Noite de Mistérios
2 O Encontro
Sim, eu estava ali por conta da minha curiosidade que só crescia. Talvez não fosse a melhor opção, ou melhor, não é. Creio que ninguém iria procurar um garoto de programa; no máximo, pensaria em procurar, porém não passaria disso. Já no meu caso, levei a ideia até o fim.
O que diabos eu estava fazendo aqui? Questionava-me pela enésima vez. Dei meia volta, sentindo-me mais desnorteado do que quando havia chegado. Comecei a caminhar o mais rápido possível para longe dali. Estava quase virando a esquina e indo embora quando algo atraiu a atenção dos meus olhos. Um jovem rapaz encostado na parede, mexendo em seu celular, provavelmente da mesma idade que eu. Os cabelos negros caíam ao redor do rosto, contornando-o com uma franja e, na nuca, seus fios eram arrepiados. Vestia roupas pretas: camiseta de gola alta, calça jeans e um coturno. Apesar da cor escura, transmitia uma sensação de frescor.
A imagem que vi prendeu-me como uma estaca ao chão devido à tamanha beleza diante dos meus olhos. Fiquei a observá-lo, fascinado. Era tão belo, atrativo e convidativo. Sim, instigava-me a chegar mais perto. Poderia ser loucura, mas eu conseguia até sentir ou imaginar o aroma de seu perfume. Sentia-me um tolo; estava quase indo embora e agora isso acontecia, mas eu realmente queria me aproximar. Idiota, idiota, idiota, repetia gradativamente para mim enquanto caminhava em direção àquele rapaz. Subi na mesma calçada em que ele estava, caminhei para mais perto dele, que apenas levantou a cabeça rapidamente, sem muito interesse, olhou-me de relance e voltou sua atenção para o celular. Senti-me receoso em continuar, mas ignorei o sentimento e cheguei perto, parando em sua frente, e esperei pacientemente, humildemente, até que ele erguesse o olhar e me visse ali. Então, por um momento, deixou seu celular de lado e passou a me olhar com expressão confusa.
Diante e tão perto de seu rosto, surpreendi-me com sua beleza. Seus olhos eram tão quentes e rubros, de um negro tão profundo que pareciam queimar minha alma. O perfume era embriagante, viciante; o aroma era inexplicavelmente delicioso e agitava cada célula do meu corpo.
— Hm? O que quer? – perguntou-me, curto e grosso, despertando-me do transe. Queria ver-me falar com todas as palavras o motivo de estar ali e o que eu queria? Só poderia estar debochando de mim. Envergonhei-me.
— Como assim o que quero? – sorri amarelo, abaixando o olhar. Eu já havia chegado até ali e iria até o fim. – Você sabe, aqui é a rua onde... – travei ao falar.
— Rua onde...? Anda, desembucha! – era nítida a irritação em seu tom de voz.
— Ah... – voltei a olhá-lo. – Aqui é onde ficam os acompanhantes. – sussurrei.
Ele fez uma expressão de surpresa, o que me deixou confuso, mas logo voltou a ficar com a face neutra e deu um leve sorriso para mim, o que me deixou sem jeito.
— Ah, sim, desculpa, eu estava entretido no celular que... não havia entendido. – falou enquanto guardava o aparelho eletrônico no bolso.
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