No fundo do Mar...

2 Primeiro Dia: Desentendimentos


Notas iniciais
Atrasei um dia, mas postei.

Espero que gostem desse capitulo! õ/

Atlântis, zarpar!

Lá estávamos eu, minha irmã, meu avô e uns outros “marujos” ajudando a carregar os mantimentos no barco. Ao todo eram 20 ajudantes, sem nos contar. O barco não era muito grande. Não chegava ao tamanho desses mega-navios. Eu nem sei se chamo ele de navio ou de barco. Era maior que a maioria dos barcos ou navios que estavam atracados ao porto. Mas uma coisa que eu posso garantir era que o Atlântis é realmente muito bonito e conservado.

Estava carregando umas caixas com uns enlatados, quando minha irmã chamou minha atenção. Um carro muito bonito e caro, um Jaguar XJ Supercharger preto. Um carro desses custa uma fortuna. Já até vazia uma ideia de quem estava dentro daquele carro, por isso entreguei a caixa para um dos rapazes e pulei para terra firme, indo em direção ao carro juntamente com minha irmã.

— Quem você acha que é? — perguntou para mim.

— Já tenho uma ideia de quem pode ser, maninha.

Apenas paramos perto do carro e esperamos. A porta do passageiro abriu, e uma moça linda, com belos cachos dourados que brilhavam ao sol saiu daquele carro. Usava óculos escuros, uma regata preta, calça jeans e um tênis branco. Aposto um fósforo usado que ela era Milena Xavier.

Ela caminhou até nós e estendeu a mão para mim.

— Olá, sou Milena Xavier. Creio que você seja Yuri, certo? — perguntou enquanto sorria.

— Sim, sou eu mesmo. Nós trocamos algumas cartas. Muito prazer.

— O prazer é todo meu.

— Sou Yasmim, irmã de Yuri — e estendeu sua mão.

Milena apenas disse prazer e deixou minha irmã no vácuo, sem apertar sua mão. Minha irmã cerrou o punho e sussurrou algumas palavras que não entendi, mas fazia ideia do que seria. Notei a porta do carro abrir e um homem tipo executivo sair do carro. Alto, cabelos grisalhos, terno e óculos escuros.

— Ah... Filha, é nessa banheira que você irá viajar?

Não gostei do comentário dele. Achei ofensivo demais.

— Banheira? Fique o senhor sabendo que essa banheira era a única disponível para essa expedição — disse, dando uma entonação maior ao banheira.

— Eu poderia simplesmente conseguir algum navio que estivesse em boas condições para minha filha e...

— Papai. Por favor, chega. Eu concordei em viajar nessa expedição... e sem nenhuma ajuda financeira vinda por parte do senhor. Então, se nos dá licença...

Ela com certeza tem os pais na palma da mão. E isso foi provado quando seu pai simplesmente abaixou a cabeça e foi para o porta-malas pegar as coisas dela. Ao todo ele retirou cinco pesadas malas e duas malas de mão do carro.

— Só trouxe o essencial — disse sorrindo.

Chamei os rapazes para que eles carregassem as malas até os aposentos dela e eles o fizeram. Ela os acompanhou. Segundo ela, tinha que arrumar suas coisas.

— Não gostei dela — falou Yasmim, que estava ao meu lado vendo-a tentando subir ao barco.

— Bem, talvez ela seja um pouco mimada, mas é muito esperta e vai ser muito útil durante a viagem.

Ao tentar subir, Milena escorregou na beira do barco e caiu no mar. Imediatamente, cinco rapazes pularam para resgatar a “princesa”.

— Tem certeza? — disse minha irmã entre risadas.

Vi ela se virar e trombar com um tipo moreno e alto. Era outro que estava chegando.

— Ah, por favor, mil desculpas — disse enquanto ajudava minha irmã a se levantar — eu as vezes não presto muita atenção por onde ando.

— Ah, tudo bem...

Minha irmã, gaguejando? Comecei a rir e fui até eles, estendendo minha mão.

— Yuri, prazer.

— Eu sou Lúcio — disse apertando minha mão e logo depois olhando para minha irmã. — E você é?

— É... Ah... É... Eu sou... — ela começou a ficar vermelha de repente.

— Essa é minha irmã Yasmim.

— Isso, isso. Sou Yasmim. A primeira e única.

— Muito prazer, Yasmim. Desculpem a demora, tive alguns imprevistos na viagem.

— Sem problemas — disse a ele.

