Nobody's Perfect
1 Capitulo unico
Notas iniciais
PS: Henry representa a parte dele que ainda vive em mim, em nós.
(Jessie J — Nobody's Perfect ♪)
Tem coisas que são como são, às vezes não importa o choro, o medo ou dor porque nada fará com que isso mude, mas como você lida com isso todos os dias. Será isso que fará diferença, e lhe dará a força necessária para seguir em frente.
Escuridão.
Vejo-me afogada em um mar dela. Será que em meio a essa tempestade encontrarei um porto seguro.
Tristeza.
Tem dias que ela é tão profunda que penso se vale a pena continuar vivendo. Só resta isso é um sentimento que te desgasta e não sabe mais como começou.
Dor.
Ela não física, ela está contida no espírito e na minha alma. Ela me consume tanto que a sinto em cada um dos meus ossos.
Vazio.
Sinto que minha alma é invadida cada dia mais por um vazio que consome tudo de mim, e tudo a minha volta.
— Emma você tem reagir eu não aguento mais te ver assim. — Ouço a voz de Regina lamentar um dia mais.
Queria responde-la e dizer as coisas irão melhorar, queria abraça-la e dizer que vou conseguir seguir em frente, mas como fazer isso se cada dia que passa é uma tortura a mais. Eu não quero viver, porque na verdade eu deixei de viver no dia que parte de mim se foi. Hoje apenas existo, por insistência total do meu corpo, que ainda respira. E do coração vazio em meu peito que ainda bate. E nem mesmo as lembranças tem diminuído e minha vontade de ir e encontrar as parte que perdi e nunca mais vão voltar.
— Mãe você está grávida? — Neal perguntava animado, a Ingrid.
— Sim meu amor. E você gosta da ideia?
— Eu gosto sim, mas só queria uma coisa. — O garoto respondia ainda empolgado com a noticia.
— E que seria filho?
— Eu quero que seja uma menina mãe. Chega de homens nessa família eu, David e James são suficientes.
Ingrid sorriu para filho, aliviada, pois não sabia como o seu filho do meio reagiria à ideia de ter mais um irmão.
— Meu amor, eu fico tão feliz em te ouvir dizer isso. E deixa mamãe te contar um segredo, eu também quero que seja uma menina.
Meu irmão Neal era o mais carinhoso dos filhos e no auge de seus dez anos de idade o mais esperto entre meus irmãos. Embora David e James fossem bons filhos, a ligação entre Neal e minha mãe era, profunda. E meu irmão me dizia que quando ela estava grávida de mim tudo se aprofundou mais.
— Ela comeu alguma coisa hoje? — Ouço uma voz familiar. Era minha cunhada, de certo tentando vir me animar.
— Não Lucy, ela parece estar em mundo paralelo, tudo que faz é ver vídeos do Neal e fotos. — Ouço minha namorada responder a minha cunhada.
— Ela está sofrendo Regina.
— Eu sei disso, porque sofro com ela todos os dias, eu amava o Neal também. Só que ele se foi e ela se nega a lidar com a perda, ele não ia querer ver ela assim.
As palavras de Regina me doem porque sei que o que ela diz é verdade, Neal ia querer que eu estivesse bem. Mas como ficar bem sem ele aqui...
— David a garota está na chuva. — Neal gritava com irmão mais velho. Enquanto sua irmã caçula andava desajeitada em meio à chuva pelo campo enlameado.
— Mamãe vai nos matar. — David resmungava.
Emma dava pequenos passinhos em direção aos irmãos e depois caia. Neal gargalhava e David acabou contagiado pelo momento.
— Vem cá sua fujona vamos para casa.
As lembranças ainda me invadem, a dor parece ser menor, mas ainda não me sinto segura para sair do mundo que criei aqui.
— Tia eu vim te ver. — Roland agora está aqui. — Sei que sente falta do meu pai, eu também sinto. Todos os dias tia, mas ele não ia querer te ver assim.
Mas uma vez aquela frase, ele não ia querer te ver assim.
— Sei como é difícil, e como dói ele era seu herói e o meu também. Ele era meu pai, mas era um pouco seu também. Então não desista por ele e por nós, eu sou parte dele como você é, e estou aqui. Tia Regina precisa de você, mas eu também preciso.
O desabafo do meu sobrinho me tiram as primeiras lagrimas em seis meses. Em seis meses eu penso que Neal se foi, já não dói da mesma forma. Roland me abraça e sinto o abraço de Neal, parte dele ainda está aqui. Parte dele ainda está em nós.
— Eu sei que está doendo Emma, mas a mamãe está em lugar melhor agora.
— Eu vou ficar sem ninguém mano.
— Não magrela! Você tem a mim, James e o David.
— Eles têm suas famílias, e meu pai não liga para mim.
— Mas você tem a mim Emma, serei seu irmão, seu pai e seu amigo. E mesmo depois que eu me for como a mamãe se foi, parte de mim vivera em você.
As lembranças daquela promessa se mesclam as palavras do meu sobrinho e pela primeira vez em seis meses eu tenho vontade de voltar a viver. Devagar e a passos lentos fui tentando retomar, tudo o que tinha deixado para trás.
Escuridão.
No meio do escuro, Regina foi minha luz ela me guiou de volta para mundo um de paz.
Tristeza.
Por mais que todos os dias eu ainda me sentisse triste, buscava ajudar pessoas que tinham menos que eu. Se eu tenho casa, comida e um lugar quente para dormir em uma noite fria, talvez minha vida não fosse tão triste assim.
Dor.
Quando a dor está na alma é difícil de curar, mas se pode ameniza-la, e fazer as pessoas sorrir trás paz a minha alma. E esse passou a ser o meu alivio.
