Noites Escuras
2 Parte um.
As coisas estavam bem difíceis na casa de Carol. A cada mês um parente teu morria, tua mãe estava arrasada, assim como o pai. O namorado havia acabado de romper com ela, estava apaixonado por outra. As amigas a havia abandonado, e teu vício estava maior.
Estava doente. Tinha bulimia, anorexia, síndrome do pânico, se automutilava e estava com anemia. Já não tinha mais interesse pela vida, já que todos a havia abandonado, começou a experimentar novos grupos.
Começou pelos populares, tinha um colega da tua aula de skate lá então foi fácil puxar papo, mas essa não era tua turma. As meninas eram muito patricinhas para o seu bico, não suportou nem o recreio com elas.
Então optou pelos skatistas, claro ela era uma porque não se encaixaria?! Bom logo descobriu a resposta. Eram muito... Sei lá... Muito... Estranhos.
Góticos. Nunca conseguiria andar toda de preto, odiando o mundo e tudo ao seu redor. Claro se cortava, era mal-humorada e tal, mas... Queria mudar e estes góticos de nada a ajudariam.
Por fim, se encaixou com a galera “barra pesada”, como o colégio todo os chamava. Passaram-se duas semanas desde que havia entrado para este grupo escolar, havia deixado de lado as coisas de menininha.
Não se arrumava mais, não estava nem aí para a escola, era uma perfeita garota “desencanada”, como eles mesmo se denominavam.
O problema é que todos deste grupo eram drogados, então começaram a empurrar droga para Carol. Ela desesperada para “sair” deste mundo, aceitou.
Saiam todas as noites em busca de diversão, isso se tornou um vício na vida dela. Se cortava e se drogava, tudo ao mesmo tempo. Não estava nem aí se teria de fugir de casa para se drogar, mas ia do mesmo jeito.
Sempre voltava ao amanhecer, se arrumava e ia para a escola. Lá dormia em todas as aulas. Suas notas haviam caído muito, sempre tirava vermelho, quando conseguia tirar alguma nota. No seu boletim só tinha zero.
Mais meses se passaram e as coisas foram ficando estranhas em Atlantic City. Algumas mortes estranhas começaram a acontecer, estava em todos os noticiários. Algumas pessoas ficavam dizendo que isso é trabalho de morcegos, pois estava na época.
_ Que morcegos que nada, são vampiros que estão matando todos. Isso sim. –Alex disse.
_Cala a boca Alex, você só acredita nisso. Isso não passa de lenda. –Isabela retrucou.
_Acredito nisso sim. Tirando o fato de que está bem na cara que foram eles.
_Me dê um bom motivo pra acreditar em você.
_Bom. Os corpos achados não obtinham nenhuma única gota de sangue, todos tinham dois furos pequenos na garganta, algumas pessoas dizem que foram morcegos, sem comentar que foram todos constatados, à morte, durante a madrugada. Nenhum quando o sol estava nascendo ou se pondo. Pra mim está bem claro. Vampiros existem.
_Então vamos fazer o seguinte: vamos seguir as pistas. –Disse Jason, o “chefe” do grupo.
_É o que?! Você acreditou nessa bobagem?! –Perguntou Isabella perplexa.
_Não sei, mas o Alex tornou isso bem convincente.
_Mas então como nós vamos achar algo?! Nem a polícia procurou o culpado. –Disse Carol.
_Vamos fazer um trabalho de jornalistas. Vamos ver onde os corpos foram achados e fazer uma pesquisa de onde e quando pode haver outro. Nós conhecemos esta cidade como a palma de nossas mãos. Impossível nós não acharmos nada.
_Tudo bem. Estou dentro.
_Ta falando sério Carol?!
_Qual é Isa, vai ser legal. Tirando o fato de que é feriado e nós não temos mais nada pra fazer.
Isabela deu uma grande tragada em seu cigarro e então concordou.
_Vamos começar. Vou procurar todos os jornais com essas matérias e trago pra vocês.
_Tudo bem Al, vou em casa procurar papel e caneta. Meninas, você ficam aqui?
_Pode deixar J. –Disse Carol.
