No fundo dos sonhos - Eddie Munson
24 Bandeja de alumínio
No fundo da minha mente escuto um som repetitivo e irritante, ainda meio grogue de sono movo-me lentamente. Aos poucos sinto algo pesado em minha cintura e uma respiração calma em minha nuca.
— Se você não desligar essa merda eu vou jogar seu relógio da Madonna na parede. — Escuto Eddie sussurrando em meu ouvido. Imediatamente desperto e recordo-me da noite passada. Desligo o som irritante e verifico as horas, são sete horas. — Fica. — Sinto seus braços firmarem ao redor da minha cintura.
— Você sabe que não posso Eddie. — Livro-me, com muita relutância, do seu abraço e levanto-me da cama. — Como você está? — Aproximo do seu rosto, verificando os hematomas e cortes no rosto. Preciso passar uma pomada cicatrizante.
— Estou ótimo, mas você esta com bafo. — Sorri preguiçoso, ainda com sono.
— Você é uma piada Edward Charles Munson.
— Você gosta que eu sei. — Ajeita-se na cama, virando-se para a parede e voltando a dormir.
— Antes de sair vou passar uma pomada nos cortes do seu rosto. — Escuto seu bufar sendo abafado pelo travesseiro. — Você querendo ou não eu vou passar. — Sigo até o banheiro fazendo minha higiene matinal e então sigo até meu guarda roupa escolhendo a roupa do dia.
Graças a Deus o clima voltou a esquentar, resolvo ir com um macacão jeans, uma camisa manga curta florida, meu inseparável all star preto e um cinto para complementar o look. Pondero mentalmente se troco de roupa no banheiro ou apenas ignoro a existência de Eddie na minha cama e faço isso no meu quarto. Ele já voltou a dormir e está virado para a parede, com o rosto enfiado no travesseiro. Decido-me por trocar de roupa ali mesmo, de costas para a cama.
— São nem sete e meia da manhã e já tenho uma visão maravilhosa dessa. — Escuto sua voz baixa. — Se eu morrer agora, morrerei feliz. — Viro minha cabeça em sua direção arqueando a sobrancelha, deitado de lado, apoiando-se no seu cotovelo, ele sorri mordendo o lábio inferior. — Estou apenas comentando.
— Pensei que estivesse dormindo, seu tarado. — Termino de colocar o macacão e viro-me em sua direção. — Senão teria trocado de roupa no banheiro.
— Não se preocupe, não vi nada além do que eu já não tenha visto. — Sorri malandro e se joga na cama novamente. Bufo negando com a cabeça.
— Você fica até eu voltar da aula? Ou vai para casa?
— Acho que volto para casa, meu tio deve estar preocupado.
— Provavelmente ele vai surtar quando te ver. — Termino de colocar o tênis, me encaro no espelho, verificando o visual.
— Linda como sempre. — Olho em sua direção e ele observa-me de cima a baixo com um sorriso aberto. Minhas bochechas coram. — Boa aula Williams. — Volta o olhar para meus olhos e parece que meu coração erra as batidas.
— Obrigada Munson. — Sorrio encarando-o, nervosa mordo o lábio inferior e lembro de passar a pomada cicatrizante em seu rosto. — A pomada!
— Ah não. — Resmunga enfiando o rosto no travesseiro. Corro até a maleta procurando pela pomada cicatrizante, encontrando-a no fundo, quase escondida. — Eu não sou um bebê Hazel, não preciso que faça isso.
— Você vai passar por conta própria? — Faz uma careta contrariado. — Exatamente. Agora fica quieto, isso nem vai doer. Prometo ser delicada.
— Se a sua delicadeza for como ontem eu não quero. — Vira-se de barriga para cima, cruza os braços em cima do peito. Girando os olhos começo a passar a pomada no corte do supercílio e do nariz. — Vai de carona com quem hoje?
— Apareço na casa da Robin e quem dar carona para ela, eu vou junto. — Termino de passar a pomada e resolvo passar a outra para os hematomas. — Vou passar a outra pomada no seu abdome. Deixa eu ver como que esta a situação.
— Você parece a sua mãe. — Levemente irritado ele levanta a camisa até a altura do peito, revelando todos os hematomas que havia ali. Suspiro derrotada, fazendo a massagem novamente, verificando se estava tudo bem. — Pelo amor de Deus Hazel, eu vou acabar com a sua vida. — Geme de dor.
— Um dia você vai me agradecer, seu ingrato do caralho.
— Ingrato é teu cu. — Gargalho com a sua reação. — Para de rir porra, estou sentindo dor aqui.
