Noites Polares
5 A chegada
Notas iniciais
Lá estava eu, na porta do meu novo colégio, esperando por Aaron (meu melhor amigo). As únicas coisas que eu conseguia pensar naquele momento eram: Quanta gente! O que faço? Pra onde eu vou? , e nenhuma dessas perguntas tinha resposta. Eu apenas dei mais um passo e entrei (aliás, eu já estava parecendo uma doente parada em frente à porta, esperando, boquiaberta e sem ação). Quando entrei, após passar por alguns corredores, ouvi a serena melodia de um piano e decidi que iria procurar de onde vinha esse som, até que fui interrompida por um esbarrão que quase me jogou no chão. Era uma mulher diferente, alta, de cabelos curtos e loiros, com um aspecto enfurecido e uma roupa atlética.
– Nossa, você está bem... é, professora?
– Professora? Como professora? Ainda não abri nenhuma inscrição para entrar nas Cheerios! É cada uma que me aparece (no mínimo, essa garotinha deve ser mais uma das alunas do Will)...
– Desculpe, não queria irritar a senhora. Prazer, Artemis. Sou nova aqui no McKinley -aponta a mão para a mulher, no intuito de que ela aperte.
– Já começou errado, querida, ao não saber quem sou eu. Mas, como eu estou atrasada, meu nome é Sue, treinadora Sue Sylvester. Você vai me ver bastante por aqui ainda — aperta a mão da menina.
– Ok, treinadora Sue... Foi um prazer.
– Você é tão doce que está me fazendo sentir como uma diabética. Estou atrasada, até qualquer hora, Sandra.
– Artemis — diz a menina ruiva, rindo de forma sutil.
– Que seja, cabeça de tomate.
Sue saiu andando e me deixou parada, fazendo a auto pergunta: "Em que lugar eu fui me meter ?". Continuei andando até que meu celular tocou: era Aaron!
– Aonde você está, seu maluco ?
– Não estou muito bem, só liguei pra avisar que não irei hoje.
– E vai perder o primeiro dia de aula? Você só pode ter problema!
– Tenho sim, problemas de estomago.
– Você entendeu, bobão.
– É sério, acho que não deu certo minha maratona de ontem.
– Maratona?
– Entenda: Salgadinhos e refrigerantes, milkshakes caseiros sabor framboesa, batatas fritas, brigadeiros e pêssegos não são uma boa combinação pra uma noite só!
– Você tem, realmente, problemas. Estou atrasada, beijos e tchau — desliga correndo, sem esperar resposta de Aaron.
Eu corria, desesperadamente, procurando a sala de número 12. Ainda bem que cheguei a tempo, junto de todos. Entrei e dei de cara com um homem estranho, usando roupas com cores horriveis e que parecia não ter moral nenhuma com os alunos. Eu não sabia aonde sentar e que aula seria, com quem sentar ou que horas sairia de lá, até que...
– Oi, você quer sentar conosco? — disse uma garota negra, um tanto gordinha, com um brilho diferente e um sorriso muito bonito, acompanhada de uma outra garota de pele clara, radiante, com um sorriso também muito forte.
– Pode ser mas... Quem são vocês? Por que me chamaram?
– Prazer, eu sou Mercedes Jones — diz a garota negra.
– E eu sou Rachel Berry. Qual o seu nome? — diz a outra garota.
– Artemis, prazer. Vamos nos sentar ?
E assim foi, sentamos juntas. Era uma mesa pra três e eu fiquei na ponta, ao lado da janela, com Rachel ao meu lado e Mercedes na outra ponta. Aquele homem estranho começou a falar, até que se identificou como diretor Figgins. Ele explicou todas as diretrizes do colégio, falou sobre a ética, sobre o material didático e eu quase explodindo de tédio! Coloquei o fone de ouvido do meu celular de forma que ninguém visse, apenas de um lado. Escolhi uma das minhas músicas favoritas virei para a janela, olhei para as nuvens e comecei a cantar, sem perceber, de forma simples e serena, o refrão dela...
"In another life,
I would be your girl
We'd keep all our promises
Be us against the world
In another lifeI would make you stay
So I don't have to say
You were the one that got away
The one that got away"
(The One That Got Away — Katy Perry)
Quando olhei para o lado, estavam Rachel e Mercedes olhando para mim de uma forma diferente, com sorrisos abertos e eu imediatamente parei de cantar. Olhei para elas e ficamos alguns segundos nessa troca de olhares até que Rachel segurou a minha mão e disse:
– Querida, acho que seremos ótimas amigas!
Fale com o autor