Foi o timing que encontrei para salvar minha irmã. Nunca tinha visto ela reagir dessa forma com um rapaz. Era a primeira vez mesmo na minha vida que eu a vi ficar vermelha. Acho que essa viagem vai ser bem interessante.

Levei Lúcio até seus aposentos e disse para ele subir para a “cozinha”, para conversamos. Milena já estava lá, juntamente com minha irmã. Nenhuma das duas sequer se olhavam.

— Olá, Yuri! — mal entrei e a Milena já veio toda saltitante para mim.

— Olá. Maninha — recebi apenas um grunhido como resposta. — Já arrumou suas coisas?

— Sim. E achei o lugar bem confortável, obrigada.

— É que ainda não estamos navegando — disse Lúcio, entrando nos aposentos.

Milena apenas fez uma careta e se sentou. Lúcio fez o mesmo, sentando-se ao lado de Milena, que acabou pulando para outra, bem longe de Lúcio. Sentei-me e comecei a falar:

— Bem, pessoal. Primeiramente gostaria de agradecer por vocês terem aceitado participar dessa expedição em busca de... maiores respostas sobre o que realmente vive no oceano.

— Sereias, você quis dizer — indagou Lúcio.

— Bem... É. Na verdade vamos procurar sobre sereias.

— E vocês acham mesmo que uma lenda como essa existe? — perguntou Milena.

— Fique quieta garota-canguru. Se não acredita, o que faz aqui? — notei minha irmã fechar novamente os punhos debaixo da mesa. Essa viagem seria realmente turbulenta.

— Moças, por favor. Parem.

— Eu acredito — disse Lúcio de repente. — Por quê não? Pensem bem... É possível.

— É ai que eu quero chegar. Eu também acho possível, obrigado Lúcio.

— De nada.

— Estamos aqui nessa viagem para tentar comprovar. Não digo que vamos conseguir. Pode ser que sim, pode ser que não. Tudo depende da nossa sorte e persistência.

— Talvez, Yuri. Mas acho que essa vai ser uma viagem perdida — completou Milena.

— Então o que você está fazendo aqui, garota-canguru? — minha irmã já estava furiosa.

— Escute aqui: se me chamar de garota-canguru novamente, eu...

— Você o quê? Vai chamar o papai riquinho para jogar notas de dinheiro em mim?

— Ora, sua...

— Parem vocês duas! — disse me levantando, impaciente. — Chega. Parecem duas crianças. Por favor, vocês vão viajar juntas num barco! Se brigarem, como vai ficar a equipe? Poxa.

Elas iriam retrucar, mas nesse momento a porta se abriu e o capitão entrou.

— Crianças, nós vamos zarpar. Se quiserem subir.

Ninguém além de mim quis subir. Todos foram para seus aposentos, cansados. Acompanhei o capitão até o convés. Ele deu algumas ordens aos marujos e começamos a navegar. Finalmente, estavámos navegando o Atlântico. Nossa expedição estava apenas no começo. E espero poder encontrar alguma coisa.

— Bem, Yuri...

— Sim?

O capitão andou até a popa e se sentou e um banco. Convidou-me para sentar ao lado dele.

— Bem... Eu só queria dizer que, só aceitei esse serviço, porque assim como você, eu acredito em sereias. Eu mesmo já vivi uma experiência com elas uma vez. Minha vida foi salva por um.

Eu achava aquilo tudo muito interessante. Ele não falava como se estivesse mentindo ou debochando. Ele era um homem sábio.

— Perdi toda a minha tripulação naquela noite. Espero que isso não aconteça novamente.

— Como assim, novamente?

— Parece um mau agouro, um aviso para todos os que saem nessa caçada. De todas as expedições já feitas para procurá-las, menos de 1% retornaram para o conforto de suas casas.

— Isso é horrível.

— Sim. E não foi pelo dinheiro que aceitei o serviço. Eu me vi em você...

— Entendo.

— Meio clichê isso. Parece que estamos em mais uma história que lemos por ai.

Ri diante desse comentário. Realmente parecia.

— Bem, tenho serviço por fazer. Até mais tarde — disse se levantando.

Observei-o subindo as escadas e entrando na cabine de comando. Levantei-me e me apoiei nas grades de aço. Fiquei observando o continente se afastando. Não sei por quanto tempo eu fiquei ali, mas sei que quando voltei a mim, já estava anoitecendo.

E não importava para que lado eu olhasse. Eu só via uma única coisa: água.

Eu estava onde queria estar.

Notas finais
E então? Gostaram? Querem mais?

Obrigado aos que lerem e aos que comentarem!

Próximo capitulo, segunda! õ/

Sayonara~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.