— Ok, desculpa. Vou passar a pomada. — Pego a mesma em cima do criado mudo ao lado da cama e começo a passar, dessa vez, delicadamente sob seu abdome. — Pronto Munson, novo em folha!
— Mais ou menos não é? — Sorrindo preguiçosamente ele joga seu braço em seus olhos, deixando à mostra algumas das suas tatuagens, tampando metade do seu rosto. — Deus que vontade de enfiar uma tora de madeira no cu daquele babaca. — Engasgo com a sua fala. Eddie é louco, mas dificilmente é violento. — Estou com raiva Williams, o mínimo, é que eu queira matar aquele mauricinho vagabundo.
— Farei o meu melhor hoje. — Meu tom de voz era sugestivo. Imediatamente Eddie tira o braço de cima dos olhos e arqueia as sobrancelhas.
— O que você pretende fazer Hazel? — Pergunta baixo. Dou de ombros e sorrio.
— Nada. Vamos ver o que pode rolar. Não esquece que minha mãe volta do trabalho às oito horas — Sorrio maligna e me despeço dele, dando um beijo em sua testa, deixando o cabeludo com um olhar chocado.
Saio de casa sorrindo, olho para o céu e o dia estava lindo. Céu limpo, com poucas nuvens e o sol da manhã queimava lentamente minha pele. Saltitante sigo até a casa de Robin, sabendo que ela pega carona com Nancy ou Steve.
— O que faz aqui? — Pergunta quando percebe minha presença.
— Bom dia para você também minha querida amiga, hoje irei de carona com você e quem aparecer.
— Bom dia... — Seu tom era desconfiado. — E o Munson? Brigaram de novo? — Suspiro triste e nego com a cabeça. — Ele não vai para o colégio?
— De certa forma, não. E possivelmente não vá nos próximos três dias. — Pensativa encarava o vazio.
— Por quê? — Agora sua voz era preocupada. Suspiro preparada para contar o que houve ontem, mas o carro de Steve aparece.
— Bom dia minhas garotas, sua carruagem chegou. — Fala com o sotaque mais caipira possível.
— Juro por Deus que não sei o porque somos amigos. — Robin entra no carro, sentando-se no banco do passageiro e eu me ajeito no banco dos fundos.
— Concordo.
— Eu sou o palhaço dessa amizade aqui.
—Concordo muito. — Robin fala sorrindo. Sinceramente, se Robin não gostasse da mesma fruta que Steve, esses dois seriam um ótimo casal. Ainda bem que Robin gosta de pêssegos e não de berinjelas, Deus nos livre de aguentar Steve como namorado.
— Agora me explique o por que a pequena miss sunshine está aqui. — Dirige o olhar, pelo retrovisor, para mim. Sorrio para ele.
— Precisava de uma carona. — Dou de ombros. — Eddie está um pouco incapacitado hoje.
— Incapacitado ein... — Seu tom de voz era malicioso, suspiro derrotada. — Ah desculpa, esqueci que você gosta dele.
— Eu não gosto dele.
— Gosta sim. — Os dois respondem ao mesmo tempo. Bufo irritada.
— De qualquer forma, não é por esse motivo que ele não pode vir. — Falo baixo.
— O que houve com ele? — Steve agora tinha um olhar e seu tom era preocupado.
— Ontem, no horário da saída Liam e os meninos pegaram ele...
— Meu Deus do céu. — Robin coloca as mão sob a boca, assustada. — Ele está bem?
— Sim, agora ele está. Mas na hora foi assustador, eu pensei que iria perde-lo. — Vago em meus pensamentos, recordando as cenas de ontem. — Liam, Jason e Billy apareceram. As aulas já tinham terminado a um bom tempo, não tinha mais ninguém no colégio....
— Que filhos da puta. — Steve bate forte no volante com raiva.
— Jason me segurou, impedindo-me de ir até Eddie. E... — Suspiro fundo. — Billy segurou Eddie, deixando com que Liam batesse nele.
— Covarde do caralho, sabia que sozinho ele não conseguiria. — Robin declara baixo, com tanta raiva quanto Steve.
— Eddie apareceu para uma reunião com o Hellfire e graças a Deus eles vieram nos ajudar. Não sei quanto tempo fiquei ali observando Eddie apanhar, mas ainda bem que os meninos apareceram. Dustin até bateu no Billy. — Sorrio com a lembrança do menor montado nas costas do loiro.
— Esse é o meu garoto. — Steve fala com orgulho. — E depois?
