Noite Das Trevas
3 Valeu Rachel!
Notas iniciais
Eu nunca fiquei tão surpresa, vermelha, feliz e triste ao mesmo tempo! Sam me abraçou e ficou falando pra Nathy: “Eu já sabia!” enquanto pulava de alegria. Nathy veio me abraçar e dar os parabéns, agora, eu seria irmã da Sam, que, aliás, é muito parecida comigo.
Nathy e Sam me levaram até uma grande e bela casa branca e azul e disseram que iriam pegar umas coisas. Entramos lá e vi umas malas, alguém parecia ter chegado de viagem, era uma grande mala de viagem, uma mala de mão e uma bolsa que me pareceu um tanto familiar... Eu tinha uma igualzinha!
—Giuh! Essas malas são suas, seu pai as deixou aqui enquanto você estava desacordada. — disse Nathy.
—Quanto tempo eu fiquei desacordada?
—5 dias. — disse Sam
—O QUÊ? CINCO DIAS?
—Elas ficaram aqui enquanto você não acordava, agora elas vão pro chalé seis.
Toquei meu pescoço, aquele colar ainda estava lá, pra testar, eu segurei ele e então aconteceu denovo, ele se transformou no arco e aljava que havia visto antes, a aljava era preta e prata com lindos detalhes e o mesmo símbolo do meu colar bem grande no meio, e também continha àquela faca de bronze, agora limpa.
—O que aconteceu na luta depois de eu partir pra cima da Equidna com a faca de bronze?
—Você atacou Equidna, mas não sabe usar essa faca de bronze direito, então errou, ela te mordeu, você agarrou o pescoço dela, ela te jogou longe, você tentou cair de pé, sua perna quebrou, a esse ponto o veneno ainda corria em seu sangue, você começou a ter convulsões, enquanto eu matava Equidna Nathy chamou Warbler, seu cão infernal, matei Equidna, subimos no Warbler, viemos ao acampamento e o resto, você já sabe.
—Você tem mesmo um cão infernal?
—Sim, ele se chama Warbler, vou chamá-lo. — ela chamou seu cão, quando olhei era só um pastor alemão, mas ele foi se transformando em um grande cão preto. — Lindo não é?
—Sim! Ele é.
Nesse momento, o centauro entrou na sala onde estávamos, ele disse:
—Desculpe interromper, mas acho melhor vocês irem pro seu chalé! Olá Giuh, meu nome é Quíron, amanhã eu tenho que falar com você! Boa noite!
Assenti, peguei minha bolsa e Sam pegou a mala de mão e a mala de rodinhas e me ajudou a levá-las para o chalé, nos despedimos de Nathy e entramos no chalé seis. O estranho era que não tinha ninguém nele, eu parecia ter visto tanta gente no pavilhão do refeitório...
—Sam, cadê todo mundo?
—Estão nos quartos, lá embaixo, segredo de estado ok?
—Pode deixar!
Fomos ao fundo do quarto e afundamos o bico da coruja, apareceu um elevador, ele se abriu com um plim e entramos. Sam apertou andar 1 e esperamos o elevador descer ouvindo Lean on me, do Glee, a nossa música. Quando o elevador abriu, eu fiquei de boca aberta.
Era o maior e melhor quarto de todos os tempos, tinha muitas camas, e cada uma tinha uma cama, um criado mudo, um baú e um painel magnético para fotos. E no pedaço de parede de cada uma havia um papel de parede diferente. A cama da Sam era logo ao lado da minha, a minha cama parecia ser bem confortável e a parede era branca, pois não tinha nenhum papel de parede ainda.
Deixei minhas malas perto da cama e percebi que tinha uma escada no fim do quarto, Sam me levou até lá e me ajudou a subir. Na parte de cima, havia três portas, entramos na primeira porta, era o banheiro, tinha um Box pra cada um, e no fim do banheiro tinha as privadas e três banheiras que eram revezadas.
Na segunda porta ficava o closet, cada closet para três pessoas, o meu era dividido com Sam e Brianna, tinha espelhos e para todas as garotas, sapatos de todos os tamanhos e tipos que Sam disse que foram um presente de Afrodite para as garotas do chalé seis, por terem ajudado a deusa.
