Noite Das Trevas
6 Adeus Majestades!
Notas iniciais
Muita gente teria entrado em desespero, começado a chorar ou então dizer que precisa de uma missão para encontrá-la, mas minha reação foi diferente.
Pra falar a verdade, eu não me importava nem um pouco.
Quero dizer, o que ela já fez por mim até agora? Por que eu deveria salvar uma deusa que me abandonou com o meu pai e nem mandou sequer um presente de aniversário? Por que salvá-la se ela nunca se importou pelo fato de que no dia das mães eu nunca pude dar um presente pra minha verdadeira mãe? Por que ajudar se o único trabalho que ela teve foi me colocar num cesto de ouro e me largar na porta do meu pai?
Dei um abraço em Sam e antes que eu pudesse falar alguma coisa, Quíron convocou um conselho de guerra de emergência.
Fomos para a Casa Grande, estavam todos lá: Jenny, filha de Apolo; Oliver, filho de Zeus; Eric, filho de Dionísio; Luana, filha de Afrodite; Nathy, de Hades; Sam, de Athena; Gustavo, de Poseidon; Sean, de Hefesto; Taylor, de Ares; Daisy, filha de Deméter e alguns outros que eu não conhecia.
—Agora, uma parte da profecia está clara, Acharão o que foi roubado e aqueles que foram sequestrados, vocês devem achar Athena e os símbolos.— disse Luana.
—Legal, então temos que ir para a Itália, achar minha mãe, um escudo, um espelho e uma quadriga. Confere? — perguntei.
—Confere, agora vão para a fogueira. — disse Quíron.
Todos saíram correndo e eu ia logo atrás, junto com minhas amigas. Chegamos na fogueira, assamos marshmallows e cantamos, estava sentada ao lado de Nathy, olhei para trás e Alex fez sinal pra eu sentar ao lado dele, levantei deixando Nathy sozinha com Gustavo, num outro canto, estavam Sam e Nick, aos beijos.
Me sentei ao lado de Alex, e ficamos cantando as músicas do acampamento, ele tinha uma voz linda, e aquele sorriso maravilhoso. Cantamos tão alto que a fogueira chegou a 4 metros de altura, estava começando a esfriar, talvez Quíron quisesse que esfriasse, comecei a tremer de frio.
—Giuh está tudo bem? — perguntou Alex.
—S-sim, só estou com um p-pouco de frio. — disse.
—Toma, usa isso.— me deu sua blusa.
—Obrigada. —vesti a blusa e logo me senti melhor, ela tinha o cheiro dele, uma mistura de eucaliptos e canela, a blusa ficou um pouco grande, era dois números acima do meu, era um moletom vermelho da GAP.
—É lindo. — ele disse.
—O quê? — eu perguntei.
—Seu sorriso. — ele disse e eu comecei a corar, sorri e desviei o olhar.
—Campistas, hora de se recolherem em seus chalés, lembrando que amanhã Giuh e seus acompanhantes sairão em sua missão, logo ao amanhecer! Boa noite!. — disse
—Então tchau, até amanhã! — eu disse a Alex.
—Tchau!—ele me disse.
Levantei e fui para o meu chalé, sorrindo loucamente. Quando cheguei lá, me dei conta de que ainda estava com o moletom de Alex, prometi que levaria na manhã seguinte. Tomei um banho rápido, coloquei meu pijama e fui deitar, só que dessa vez, tive um sonho.
Era uma sala escura, com uma única luz vinda do teto, me dei conta de que eu conseguia distinguir as coisas, num canto da sala, havia aquelas coisas onde se guardam os objetos caros do museu, com um vidro. Olhei dentro e vi o que deveria procurar: O espelho de Afrodite e o escudo de Athena, a quadriga de Ares não estava lá, talvez porque fosse muito grande para colocar lá. Então, alguém falou comigo, uma voz que fazia com que meu corpo começasse a tremer, e quando começou a falar, a sala ficou ainda mais escura, como se as trevas quisessem engolir tudo o que havia dentro dela.
—Isso pequena semideusa, este é o lugar onde estão as coisas mais preciosas que você pode imaginar, agora como cortesia, olhe o que acontecerá em sua missão. — disse a voz.
