Nobre Amor

3 Como Um Perseguidor Lida Com A Curiosidade


Notas iniciais
Boa Leitura! ^^

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Capítulo 3 – Como Um Perseguidor Lida Com a Curiosidade

Uchiha Sasuke acordou antes de o dia amanhecer. Seu corpo inteiro doía e ele se sentia muito fraco, mas o que mais o incomodava no momento era a dor em seu ego. De repente quando se lembrou do que havia acontecido, ele se sentiu um inútil. Como foi fácil cair assim na mão de bandidos? Ele se sentia ridículo por ter sido capturado com tanta facilidade e por pouco não conseguir escapar com vida.

Ele ouviu um leve ronco e virou a cabeça para o seu lado direito. Havia uma mulher de cabelos róseos deitada ao lado dele dormindo em um sono profundo. Sasuke a reconheceu de algum lugar, mas sua cabeça doía tanto que ele não perdeu tempo tentando se lembrar. Os olhos negros do Uchiha se estreitaram ao perceber que sua mão estava entrelaçada à dela.

Ele teve uma vaga lembrança da mulher na noite passada. Lembrou-se dela apavorada querendo chamar ajuda, depois em cima dele gritando para que acordasse. Ela limpou e costurou sua ferida e tinha adormecido ao seu lado. Sasuke só não se lembrava de como foi acabar de mãos dadas com ela.

Com muita dificuldade, Sasuke conseguiu se levantar sem acordá-la. A dor do corte em sua barriga era agoniante, seu corpo estava muito fraco, mas ele conseguiu ficar de pé. Ele retirou a agulha inserida em seu braço ligada a uma bolsa de soro e retirou a camisa branca rasgada e manchada de sangue. Uma rápida olhada ao seu redor, o fez perceber que aquela era uma clínica veterinária. Havia prateleiras de ração para cachorro e gatos, coleiras e acessórios de animais para todos os lados.

Sasuke balançou a cabeça lentamente e fitou a mulher deitada no chão. Sua vida tinha sido salva por uma médica de animais, ele não tinha do que reclamar, já que estava vivo. Ele realmente teve sorte. Mas a situação toda era simplesmente inacreditável.

Ao avistar um telefone no balcão, Sasuke se aproximou dele e imediatamente ligou para o secretário Lee.

—Uchiha-sama! – Berrou Lee do outro lado da linha. — Por Kami! Procuramos o senhor como loucos! Está tudo bem?

—Eu fui sequestrado, mas estou bem.

Levou quase cinco minutos para fazer Lee parar de berrar do outro lado e deixa-lo falar. Quando Sasuke finalmente conseguiu fazer Lee calar a boca, ele lhe passou o endereço da clínica que tinha visto em um dos cartões de visita espalhados pelo balcão e pediu que o secretário fosse busca-lo. E sem a polícia. Sasuke não queria que a notícia do seu sequestro virasse manchete. Tinha certeza de que seus pais iriam enlouquecer na América se descobrissem que ele tinha sido esfaqueado e ele odiava preocupa-los. Sua mãe era mulher muito dramática e exagerada.

Antes de sair, Sasuke pegou uma das camisetas que encontrou à venda nos cabides. Tinha várias cores, mas todos com o mesmo desenho: a de um cachorro lambendo a cabeça de um gato. Embaixo do desenho dizia: eu amo meu pet. Sasuke revirou os olhos, pegou a primeira que encontrou e a vestiu, era melhor do que sair com o peito despido.

Quando estava na porta, Sasuke lançou seu olhar mais uma vez para a mulher desacordada e parou. Ele não podia sair assim. Aquela mulher tinha salvado sua vida e ele odiava se sentir em dívida com alguém.

Com toda certeza ela iria exigir uma recompensa, por isso ele escreveu seu telefone em um dos cartões dela e deixou sobre o balcão. Assim que ela entendesse de quem era aquele número, entraria em contato, falaria seu preço por ter salvado a vida dele e ele não teria mais dívida nenhuma com ela.

~*§*~

Lee olhou pelo retrovisor a aparência horrível de seu chefe no banco de trás do carro e estreitou o olhar quando leu a frase na camiseta amarela que ele usava. “Eu amo meu Pet”. Amarelo certamente não combinava com Uchiha Sasuke. Lee não sabia se ria ou tinha um ataque de raiva pelos bandidos que sequestraram seu querido patrão.