E foi aí que começou. Eles procuraram até o feriado acabar e não conseguiram nada. Em nenhum jornal havia pistas de onde deviam começar, então resolveram desistir. Afinal tinham coisas melhores pra fazer, como comprar mais drogas.
As meninas foram comprar, pois elas conseguiam mais barato. Seduziam os traficantes. Drogas compradas, roupas descentes vestidas, agora é hora de provar a mercadoria.
Sentaram-se embaixo de uma árvore e repartiram o cigarro de maconha já pronto. Os meninos dividiam um e as meninas outro. Não abusaram muito desta vez, abusavam mais antigamente, quando estavam apenas começando.
A cada vez que engolia a fumaça do cigarro Carol pensava em sua antiga vida, se lembrava de que nunca faria isso, desprezava pessoas drogadas. Olhava para elas como se fossem leprosas, agora a situação se inverteu.
_Tudo bem Carol? –Perguntou Jason.
_Claro... Porque não estaria?! –Respondeu Cah com um sorriso bastante falso no teu rosto.
Alex e Isabella haviam se afastado dos dois, deixaram os “pombinhos” a sós, sendo que nem namorados eles eram.
_No que você está pensando?
_Na minha vida antiga... Quando eu era uma perfeita patricinha... Nunca me imaginaria fazendo isso... Me drogando, com tatuagens...
_Tá, mas você só tem uma tatoo e é bem pequenina, nem dá pra ver com o teu cabelo tampando ela. –Carol tinha três estrelas tatuadas na nuca.
_Você me entendeu J.
_Só estou puxando teu saco princesa. O meu ponto é que você é o que é porque fizeram coisas no teu passado e não havia outra saída. Ninguém obrigou você, você faz o que faz, pois não aguentava mais, queria experimentar coisas novas. Vem aqui.
Jason a puxou para perto dele, onde ficaram abraçados a noite inteira.
_Eu nunca vou te abandonar minha princesinha.
_Uma princesa perturbada. –Os dois riram.
_Minha princesa perturbada.
Acabaram por dormir lá mesmo, estavam afastados de tudo e todos, e aquilo era realmente bom. Porém Carol acordou no meio da noite muito assustada, ofegante e suando.
_O que foi amor? –Perguntou J assustado.
_Tive um pesadelo.
Carol pensou que foi um pesadelo, mas foi real demais. Ela sonhou com um par de olhos a fitando, querendo atacá-la, mas não conseguiu. Estava escuro demais para poder enxergar qualquer coisa então resolveu ir embora.
_Calma, foi só um pesadelo. Vem cá, eu cuido de você.
Carol sabia bem que não era nenhum pesadelo. Ela sentira a presença da “coisa”, bem ao lado da árvore em que estavam. Ele não desistiria.
Logo amanheceu e Jason e Carol voltaram para suas respectivas casas.
Quando chegou ao seu quarto, Carol foi logo ligando a TV que por acaso caiu no noticiário.
-Foram constatadas mais duas mortes nesta madrugada de quinta-feira. Dois adolescentes, Alex Winckle e Isabela Moráz de 16 anos, foram mortos brutalmente. A polícia ainda não encontrou os responsáveis pela chacina. –Disse a repórter.
Desesperada por saber da morte dos amigos, Carol foi correndo até a casa de Jason.
-Jason! Jason!
-Calma Carol, o que foi?!
-Al e Isa... –Cah não conseguiu dizer uma única palavra.
-Tá, o que têm eles?
-Estão mortos. –Disse quase que num sussurro.
-O que?! Você tá brincando né Carol?!!
-E eu to com cara de quem tá brincando Jason?!! Eu acabei de ver no noticiário.
-“Mortes estranhas”?
Carol fez que “sim” com a cabeça.
-Mais um motivo pra gente achar o culpado.
No dia seguinte Carol e Jason foram ao enterro dos amigos. Não conseguiam engolir aquela história toda.
-Cah olha o que eu achei no celular do Al
-O que J?
Jason mostrou a foto para Carol que ficou muito assustada. Era uma foto sem corpo. Só haviam roupas em pé, como se estivessem num manequim invisível.