— Eu e os meninos levamos Eddie para minha casa e lá eu cuidei dele. Agora ele já está melhor, se esta fazendo piadinha é por que ele esta bem. — Vejo Robin afirmando com a cabeça.
— Depois das aulas a gente vai visitar ele. — Steve fala e volta a prestar atenção na rua.
— Espera ai... — Robin vira para trás rapidamente, me encarando sugestiva. — Quer dizer que Eddie dormiu na sua casa? — Levanta as sobrancelhas. — E vocês só dormiram?
— Pelo amor de Deus Robin, o garoto estava todo acabado e...
— A gente se beijou, de novo. — Interrompo Steve, consigo ver o choque no seu rosto pelo retrovisor.
— Pela segunda vez?! — Robin pergunta animada.
— SEGUNDA? — Steve não sabia mais em quem prestar atenção.
— Terceira na verdade... — Sorrio abertamente para Robin, os olhos da garota arregalam-se.
— Esta brincando que vocês já se beijaram de novo.
— Me perdi gente. — Steve fala abaixo, mas alto o suficiente para nós duas escutarmos.
— Seu pateta! — Robin desfere um tapa na cabeça dele, que reclama de dor. — Eles se beijaram quando foram em frente com aquele plano louco da Hazel...
— VOCÊS TRANSARAM?! — Rolo os olhos, mas rio baixo com a sua reação.
— Não, não transamos Steve. Mas foi quase. — Recordo-me da noite do acordo e sinto um arrepio em meu corpo. Um arrepio bom.
— Ok e a outra vez? O outro beijo, quer dizer. — Robin estava curiosa, parecíamos três senhorinhas fofoqueiras.
— Foi na segunda feira.
— Segunda feira dessa semana? — Steve pergunta com uma careta.
— Não idiota, na segunda feira que vem. Óbvio que foi nessa semana. — Robin rola os olhos irritada.
— Foi apenas uma pergunta, sua louca. — Começa a estacionar o carro na mesma vaga de sempre.
— E depois nos beijamos na banheira, ontem. — Sorrio com a lembrança dos seu lábios nos meus.
— Isso ai Eddie. — Steve comemora levantando a mão.
— Na verdade a última vez quem beijou ele fui eu.
— Manda a ver garota, arrasa. — Robin e eu fazemos um high-five.
Sorrindo descemos do carro e seguimos em direção a entrada. No meio do caminho encontramos o time conversando em volta do carro de Jason. Encaro eles e observo Billy e Liam de braços cruzados.
— Cadê a sua sombra hoje Williams? — Billy pergunta alto o suficiente para todo o estacionamento escutar. Sorrio maligna em sua direção.
— Esta dentro do seu cu Hargrove. — Observo o loiro arregalar os olhos, mas imediatamente o olhar soberbo volta.
— Ignora eles. — Robin diz empurrando-me para a entrada. Suspiro irritada.
Hoje será um longo dia.
—--------------------------------------
Durante o intervalo me sento com o Hellfire, dada a situação do que aconteceu ontem, Steve, Nancy, Jonathan e Robin também estavam sentados conosco. Parecíamos o grupo mais eclético possível.
— Ele está bem, óbvio que os hematomas não vão sarar da noite para o dia, mas ele está bem. — Acalmo os meninos que estavam preocupados com seu líder. — Em breve ele já vai estar tocando o terror na campanha. — Sorrio alegre e eles comemoram.
— Depois das aulas a gente vai visitar o cabeçudo. — Jeff fala e os outros concordam.
Conversamos tranquilamente, os meninos falam sobre a campanha da semana, enquanto Steve e o grupo fica confuso e tenta entender sobre o que se trata.
— Bem, os esquisitões sempre se encontram. — Escuto uma voz atrás de mim. Liam. — Senti falta do seu amiguinho durante as aulas... — Coloca a mão sobre o queixo, pensativo. — Fico me perguntando onde ele está? — Não faço o esforço de encará-lo.
— Já disse, ele está dentro do cu do Hargrove. Deveria procurar por lá, tenho certeza de que você já é familiarizado com essa região. — Dou de ombro e continuo comendo meu lanche. A minha frente vejo Steve arregalar os olhos com minha resposta.
— Quer ver seu amiguinho apanhar de novo Williams?
— Por que? Vai ser covarde novamente e chamar seu grupinho de escoteiros, já que não dá conta sozinho? — Finalmente viro o corpo em sua direção, observando-o de cima abaixo. Liam é covarde o suficiente para precisar de Jason e Billy atrás dele. Babaca.
— Garota você não sabe o que fala.
