapa no rosto. — Foi algo que eu disse?!

–Isso, foi por você ter me deixado ir embora sem se despedir. E isso, foi por ter voltado. -A bruxa deu um leve beijo no rapaz, que segurou em sua cintura. O anjo abriu suas asas e levantou vôo com a garota. — Eu odeio com você faz isso.

–Eu sei. -Disse.

–É, parece que ela não vai mais voltar de carro. -Disse Iran, ligando o carro e voltando á estrada para a cidade.