Então meu sonho mudou.
Estava navegando em alto mar, quando de repente o navio começou a sacudir, alguém gritou e foi puxado para fora do navio, não conseguia distinguir de quem era a voz, só sabia que era de uma semideusa familiar. A voz riu, uma risada maligna ficando cada vez mais alta, até que eu acordei, suando frio e com dificuldade de respirar. Olhei no relógio, eram 5:00 h da manhã, levantei, com medo de ter outros sonhos e fui me aprontar para a missão.
Eram 7:00 quando subi a Colina Meio Sangue, indo ao encontro de meus amigos, Nathy, Jenny, Argos, Quíron e Alex já estavam lá. Ficamos conversando quando Sam subiu a colina correndo, desesperada.
—Nick não vai!—ela disse.
—Por quê?—perguntou Alex.
—Ele está muito doente, não consegue nem levantar da cama.— disse Sam.
—Você vai ficar com ele?— perguntei.
—Não, ele vai ficar bem.— disse Sam.
—Devo escolher outra pessoa?— perguntei.
—Não dá tempo, vão assim mesmo.—disse.
Gustavo chegou correndo, para a alegria de Nathy, enquanto corria, a mala batia em sua coxa, dava impressão de que ele ia cair e sair rolando morro abaixo, até que não seria tão ruim.
—Vamos?—perguntou Gus.
—Então o retardado resolveu ir à missão...—disse.
—Dá pra parar os dois!—disse Nathy.
—Ok, vamos! Corrida até lá embaixo?— perguntou Sam.
—Pode ser.—disse Jenny.
—1,2,3 VAI!—gritou Sam.
Todos saíram correndo com exceção de Alex e eu, fomos andando e estávamos no meio do caminho quando lembrei de devolver o moletom.
—Aqui, seu moletom, obrigada.—disse.
—Pode ficar pra você, eu tenho outros.—disse Alex.
—Obrigada.—disse, apertando forte o moletom contra o peito.
—Vamos, Argos está esperando.—disse Alex.
Subimos na van do Acampamento e seguimos rumo a Manhattan. Argos nos deixou na Roosevelt Island, o mais longe que podia ir, de lá, iríamos a pé ou de ônibus. Seguimos andando até um ponto de ônibus e embarcamos num que parava na Park Avenue, bem próximo ao Central Park, de lá, iríamos a pé.
Quando desembarcamos, seguimos andando por Manhattan, estávamos tranqüilos, até que ouvimos um grito vindo de um beco e corremos para ver quem era. Chegando lá, encontramos uma menina de mais ou menos uns 11 anos tentando se esconder de uma mulher-cobra, sacamos as armas e corremos para ajudá-la.
—Di immortales! Uma dracaenae! —disse Sam.
—Uma o quê?—perguntei.
—Depois eu te explico! Vamos ajudá-la!—disse Jenny.
—Deixem comigo!—disse.
Preparei uma flecha, mirei e atirei. A flecha a acertou em cheio e ela se dissolveu em pó, a menina olhava assustada para nós, agora que ela estava parada consegui vê-la com nitidez, era um pouco baixa, tinha cabelos pretos encaracolados, olhos que pareciam violetas. Nos aproximamos dela e ela recuou, dizendo:
—Por que vocês me ajudaram? Quem são vocês?
—Calma garota, somos amigos, nós salvamos você daquele monstro.—disse Alex.
—Venha com nós, vamos almoçar, quer comer alguma coisa?—perguntei.
—Eu... obrigada, quero sim, mas não tenho dinheiro.—ela disse, ainda meio desconfiada.
—É por nossa conta.—disse Nathy.
—Obrigada.—ela disse.
—Como você se chama?—perguntou Sam.
—Cherry, Cherry Janking.—ela disse.
—Nome bonito, vamos.—disse Gus.
Saímos do beco e fomos a um MC Donalds que tinha bem próximo, enquanto comíamos, eu e Sam tivemos uma conversa mental:
—Vamos ficar com ela?—perguntou Sam.
