Nobody Breaks My Heart
6 Past no return, please!
Notas iniciais
Povs Anne
– Estou bem... — meu coração paralisou, olhei para o rapaz a minha frente e não podia acreditar, não podia ser verdade, eu me odeio. Sim eu me odeio porque depois de três anos e depois de tudo que Corey me fez, eu ainda paralisava quando sentia seu toque, quando eu encontrava seus olhos. Por uma fração de segundo quase eu o abracei, queria sentir a sensação de ser aninhada em seus braços que me deram tanto carinho... Mas aquela imagem de três anos atrás voltara como um soco em minha mente e por um reflexo, o empurrei e sai correndo, certamente não sei o que queria fazer, não podia fugir porque eu tinha compromisso com o senhor Adam, mas não iria conseguir encara-lo de novo. Chorei, solucei e andei de um lado para o outro, quando ia voltar encontrei senhor Adam saindo da enfermaria.
– Esse lugar é bem grande, eu me perdi aqui. — disse tentando parecer tranquila, o mesmo sorriu.
– É eu vim te buscar, sabia que não conseguiria chegar à sala sozinha, vamos. — me guiou até uma pequena porta de vidro, e me senti uma tapada quando vi que dava para ver todos ali dentro, eu havia passado por ali umas três vezes, idiota.– Bem rapazes e moças- sorriu –Essa é a mocinha que estava faltando, essa é senhorita Anne Field, ela irá fotografar o festival e tenho certeza que irá surpreender todos vocês, olhei o material dela e as fotografias são simplesmente magnificas! — disse Adam fazendo um gesto com as mãos e em seguida distribuindo algumas de minhas fotos para os integrantes das bandas, eu estava tão nervosa que quase não reparei, mas as duas bandas se tratavam do Rise to remain e do... Slipknot. Assim que Adam fechou a matraca, Sid se pronunciou.
– GORDA! QUE SAUDADES DE VOCÊ SUA NOJENTA. COMO VOCÊ SOME DESSE JEITO CARALHO? E A LAIS? COMO QUE ELA TÁ? PORRA VOCÊ TINHA QUE IR EMBORA E LEVAR ELA JUNTO? É SACANAGEM ISSO COM O TIO SID- disse ele fazendo uma pose dramática. Cara, eu amava aqueles caras, Sid sempre foi muito amigo meu e de Lay, bem... Nem era TÃO amigo de Lay, era mais que isso, esses dois brigavam pra caralho, mas se amavam intensamente, me admiro que não tenha acontecido nada entre eles quando eu estava com o... Enfim, pelo menos que eu saiba, não aconteceu nada entre eles... Acho. Após meu devaneio fui surpreendida pelo um abraço tamanho urso de Sid que quase me quebrou ao meio.
– EI SEU PINTO PEQUENO, ESTA ME DEIXANDO SEM AR- disse contra seu peito que estava esmagando minha cara.
– A esqueci que a senhora não me toque não gosta de abraços de ursos do Sid — e fez um bico ridiculamente infantil. – Fique sabendo gatinha que as minas MORREM, por esse corpinho aqui falou?- falou passando a mão pela extensão de seu corpo. Gargalhei de sua reação e ele me acompanhou. Ah senti tanta saudade, apertei suas bochechas e senti que estava sendo “comida” por certos olhos azuis. Abracei todos os meus amigos, estava com tantas saudades deles, que havia esquecido junto com a possibilidade de algum dia eu me relacionar novamente. Sempre fui muito reservada, nunca fui de namorar, Corey foi meu segundo namorado, e o ultimo. Meu primeiro foi quando eu tinha 14 anos, um ano antes de mudar para Iowa e conhecer Corey, era Daniel, ele era um amor, era meu amigo desde muito pequeno, nossas mães davam aula na mesma escola e ele era meu vizinho, comecei a namora-lo com 13 anos, mas não namoro de verdade de gente grande, era um namoro de crianças, de segurar na mão e dar selinho, não passava disso, o que era muito legal, porque eu tinha o melhor namorado do mundo e o melhor amigo do mundo. Jason sempre sentiu muito ciúmes do Daniel, ele dizia que ele era o único amor da minha vida e que eu não deveria troca-lo dessa maneira, os dois viviam em pé de guerra, mas eram amigos apesar de tudo. Com problemas na empresa de meu pai, que se mudou de L.A para Des Moines, tivemos que nos mudar também, meu coração havia ficado em L.A. Revoltei-me, não falei com meus pais durante muitos dias, faltava à escola e realmente havia virado uma “rebelde”. Meus pais me matricularam na escola do bairro, onde conheci a Lay, ah meus caros, depois disso não nos separamos mais, ela tem um gênio igual ao meu, era incrível como nos parecíamos tanto. Quando tinha 15 anos, fomos a uma festa de uns conhecidos de Lay (que eram muitos por sinal) que eram bem mais velhos que nós, nem tanto, a faixa etária era de 20 a 30 anos, como meus pais não iam me deixar ir à festa, menti dizendo que ia para casa da Laís e a mãe dela passou um pano pra gente. E nessa bendita festa eu conheci um menino de cabelos louros e compridos, de olhos azuis, muito lindo por sinal, sim era Corey. Conversamos com ele e os amigos deles que eram muito legais, eles tinham uma banda, só que não oficialmente, era uma coisa meia que de diversão, mas nas conversas que eu e Corey tivemos, ele deixava bem claro que queria levar isso a sério.