— Você é quem sabe Johnson e te asseguro que se você resolver chegar perto de mim ou dos meus amigos, eu juro que não respondo pelas minhas atitudes.
— E das nossas atitudes também seu babaca. — Gareth fala dessa vez.
— Da próxima vez, procura essa coragem para transar comigo e não fugir como uma garotinha assustada. — Fala alto o bastante para que todos consigam o escutar, encara-me de cima a baixo com ódio e os três viram-se indo em direção a mesa do time, do outro lado do refeitório.
Sinto minhas bochechas esquentarem e não é de vergonha.
— Que idiota, quer que a gente bata nele Haz? — Brian pergunta. — Hazel? — Escuto sua voz preocupada ao fundo da minha mente.
Meu corpo estava quente, na verdade estava em chamas com tanto ódio. Os nós dos meus dedos encontravam-se brancos, de tamanha a força que apertava minha mão em meu colo. Respirando pesado e com raiva, levanto-me irritada pegando a bandeja de alumínio que tinha meu lanche, deixando que a comida que havia ali caísse no chão. Em passos pesados sigo em direção aos três idiotas.
— Hazel o que você vai fazer?! — Escuto a voz de alguém ao fundo. Mas já era tarde, meu corpo estava carregado de ódio e raiva e a única coisa que eu queria fazer era "enfiar uma tora de madeira no cu daquele babaca".
— Ei, seu idiota! — Grito alto o suficiente para que ele sua trupe escutasse.
Percebo quando o moreno vira-se em minha direção e sem tempo para qualquer coisa ou pensamento que ele possa ter, acerto a bandeja de alumínio em seu rosto com toda a força que restava em meu corpo. Imediatamente o moreno leva as mãos até o rosto, onde ficou bem claro que fiz alguma coisa com aquele nariz. Seja um corte ou até quebra-lo.
Observo os outros dois loiros indo até ele para ver o que aconteceu. Ainda possessa de raiva desfiro um chuto entre suas pernas, com tanta força quanto acertei seu rosto.
— Sua maluca! — Jason grita em minha direção.
— Isso é o que acontece quando mexe com meus amigos. — Jogo a bandeja, que estava amassada pelo impacto, na direção do moreno ajoelhado no chão. Volto a andar em direção a mesa do Hellfire, com todo o refeitório encarando-me assustado.
Sempre fui a boa aluna, a estudante quietinha, com boas notas e amiga do esquisitão. Não me surpreende a atitude dos outros perante ao meu surto de raiva. Em minha defesa, eu tenho um ótimo álibi.
— Hazel Williams! — Escuto a voz da inspetora, que sempre está entre os alunos. — Diretoria, agora! — Suspiro e sigo em direção a velha com cara de saco murcho.
Preciso parar de falar como Eddie ou então vou me transformar nele.
Observo meus amigos olhando-me sorrindo, com exceção de Nancy que estava chocada demais. Gareth e Steve me mandam um positivo e Jonathan com Robin fazem um high-five. Sorrio orgulhosa, poderia até levar uma detenção e até mesmo uma suspenção, mas valeria a pena.
— Onde já se viu, esses alunos vão me levar a loucura. — Ela fala enquanto seguíamos em direção a diretoria, o que não era muito longe. Suspirando levemente, deixo minhas palavras de defesa para o diretor. — Senhor? — Bate na porta com o nome dele. Escuto um murmuro positivo e entramos. — Esta aluna estava batendo em um dos jogadores do time. — Encaro a velha com a sobrancelha arqueada.
— Williams? — O diretor olha-me chocado, o próprio conhece meu histórico. Afinal já conversou várias vezes com minha mãe sobre como sou uma aluna excelente. — Isso é verdade? — Afirmo com a cabeça, sem nenhum remorso do que fiz. — Obrigado senhora Palmer, pode se retirar. Eu assumo daqui. — A velha com cara de saco sai da sala deixando-me sozinha com o diretor, sento-me na cadeira a sua frente. — Esse não é um comportamento comum seu senhorita Williams.
— Concordo totalmente, mas não me arrependo do que fiz. Ele mereceu e tenho testemunhas para provar.
— Conte-me o seu lado da história então, darei um crédito a você por seu histórico. — Apoia as mãos cruzadas em cima da mesa, prestando atenção em mim.
— Basta apenas olhar as câmeras de segurança exteriores e verá o por que fiz isso. Normalmente sou a favor da frase violência só gera mais violência, mas esse idiota mereceu.
— Linguajar.
