Nobody Breaks My Heart
9 For a moment
Notas iniciais
POVS ANNE
Aquela vaca acha que esconde as coisas de mim, é uma mula mesmo, a conheço melhor que qualquer ser dessa Terra e ela vai ter que me contar isso direito, pra saber que raio de ignorância com o Sid foi aquela, acho que eu tenho até uma ideia do que seja, mas sei lá né, a Laís é improvável e me da medo.
Estávamos andando pelos imensos corredores da empresa de Adam, acenei para Martha que acenou de volta, saímos e demos a volta no prédio pra pegar o meu carro, que ficou no estacionamento. Paguei o manobrista e dei a partida, no carro aquele silencio que me incomodava, Lay fitava as mãos e parecia nervosa.
– Tá tudo bem Laís? — a olhei de relance e ela negou com a cabeça. Parei o carro imediatamente e o encostei à beira da estrada. – Oque eu houve hein? — virei-me em sua direção e ela desabou em lágrimas, eu a abracei. – Chora amiga, chora que faz bem, coloca tudo de ruim pra fora. — me cortava o coração vê-la dessa forma, a Lay é bem durona metida à orgulhosa, mas no fundo ela era tão sensível quanto eu, e eu já imaginava o que acontecia. – Isso tudo é por causa do Sid? — continuei aninhando ela em meus braços afagando seus cabelos. Ela nada respondeu. – Ok, vamos pra casa, você se acalma e me conta ok?- ela assentiu e voltou à postura no banco, encostou a cabeça na janela e fechou os olhos, dei a partida novamente no carro e fomos em direção ao nosso apartamento.
Chegamos e Lay foi tomar um banho, enquanto eu ligava para o restaurante que era do outro lado da rua, encomendei nosso almoço, estava tão cansada que me arrastei ate minha cama e nem tirei os sapatos e cai dormindo.
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– Anne... Anne... Anne... ANNE ACORDA CARALHO!
– AAAAAAAAAAH, O QUE FOI? — acordei com os gritos da Laís, me assustei achando que terroristas estavam invadindo nossa casa (?).
– O almoço já chegou, anda levanta daí.
– Dormi muito?
– Não, acho que uns 20 minutos.
Espreguicei-me e me arrastei até a cozinha, comemos, comemos e comemos.
– Você lava a louça falou?
– AH NÃO ANNE! De novo?- disse ela fazendo manha.
– Eu lavei ontem Laís, faça o favor tá.
Lay bufou e foi em direção a pia, eram só dois pratos, não precisava de todo esse drama. Fui pra sala e abri a cortina pra entrar um pouco de sol, já eram 15h28 e o sol estava tão quentinho... Fiquei ali na janela observando a rua, os carros passando de um lado para o outro e pessoas estressadas gritando no trânsito, era engraçado. Estava escorada na janela e avistei um rapaz na portaria com mais dois homens, forcei a vista pra identificar aqueles corpos tão familiares e quase desmaiei quando identifiquei. Era Sid, Chris e... Corey.
– LAIS! — gritei e ela veio correndo pra sala toda molhada, parecia que ela economizada agua na hora de lavar a louça e já tomava banho.
– QUE FOI MEU DEUS?- meu coração pulsava tão rápido que quase tive um infarto, somente apontei para baixo onde os homens estavam se identificando com o porteiro, Lay se escorou na janela e abriu a boca em um “O”.
– Mas que raios eles estão fazendo aqui? COMO ELES DESCOBRIRAM QUE A GENTE MORA AQUI?- disse ela gesticulando com a mão e totalmente desesperada.
– E-eu nã-o se-ei. Meu Deus Lay e ago-ora?- já estava quase chorando e não, não é draminha, é medo.
– Calma amiga, é só nós fingirmos que não estamos em casa, o porteiro vai ligar aqui e nós não atendemos e fim. — disse ela se sentando no sofá, e eu fiz o mesmo. Ficamos aguardando o toque do interfone, que nunca veio, mas a campainha ecoou pelo apartamento, nos entreolhamos em pânico.
– Mas o porteiro não deveria ligar pra gente antes?- disse ela sussurrando.
– Eu acho que sim né, normalmente isso acontece. — andei lentamente, pra não fazer nenhum barulho até a porta, e fiquei na ponta dos pés para ver no olho mágico quem era. Pois é... eram eles. – O que a gente faz?- disse em mudo pra Lay que fitou o chão a procura de alguma saída. Ela se levantou e cara, essa Laís é um poço de delicadeza, ela chutou a mesinha fazendo um barulho enorme, xinguei e ela pronunciou um “desculpa” mudo.
– Ei Anne e Laís, sabemos que estão ai, será que poderiam ser educadas e receberem seus amigos caralho?– disse Chris do outro lado da porta. Nessa hora meus olhos estavam marejados e o pânico tomava conta de mim.
– Calma Anne, vai pro quarto e fique lá, eu dou um jeito nisso, você não vai precisar conversar e nem ver o Corey tão cedo tá? — disse ela sussurrando e assenti, indo em seguida para o quarto, encostei a posta e fiquei sentada ao lado da mesma, escorada na parede tentando ouvir a conversa.
