Noite Das Trevas

1 O Poodle dá uma de Pit Bull


Notas iniciais
Espero que gostem!

A leve brisa batia em seu pequeno e doce rosto, seus olhos, da cor da tempestade, brilhavam ao brilho suave da lua.

—Sim, ela é realmente bonita!O que pretende fazer com ela? Já que ela possui esse notável dom.

—Deixá-la com o pai, é claro! Ártemis, minha amiga, sinto que ela terá um importante papel no futuro. Irei protegê-la na medida do possível, já que não posso demonstrar favoritismo.

—Então você quer a minha benção?

—Não é óbvio?

14 anos depois...

—Vamos, filha, você vai se atrasar para a escola.

“Só mais cinco minutos”, pensei, ainda sem saber ao certo se estava acordada ou ainda dormia. Deixe-me apresentar, meu nome é Giuh Mayflower, tenho 14 anos, olhos cinza, um metro e sessenta e sete, cabelos castanho-avermelhados e hoje é o último dia de aula.

Levantei, coloquei meu sweater preto, minha saia, calcei meu All Star cano médio de couro preto e desci para tomar café da manhã. Moro com meu pai, Lucca, em Manhattan, Nova York.

—Bom dia filha. Empolgada para o último dia de aula?

—Aham...— na verdade eu não estava e ele percebeu isso.

—Vamos, já está acabando. Só mais hoje.—disse ele, me deu um beijo na bochecha e saiu para trabalhar.

Meu pai trabalha numa universidade como professor de Biologia e por isso ele exige muito de mim, mesmo sabendo que tenho dislexia e TDAH. Minha mãe? Bem, ela me abandonou quando eu era bebê, tudo que tenho relacionado à ela é um colar e vagas lembranças da sensação de ser aninhada à seu peito.

Terminei meu café, peguei minhas coisas e coloquei os fones de ouvido, atravessei a rua e parei em frente à escola. Mal podia esperar para me livrar daquele inferno.

Entrei na escola e fui direto para o meu armário, peguei meus livros e quando fechei o armário lá estava ela, a menina que eu mais odeio, vinda das profundezas do inferno: Brianna Benson.

—Oi bruxa!— disse a loira, com um olhar de desdém.

Deixe-me explicar como surgiu esse apelido. Era o primeiro dia de aula, eu estava entrando na sala quando, segundo ela, eu “acidentalmente tropecei” em seu pé esticado e todos riram de mim. Eu fiquei com tanta raiva que desejei que uma pedra atingisse seu lindo rostinho angelical e inexplicavelmente uma pedra atravessou o vidro da janela da sala, indo de encontro a sua face. Desde então eu sou a bruxa.

Fechei meu armário e fui para a sala ignorando seu olhar maldoso que me seguia. Abri a porta e me deparei com as minhas melhores amigas (não que eu tenha muitas), a Nathy e a Sam.

Nathália é loira, baixa e é meio gótica, seu apelido é Miss Darkness. Sam é alta, tem os cabelos castanho-claro e tem os olhos iguais aos meus, ela é muito palhaça e parece muito comigo, seu apelido é Srta. Wikipédia.

Conversamos sobre a lição de casa e sobre como estávamos animadas para aquilo tudo acabar, pra voltar só dali a 3 meses.

Depois de longas três aulas, fomos comer nossos hambúrgueres no intervalo.

—É o seguinte, hoje é o último dia de aula, a Brianna veio e que tal pregarmos uma peça? Ninguém vai saber. — sugeriu Sam.

—Acho digno.— Olhei para Sam e ela olhou para mim, nós já tínhamos um plano.

Bate o sinal, quinta aula: Arte. Nathy começa a irritar Brianna, ela dá piti, colocamos a bisnaga de tinta em sua cadeira de modo que quando ela sentar, sua calça importada de marca francesa fique toda suja, saímos da sala discretamente e corremos para a aula de Português. Está tudo dando certo, quando aparece a senhora Briggins.

—Pra minha sala, agora!

A senhora Briggins era uma mulher de quarenta, quarenta e poucos anos, gorda e muito, muito feia. Ela sempre andava com um mini poodle toy maquiavélico e inexplicavelmente irritante. Uma vez, o pequeno poodle mordeu a perna do lixeiro da escola e arrancou um pedaço, sem falar que ele ficou sem as calças.

Entramos na sala dela e nos sentamos, ela trancou a porta, o que eu achei meio esquisito, algo me dizia que eu não deveria estar ali. Nathy e Sam se entreolharam e pareciam estar conversando sem dizer uma única palavra. Até que eu lembrei que conseguia ler mentes e ouvir pensamentos, não que eu me gabe disso, muito pelo contrário.

—Chegou a hora, devemos tirá-la daqui e levá-la para o acampamento.

—Vou chamar o Warbler. —concordou Nathy,

—Vocês vão me levar aonde?

—Não há tempo para explicar! Apenas mantenha-se viva!

Logo que me virei, a diretora nos encarava fixamente, seus olhos brilhavam mais do que o normal.

—Me dê! Me dê e nada de mal acontecerá com vocês!— eu achava que ela estava falando dos doces que eu fiz flutuar da cantina.

—Desculpe-me, eu só estava com fome. Eu...eu devolvo tudo.

—Não estou falando de doces! Me dê logo!

—Mas eu não peguei nada!

—Essa foi sua última chance, mas que pena!

Ela começou a crescer e crescer e virou uma personagem que eu conhecia bem das aulas de história: a Equidna, um monstro mitológico meio mulher e meio serpente, e seu cachorro deixara de ser pequeno e felpudo, se transformando numa criatura com cabeça de leão e cauda de serpente, a Quimera. Não queria acreditar no que estava acontecendo, não podia ser real, devia ser mais um daqueles meus devaneios.

Olhei para o lado e vi Sam e Nathy empunhando espadas, definitivamente não podia ser real. Sam me disse em pensamento para pressionar o colar de minha mãe, logo o fiz. Então surgiu em minhas mãos um arco prateado e em minhas costas uma aljava preta e prata.

Quimera fez posição de ataque, o que me despertou de volta à realidade. Peguei uma flecha e pus em prática o que aprendi nas aulas de arco e flecha que meu pai pagara todos esses anos. Acertei no olho direito da Quimera, que urrou de dor. Continuei atirando flechas até que acertei em seu peito e o monstro virou pó. Depois, percebi que tinha uma faca dourada num compartimento da aljava, peguei a faca e parti para o ataque, confiante demais para perceber a tolice que estava prestes a fazer. Equidna me viu chegando e me mordeu, seu veneno logo entrou na minha corrente sanguínea e eu perdi um pouco a noção do que acontecia a meu redor. Senti meu corpo flutuar no ar pra trás, com uma velocidade absurda, e logo me vi caída no chão.

Nathy me pegou no colo e gritou alguma coisa, apareceu um cachorro gigante e me lembro só de ter subido nele, depois foi escurecendo cada vez mais e finalmente tudo se apagou.