Na última porta, estava a sala de diversão, tinha videogames, videogames em realidade 3D, videogames de arquitetura, computadores, laptops, televisão, tablets, ipods, aparelhos de som e tudo mais que você possa imaginar de aparelhos eletrônicos.
Peguei minhas malas, guardei as roupas no closet, os xampus e condicionadores no banheiro e as coisas pessoais no criado mudo e no baú. Tomei um banho com cuidado para não molhar o gesso, pus meu pijama e fui dormir, dessa vez, ouvindo música.
Quando acordei pela manhã, levantei, tomei banho, coloquei minha calça jeans preta e uma camiseta do acampamento que Sam arranjara pra mim, pus meu All Star de couro e saí. Encontrei Nathy e Sam do lado de fora, elas estavam com seus amigos de novo, mas dessa vez não liguei.
—Olha só! A bela adormecida acordou! — disse Sam.
—Bom dia! — respondi.
—Olá! — disse Nathy.
Fomos tomar o café da manhã, como de costume joguei comida ao fogo mas agora com uma prece diferente: “ Á minha mãe Athena, obrigada “. Depois fui falar com Quíron, como ele havia me pedido. Entrei na Casa Grande e dei de cara com Quíron na varanda, ele fez sinal para que eu me sentasse ao seu lado.
—Você Giuh, é uma filha de Athena especial, possui um dom especial, suas amigas me contaram sobre a luta, sobre suas habilidades.
—Desculpe senhor, eu não compreendi. Que dom? Que habilidades?
—Ás vezes, os filhos de Athena podem nascer com um dom especial que não seja somente telepatia, às vezes eles podem nascer com habilidade de explodir o cérebro das pessoas e ás vezes, telecinese, habilidade de levitar as coisas. — disse Quíron.
—Ah, entendi.
—Pelas experiências que você passou, como com aquela garota da escola, aquela experiência da pedra, vou fazer um teste com você.
—Tá bom!
—Vou colocar um boneco de pano ali, você vai ter que levitar a faca, mirar no alvo, e atirar a faca apenas com o poder da mente. — Assenti.
Concentrei-me na faca, “Ela tem que levitar” pensei, então ela subiu, bem devagar, mirei no boneco e pensei: “Agora!”, faca voou e fincou-se no coração do boneco. Quíron sorriu, só podia ser uma coisa, eu passara em seu teste, eu tinha a telecinese.
—Além de você possuir a telecinese, você possui um arco e aljava, o que é incomum, por ser filha de Athena, o seu presente divino normalmente teria de ser uma espada ou adaga. Mas parece que você recebeu algum tipo de bênção, ou foi apadrinhada, deixe-me pensar... — Então ele olhou meu colar e esboçou outro grande sorriso. — Posso ver esse seu colar? — Entreguei meu colar a ele. — Mas é claro! A lua, símbolo de Ártemis, ela te abençoou e apadrinhou! Como ele se transforma em arco? — Peguei no pingente de lua e segurei-o. Imediatamente ele se transformou em num arco e aljava, os mesmos de antes, aquele provavelmente era o sonho de qualquer arqueiro, seja mortal ou meio-sangue, ganhar um arco de presente da própria deusa Ártemis, pois até Quíron, quando viu o arco e, principalmente, a aljava ficou com os olhos brilhando como se fosse uma criancinha que viu o novo brinquedo de seu coleguinha de classe.
Quíron me passou o horário de aulas de todas as modalidades e me dispensou, agora meu arco já estava em forma de colar novamente, então saí.
Encontrei Nathy do lado de fora, ela disse que Sam estava na aula de esgrima e havia mandado dizer que iria diretamente para o chalé depois, Nathy quis saber o que Quíron havia falado pra mim lá dentro.
—Nada demais, eu só descobri que tenho telecinese, sou abençoada e apadrinhada por Ártemis, a deusa da caça e que esse colar que sempre uso, na verdade é um presente de minha titia Ártemis.
—Nossa, mas que demais! Não é todos os dias que uma deusa, principalmente essa, apadrinha alguém!
