No bar.

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Não é a minha melhor história, está curta, um dia desses eu faço a inspiração voltar e faço algo decente.
Depois que você ler a história, leia as notas finais(se quiser).
Boa Leitura ♥

A música do bar era boa, a bebida, por outro lado, parecia urina engarrafada, eu poderia sair quando quisesse, se não houvesse aquela mulher no meu caminho. Olhava para mim com deboche, imaginando se em algum momento eu teria a capacidade de levantar-me e oferecer-lhe uma bebida por minha conta.

Mas aquela mulher era meu tipo de mulher, ela esperava meu erro, uma mulher como aquela não quer bebidas de graça. Ela quer receber uma bebida por algo conquistado, não por um fator genético. De repente, uma voz se destacou no bar, "Um brinde a esse mundo insano!" dizia o álcool no organismo de um certo homem. Peguei minha garrafa de cerveja, olhei nos olhos dela e brindei, ela retornou ao brinde.

Sem percebermos, o tempo passou, e continuamos onde estávamos. Então, ela simplesmente levantou-se, manteve o seu olhar em mim por mais alguns instantes e, por um momento, pensei que ela estivesse vindo falar comigo, apenas pensei.

—Nicolas. — ela chamou o barman, apoiando-se no balcão onde eu estava. — Vamos fechar mais cedo hoje, encerre o expediente. — ela olhou para mim com o canto do olho.

—Sim, senhora. — disse o barman.

Surpreendi-me e, provavelmente, minha expressão deixou isso claro. Ela riu. Era uma risada linda.

—Uma mulher não pode ter um bar? — ela perguntou-me com um sorriso irônico.

—Não um bar com bebidas tão ruins. — dei de ombros,

—Corações partidos não costumam buscar prazer no sabor. — ela respondeu com certa frieza técnica.

Nicolas recolhia copos e colocava casacos nos "Achados e Perdidos", ao ouvir o que a patroa dissera, soltou uma leve risada, como se estivesse acostumado com aquele tipo de comentário.

—Que falta de consideração com nosso povo. — resmunguei.

—Nosso povo?

—Você sabe, — dei uma piscadela — solteiros, cujos corações ainda não se decidiram entre estar vazios, congelados, estilhaçados, preenchidos ou qualquer coisa do tipo. — abri um sorriso galante.

—Quem te garante que faço parte deste povo?

—Você não faz?

Ela ficou em silêncio. Olhei para seu rosto, tinha uma daquelas expressões quase indecifráveis, eu parara de tentá-las decifrá-las há algum tempo, eu esperava, conquistava o dono da expressão, se este me achasse digno, eu teria minha resposta em algum momento, ou eu acabaria descobrindo-a por acidente.

—Nicolas. — chamei o barman. Ele me olhou atento e confuso. — Permita-me atrasar o fim de seu expediente por uns poucos minutos, — pedi — pode me trazer uma garrafa de cerveja? — Nicolas olhou para ela, como se pedisse autorização, ela afirmou com a cabeça, trouxe-me a garrafa e voltou aos seus afazeres.

Abri a garrafa olhei-a por alguns segundos e entreguei-a para a dona do bar.

—Beba — eu disse.

—O que? — ela perguntou confusa.

—Dê um gole na sua mercadoria. — encarou-me tensa, mas o fez. Uma expressão de amargor invadiu seu rosto.

—Argh. — ela reclamou.

—Solteiros se preocupam com o sabor. — ela abriu um sorriso de alívio.

—Solteira. — murmurou. Nicolas a observava atentamente enquanto travávamos aquela conversa.

—Não é tão ruim. — Comentei. — Quer dizer, nosso maior objetivo é deixar de ser solteiro.

—Ou não. — Nicolas disse passando por nós ao erguer os bancos.

—Não para você não é, Nicolas?

—Não para mim, não para muitos.

Ela segurava a garrafa, como se pensasse em dar mais um gole, ou se simplesmente a jogaria fora. Então, de repente, ela virou a garrafa em sua boca e, em segundos, estava vazio.

—Você ouviu isso, Nicolas? — olhava para a garrafa, rindo. — Eu estou solteira. — repetiu sua expressão de amargor. — Precisamos de cervejas decentes. — fez uma pausa pensativa. — Que tipo de cerveja é decente? — perguntou a si mesma.

—Eu preciso saber seu nome. — falei impulsivamente.

Ela olhou para mim, sorriu, mas não o sorriso que eu gostaria que tivesse sido.

—Eu estou solteira, mas ainda não estou pronta.

—O que quer dizer?

—Quero dizer que, apesar de realmente querer dizer meu nome para você, apesar de eu saber o quanto eu ia gostar de saber seu nome, eu ainda preciso de tempo. — e nesse instante, meu coração pesou, eu tinha esse péssimo hábito de me apaixonar cedo demais.

Mas, enquanto o coração sentia, o cérebro agia, tudo aquilo parecia familiar, de um modo distorcido, como se uma lembrança estivesse ao contrário. Então tudo fez sentido.

Lembrei de minha mãe, numa tarde com a família reunida, comentando sobre a morte do filho de um falecido amigo da família, morreu num acidente de carro. Lembrei-me dela dizendo: "Billy tinha deixado o bar para ele, agora a esposa terá de assumir, ou vender. Pobre mulher, perdeu o marido tão cedo.".

De repente, o sentimento se tornou outro, culpa, tensão, medo, preocupação.

Por que eu havia ido àquele bar mesmo?

Eu precisava beber alguma coisa.

Por que eu queria beber?

Um amigo me mandou acalmar a mente, eu descobri alguma idiotice que andavam fazendo no trabalho.

"Um brinde a esse mundo insano!"

—Caramba. — murmurei.

—O que?

—Eu sinto muito pelo que houve.

Ela passou a mão nos cabelos, suspirou, olhou para mim pensativa.

—Como entendeu tão rápido?

—O pai dele era amigo da minha família.

—Eu nunca conheci o pai dele, faleceu antes de eu conhecê-lo e começarmos a namorar.

—Ele era o antigo dono do bar.

—Devia ser muito melhor que a atual dona.

—Nunca saberemos. — sorri.

—Nicolas. — ela chamou.

—Pois não?

—O que você acha de virarmos associados? Eu administro as contas, você organiza o lugar como achar melhor. Dividimos o lucro.

—Eu topo. — em seguida, ele pegou suas chaves e foi até a porta. — Te vejo amanha. — E nos deixou sozinhos no bar.

—Isso foi rápido. — ela disse rindo.

—Pode apostar.

Ficamos conversando por mais algumas horas, quando nos demos conta, já eram três da manhã, ofereci carona para ela, quando chegamos em seu apartamento, ela me convidou para entrar. Eu sabia que aquele apartamento fora comprado depois da morte do marido, haviam fotos, mas não haviam "coisas" dele, aquele apartamento era dela.

—Vanessa.

—O que? — indaguei.

—Meu nome é Vanessa.

—Finalmente.

Em seguida, fiz o que o coração mandava.

Notas finais
Então, antes de agradecer por ter lido e pedir para comentar se quiser, vou só explicar uma coisa.
Você notou que, em um período, o "ela" estava em itálico e em outro período não estava? Bom, basicamente, eu quis dizer que, em determinado momento, era o sentimento quem mandava e em outros, a razão. Você também pode criar sua ideia sobre os "ela" em negrito ou não e eu realmente adoraria ver isso no seu comentário(se for comentar).
Obrigada por ler ♥
Senhorita Bela
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!