Vazio.
Quando você sente que um pedaço seu foi arrancado e um vazio fica ali. Se você deixar ele pode crescer e te consumir de dentro para fora. Foram muitas coisas para ocupar o vazio que havia crescido dentro de mim. Novos amigos, fotografia, Regina Mills, Roland e um milhão de coisas novas. O vazio de Neal ainda estava lá, mas ele não me consumia mais, porque parte dele ainda vivia em mim, em Roland e em nós.
— Emma eu vou te aceitar do jeito que for. Gostando de garotos ou garotas isso não importa. – Neal respondeu a Emma.
— Achei que me odiaria.
— Você é minha irmã magrela, eu te amo. E não por quem você se relaciona Emma, mas por quem você é. E eu te conheço bem, a garota que tiver você terá sorte. — Neal abraçou Emma, e ela se sentiu em paz.
— Eu amo você mano.
— Sabe estou feliz porque você que vai passar o rodo nas garotas. E não terei que me preocupar com marmanjos pegando a minha irmãzinha. — Neal confessou e acabaram rindo.
Uma das ultimas lembranças do meu irmão, quando lhe contei sobre Regina. Ele foi sereno e tranquilo, fez inúmeras piadas e me fez sorrir aquele dia.
— Posso saber por que está rindo? — Regina me tira de minhas lembranças.
— Só me lembrando do Neal.
— E está triste por isso Emma? — Mills me questiona com as feições preocupadas.
— Não Mills eu lembrei com carinho e não com dor.
— Acha que está pronta para ver o vídeo então?
— Acho que sim.
— Espera aqui então, que eu vou pegar.
Ela estava se referindo ao ultimo vídeo do meu irmão, o ultimo momento dele antes de alguém lhe tirar sua vida. Regina voltou rápido com celular na mão, e me entregou e depois saiu. Acho que ela sabia que aquele era um momento só meu, e eu tinha que fazer aquilo sozinha. Toquei a tela do celular, respirei fundo e dei play no vídeo.
“Mais um dia se levanta, mas uma oportunidade de acertar. De tentar fazer certo aquilo que você não conseguiu concretizar, aquilo por algum desvio na sua vida, pelas barreiras impostas que fizeram você não conseguir acerta. Acredite hoje é o dia, tenha fé, tenha esperança. O sol nasce para todos. A oportunidade de concretizar aquilo que é abstrato é hoje. A oportunidade de chamar a existência daquilo que não existe é hoje. A fé é isso, o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova fiel das coisas que não se veem. E é através da fé que alcançamos aquilo que mais desejamos. Eu desejo para você uma vida incrível, que o sol brilhe para você assim como está brilhando para mim nesse dia.”
O vídeo acabou.
As últimas palavras de Neal me tocaram de forma profunda, e as lagrimas vieram de forma inesperada. Eu chorei tudo que tinha me negado há chorar aqueles meses.
— Emma não se abale só porque você erra um pouco em gramática.
— Um monte de gente vai ler Neal. E me criticar se escrever errado.
— Magrela você transforma sua dor em poesia. Não tenha vergonha de pedir ajuda. E você ama escrever, é só um passatempo não se cobre tanto.
— Eu vou postar então.
A lembrança dele me incentivado e me mostrando que sempre é tempo de se aprender invadiu minha mente.
— Emma você está bem? — Regina voltou à sala me perguntando.
— Agora eu estou amor. Ela veio e me abraçou forte.
Os meses que vieram depois foram menos doloridos, eu já conseguia sorrir, mesmo que algumas vezes minhas crises de ansiedade viessem me atormentar. E foi em dia desses sem mais nem menos que Regina me contou algo.
— Amor preciso lhe dizer algo.
— Sabe que odeio esse seu ar de mistério Regina. Diz logo.
— Eu estou grávida Swan. — Ela soltou de uma vez só.
— Grávida? — Repeti a palavra como se fosse uma pergunta para mim mesma.
— Eu fiz a inseminação há um mês e deu certo, Emma.
— Você disse que íamos conversar mais sobre isso.
— Eu não esperava que desse certo na primeira oportunidade.
Mil coisas se passaram pela minha cabeça. Um filho agora. Eu ainda não tinha amadurecido aquela ideia na minha mente. E bem agora era um fato Regina estava grávida. “A oportunidade de concretizar aquilo que é abstrato é hoje. A oportunidade de chamar a existência daquilo que não existe é hoje.”
Olhei para céu estrelado e ouvi aquela frase de Neal ecoando em minha cabeça. Um filho que de certa forma ainda não existia, mas já existia e tudo que eu precisava fazer era aceitar de coração aberto aquele fato. Meu coração se aqueceu, e a vida pareceu ter sentindo novamente. Um abraço, um eu te amo e a certeza que seriamos três agora.
Neal dizia que sempre estaria comigo, e de alguma forma ele estava. Ele tinha cuidado de mim a vida toda, tinha sido meu irmão meu amigo e meu pai. E mesmo depois de ter sua família ele sempre esteve lá para mim, talvez não fosse diferente nem mesmo na sua morte. No dia 23 de setembro as 03h45min da manhã Henry veio ao mundo. No mesmo dia e hora do nascimento de Neal, e ele tinha o mesmo olhar do meu irmão. Percebi assim que peguei nos braços pela primeira vez, expressivo e calmo. Eu agora seria sua irmã, sua amiga e sua mãe, assim como ele foi para mim um dia. O vazio que Neal deixou foi preenchido de certa forma. Ele nunca se foi. Ele ainda vive em mim, em Roland, em Henry e em nós.
Notas finais
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