No céu & no inferno
5 Heaven Knows
Notas iniciais
Andei por horas pela madrugada, quanto mais tempo eu passava andando mais raiva eu sentia, não do meu pai, mas de mim mesma, eu não devia ter ido ao bar dos demônios, logico que eu nunca pensei que ele estaria lá, mas agora estou sem carona e sem jantar, meu estomago chega a roncar de fome, não tinha um alimento bom em dias, a energia do meu acompanhante seria a primeira refeição decente que eu faço em duas semanas, agora terei que sair amanha novamente e procurar uma refeição satisfatória.
Finalmente chego a primeira casinha simples no meio do nada, Tio Gabriel não tem muito bom gosto, as vezes sinto pena dele, ele não se alimenta, não levanta daquele maldito sofá, apenas fica lá assistindo a TV como se sua vida dependesse disso, não levo para o lado pessoal, sempre que eu quero conversar eu posso falar com ele, e claro, ele não me olha e não responde nada mas e bom saber que não estou destruída sozinha.
Olho a casa antes de entrar, ela e toda branca com o cercado de madeira pintado de branco, todos os moveis da sala, cozinha e banheiro são brancos, menos o meu quarto, gosto a escuridão, ela muitas vezes me confortou quando passei dias difíceis, quando não sabia que tinha que me alimentar de energia, fiquei tão fraca que qualquer luz me deixava doente, então troquei todos os moveis brancos por moveis pretos, as cortinas creme por vermelho escuro, a tintura branca por um azul tão escuro que parecia preto.
Entro na casa e encontro meu Tio sentado em frente a TV, o chiado é insuportável mas ignoro, corro para o meu quarto e me deito, amanha seria um longo dia, tenho que correr atras de uma casa bem longe daqui, arrumar minhas coisas e ir embora, não posso mais esperar, algo me diz que hoje não foi a ultima vez que eu vi meu pai, algo me diz que se eu não for rápida acabarei presa.
Esvazio minha mente e durmo.
...
Doces sonhos, o mesmo que tenho quase toda noite, ele se aproxima de mim, não posso ver seu rosto mas meus coração dispara, não do jeito ruim, é bom, muito bom, fico quente, há essa é a melhor parte do sonho, ele me toca e beija meu pescoço, começo a gemer e puff...
Meus olhos ardem, abro-os, minhas cortinas estão abertas, o sol penetra pelo vidro me deixando desconfortável, sedenta pela escuridão, antes que eu consiga me levantar e fechar as cortinas alguém começa a tossir para chamar minha atenção, olho para a porta e vejo uma mulher extremamente parecida comigo, a unica diferença são os olhos, os seus são azuis e os meus verdes, sei quem é, fico irritada, eu devia ter me privado do sono e ido embora enquanto ainda tinha tempo.
— Veja quem apareceu! o anjo da guarda que não pode guardar a própria filha... muita ironia para um dia só, primeiro Lúcifer e agora você! o que quer? — pergunto mais irritada por ela ter me acordado na melhor parte do sonho do que realmente por ela estar aqui.
— Quer dizer que seu pai já lhe deu a palavra? — pergunta Isabel
— Não importa realmente, eu estou indo embora hoje, falarei para você o mesmo que eu disse para ele, não quero ver você novamente, não me procure, quero que os dois me deixem em paz — digo me levantando, estou com a mesma roupa que dormi então não preciso me arrumar, pego a mala de baixo da cama e começo a enfiar tudo que vejo dentro dela.
— Lilith você vai me ouvir, o criador sabe que você existe, eu e seu pai tentamos esconder mas ele descobriu, não esta nada contente e quer que você escolha um lado, assim que escolher um lado sera totalmente Anjo ou totalmente Demônio, não sera mais um meio termo, se não escolher um lado o criador vai vim atras de você, e acredite em mim, você não gostaria que ele viesse atras de você — ela praticamente fura meu carpete andando de um lado para o outro enquanto fala.
— Deus sabe que meu lugar e lá em baixo, eu não tenho nada angelical guardado em minha mala de artimanhas — digo irritada.
— Se é assim escolha ser um demônio e estamos resolvidas — diz Isabel um pouco magoada, como se eu fosse escolher ser um Anjo e perder toda a diversão.
— Não serei um Demônio, muito menos um Anjo, continuarei sendo Lili a mestiça obrigado — digo ainda fazendo minha mala.
— Você não me deixa escolha, se não aceitar escolher terei que lhe trancar nessa casa, magicamente, um tipo de magica de bloqueio que nem em mil anos você conseguira sair dessa casa — diz Isabel determinada.
— Você não ousaria — digo desafiadoramente irritada
— Vamos fazer um acordo, passe um mês com seu pai e um mês comigo, no final você pode escolher o que quiser, prometo que lhe deixaremos em paz, sem contar que é uma ótima oportunidade para você aprender um pouco mais sobre a sua magia antes de se aventurar pelo mundo.
Não gosto dela, não confio nela, mas entre ficar trancada mil anos nesse inferno de casa sem nenhum alimento e passar dois meses sofrendo, bom eu escolheria a segunda opção, pelo menos eu poderia dar um jeito de aprender alguma magia de ocultação assim mesmo que eles quisessem não poderiam me seguir e me irritar novamente.
— Tudo bem, aceito o trato, mas depois disso eu quero que vocês dois sumam da minha frente, acredite, fingirei que estão mortos — digo friamente.
— tudo bem, vamos, acho que você vai gostar da minha casa — diz Isabel como se não tivesse sentido o veneno das minhas palavras, decido destilar um pouco mais.
— Acho que não "Mamãe" irei para a casa de Lúcifer, lá pelo menos deve ser mais divertido — digo friamente destilando todo meu veneno, ela parece decepcionada, tão decepcionada que chega ate a levantar meu humor.
— tudo bem, direi ao seu pai para vim lhe buscar, esteja preparada — Isabel diz saindo.
Continuo a arrumar minhas coisas, pelo menos fazer a mala não foi uma perda de tempo, penso nas formas em que posso irritar, maltratar, e deixar Lúcifer com raiva... Não seria fácil mas eu tinha um mês inteiro para tentar, tentar e tentar de novo.
Olho para cima irritada, sei que ele não deve estar me vendo e nem me ouvindo como eu não o ouço e nem o vejo mas mesmo assim...
— Você poderia pelo menos por uma vez escolher a vida de outra pessoa para foder?
Continuo arrumando, e arrumando e adivinha? Arrumando minhas malas, talvez passar um mês no inferno não seria tão ruim, mas tenho certeza que o verdadeiro inferno seria passar um mês no céu.
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