—Pode prestar atenção no trânsito, secretário Lee. – Disse Sasuke ao perceber os olhos de seu funcionário sobre ele pelo retrovisor do carro.

—Fico feliz por estar bem, chefe. Estávamos todos mortos de preocupação quando vimos as câmeras de segurança. Eu já reforcei a segurança do prédio, isso não vai acontecer de novo, senhor!

Reforçar a segurança depois do que já tinha acontecido era burrice agora. Mas Sasuke não estava disposto a discutir com ninguém no momento, ele só precisava descansar.

—A sua mãe foi avisada do ocorrido, senhor. – Informou Lee um pouco acuado.

Sasuke bufou de raiva e fechou a cara. Ele ficou desaparecido apenas por algumas horas, por que tinham que contar à sua mãe? Arg! Ele queria bater em alguém agora!

—Ah, sua mãe, senhor! – Disse Lee retirando um celular do seu bolso. Ele entregou o aparelho ao Uchiha que tomou da sua mão com raiva.

Sasuke ouviu por um longo momento, olhando feio para o Lee antes de responder à mãe e dizer que estava bem. Ele não contou a ela sobre o ferimento para não preocupa-la. Disse que estava tudo bem, que foi apenas um susto. Foi difícil convencê-la do contrário, mas o Uchiha conseguiu fazer com que ela parasse de chorar e insistisse que ele tivesse um segurança pessoal.

—Oh, querido! Agora você percebe como a vida pode acabar rapidamente? Você precisa se casar logo! Já passou da idade, não acha?

Sasuke fechou os olhos e soltou um longo suspiro. Sempre que falava com a mãe ela vinha com esse papo de casamento. Ele apenas ouvia, porque discutir com aquela mulher não iria adiantar nada.

Sasuke não pretendia se casar nem tão cedo. Casamento não era uma prioridade para sua vida, para ele não era tão importante assim. Não entendia porque sua mãe o pressionava tanto sobre isso.

Depois de garantir a mãe, sem se sentir nenhum pouco culpado por mentir, que iria cuidar desse assunto mais tarde, Lee o levou para casa e chamou um médico particular. Ele não queria ir para um hospital e chamar atenção da mídia. A notícia do seu sequestro seria mantida em segredo. Uma das coisas que Sasuke mais odiava era ter sua vida pessoal exposta, por isso ele sempre era cuidadoso.

—O senhor só tem alguns hematomas. – Disse o médico depois de examiná-lo. – Causados, acredito, pela luta contra os bandidos. Seu ferimento à faca foi bem suturado. A pessoa que lhe deu os primeiros socorros é muito boa.

Sem poder evitar, o canto da boca de Sasuke subiu formando um meio sorriso. Ele realmente teve muita sorte daquela mulher encontra-lo e se preocupar o suficiente para salvar sua vida.

Mais tarde, enquanto Sasuke trocava seus curativos depois um longo banho quente, ele se lembrou do momento em que a veterinária disse que iria suturar a ferida e pediu para ele aguentar firme. Sasuke lembrou-se que foi a pior dor que já sentiu na sua vida, mas ele conseguiu suportar apenas porque ela lhe pediu.

Quão estranho isso parecia? Não fazia nenhum sentido. Ele deveria estar delirando por causa da perda de sangue, só podia ser.

~*§*~

A segunda-feira chegou e embora Lee insistisse para que ele tirasse mais alguns dias de folga, Sasuke não lhe deu ouvidos. Ele já tinha se recuperado totalmente e perder tempo em casa sem fazer nada não era o que ele tinha em mente.

Enquanto assinava e lia alguns relatórios em seu escritório, Sasuke não conseguia espantar da mente a veterinária que salvou sua vida. Ela já deveria ter ligado para ele em busca de uma recompensa. Por que estava demorando tanto?

Sasuke digitou o endereço da clínica em um site de buscas e novamente se questionou o motivo daquela mulher ainda não ter entrado em contato com ele. Quanto mais pensava nela, mais lembranças daquela noite apareciam.

O momento em que ela se afastou dele e Sasuke agarrou seu braço para que ela não fosse embora... Ele se lembrou nitidamente. Talvez foi assim que as suas mãos terminaram unidas. Sasuke não sabia por que tinha feito aquilo, novamente a explicação mais lógica era a perda de sangue que o deixou desabilitado e delirante.