— Desculpa. — Respiro fundo tentando manter a calma. — Mas vai por mim, olhe as gravações das câmeras externas e verá que eu tenho um álibi. — Suspirando o mais velho pega o telefone, entrando em contato com a secretária.
— Vamos. — Levanta-se lentamente.
— Onde? — Confusa o sigo para fora da sua sala, encontrando Liam sentando com um saco de gelo em seu rosto e enxergo sangue ao redor do nariz. Sorrio orgulhosa em sua direção.
— Sala de segurança. — Responde simples e seguimos em direção a outra sala, não muito longe dali.
Ao entrarmos havia apenas um senhor de cabelos grisalhos, comendo um salgadinho qualquer e bebendo refrigerante, de costas para as telas.
— Senhor Jones, o que faz aqui? — Ajeita-se na cadeira deixando de lado o saco de comida. Respirando fundo o diretor apenas ignora a cena.
— Quero ver as gravações de ontem.
— Qual horário? — O senhor encarava o mais velho confuso. O diretor dirige o olhar em minha direção.
— Ah... Acho que umas quatro e meia da tarde, na parte do estacionamento. — Pensativa tento me lembrar do horário e espero estar correta.
— Mas o prédio já estava vazio a esta hora, não havia mais ninguém. — Confuso ele começa a mexer nos botões, deixando que o telão principal transmita a imagem de ontem. A qualidade não era as das melhores, mas era possível perceber e distinguir as figuras na tela.
— O que é isso? — Diretor Jones pergunta observando a imagem na tela. A cena era instantes antes de começarem a bater em Eddie. — Aquele é Edward Munson? — Faço sinal positivo. — E William Hargrove?
— O próprio. — Afirmo novamente. Não demora muito para a cena na tela mudar e eu estar sendo segurada por Jason e Liam começar a bater em Eddie.
Por mais que a qualidade de imagem estivesse péssima, evito olhar, lembrando-me do pavor que senti naquele momento.
— Isso já é o suficiente Wilson, obrigada. — Declara antes mesmo dos meninos do Hellfire aparecem na tela e sem dizer nada segue para fora da sala, o sigo. Assim que entramos em sua sala novamente, sento-me novamente a sua frente. — Bem, você tem um álibi. Mas não significa que é certo. Pode me dizer o por que aquilo aconteceu?
— Terminei com Liam e ele pensou que fosse por culpa de Eddie. — Respondo simples, já que era mesmo esse o motivo.
— Adolescentes... — Murmura negando com a cabeça. — Senhorita Williams como eu disse compreendo a situação e do por que fez aquilo, em defesa do seu amigo...
— Na verdade bati nele por que ele me provocou durante o intervalo. E tenho testemunhas para provar. — Interrompo-o e ele suspira cansado.
— Certo, mas de qualquer forma ainda preciso penaliza-la. São as normas. — Aceito normalmente, afinal de contas é justo. — Por conta do seu histórico impecável, darei apenas uma suspensão de três dias.
— Eu aceito a suspensão tranquilamente diretor, mas apenas se Liam, Jason e Billy também forem penalizados. — Cruzo os braços o desafiando.
— Não se preocupe, eles terão uma suspensão de quinze dias e estarão fora do time. — Sorri minimamente. — Somos justos por aqui senhorita Williams. Até o horário final das aulas você ficará na detenção, pegue suas coisas. — Afirmo com a cabeça e saio da sala, encontrando Liam ainda ali parado, mas dessa vez com Billy e Jason ao seu lado. Sorrio maligna para eles, em um sinal de "eu avisei". Billy mostra-me o dedo do meio.
— Hargrove! — Escuto a voz pesada do diretor, o loiro suspira irritado. — Os três para minha sala, imediatamente. — Sorrindo abertamente sigo para a saída, em direção ao meu armário buscar minhas coisas. Esperando por mim estavam o Hellfire e meu grupo de amigos, quando percebem minha aproximação eles sorriem.
— Como foi lá? — Nancy pergunta preocupada.
— Uma suspensão de três dias. — Abro meu armário pegando minha mochila jogada ali. Nancy arfa. — Esta tudo bem Nancy. — Acalmo-a. — Os três babacas se ferraram mais, o diretor foi compreensível do porque eu fiz aquilo. Mostrei as gravações da segurança. — Deixo a boca em uma linha e o pessoal entendeu. — Mas vou ficar na detenção até o horário da saída.
— A gente te busca e vamos todos juntos visitar o Eddie. — Steve fala e eu confirmo sorrindo, me despedindo deles e seguindo em direção a sala de detenção.
Fale com o autor