Notas iniciais
Estou começando a minha jornada no mundo das fics, aproveitando um momento de inspiração, espero muito que gostem :) pretendo continuar caso receba incentivos hahaha

Acordou da mesma maneira que nos seus últimos três aniversários: sozinha, com sono e ouvindo algum CD que deixara tocando na noite anterior e esquecera de desligar, o escolhido do ano era Hysteria, do Def Leppard.

Olhou no relógio de seu celular e assustou-se ao perceber que já passava do meio dia, sentia-se como se tivesse dormido no máximo cinco horas. Ficou deitada mais meia hora antes de tomar coragem para levantar, mas, afinal, era seu aniversário de quinze anos, ela tinha esse direito. Espreguiçou-se e fez seu ritual matutino diário de tomar banho, escovar os dentes, tentar ajeitar os cabelos pretos ondulados cheios de nós, desistir, colocar uma roupa e descer para tomar café.

Chegando na cozinha deparou-se com seu padrasto tomando café preto em uma xícara que havia feito para sua mãe quando era pequena, o que a deixou enojada: tanto carinho pra acabar na boca com cheiro de cigarro daquele nojento. Preparou seu próprio café e fingiu não se importar que ele sequer havia se lembrado de seu aniversário, depois de dez anos casado com sua mãe.

Depois de tomar café, abriu a geladeira para ver o que faria para o almoço, e não encontrou nada. Pela milésima vez teria que sair almoçar sozinha, mas não se importou muito, afinal, estava acostumada. Colocou uma calça jeans e uma regata e saiu andando pelas ruas quietas de seu bairro em Nashville.

No caminho pra lá recebeu uma ligação, era seu amigo, Ed. Alguém havia se lembrado! Mas é claro, durante os últimos anos ele tinha sido a luz de seus aniversários. Em seu aniversário de quatorze conseguiu ingressos para o show da turnê americana do Red Hot Chili Peppers, o qual jamais esqueceria. Era sua banda preferida.

-Oi gordinha! Feliz aniversário! Achou que eu fosse esquecer, acredito. Tem que parar com essa sua mania de achar que ninguém se importa. Vou adivinhar: sua mãe e seu padrasto esqueceram completamente.

-Acertou… Mas já era evidente.

-E vai almoçar sozinha naquele restaurante medíocre, certo?

-Nossa, como você é bom em adivinhação, Ed. – falou Amanda, sarcástica. Estava muito feliz pela perspectiva de fazer alguma coisa interessante naquele dia.

-Não vou deixar isso acontecer quinze anos seguidos – riu – estou passando te buscar, onde você está?

-A umas duas quadras da minha casa… Estou esperando – e desligou.

Amanda e Ed tinham vivido muitas coisas juntos, eram quase inseparáveis. Se conheceram em uma festinha quando ela tinha oito e ele onze anos, num episódio onde brigaram pelo último pedaço do bolo, acabaram sujos e machucados, mas fizeram amizade. Ele arranjara o primeiro beijo de Amanda, o primeiro porre, a primeira viagem pra fora da cidade, a primeira visita à praia. Ele havia a ensinado a dirigir, cuidado dela quando mais precisava. Era praticamente tudo que ela tinha na vida.

Ed a pegou em seu carro vermelho, (eternamente) sujo e muito velho menos de cinco minutos depois. Entrou no carro e começaram a conversar sobre a vida, até chegarem em uma lanchonete consideravelmente boa nos arredores, onde sempre iam conversar. A lanchonete oferecia música ao vivo nas sextas à noite, nem sempre de qualidade, mas as vozes desafinadas e acordes mal tocados normalmente garantiam risadas por parte dos dois e de seus amigos.

Sentaram na mesa de sempre e pediram cada um um prato muito diferente: Amanda um cheeseburguer cheio de bacon e muito gorduroso, acompanhado de batatas fritas tamanho grande e, claro, coca-cola com cereja e limão. Ed era vegetariano, o que simplesmente não funcionava com ela, não conseguia viver sem bacon. Ele pediu dois hambúrgueres com carne de soja e muita salada e, também, uma coca-cola.

Enquanto comiam, Amanda não pode deixar de reparar a maneira como ele estava vestido. Não era nada fora do habitual, apenas jeans claros e surrados e uma camiseta preta, que ele tinha usado durante duas semanas para simbolizar o luto pela morte de Ray Manzarek algum tempo antes. Mas mesmo assim, simples daquele jeito, ele era encantadoramente bonito. Poucas garotas que cruzavam com ele não se apaixonavam, mas ele recentemente só ligava para uma, sua namorada, Heather. Amanda não gostava muito da garota, francamente, parecia que estava manipulando Ed, que faria qualquer coisa por ela. Mas mesmo assim, se Heather o fazia feliz, quem era ela para contestá-lo.

Ed puxou sua mochila, que nunca largava, e tirou de dentro dela uma pequena caixinha, entregando para Amanda.

-Não vou fazer aquele discurso clichê e dizer que é só uma lembrancinha. Gastei praticamente todas as economias desse ano nessa coisa, e se você não gostar vai apanhar na frente de todo mundo – falou, brincando.

Amanda pegou a caixinha e abriu-a. Dentro dela, encontrou um anel pequeno de prata, com uma pedrinha de brilhante, e junto dele um bilhete dizendo “Aproveite seus 15 anos, morena. Você é muito mais preciosa do que isso ou qualquer coisa que o dinheiro (principalmente o meu) possa comprar.”. Ela não pode conter suas emoções, uma lágrima escorreu por seu rosto e levantou-se para abraçá-lo, com toda a força que conseguiu usar.

-Obrigada! Obrigada! Sério, não mereço isso, você não devia ter me dado. – acalmou-se, enxugou suas lágrimas e sentou-se de volta.

-Você merece, só não vá ficar se achando agora. E se perder, apanha na frente de todo mundo também! – os dois riram. – Mas agora, preciso te fazer uma proposta séria, faz algum tempo que estou pensando nisso, mas já que você está um pouco mais velha, me pareceu mais plausível.

-E o que propõe?

-Vamos embora desse inferno, Ma, eu pra longe do meu tio insuportável e você do seu padrasto, pra algum lugar melhor, onde podemos viver livremente, sem sermos incomodados. Viajar sem destino país afora, conhecer gente nova, seria maravilhoso. Quero muito fazer isso, mas sem você, não dá.

-Quem mais vai?- perguntou, já sabendo a resposta.

-Heather e Josh – Josh, que tinha vinte anos, era irmão mais velho de Ed, que tinha dezoito.

-A proposta parece maravilhosa, você sabe, muito tentadora… Mas não posso simplesmente deixar tudo pra trás.

-Tudo o que? A sua mãe que fica tão entorpecida que nem te reconhece ou o seu padrasto que te bate? E o colégio, foda-se, qualquer um consegue se virar sem e você não pretendia ir pra faculdade mesmo. – Ed soou agressivo, e os dois se calaram por alguns instantes – me desculpa, Ma, mas eu vou junto. Você nunca vai estar sozinha.

-Vou pensar a respeito. Me dá um tempo.

Ed a deixou em casa, e ela ficou muito tempo pensativa. Será que seria uma boa deixar sua mãe a mercê desse homem que simplesmente não se importava com ela? Mas sua mãe também era adulta, sabia se virar sozinha, e não terminava com ele porque não tinha como se sustentar sozinha, e se terminassem, ia acabar com outro vagabundo da mesma estirpe.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.