Ele sacudiu a cabeça para espantar os pensamentos e tentou voltar ao trabalho.

Seu dia se arrastou lentamente no escritório. Ele não conseguia se concentrar totalmente no que estava fazendo, por isso foi embora mais cedo pela primeira vez na sua vida.

Alguma coisa o incomodava profundamente e ele entendeu que era a sensação de estar em dívida com alguém. Por que aquela maldita veterinária não entrava logo em contato com ele? Sasuke estava prestes a ter um ataque, quando percebeu que estava sendo ridículo.

Resolveu deixar para lá. Se a mulher ainda não tinha tentado contatar ele, era porque não queria nada em troca. Ele não tinha nada a ver com isso e nem deveria se sentir incomodado por estar em dívida com ela.

Sasuke permaneceu com esse pensamento até o dia seguinte enquanto se aprontava para ir ao trabalho. Depois de tomar banho, quando entrou no seu closet, ele encontrou em um dos cabides a camiseta amarela que pegou na clínica veterinária na manhã de sábado. Com certeza sua empregada deveria ter pendurado ali depois de lavar. Ela deveria saber que ele não usava aquele tipo de roupa. Suas camisas eram todas feitas sob medida e com os melhores tecidos que existiam na face da Terra! Aquela peça dentro do seu closet era uma ofensa à sua imagem!

Ele pegou o cabide com a intenção de joga-lo no lixo, mas não o fez. Colocou a camiseta de volta onde estava e xingou a si mesmo pelo familiar incômodo retornar.

~*§*~

—Aquele gangster mal-agradecido! – Reclamou Sakura jogando a camisa rasgada e manchada de sangue no lixo. – Como ele pôde ir embora sem dizer nada? Nem voltar para agradecer?

Por dois dias Sakura esperou que o estranho que ela ajudou voltasse à clínica para dizer pelo menos um obrigado. Ela até guardou a camisa dele para devolve-la. Mas agora tinha certeza que isso não iria acontecer, por isso a jogou no lixo.

Na manhã de sábado ela acordou com Marie fazendo uma grande bagunça no balcão da clínica. A gatinha tinha derrubado tudo que estava sobre o balcão, fazendo um barulho estrondoso.

Sakura não culpou a gatinha totalmente, embora tenha ficado irritada. Marie poderia ter feito isso um pouco mais cedo para que ela tivesse acordado antes daquele homem fugir.

Arg! Como isso era irritante!

Um cliente entrou na clínica e Sakura espantou todos seus pensamentos daquele gangster. Não iria mais se importar pelo mal-agradecido ter fugido. Talvez tivessem outros bandidos atrás dele, por isso ele não podia mais voltar a Konoha. Vai saber no que ele tinha se metido.

—Bem-vinda. – Disse ela com um sorriso para a mulher que entrou com uma cadelinha peluda.

A cadelinha Fifi só precisava de uma vacina, por isso foi uma consulta rápida.

—Hum, doutora... – Disse a dona com um meio sorriso enquanto assistia Sakura cuidar da sua cachorrinha. – Sabe me dizer quando ela poderá... Hum, você sabe... Namorar?

Sakura deu uma risada enquanto a dona ria encabulada pela pergunta.

—Ainda é cedo para ela. – Respondeu Sakura educadamente. – Ela ainda é um filhote.

—Oh, entendo. Ela já tem um pretendente e logo vai se casar. – Disse a mulher rindo novamente e olhando com olhos brilhantes para a cachorrinha. – Você também deveria se casar, sabe.

Sakura olhou surpresa pela mulher que nunca tinha visto na sua vida dizer isso a ela.

—Oh, não. Ainda não estou pronta para me casar. – Respondeu Sakura meio constrangida.

—Como não? Você é dona desta clínica e tem quase trinta anos, não é?

Sakura arregalou os olhos. Eu não tenho quase trinta! Ainda tenho vinte e sete! Pensou ela irritada. Como aquela mulher sabia disso?

Ah, claro. Cidade pequena. Ela sempre se esquecia que as notícias voavam soltas em Konoha e todo mundo sabia da vida de todo mundo.

—Qual o seu tipo ideal de homem? – Perguntou a mulher com um olhar estreito e um sorriso malicioso. Parecia que ela iria apresentar uma lista de homens solteiros à Sakura. – Conheço alguns que posso te apresentar...

A mulher deu uma piscada e Sakura quase se enfiou debaixo da mesa. Ela não precisava que uma estranha arrumasse um namorado para ela!