Me despedi de Nathy e voltei ao meu chalé, Sam não estava lá, então tentei me enturmar. Cheguei perto de uma menina que dormia na cama em frente à minha.
—Olá! Meu nome é Giuh! Gostaria de saber como faz para por o papel de parede ali na parede.
—Bem vinda! Meu nome é Lívia, e quanto ao papel de parede, é só imaginar como você quer e tocar na parede para ela ficar.
—Obrigada Lívia! — Toquei na parede e o papel de parede que imaginei ficou lá.
—Imagina! Você já conheceu nosso chalé todo? Aposto que não!
—Conheci a parte de cima e aqui no quarto, mas tem mais algum lugar?
—Temos mais dois andares.
Entramos no elevador e estava tocando Paradise, ela apertou o andar 2 e descemos, quando a porta se abriu, havia um quarto igual ao nosso, só que para meninos, Lívia me apresentou rapidamente o quarto e depois descemos para o andar 3, que era um covil, onde cada um tinha uma escrivaninha, cadeira confortável, prateleira e um daqueles murais de imãs, mas dessa vez cada um tinha um projeto de arquitetura diferente, Lívia apontou para a minha mesa, era uma no fim do covil, e estava vazia.
Me aproximei da mesa e vi que havia um jogo de esquadros completo, réguas, transferidores, lápis de cor profissional, lápis de todas as espessuras, vários tipos de borracha, folhas de papel Canson e folhas sulfite de vários tamanhos.
Quando voltamos ao quarto, Sam já havia chegado, e também tinha acabado de tomar banho, ela deu um abraço de urso em Lívia e em seguida, em mim.
—Você é uma irmã muito desnaturada! Nem apresentou o chalé pra irmã nova!
—Desculpe Liv, nem tive tempo... Mas o que achou do nosso chalé Giuh?
—Amei! Principalmente o covil!
—Ai que bom! Agora vamos lá pra sala de videogames conversar!
Subimos na sala de videogames e ficamos lá, batendo papo, nem vimos a hora passar, quando percebi, já eram 4:20, quase a hora da aula de arco e flecha, que era 4:30. Levantei e saí correndo (ou quase isso), tomei banho, me troquei, subi e saí do chalé com muita pressa. Chegando lá a aula já ia começar.
—Que bom que você veio, achei que tinha perdido a hora! — disse Jenny.
—Pois é! Eu quase perdi a hora!
—E onde está seu arco?
—Aqui. — Disse isso e apertei meu colar, que se transformou, e Jenny ficou super com aquela cara de criança que viu o brinquedo novo do coleguinha de classe.
—Que demais! Quem te deu?
—Titia Ártemis.
—Uau!
—Meninas, parem de conversar! Estão fazendo o exercício que pedi?
—Sim, senhor! — respondemos.
Após a aula de arco e flecha, que por sinal, todos estavam babando no meu arco, voltei ao chalé, tomei outro banho e fui jantar. Sentei com Sam e Liv na mesa do chalé seis, comemos, depois Quíron bateu com seu casco no chão.
—Campistas! Devo informar-lhes que a nosso jogo de captura à bandeira foi adiado para amanhã, então preparem-se e formem suas alianças, novamente será Athena contra Ares! Estão dispensados!
Fomos para a fogueira cantar e comer doces, quando uma garota ruiva que parecia mais um hippie se levantou e veio em minha direção, os campistas pararam de cantar e ficaram só observando, então ela olhou para mim com aqueles olhos verdes penetrantes e disse, com uma voz que com certeza não era dela:
—“A filha de Atena tem de salvar,
o que roubaram de Ártemis, Athena e Ares encontrará,
e muitos desafios ela terá que enfrentar,
a inteligência ela terá que usar,
pois algo grande irá te esmagar
uma lição você vai aprender,
e alguém não vai sobreviver.”
E com essa profecia animadora, Quíron encerrou a Fogueira. Voltei para o meu chalé muda, sem dizer uma só palavra, estava em estado de choque, entrei no quarto, troquei de roupa e fui deitar, só que dessa vez custei a dormir, porque estava chorando.
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