No time to die
1 Capítulo 1 Bom dia, Peter
Notas iniciais
Peter não conseguia respirar.
Enquanto ele dormia bateu aquela sensação novamente, os pulmões não tinham ar suficiente para respirar, ele sentia frio e tontura, parecia ter ar no seu estomago. Ele se sentou na cama hiperventilado, aquela era a segunda vez na semana que está acontecendo, ele tenta afastar todas aquelas memorias, mas a falta de ar é pior e agora seu coração está acelerando mais do que nunca. E então ele desmaia.
Ao acordar naquela manhã, ele estava melhor do que durante a noite, mas não sentia vontade de levantar da cama ou encarar o mundo, e novamente todas as lembranças vem em sua cabeça, tenta afastar, mas não consegue, então tudo o abate de uma só vez, a parte quando estava no espaço e de repente tudo deixou de existir, sua volta e mago tentando explicar o que aconteceu, a morte de Tony Stark e a responsabilidade nos ombros após a sua morte e principalmente o momento em que foi exposto sua identidade e tudo foi por água a baixo, ai começou uma investigação que Nick Fury conseguiu abafar, mas não foi fácil e as pessoas começaram a achar que a imagem era montagem, só que ainda tinha pessoas que acha que era verdade e então, ele decidiu parar e ser só ele Peter Parker e o Homem Aranha estava fora de questão.
Duas batidas na porta e ele sabe que é sua tia, só não quer levantar-se e encara-la, então ele se enrola na coberta novamente e ela bate de novo.
—Peter, você está bem?
—Ned, está aqui ele quer falar com você? -Peter não responde. -Precisamos saber como você está... -Aquilo lhe provoca lagrimas, mas ele não tem forças para encarar tudo o que seu segredo fez sua família e amigos passar.
A sombra de sua tia se afasta da porta e ele fecha os olhos novamente.
Peter acorda, o relógio na sua cabeceira mostra 18h30, dessa vez ele se levanta, toma banho e veste uma roupa e sai do quarto, May não está em casa nesse horário, pois ela ajuda em um centro de reuniões sobre pessoas que morreram no estalar de dedos. Ele abre a geladeira e tem um prato com seu nome nele, May sempre faz isso desde que Peter entrou nessa situação, ele esquenta e come. Por fim levanta o capuz do casaco e sai de casa.
Ele tem feito muito isso nos últimos meses, saí e anda sem rumo, ás vezes vai até o centro em que Tia May está e fica parado na entrada tomando coragem para falar com ela, ou vai até a casa de Ned e fica parado do outro lado da rua e muitas vezes como ele fez hoje e vai até a casa de MJ, ela mora em um prédio não tão próximo da casa, terceiro andar e o quarto dela tem uma escada de emergência, só que ele sempre fica do outro lado da rua, no ponto de ônibus. Peter faz isso, pois acha que afastar as pessoas que ama é mais fácil, ele não quer sentir essa dor novamente de perde-los.
—Oi, estranho. -Essa voz é conhecida. Ele olha para trás e a vê, seus cachos bagunçados, as mãos no bolso do moletom e a mochila em uma alça só em ombro esquerdo. Neste momento ele não sabe o que fazer. -Se você não queria ser visto, então não deu certo.
—MJ... eu...
—Não precisa explicar Peter, é bom saber que você está aqui. -Ela o abraça, Peter não esperava aquele abraço, mas aquilo mudou algo nele. -Você que conversar?
Ele não diz nada, apenas esquiva o olhar do dela.
—Olha, -MJ olha para o céu noturno despretensiosamente -eu acho que vai chover, então eu vou subir para casa se você quiser... – ela olha para escada de emergência e sai em direção ao prédio.
MJ entra no prédio e some da vista de Peter, ele se sente mexido com o abraço e com a presença dela, não acha que deveria subir até o quarto dela, só que dentro dele, sente que precisa disso. Então atravessa a rua e sem dificuldade sobe as escadas de incêndio até o terceiro andar, demora uns 10 minutos, a luz do quarto se acende e entra MJ, jogado sua mochila na cadeira, seu olhar se ilumina vendo Peter na janela e então ela vai até lá e abre, passando para a escada de emergência, ela encosta na parede ao lado de Peter e fica em silêncio.
—Eu sinto muito. -ele diz. -Sei que me afastei...
—Não precisa se explicar Pete. -Ela o interrompe.
—Eu preciso. -Peter sente isso dentro dele. Deve uma explicação a todos. -Eu não queria que fosse assim, só que eu precisei para proteger vocês, tentaram machucar minha tia por causa disso... por minha causa e eu não queria que acontecesse novamente. -Aquilo é como uma explosão dentro dele. -Eu sinto muito.
—Eu sei, Pete e eu também sinto. Mas você desistir de ser como é só alimenta a imaginação daqueles que realmente acha que você é o Homem Aranha. E além do mais, nós precisamos de um herói.
Ele solta uma risadinha não por sentir graça, mas por sentir pena de si mesmo e diz: -O mundo está cheio de heróis, MJ. – e ele volta seu olhar para ela.
—Mas não como você... -ela escorrega para o chão. -As aulas vão voltar semana que vem, sabe disso né?
Ele escorrega para próximo dela.
—Sim, eu sei. Vou voltar também.
—O verão foi suficiente?
—Foi. -Ele responde. – E isso era inevitável...
Silencio entre eles.
—Eu acho que você não está no clima, mas quer... fazer alguma coisa? — Pergunta MJ.
Peter fica pensativo.
—Desde que seja fora a cidade... Acho que seria bom. -Ele sorri de forma inesperada, fazia muito tempo que não era provocado a sorrir.
—Te mando uma mensagem combinando o local.
Ficaram em silencio depois disso, sentados olhando a cidade, Peter sentiu o peso novamente “Tem muitos heróis no mundo” pensou ele.
Ao voltar para casa por volta das 19h decidiu esperar por sua Tia em frente ao centro, ela ficou surpresa quando o viu, mas aquilo foi especial para ela já que não o via a quase um mês direito, sem que fosse para comer ou algo do tipo. O encontro com MJ tocou Peter de algum jeito e ele sentia que precisava daquilo, May não perguntou nada, só foram para casa conversando sobre coisas aleatórias. Ao chegar em casa, eles pediram pizza e comeram juntos, Peter percebeu que afastar as pessoas da vida dele não a solução, mas ainda assim queria recuar para essa alternativa, May ficou feliz e quase lembrou como o sobrinho era antes de tudo. Antes de deitar ela o abraçou.
Ao entrar no seu quarto, o celular de Peter tocou, até pensou que fosse MJ, mas ao atender viu o número desconhecido, mesmo assim apertou o botão e colocou no ouvido.
—Precisamos conversar, Parker. -Disse uma voz grave e bem conhecida por ele.
—Por que agora, Fury? — ele respondeu empertigado.
—Precisamos de você, Peter.
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