—Hum, deixa eu pensar... – Disse Sakura colocando um dedo no queixo. Ela queria esconder sua irritação, por isso resolveu brincar com a mulher. – Ele precisa ter mais de 1,80m. – A mulher engoliu em seco e ficou séria. – Ter um abdome definido e bronzeado. Ele pode ser um pouco insolente, mas ter uma voz bonita... Você sabe, do tipo que é charmoso, sexy, faça o que fizer...

A mulher deu uma risada sem graça e pegou sua cachorrinha sem dizer mais nada, lançando um olhar de escárnio para Sakura. Ela resmungou alguma coisa em voz baixa, que Sakura entendeu como: exigente demais para o meu gosto.

—Volte sempre! – Disse Sakura sorridente e acenando depois que a cliente pagou a consulta e foi embora olhando torto para ela.

Ela riu alto da cara de espanto da mulher. Fez aquilo de propósito, afinal uma estranha estava lhe dizendo que ela precisava casar porque estava passando da idade. Que absurdo! Ela parece ter mais de trinta e não vi um anel no seu dedo! Pensou Sakura revirando os olhos.

—Mais de 1,80m e abdome definido e bronzeado. – Disse ela rindo para sua gata. – Ei, Marie, acha que existe algum homem assim em Konoha? Se existe eu deveria convidá-lo para sair.

Sem poder evitar, a imagem do tal abdome definido e bronzeado apareceu em sua mente. O estranho que foi esfaqueado tinha uma barriga tanquinho tão impressionante que a deixou paralisada. Ela até sentiu arrepios só de lembrar.

Sakura sacudiu a cabeça e ficou séria novamente.

—Será que o ferimento dele está melhor? – Ela se perguntou pensativa e inevitavelmente preocupada.

~*§*~

—Esta é a informação da clínica veterinária que o senhor me pediu. – Disse Lee entregando ao chefe uma pasta. – A veterinária é a Dra. Haruno Sakura, ela tem vinte e sete anos de idade e...

—Vinte e sete? – Interrompeu Sasuke impressionado. Ela parecia ser bem mais jovem.

—Sim. Algum problema, senhor? – Perguntou Lee confuso.

—Não é nada. Continue. – Disse Sasuke voltando a ler os documentos.

—Ela levou sete anos para concluir o curso de veterinária na faculdade e...

—Sete anos?! – Interrompeu Sasuke novamente.

—Seus pais já faleceram, senhor. Ela foi criada pelos avós e eles são donos de uma pequena fazenda. A Dra. Haruno precisou trabalhar meio período para pagar seus estudos, acredito que por isso ela levou tanto tempo para se formar.

Sasuke voltou sua atenção para os papéis. Seus olhos ficaram um momento perdidos na foto dela e ele teve a sensação de que a conhecia de algum lugar, mas não conseguia se lembrar de onde.

—Ela tem uma dívida de empréstimo grande que pegou para abrir a clínica, além do empréstimo que fez para pagar as mensalidades atrasadas da faculdade. – Continuou o secretário Lee. – Se o senhor a recompensar bem, isso será lembrado como uma história comovente e rara nessa empresa.

—Eu não vou fazer isso. – Interrompeu Sasuke mal-humorado.

—Como? – Perguntou Lee chocado.

—Se fizer isso, haverá arquivos confidenciais sobre nossa empresa na Wall Street. Não quero que esse tipo de publicidade chegue até minha família na América.

—Entendo. – Murmurou Lee, concordando em parte com o chefe. O secretário acreditava que não seria uma publicidade negativa, mas ele não era corajoso o suficiente para discordar do CEO.

Lee ainda não entendia porque o Uchiha não gostava de ser elogiado pela sua bondade ou pelo seu coração generoso. Era como se ele gostasse que as pessoas o vissem como um monstro sem coração.

—Vou esperar para ver. – Disse o Uchiha guardando as informações da Dra. Haruno de volta na pasta. – Quando ela virá e quanto vai pedir. Tenho a sensação de que não vai demorar muito.

~*§*~

Duas horas depois.

Escritório do CEO Uchiha.

—Ainda não teve notícia da Dra. Haruno Sakura? – Perguntou Sasuke ao secretário Lee.

—Não, senhor.

~*§*~

Uma hora e vinte minutos depois.

Sala de reuniões do quinto andar.