– Oi! O que estão fazendo aqui? - disse Lay.
– Nossa isso é jeito de tratar seus amigos sua monga?– disse Chris
Pelo silencio, Lay devia ter apenas feito uma careta.
– Não vai nos convidar pra entrar Lay?– essa voz, era de Corey, Meu Deus.
– Ah claro, entrem. — disse Lay
Ouvi passos e depois alguns múrmuros.
– O que fazem aqui?– disse Lay refazendo sua pergunta.
– Ah, a Anne esqueceu as fotos lá no estúdio do Adam, e então nos oferecemos pra vir trazer e aproveitar e almoçar a comida maravilhosa de vocês, algum problema?– Chris disse e Lay deu uma risada.
– Maravilhosa? Quem te pagou pra dizer isso gato?
– A vai dar a bunda Laís, mas então, cadê a Anne?
Meu coração gelou.
– Ah... Er... Ela tá dormindo, chegou cansada, nós almoçamos no restaurante aqui da frente, ainda sobrou um pouco vocês querem? Eu esquento pra vocês.
– Ah tá... Não precisa gatinha, estava brincando, já almoçamos já.
– Lay onde é o banheiro? Puta vontade de mijar– disse Corey.
– Ah você e essa elegância toda né Corey... É ali na segunda porta.
Ouvi passos em direção ao quarto, que era ao lado do banheiro, entrei em desespero ao lembrar que Lay não disse a ele em qual das “segundas portas” ela estava se referindo, são quatro portas e então... Levantei correndo do chão me jogando na cama e me cobrindo fingindo estar dormindo e como eu suspeitava.
Corey “errou” de porta e entrou no meu quarto, fechei os olhos me segurando para não chorar ou gritar sei lá, CADE A PUTA DA LAIS QUE NÃO VIU ISSO POR FAVOR? Controlei minha respiração e abri um pouco a boca, me lembro de que falaram que eu durmo de boca aberta, então se é pra fingir, faça direito. Senti uma vibração a altura do meu rosto, cogitei a hipótese dele estar agachado ao lado de minha cama, com o rosto bem rente ao meu, senti sua mão tirando uma mecha de cabelo que caia sobre meu rosto, eu não estava aguentando aquela aproximação e abri os olhos e dei de cara com aqueles olhos azuis.
– Sabia que não estava dormindo. — ele riu baixo. – Conheço muito bem o jeito que você dorme... — disse ele quase sussurrando e isso me fez arrepiar, ele sempre falava nesse tom de voz quando eu acordava pelo fato de eu odiar barulho após uma cochilada ou de manhã. – Muitos anos te observando dormir...
– O que está fazendo aqui? — levantei bruscamente me sentando e ele se levantou e ficou em frente a mim, nessa hora meu coração já estava do avesso.
– Vim trazer suas fotos que você esqueceu lá...
– Mas eu que deixei lá, essas fotos são do Adam agora. — disse ríspida e ele me observou. Ficamos alguns segundos apenas nos olhando, nenhum dos dois se quer ousou em quebrar esse contato, eu não conseguia. Até que Lay entrou no quarto de um jeito totalmente triunfal e enfim olhamos para ela.
– Não achou o banheiro Corey? O que tá fazendo aqui? Eu te disse que o banheiro era na segunda porta! Você não sabe contar caralho? — disse ela elevando o tom de voz.
– Ei! você não disse se era a segunda da esquerda pra direita, ou da direita pra esquerda, quer que eu adivinhe como? — Lay abriu a boca pra falar, mas se calou e fez uma cara engraçada.
– Corey, deixa a Anne descansar, se importa de deixa-la sozinha?
Ele se virou para mim.
– Por que sinto que você não me quer por perto?
– Ela precisa MESMO te falar? Quer que eu te lembre, querido? — disse Lay interrompendo e Corey revirou os olhos. Isso estava me deixando completamente desnorteada, lembrar do passado, com ele ali tão próximo não é fácil pra ninguém.
– CHEGA! COREY SAI DAQUI POR FAVOR, EU ESTOU CANSADA QUERO DORMIR BELEZA? JÁ DISSE PRA VOCÊ ESQUECER ISSO, OK EU TE PERDOEI AGORA DA PRA DAR LICENÇA?
Fui totalmente ríspida e indiferente, ele me olhou de uma forma que meu coração apertou, os olhos dele logo ficaram marejados e isso me doeu, demais. Mas continuei firme em minha pose, ele abaixou a cabeça e hesitou por alguns segundos, mas depois saiu do quarto e chamou os outros para irem embora num sussurro. Meu coração se quebrou em mil pedaços, não sabia o que fazer e como agir, quando estava longe eu tinha a certeza de que tudo que eu fiz foi certo, mas era só olhar para aquele rosto que tudo desandava, e eu odiava isso, queria fugir de tudo, de todos, onde nada me trouxesse lembranças do meu passado, queria pagar até as coisas boas que aconteceram, porque elas sempre desviam indo para as más, que sinceramente, me fazem muito mal.
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