—Não sei... pensei em chamar algum sátiro pra ela.—eu disse.
—Não! Você não percebeu? Ela é o sétimo elemento dessa missão.—disse Sam.
—Então ficamos com ela.—respondi.
Olhamos para ela, que devorava seu Big MC. Resolvi contar a verdade para ela, mas Sam falou primeiro.
—Cherry, sabe aqueles monstros, deuses e heróis da mitologia grega?—perguntou Sam.
—Tipo aquele que aquela menina matou?—ela disse apontando pra mim.
—Sim, esses mesmo, eles existem de verdade.—disse Sam.
—Eu já sabia!—exclamou Cherry.
—Lembra do Hércules? Ele era filho de quem?—perguntou Sam.
—Zeus e uma mortal.—respondeu Cherry.
—Ele era um semideus, metade deus e metade humano, não só ele, mas como todos nós, eu, meus amigos e você.—disse Sam
—Eu?—ela perguntou.
—Sim, você.—disse Sam.
—Onde estão seus pais?—perguntou Nathy.
—Meu pai não me quer em casa, então eu fugi. Minha mãe sumiu quando eu era pequena, logo após meu nascimento.—ela respondeu, meio triste.
—Sua mãe é uma deusa, qual nós não sabemos exatamente, mas iremos descobrir.— disse Alex.
—Praia, sol, tempestade, arquitetura, luta, agricultura, flores, roupas de grife, fogo, você gosta de algum desses?—perguntei.
—Não, nenhum desses.—respondeu.
—O que você sabe fazer de melhor?—perguntou Jenny.
—Não sei, só tenho 11 anos.— respondeu.
—Quando é o seu aniversário?— perguntou Sam, percebi que uma ideia começava a se formar em sua cabeça.
—Amanhã.—disse.
—Ah, vamos então, você ficará conosco até terminarmos o que temos que fazer, ok?—perguntou Nathy.
—Tá bom, mas como vocês se chamam?—disse Cherry.
—Eu sou Giuh, essa é Sam, aquela é Nathy, o de olhos verdes é o Gustavo, esse é o Alex e essa menina é a Jenny.—respondi
—Ah de quem vocês são filhos?—ela perguntou.
—Eu e a Giuh de Athena, Jenny e Alex de Apolo, Gustavo de Poseidon e Nathy de Hades.—respondeu Sam.
—Hades tipo, o deus dos mortos?—ela perguntou.
—Exatamente.—respondeu Nathy.
—Ok, apresentações feitas, agora vamos, temos que pegar um barco.—disse Gustavo.
Saímos do MC e seguimos pela W 57th Street até chegarmos a 12th Avenue e de lá seguimos rumo ao New York Passenger Ship Terminal. Chegando lá, lembrei que não éramos ricos e não dava pra pegar um navio sem a chave, e só teríamos a chave se pagássemos o navio.
—Então o que fazemos agora?—perguntei.
—Não dá pra chegar lá e pedir um navio emprestado pra atravessar o Oceano.—disse Cherry.
—Xá comigo galera, venham.—disse Gus.
Fomos até um vendedor e Gus começou a falar com ele.
—Olá camarada, gostaríamos de ver seu melhor navio.—disse Gus.
—Vocês tem como pagar crianças?—perguntou o vendedor.
—Tá vendo essas duas aqui? Ela são bisnetas de Abraham Lincoln, os olhos e cabelos, até as feições são iguais, você acha que não temos como pagar?—disse Gus, apontando para Sam e eu. Sam pareceu entender, pois deu um passo á frente e estalou os dedos, uma leve rajada de vento passou por nós e o cara parecia hipnotizado.
—Então, cadê o nosso navio, quer que eu ligue para minha mãe?—arrisquei dizer.
—Não majestade, não há necessidade, vamos para fora, o navio dos senhores está os esperando lá fora.—disse o atendente.
—Vamos, amigos.—disse, gostando um pouco de ser chamada majestade.
Seguimos para o lado de fora, escolhemos um navio um pouco melhor, mas segundo Gustavo era bem potente e iria aguentar viajar para o outro lado do Oceano.
—Obrigada por nos atender, adeus!—disse Sam.