—Haruno Sakura ainda não nos procurou, secretário Lee?

—Ainda não, senhor.

~*§*~

Trinta minutos depois.

Elevador principal.

—Ela...

—Ainda não.

Sasuke olhou torto para seu funcionário que o interrompeu sem nenhum receio.

—De quem você acha que eu estava...

—Da Dra. Haruno Sakura. – Interrompeu Lee novamente. Ele parecia até sem paciência.

Sasuke o fuzilou com o olhar, mas o secretário Lee não recuou. Ele já deveria estar acostumado com aqueles olhares.

~*§*~

Dez minutos mais tarde.

De volta ao escritório do CEO Uchiha.

—Nada ainda? – Perguntou Sasuke de olhos fechados e a cabeça apoiada no braço sobre a mesa do escritório. Sua paciência já tinha se esgotado.

—Está falando de Haruno Sakura? – Perguntou Lee revirando os olhos. – Oh, sim. Nada ainda.

—Que se dane! – Disse Sasuke levantando a cabeça e dando um soco na mesa. – Eu vou até lá!

—O que?! – Gritou Lee de olhos arregalados.

—Eu preciso pagar o que devo!

Lee não acreditava que o chefe tomaria tal atitude, afinal ele o conhecia bem. Uchiha Sasuke não corria atrás de nada. Tudo que ele queria, ia até ele em um passe de mágica. A única coisa que ele tinha que fazer era ordenar.

Aquilo era muito estranho, pensou Lee confuso. Mas como sempre fazia, ele não disse nada. Apenas assentiu às ordens do chefe.

~*§*~

Sasuke dirigiu até a cidadezinha de Konoha e em menos de uma hora estacionou do outro lado da rua, em frente à clínica veterinária “Konoha Pet”. Quando tirou o cinto de segurança, um movimento no banco de trás do carro o fez pular de susto.

—Filho da...! Mas que droga! O que está fazendo aqui? – Perguntou Sasuke irritado colocando uma mão sobre o coração. Ele odiava ser surpreendido.

—Desde o sequestro fui orientado a não deixa-lo mais sair sozinho, Uchiha-sama. – Disse o secretário Lee seriamente. – Prometi à sua família que o senhor estaria fora de perigo.

Lee sorriu satisfeito e o Uchiha soltou um bufo de raiva. Como se fosse adiantar alguma coisa a presença daquele magrela se os bandidos tentassem pegá-lo de novo. Lee poderia até tentar lutar contra eles, Sasuke não duvidada de seu comprometimento com o trabalho. Mas ele não era capaz de defende-lo.

—Eu posso vir aqui sozinho. – Retrucou o Uchiha ponderando se era uma boa ideia expulsar Lee do seu carro naquele minuto.

Do outro lado da rua, Sasuke viu a Dra. Haruno sair da clínica atrás de uma mulher segurando um cachorro e sua atenção ficou totalmente nela.

—Como assim você não vai fazer banho e tosa na minha cachorrinha Fifi?

—Desculpe, senhora. Como eu disse não fazemos isso aqui. – Explicou Sakura educadamente, enquanto a cliente espumava de raiva. – Alguns cãezinhos ficam assustados quando são tosados e...

—Você está me fazendo parecer uma pessoa estranha! – Gritou a mulher de volta.

—Não foi isso que eu quis dizer, eu apenas...

—Que tipo de clínica veterinária não tosa?!

—Não fazemos isso aqui. Desculpe. – Disse Sakura inclinando-se respeitosamente para se desculpar, apesar de estar com vontade de tosar a cabeça daquela mulher.

—Pensei que fosse apenas exigente, mas também é arrogante. Você por acaso é rica? – Acusou a mulher antes de lhe dar as costas e sair pisando duro pela calçada com Fifi nos seus braços.

—Eu sinto muito! – Gritou Sakura enquanto a mulher se afastava. – Sinto muito!

Ela entrou de volta na clínica, enquanto Sasuke abaixava o vidro do carro para vê-la melhor. Toda a faixada da clínica era de vidro, por isso ele pôde assisti-la andar lá dentro de lá para cá, antes de sair novamente segurando um banquinho e um cartaz.

—Falei para ela tantas vezes que não fazemos tosa! – Ela subiu no banquinho para colar o cartaz em uma das paredes de vidro. – Ela ainda me acusou de ser arrogante! Ora essa! Ela acha que vou recusar algum serviço? Se eu tivesse tanto dinheiro assim para recusar e não estaria sempre com fome!

