O quarto me intimidou de certa forma; estava criando coragem, mas era embaraçoso. Meus pelos se eriçaram. Não havia luzes fortes e brancas, apenas uma luz tênue de um abajur sobre o criado-mudo. Olhei para a cama à minha frente, cuja cabeceira era espelhada, emoldurada em prateado. Ao olhar para o teto, vi meu reflexo no espelho. Meu estômago embrulhou e desviei o olhar para os meus pés. As molas do colchão ressoaram em meus ouvidos; ele já estava sentado e eu não sabia o que fazer.

— Vai ficar aí parado? – perguntou ele. Eu não respondi, continuando a olhar para os meus pés. Meu coração pulsava no peito; estava com certo medo e receio.

— Será que você nunca fez isso? – ele soltou uma risada nasal. – Vem cá. – bateu a palma da mão sobre a cama.

Atendi ao chamado e caminhei em sua direção. Sentei-me na cama ao seu lado, tenso como uma pedra. Estava realmente nervoso. Repetia em minha mente para relaxar, mas meu corpo se recusava. Será que ele iniciaria? Céus, o que eu deveria fazer? Onde eu deveria tocar? Na cintura? Onde? Esses pensamentos inundavam minha cabeça.

— Como se chama? – perguntou ele, enquanto com o dedo indicador retirava uma mecha que caíra sobre meu rosto e a encaixava atrás de minha orelha.

— Uzumaki Naruto. – respondi timidamente.

— Bonito nome. – permaneci em silêncio.

— Que mal educado, não vai perguntar o meu?

— Ah, desculpe-me, estou nervoso. – comecei a esfregar meus dedos uns nos outros, tentando descontrair o nervosismo que tomava conta de mim.

— Qual é o seu nome? – finalmente perguntei.

— O meu é... – ele estava atento, esperando-o dizer seu nome, o que não aconteceu. Iria perguntar novamente, mas seu olhar intenso me fez hesitar; acabei abaixando a cabeça e olhando para o lado oposto onde ele estava. Optei pelo silêncio. Quis desviar-me de seu olhar sedutor antes que eu caísse sob seu encanto. Admito, ele era encantador, não apenas seu olhar, mas tudo nele, dos pés à cabeça.

Senti seu dedo sob meu queixo, puxando-me para que eu levantasse a cabeça e o olhasse. No entanto, segurei-me e não obedeci. Sentia-me envergonhado; não conseguia relaxar. Esta seria minha primeira vez sendo beijado por outro homem. Nunca havia imaginado isso. Realmente, perdi o juízo. Senti seus lábios levemente tocarem minha bochecha e, em seguida, me perguntou:

— Você não quer saber o meu nome? – seu tom de voz era suave.

— Sim, claro que sim. – respondi, mas mantive o olhar desviado.

— Então olhe para mim. – ele manteve o mesmo tom agradável e suave.

Ele tentou novamente, e desta vez não me recusei a olhá-lo. Voltei meu rosto para o dele enquanto ele me guiava com o dedo. Quando meus olhos encontraram os dele, senti todas as sensações retornarem. Desta vez, permiti-me perder-me na imensidão negra de seus olhos.

— Meu nome é... – ele fez uma breve pausa, sorriu, e então disse seu nome. – Uchiha Sasuke. – e sorriu novamente, um sorriso largo. Percebi que a razão era eu; estava com um sorriso bobo ao ouvir seu nome e perceber o quão encantado eu estava apenas ouvindo-o dizer seu nome. Senti meu rosto aquecer em milésimos de segundos. Fiquei sem jeito com a situação e abaixei os olhos envergonhado, deixando de fitar seus olhos.

Enquanto estava distraído, não percebi Sasuke se aproximando e vindo para me beijar. Não tive tempo para pensar; apenas arregalei os olhos.

Qualquer chance de repreendê-lo verbalmente desapareceu, mas isso não me impediu fisicamente. Coloquei minhas mãos em seus ombros e comecei a empurrá-lo para longe, afastando minha cabeça para interromper o contato entre nós. Sasuke, porém, não permitiu. Quanto mais eu lutava, mais ele insistia no contato. Uma de suas mãos deslizou lentamente de meu joelho até chegar à proximidade de minha virilha, apertando-a com força, o que me fez cerrar os olhos, entreabrir a boca, e um murmúrio de dor escapou de minha garganta. Esta foi a oportunidade perfeita para ele aprofundar o beijo. Senti sua mão envolver minha nuca e seus dedos se entrelaçarem em meus fios loiros, suavizando-os, o que me fez arrepiar. Ele forçou a mão em minha nuca, pressionando nossos lábios ao máximo e intensificando o beijo.