– Sério Anne, um dia sonho em sermos igual ao The Doors ou até mesmo o Metallica! — disse ele com os olhos brilhando, e a pouco tempo, já amava aqueles olhos. Identifiquei-me muito com os garotos, tinha de tudo: um gordinho, um alto, um pervertido, um tímido, um tarado, um palhaço e etc. Eu e Lay mantemos contato com os meninos, e a cada dia que passava eu me aproximava mais de Corey. Era um rapaz tão respeitoso, tão lindo, tão educado que era difícil de achar um defeito naquela imensidão. Em um dia, estávamos indo para a casa da tia de Corey, somente eu e ele no carro, a casa dela não era longe, mas tivemos que passar em estradas que não tinha nenhuma alma viva, a não sermos nós dois. Estava chovendo nesse dia, e a gasolina havia acabado, xinguei Corey até sua 8ª geração e ele só ria e me olhava de um jeito estranho, mirando seu olhar em cada pedaço do meu rosto, as vezes isso incomodava e Lay dizia que ele estava apaixonado, apenas ria da cara dela, aonde já se viu isso, um cara lindo daquele apaixonado por uma pirralha. Corey desceu do carro, pediu pra que eu o esperasse. Ele caminhou alguns metros vendo se avistava algum posto de gasolina ou até mesmo uma casa, e nada. Eu tenho um pouco de agonia de ficar em um lugar fechado por muito tempo, e então sai do carro ao encontro dele que estava encharcado e logo eu estaria também. Ele me xingou, murmurou e reclamou feito um velho dizendo que não era pra eu ter saído do carro que eu podia ficar doente e bla bla bla. Íamos andando pela beira da estrada quando a chuva aumentou, avistamos uma casinha, muito pequena, no meio do mato, quase não dava para enxerga-la.
–Vamos ficar aqui mesmo enquanto a chuva não para. — disse Corey, ele abriu a pequena portinha que já estava pra lá de Bagdá e adentramos. Era uma casa abandonada, não é bem uma casa, era mais um terreno bem pequeno fechado a quatro paredes, havia apenas um cômodo. E atrás da casa abrigava um lago enorme, muito lindo que caia sobre umas pedras que daria na reserva da cidade. Fiquei encantada com a paisagem, se não estivesse chovendo, aquele seria um lugar apelidado de paraíso. Dentro da casinha estava até quente, pelo fato do sol ter ficado bem resistente durante o dia. Corey tirou sua jaqueta que estava encharcada, e por algum milagre sua camiseta não estava tão molhada, e então ele me abraçou por trás.
– Nossa, isso aqui é muito lindo- disse ele olhando para a paisagem. Senti-me totalmente envergonhada com o gesto do rapaz, mas me senti tão confortável em seus braços. Ficamos em silencio durante um tempo, e então ele deu um beijinho breve em meu pescoço desnudo, me arrepiei inteira com aquela aproximação, e a cada beijo dado sentia meu coração palpitar descompassado, e com um movimento Corey me girou para que ficasse de frente com ele. Ele me olhou nos meus olhos, e selou nossos lábios. No inicio o beijo era calmo, terno e cheio de desejo, mas depois que sua língua pediu passagem, passou a ser quente desejado e fogoso. Separamo-nos pra recuperar o ar e olho fitou meus olhos. – Foi o melhor beijo de toda a minha vida...
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