-Será que toda aquela baboseira de vampiros do Al... É verdade?! –Perguntou Carol.
-Pois é... Parece que sim...
Uma semana se passou e os dois foram na missa de sétimo dia dos amigos, a missa fora celebrada à noite. Depois da mesma, foram passear pelo cemitério e fazer uma última homenagem aos amigos mortos.
Carol sentiu aquela mesma sensação, algo a observava. Olhou em direção à floresta e então os viu. Os olhos que tanto procurava. Dois olhos avermelhados, da cor de sangue. Havia uma pessoa ali em pé, atrás das árvores.
Carol ficou apavorada.
-Cah... O que foi?
Ela não conseguiu responder. A pessoa estava vindo em direção dos dois.
-Corre. –Carol disse sussurrando e saiu correndo.
Quando Jason percebeu a presença do estranho ali, correu junto com Carol, porém não foi o suficiente. A pessoa se postou na frente dos dois em apenas segundos, de repente outro apareceu. Era mais alto, mais bonito e mais perverso.
-Ora ora ora Matthew, até que enfim você achou comida sozinho! Sempre sou eu que tenho de fazer tudo pra gente não passar fome... Mas desta vez você se superou. Um casal de namorados, um pra mim e outro pra você.
-Cale a boca Vladimir! E afinal estes são amigos do casal de ontem, lembra?
-Ah sim... O sabe-tudo sobre nós, né?
-Alex Winckle. Sim ele mesmo, mas estes dois aqui não são refeição. Pode tirando seu cavalinho da chuva. Vá procurar outro banco de sangue. Estes dois são meus.
-Afe, tá bom então. Fui.
-O que você vai fazer com a gente? – Perguntou Carol apavorada.
-Fique quietinha e eu não faço nada com você. Logo logo vocês saberão o que eu quero com os dois. Primeiro, vamos dar um passeio.
E lá foram eles, para as profundezas da floresta. Matthew já planejava tudo para o ataque, só estava esperando a hora certa, mas primeiro tem que acabar com a prova de que ele existe.
-O que você está fazendo nessa cidade?! Há tantas outras cidades pra vocês apavorarem, outras bem pequenas que ninguém vai saber que vocês existem, então... Porque Atlantic City?! – Perguntou J curioso.
- Razões pessoais... Já estive aqui há algumas décadas, conheço bem o pedaço... É melhor para me esconder.
- Quantas “décadas” para ser mais precisa?... –Perguntou Carol curiosa.
-Tenho 859 anos se é isso que você quer saber. Nasci em 1133, na Inglaterra. Era de uma família muito rica, a mais rica da cidade. Anos se passaram... E, vou poupar os detalhes da minha vida, pois não gosto de lembrar é entediante.
“Finalmente em 1153 conheci uma vampira muito sexy e envolvente é claro que pensava que ela era mortal... Bom, me envolvi e quando acordei na manhã seguinte em 3 de março de 1153 já era um imortal. Faria 21 dois dias depois... Fiquei muito magoado, mas agora... Agradeço a ela.”
-Vocês mantém contato? – Carol perguntou.
-Vamos dizer que sim... Você é muito curiosa hein?! Como é seu nome mocinha?
-Carol.
-Carol... Gostei, e o seu caladão?
-Jason.
-Hum... Legal...
-Pra onde você tá levando a gente? –Perguntou Jason apavorado.
-Acalme-se. A noite é uma criança. –Ele disse isso e deu uma piscadela para Carol.
Minutos depois eles estavam em frente a uma casa abandonada. Ela era feita de pedras e tinha algumas trepadeiras nas paredes. Por causa do mal tempo, foi acumulando mofo nas paredes e isso fez com que a casa perdesse seu brilho.
Ela até poderia ser bonita por fora, tirando todo o mofo, mas por dentro... Era horrenda. A cada canto da casa havia alguma coisa sinistra. Nada de caixões, bom... Pelo menos na sala.
-Estão curiosos?
Eles fizeram que “não” com a cabeça. E na verdade não estavam curiosos, estavam morrendo de medo.
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