Sasuke observou a mulher conversando sozinha e esboçou um sorriso sem poder evitar. Lee, ao perceber a reação do chefe, se debruçou sobre os bancos da frente do carro e sorriu também.

—É a primeira vez que te vejo sorrir assim... – Disse ele animado.

Sasuke parou de sorrir no mesmo instante e lançou ao seu secretário seu famoso olhar estreito capaz de calar qualquer um em segundos.

Lee se calou e se sentou de volta arrependido por seu comentário. Ele sempre conseguia se segurar para não falar besteira para o chefe, mas dessa vez não conseguiu.

Sasuke voltou sua atenção para a Dra. Haruno, que agora estava na ponta dos pés escrevendo sobre o cartaz, mas ainda falava sozinha.

—Ela não conhece clínica veterinária que não faz banho e tosa! Mas agora vai conhecer!

Sakura desceu do banquinho e avaliou o seu trabalho. Depois ela suspirou por um longo momento, forçando-se a se controlar. O dia estava tão bonito! Ela deveria aproveita-lo de bom humor do que ficar se estressando por causa daquela cliente intrometida e barraqueira.

Ela fechou os olhos para sentir o calor do sol no seu rosto e sorriu, sem saber que estava sendo observada e que o homem que olhava para ela estava paralisado sem entender o motivo.

Sasuke não conseguia tirar seus olhos dela. Era uma imagem tão bonita que ele gostaria de guarda-la. Deve ter sido por isso que ele pegou o celular do bolso e tirou uma foto dela.

—Está tirando foto do que, senhor? – Perguntou Lee observando toda a cena sem acreditar.

—De algo brilhante. – Respondeu Sasuke ainda hipnotizado, sem entender exatamente o que estava fazendo e porque estava fazendo.

Apenas quando Sakura entrou de volta na clínica, foi que ele acordou daquele transe se sentindo um idiota. Ele limpou a garganta e disse ao seu secretário que iria resolver logo aquele problema.

Decidido a ir falar com a veterinária sobre a sua dívida, Sasuke levou o carro para outro quarteirão para se livrar do secretário Lee. Antes de sair do carro ele deixou bem claro que não queria ser seguido e disse que o mataria se o visse por perto.

Lee acatou a ordem relutantemente, mas prometeu que se ele precisasse de ajuda era só gritar. Sasuke revirou os olhos e irritado bateu a porta do carro. Ele preferia morrer a ter que gritar pedindo ajuda àquela criatura.

Sasuke caminhou até a clínica em poucos minutos e deu com a cara na porta. Havia uma pequena placa que dizia: voltamos já!

—Mas que inferno! – Reclamou Sasuke com vontade de chutar alguma coisa.

Aquela mulher estava lhe dando nos nervos. Uma das coisas que mais tirava Sasuke do sério era esperar. Ele não conhecia essa palavra. Tudo o que ele queria era para ontem!

Como ela se atreve? Ela estava aqui há um minuto! Pensou ele furioso, dando meia volta e voltando a caminhar pela calçada para qualquer lugar. Como ele não gostava de esperar, ficar parado na frente da clínica não era uma opção.

Por isso ele se afastou.

Mas não precisou ir muito longe. Quando virou a esquina, no canto da rua passou por ele uma mulher de cabelos róseos, usando calça jeans e blusa listrada montada numa bicicleta que tinha uma bandeirinha amarela escrito: Veterinária 24x7.

—Haruno Sakura! – Gritou o Uchiha quando a reconheceu.

Ela parou a bicicleta e virou-se para olhar para o homem que a chamou.

—Hã? Quem é você? – Perguntou ela confusa.

Seus olhos percorreram o homem que se aproximou dela com poucos passos. Ele usava terno preto, tinha os cabelos negros bem penteados e uma pose tão séria que até a intimidou. Uma olhada rápida no seu rosto e ela logo se lembrou de quem se tratava. Apesar de que naquela noite ele estava todo molhado da chuva, pálido e inconsciente. Mas mesmo assim era impossível não reconhecer seu rosto.

—Ah! Gangster! – Exclamou Sakura apontando para o homem com os olhos arregalados. – Como está o seu ferimento?

Sasuke suspirou frustrado e se aproximou da moça com mais um passo.

—Não estou aqui por isso. Podemos conversar?