Nobody is Home
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Daryl's P.O.V
Havia se passado oito meses sem a Megan. Durante esse tempo ficamos fugindo de uma horda de zumbis, não tínhamos moradia fixa e eu não tinha mais cabeça pra nada. Não sei por que, mas isso me atinge de um modo muito forte e eu queria tanto ter deixado o grupo naquele dia e ter ido procura-la, eu queria mais que tudo e o arrependimento tem sido tão grande desde então, me sinto cada vez mais egoísta por não ter esperado ela pelo menos.
–Ei, Daryl. Ouço Carol me chamando. No que tanto pensa?
–Nada Carol. Ela se senta do meu lado
–Eu sei que você tem estado preocupado com aquela garota, Megan, mas temos mesmo que continuar, você sabe como esse mundo é. Nós todos perdemos pessoas, já é rotina, você perdeu o Merle, eu a Sophia.
–Obrigada mesmo Carol, mas eu realmente não quero falar sobre isso. Tento dar um sorriso que sai meio torto porque não sou muito bom nessa coisa de ser gentil.
Sai para esfriar a cabeça por alguns segundos e quando volto o grupo já estava no maior alvoroço, Rick estava lá muito animado contando algo que me aproximo para ouvir.
–... E lá tem muros altos e poderíamos limpar algumas partes do lugar e ficar por meses! Deve ter comida, água, remédios, o lugar perfeito pra o bebe nascer.
–Estão falando de que? Pergunto.
–Daryl, encontramos uma prisão, se furarmos a cerca e matarmos os zumbis da frente podemos passar a noite lá e depois continuamos a busca, limpando celas, é genial. Ele esta muito feliz mesmo com essa ideia
–Prisão? Parece ser seguro. Dou uma risada irônica, pelo sentido de prisão ser um lugar um tanto perigoso pros que vivem lá dentro.
Passamos o dia investindo na prisão, e a noite, sentamos em torno de uma fogueira e ouvimos Beth cantar. Mas eu sentia que faltava algo ali como tenho sentido nos últimos meses...
–Vou montar a guarda. Saio deixando o momento família feliz lá.
Olho o horizonte em cima de um carro tombado, vejo tudo por cima das árvores e até as montanhas. Como seria bom um cigarro agora pra tirar meu pensamento dela que pode estar lá fora em qualquer lugar. Assim como o Merle. Talvez eu me recusasse a ver isso, mas essa é a pior parte desse mundo: não podemos viver em segurança.
Megan P.O.V.
Acordar em uma cama confortável e com a certeza que não morrerá enquanto está dormindo foi a melhor coisa que fiz durante esses meses. Como não tinha muito o que se fazer, eu sempre passeava, conversava com algumas senhoras simpáticas e ajudava o Milton. Ah sim, o Milton é uma espécie de cientista para nós, ele é incrivelmente inteligente e muito gentil.
Eu não quero mentir pra mim, é claro que esses meses foram difíceis sem o Daryl do meu lado ou a plena esperança de que encontraria ele, mas algo naquele lugar me deixava confortável, eu passei a amar aquelas pessoas como minha família, acabo sendo hipócrita porque me esqueço do tio Hershel, da Beth e Maggie, minha única família que agora esta distante.
–Olá gracinha! Diz o Merle atrapalhando meus pensamentos.
–Você... Olho com cara de má pra ele.
–Essa sua cara de malvada me deixa todo arrepiado.
–É mesmo?
–Quer dar uma olhada lá embaixo?! Ele olha com uma cara de pervertido pra mim.
–Prefiro manter meu almoço no estomago. Dou um lindo sorriso pra ele e saiu desfilando.
Brincar de ofender e sacanear o Merle são meus passatempos favoritos. Ultimamente eu tenho falado muito com ele, não sei por que, mas ele lembra muito o Daryl, não nas horríveis cantadas, mas no modo como ele caminha, fala e gesticula. Eu diria até que o Merle é uma figurinha do Daryl. Talvez eu esteja me aproximando do Merle por causa disso, eu não sei, mas ele tem uma grande influencia sobre mim, só espero que ele não descubra isso.
Que idota que eu sou, eu não posso comparar o Daryl com ele... Eu amo o Daryl, eu amo aquele idota que me deixou sozinha e que me fez prometer que voltaria pra ele. Ele não é como o Merle, ou como nenhum homem que eu conheci. Ele é teimoso e prefere fazer tudo sozinho, não leva jeito nenhum com as garotas e tenta manter o tempo todo a pose de durão, mas na verdade ele é tão mole por dentro mais do que as pessoas imaginam e eu amo ele por isso.
–Oh Deus como sou idota, porque eu estou dizendo essas coisas? Vamos Megan seja macho, macho!
–Pensando alto? Diz o governador com aquele sorriso falso no rosto.
–Parece que sim. Dou uma risada sem graça.
–Nós estávamos precisando de alguém como você aqui, quero dizer você é muito boa com armas e popular também todos adoram você. Bem...
–Olha. Digo o interrompendo. Eu sei que você esta tentando ser legal comigo, mas eu não estou afim é serio, só tem oito meses que eu perdi minha família, meu namorado ou o cara que eu penso ser meu namorado, não importa. Eu só quero ficar sozinha, eu não... Gosto de você. Falei isso na cara dura e sua reação foi a mais possível prevista, ele perdeu o sorriso do rosto, me olhou com uma cara de poucos amigos e deu as cotas. Como se eu não tivesse mais problemas.
Eu também não fiquei por lá pra não dar bandeira pro pessoal que eu era à causadora do seu olhar maligno. Andei com pressa ao banco da praça e me sentei como se nada houvesse acontecido. Logo em frente Merle me olhava com uma cara de qual foi o problema dessa vez? E olha que coisa, ele veio mesmo perguntar, acabou sentando do meu lado e preparando seu interrogatório.
–O que você fez com o governador?
–Nada, eu só fui sincera com ele. Só que parece que todos os homens daqui acham realmente que tem alguma chance comigo.
–E eles não têm? Ele pergunta todo cheio de esperanças.
–Não, não agora. E se um deles for você nunca.
–Wow, hoje a gracinha tá agressiva, mas vou dizer a você, eu sempre preferi sexo selvagem.
–Você é um idiota mesmo. Olho seria pra ele.
–Hoje ela não está com bom humor.
–Olha minha cabeça tá confusa e eu não tô pra muito papo hoje, é só isso. Tento me desculpar, mas não sou muito boa com essas coisas.
–É isso que dá namorar no meio do apocalipse.
–Quem disse que eu tenho namorado ou tive?
–Todas as garotas que ficam choramingando pelos cantos aqui perderam seus namorados.
–Ele não era meu namorado.
–Então existe um “ele”.
–Sim, mas agora ele está longe e isso não importa mais.
–Garota durona. Ele olha pra mim e tira uma mecha de cabelo do meu rosto. Isso não era pra ser romântico, mas eu me senti tocada por seu gesto. Ok, não foi uma coisa grandiosa, mas ele foi gentil uma vez na vida comigo, pra ser sincera, por um segundo eu imaginei que aquele ali a minha frente era o Daryl.
–Eu tenho que ir. Digo nervosa, me levantando com pressa e dando as costas a ele.
–Até logo gracinha. E lá esta de volta o velho Merle que adora falar grosserias, ser um completo idiota e me chamar de gracinha.
–Tchau Merle. Dou um breve aceno e vou pro meu apartamento, onde minha cama me esperava, ela era a única que me compreendia agora. E isso não parece ser uma coisa boa.
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