Noite De Estrelas.

1 Capítulo 1 - Nuit dEtoilles.


Notas iniciais
Para minha querida amiga Ariane Haagsma, e todo seu amor por nossa arte e cultura clássica.

Estava quente, mais do que eu possa lembrar. Teria sido o nervosismo que tomara minhas mãos um instante, fazendo o suor brotar entre as entranhas dos dedos, ou seria mesmo o calor? Quisera saber. Talvez fosse apenas a sensação desgastante de ter os dedos parados depois te tantas horas de treino. Fora, sim, conjucturalmente desgastante.

O dia passara rápido demais. Acordei já apressada, correndo pelo quarto, procurando o que fazer. Arrumando tudo. Buscando por tudo. Tudo parecida ter desaparecido dos meus olhos, ou meus olhos estavam cansados demais para procurar. Sentei-me na cama, olhei para meus pés. "Não seria uma má ideia voltar a dormir", pensei. Por vezes olhei para a porta do quarto, imaginando-me passar por ela, e deitei. Dormi até o almoço chegar.

A tarde fora ainda mais rápida. Todos aqueles ensaios! Por que? Já não eu fizera o ano todo o trabalhoso e disciplinado estudo de tudo o que deveria apresentar hoje? Mesmo assim, havia dúvidas. Dúvidas de que eu iria falhar, que todo esforço e dedicação eram em vão na prol de meu talento. O que se seguiria, pois? Nada. Apenas Deus sabia se eu deveria ou não cumprir aquela sina, porém, sabia eu que no fim, no fim mesmo, eu estava certa em não desistir.

Eram nove horas da noite. A cortina se abriu. Todos no teatro me olhavam curiosos, vendo aquela pessoa estranha, vestida de uma forma ainda mais estranha, posicionar-se no meio do palco, ajudada pelas mãos do maestro, como se tivesse dificuldade para andar. Fiquei gradualmente parada, imóvel, pouco movendo meus olhos, controlando a respiração para não mover muito meu vestido. Era, sim, uma perfeita boneca.

Se tudo não tivesse sido tão perfeito, eu diria que colocava ali minha face a bater pelo mero erro cometido, aspecto dado, sendo que nenhuma nota fora erroneamente colocada ou executada. Ao sair do teatro, aos brandos e afetos, olhei para o céu. Deus sorriu para mim, mas não como das outras vezes.

Nunca contei tantas estrelas a minha volta e, intimamente, jamais me sentira como uma. Há tempos.

Notas finais
Tolinha narração que saiu do fundo da minha alma.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!