Noite da pizza
5 Epílogo
Notas iniciais
Já se passaram quatro anos desde que estive aqui pela primeira vez, mas não existe diferença alguma para mim — pelo menos não no corredor ou porta do apartamento 101.
Entro em silêncio e procuro por mudanças visíveis, mas a única coisa que parece ter mudado é que corpos que anteriormente estavam jogados em canto agora não estavam mais a vista. As manchas de sangue sumiram também, mas algo em cima de uma mesa ao lado da porta não havia sumido: a mesma faca usada tantas vezes por ela aparentava continuar do mesmo jeito.
Levaram poucos minutos para a campainha soar, e quando isso aconteceu uma pequena sombra de olhos brilhantes foi atender a porta. Ao passar por mim, não conteve um olhar sarcástico, e não fez questão por um segundo de esconder que me via.
Ela espiou pelo olho mágico, certamente para avaliar quem se encontrava ali. Os músculos de sua face não se moveram nenhum milímetro sequer, porém seus olhos a entregou.
Após séculos trabalhando no mesmo ramo você aprende a ler expressões humanas, por mais que isso se torne doloroso com o tempo. Medo, tristeza, arrependimento, todos se tornam inconfundíveis, e certamente que seus olhos gritavam reconhecimento e tristeza. Ela abriu a porta lentamente e com uma expressão submissa, que eu notei ser falsa, mas sabia que convenceria qualquer humano comum. De repente, ela simplesmente gritou: “Mamãe! Papai! Que saudade!”, e os guiou para um abraço apertado.
Eu me convenceria de que ela estava feliz de verdade, se não tivesse soltado sua mão esquerda do abraço e a levado em direção à mesa de canto, puxando a faca...
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