Nobody Knows
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Capítulo 1
Hailey
"All this time I was finding myself and I didn't know I was lost"
A música tocava na rádio da SUV do carro alugado de meu pai, enquanto seu precioso Volvo ainda não chegara. Ainda me recuso a acreditar que viemos de nossa amada Malibu para morar num lugar inóspito como Forks, uma pequena cidade do condado de Clallam, em Washington DC.
Ouvi o caminho inteiro minha irmã mais nova tagarelar sobre como estava entusiasmada para explorar o parque nacional de Olympic. Totalmente tedioso.
Oh não. Não tem sinal aqui, espero que já tenham instalado o wi-fi. Meu pai estacionou em uma guia e sorriu abertamente pelo espelho, nossos olhos castanhos em forma de amêndoa em sintonia, com pequenas rugas neles.
— Bom meninas, chegamos. — Bloqueei a tela de meu celular, e guardei na minha bolsa. Coloquei em meu ombro e abri a porta do carro, inspirando o ar puro. É, não estamos mais em Malibu.
Ouvi um grito de minha mãe e virei meu olhar para a casa: o terreno era largo, verde e várias flores coloridas cresciam por todo o espaço. E bem no meio, havia um casarão antigo cinzento.
Andei pelo caminho de pedras que iam do portão à porta de entrada. Na varanda, de um lado podia sentar em uma das quatro cadeiras de vime brancas e tomar um chá na mesinha de centro com um vaso de flores. Do outro lado, havia um balanço de madeira com tecido florido. A porta de entrada estava aberta pela minha irmã, que se encontrava boquiaberta no hall.
Uma escada estendia por dois andares longos e compridos, um corrimão de mármore negro e o piso branco empoeirado. Um lustre grande não acendia mais, mas podíamos perceber que devia iluminar grande parte do primeiro andar. Caminhei até a sala de estar, onde uma luz fraca iluminava tudo.
O chão de madeira rangia sobre nossos pés, e o papel de parede descolava da parede, mostrando uma tinta descascada que um dia já fora azul. No centro, havia uma grande lareira, e duas poltronas grandes ficavam nas pontas de um grande sofá coberto de uma camada grossa de poeira. Sentia o olhar quente e raivoso da minha mãe para meu pai e minha irmã segurando a risada. Acima da lareira, havia um enorme quadro de uma família. Um casal e seus cinco filhos, incrivelmente pálidos.
— Pai? — Remexi minha boca num tom de reprovação, e suspirei. — Eu não durmo aqui, apenas avisando. Vou ficar num hotel, enquanto arrumam essa... casa.
— Se ela dorme, eu também durmo! — Minha mãe e irmã gritaram, espantando meu pai fazendo-o derrubar uma caixa.
— Tudo bem, dormiremos num hotel. Mas que fique avisado: quando a casa ficar pronta, nenhuma de vocês vai abrir a boca para dar um pio. Estamos entendidos?
— Claro como vidro! — Assentimos, com vontade de dar risada, ao perceber que a caixa estava em cima do pé do meu pai.
XXX
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