—Adeus majestades!—disse o atendente, curvando-se diante de Sam e eu, depois voltou ao trabalho.
Subimos a bordo do barco que apelidamos de Cruise Gods, o cruzeiro dos deuses. Foi o que dissemos quando olhamos suas instalações, haviam 8 quartos, em cada quarto havia uma cama, um baú, uma televisão e uma escrivaninha. Além dos 8 quartos, tinha uma sala enorme com tvs, sofás, almofadas, tapetes e videogames, no fundo da sala tinha uma cozinha americana, os armários e a geladeira estavam recheados de comida e bebidas. No convés superior havia as coisas de um navio normal, quem olhasse, nem imaginaria que era um super navio.
Gustavo deu a partida e desancorou o navio com apenas acenos de mão, depois descemos e fomos escolher nossos quartos. O meu ficava entre o de Sam e o de Nathy, percebi que não tinha banheiros nos quartos e que só havia 1 banheiro no navio inteiro, revezaríamos os banhos.
Nas prateleiras encontrei um Atlas e folheei até achar um mapa da Itália, analisei o mapa e decidi que desembarcaríamos em Ligúria e depois seguiríamos para Toscana, especificamente Fucecchio e depois veremos o que fazer.
—Galera! Venham aqui na sala por favor!—gritei.
Depois de todos chegarem quer dizer, quase todos porque um senhor Gustavo estava dormindo e Nathy teve de acordá-lo.
—Bom gente, devemos desembarcar em Ligúria, bem aqui.—disse apontando para o Atlas.— Depois seguimos para Fuccechio, em Toscana, que é a minha terra natal.
—Toscana tipo a pizza?—perguntou Gus.
—Santa Athena! Prefiro ignorar. Então cara amassada, onde nós estamos?— perguntei.
—Hum, 37.212832,-62.050781, especificamente no meio do Oceano. —respondeu Gus.
—Ok, todos dispensados, podem voltar às suas tarefas!—disse.
Resolvi nadar um pouco na piscina, voltei pro meu quarto, coloquei meu biquíni e fui em pra piscina. Estava perfeita, dei um mergulho e quando subi levei um susto.
—Olá Giuh, a água tá boa?—perguntou Alex.
—S-sim, ótima.—sorri pra ele.
—Então, LÁ VAI BOMBA!—ele disse e pulou.
Ficamos nadando juntos, de vez em quando ele me jogava pra cima e depois eu caia feito uma bomba na água, ficamos juntos o dia inteiro. Era bom ficar com ele, eu me esquecia dos meus problemas, me sentia segura.
Mas não por muito tempo.
Ouvimos um rugido, logo atrás de nós, saímos da água e quando viramos tivemos certeza. Monstro marinho.
—Meu arco, ficou no quarto!—gritei.
—Deixa comigo!—gritou Alex.
Enquanto Alex lutava, fui tentando trazer meu arco, Nathy, Sam, Jenny, Gus e Cherry chegaram correndo, com armas nas mãos, Cherry usava um martelo, já que não tinha armas.
A luta seguia ao meu lado, Alex investia contra os monstros e eu esperava meu arco, Nathy, Gus e Sam apareciam às vezes para ajudá-lo. Quando meu colar atravessou a porta, ouvi um grito e vi Alex ser arremessado para longe, caindo com força na piscina. Nessa hora o meu sangue subiu e eu só tinha um objetivo, matar o monstro a qualquer custo.
Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Cherry largou o martelo e começou a brilhar num tom violenta muito semelhante ao de seus olhos, ela começou a levitar e disse:
—Sou Cherry Janking, filha de Hécate, sinta a ira de meus poderes!
E então ela levantou as mãos, formando uma enorme bola de magia roxa e jogou no monstro, que reagiu de forma inesperada e atacou-a. Antes que qualquer reação, ele a engoliu e se virou em minha direção.
—NÃÃÃÃÃÃÃOOOO!!!— gritei e mirei uma flecha, que o acertou em cheio, mas só o fez urrar de dor, se virar e ir em direção ao fundo do mar, levando consigo Cherry Janking, filha de Hécate.
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