Rendi-me aos seus encantos e deixei-me levar. Comecei a gostar dos toques que recebia, e meu corpo reagia positivamente a eles: provocativos, mas ao mesmo tempo carinhosos e afetuosos. Era uma mistura perfeita. Minhas mãos, que antes tinham a intenção de empurrá-lo para longe, agora envolviam seu pescoço, trazendo-o para mais perto. Permiti que o beijo se desenvolvesse conforme necessário; queria sentir as sensações e os sentimentos o máximo possível. Esqueci-me de tudo ao meu redor: o quarto de motel e os vários espelhos refletindo nossa cena. Concentrei-me nos toques, nas carícias, no perfume de Sasuke misturando-se ao meu e transformando-se no aroma mais delicioso que já senti na vida. Eu estava entregue. Meu coração batia descompassadamente, acelerado. O beijo já durava bastante e eu estava sem fôlego. Parei o beijo, apoiando minha testa na de Sasuke, respirando profundamente. Olhei para ele e vi que não estava diferente de mim; sua respiração também estava descompassada. Ele olhava para mim, seu olhar sereno e calmo. Lentamente, fechei os olhos e sorri, verdadeiramente feliz.

— Gostei de ter me encontrado. – ele disse, sorrindo.

— Bom saber. – comentei confuso, afinal, era seu trabalho.

— Deite-se na parte superior da cama, de barriga para cima.

— Como? – abri os olhos e olhei para ele.

— Apenas faça o que eu digo.

Não o questionei mais e fiz o que ele pediu. Tirei os sapatos com os próprios pés. Sasuke observava, apenas esperando. Deslizei suavemente, movendo-me em direção à cabeceira. Não cheguei a deitar-me. Vi o olhar desgostoso de Sasuke para mim, provavelmente porque não havia feito o que ele pedira. Ele ficou confuso. Ficamos nos olhando por bons segundos até que tomei a iniciativa de levantar da cama. Sasuke permaneceu no mesmo lugar, apenas sentado.

Até então, não havíamos dito nada, mas fui o primeiro a começar.

— Não sei ao certo como dizer, ou como explicar. Não vim até aqui para ir até o fim; não comentei nada com você, não perguntei sobre o preço, nada. Desculpe por isso; estava perdido em meus pensamentos e sentimentos novos, nem mesmo clarifiquei as coisas antes de vir. Estou confuso em relação a mim mesmo. Enfim, desculpe. – coloquei a mão no bolso, peguei a carteira e respirei fundo, falando tudo de uma vez por causa do nervosismo. – Quanto é a sua parte? Enquanto abria a carteira para pegar o dinheiro, ouvi Sasuke levantar-se da cama e caminhar até a porta, apenas o seguindo com os olhos. Por fim, confuso, perguntei:

— Para onde você está indo?

— Vou embora. – ele virou-se para mim, olhando-me com uma expressão desinteressada, o que me deixou perplexo. – Não foi só você que não explicou ou deixou claro. – ele sorriu para mim, deixando-me ainda mais confuso.

— Não sei se percebeu, Naruto, mas ali é um ponto de ônibus. Eu estava esperando o ônibus. A rua tem garotos de programa, mas é mais para trás de onde estávamos. Você estava tão perdido em si mesmo que nem sequer notou. Não resisti ao ver você tão confuso; vi ali uma boa oportunidade para me divertir. Não se sinta usado; me interessei por você. – fiquei estático, tentando ligar as informações, lembrando-me do ponto de ônibus mencionado e tentando entender a situação. Estava prestes a sair quando o percebi e, a partir de então, não me concentrei mais no local.

Vi ele pegar o celular que havia deixado na cadeira quando chegamos e guardá-lo no bolso. Continuei em silêncio, observando-o pegar um papel e fazer uma anotação, deixando-o sobre a cadeira. Abriu a porta e, antes de sair, disse:

— Anotei o número do meu celular no papel.

A porta se fechou. Fui até a cadeira, peguei o papel e olhei para ele. Em seguida, ergui os olhos para o espelho, refletindo sobre tudo o que havia acontecido. Peguei minhas coisas, passei na guarita para pagar e, para minha surpresa, já estava pago. Saí, caminhei pelas calçadas. Não sabia ao certo o que pensar, na verdade, sabia, não restavam mais dúvidas. Olhei para o número de celular no papel e sorri.

Notas finais
Obrigada por lerem.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!