Noite Infeliz
1 Noite Infeliz
O vento sopra forte no alto da torre Eiffel, as juntas da magnífica estrutura feita de ferro chegam a ranger com a ventania que revela um medonho assassinato. À passos apressados um homem chega ao último andar, onde jaz o cadáver estendido no chão. Ele levanta o braço para ver as horas, é meia noite em ponto, é Natal. A cena horrorosa fica ainda pior sendo iluminada apenas pela luz da lua cheia. O homem usa um sobretudo marrom, com calça cinza e sapatos também marrons, em sua cabeça está um chapéu preto fazendo sombra em seu rosto misterioso.
Conforme se aproxima do cadáver ele vai desviando das incontáveis poças de sangue que tornam o chão de ferro da torre Eiffel escorregadio e nojento. Examinando o corpo do azarado ele encontra no bolso interno da jaqueta de couro a carteira e umas notas de euro. Abre a carteira, nenhuma identificação, a não ser um brilhante distintivo dourado preso à frente da dela – Policial – conclui ele – O homem olha pela primeira vez o rosto da vítima, lembrando-se agora de que isso é importante. A cabeça do morto está quase toda arrancada do pescoço, a boca roxa, a pele branca como a de um fantasma e os olhos saltando das órbitas.
Dando uma olhada no chão envolta o detetive encontra um facão ensanguentado. Passa a mão pela lâmina – Completamente sego – diz ele – deve ter sido uma morte dolorosa. Ainda com o facão em mãos ele se perde em pensamentos imaginando o quanto esse pobre coitado deve ter sofrido, sentindo a dor intensa de um facão cego batendo em seu pescoço que não era cortado, mas amassado até os músculos, os nervos e as veias se romperem.
Distraído por essas visões perturbadoras ele se assusta com um click atrás de si. Outro homem, trajado de terno e roupa social segura uma arma apontada para ele.
— Saia de perto do meu parceiro – berrou o cara – você o matou!
— Eu não fiz nada – gaguejou o primeiro homem – quando cheguei aqui ele já estava assim – apontou para o corpo semi-degolado sem ousar tirar os olhos do cara armado. Foi aí que ele viu um distintivo preso feito um broche no terno do homem, e suas mãos que seguravam um 38 estavam manchadas de sangue. PÁ, PÁ, PÁ...
Na base da torre um coral canta, “noite feliz, noite feliz...”
Notas finais
Por favor comentem dicas do que eu preciso melhorar.
Obrigado.
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