Noise
1 único
Em seu sonho veio a imagem de um campo com lençóis pregados em varais. Todos brancos que balançavam junto ao vento e sob um céu azul.
Ele brincava de pega-pega com um garoto da sua idade, de cabelos verdes e pele morena, sorridente e travesso; mas que embora ainda corresse muito, não conseguia alcançá-lo. Cada vez mais seu campo de visão era coberto pelos tecidos brancos. Tinha a sensação de que não pararia de desviar deles e tudo se tornaria um grande labirinto de lençóis, onde Zoro continuaria distante e sorridente.
Assim que acordou, se viu com outro homem ao seu lado e até se assustou, não soube dizer como parou naquele apartamento de cobertura. Seu corpo nu, mais lençóis brancos — embora sujos —, dor de cabeça e cheiro de álcool além de tabaco, foram os reconhecidos a seguir.
Bufou por ter fodido com um aleatório mais uma vez.
Sanji se levantou vestindo sua calça largada no chão e foi até a sacada do quarto, enquanto ajeitava seus cabelos loiros pro penteado usual — um em que o olho direito ficava coberto. Como esperava de uma cobertura, a vista era ampla e pôde ver o sol nascendo no horizonte, entre os prédios mais altos da metrópole. A poluição sonora dos automóveis também já começava e sua ironia não via a hora em que tudo ficasse como uma melodia barulhenta metida a John Cage.
Tateou os bolsos da calça e agradeceu pelo maço estar ali e não precisar voltar pro quarto. Não queria ver o homem na cama, um mais velho e mais rico, mas mais nojento.
Tragou e assoprou.
Sonhara com um campo verde e um céu azul? Muito diferente do que estava vendo ali de cima.
Pular da sacada passou na sua mente quando pensou que assim não precisaria passar pelo quarto com o fim de ir embora. Pular de não sei aonde passava na sua mente todo momento que lembrava do término com Zoro.
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