No abismo da lucidez
1 Capítulo 1: Incidente na floresta
Notas iniciais
Era uma noite impregnada de mistério, uma xícara de café aquecia minhas mãos enquanto revisava casos esquecidos, o relógio da parede pontuava às 22:33, quando me vi mergulhado nos arquivos não resolvidos da delegacia. Algo nos arquivos tinha me chamado atenção, era uma caixa com documentos antigos, alguns pareciam casos mal resolvidos, reparo num nome, Incidente na Floresta; havia um papel timbrado da prefeitura anexado aos autos sobre alguma tentativa de tornar a região atrativa aos turistas, mas o filho do prefeito havia desaparecido. Conforme mergulhava na papelada mais intrigante, apresentava-se até que, o telefone rompeu o silêncio, e um policial urgente convocou minha presença na Floresta da Sirene. Naquele momento, dois jovens estavam perdidos nas sombras da natureza.
Terminando a ligação me deparo com o seguinte trecho no arquivo, dizia assim:
Os moradores mais antigos diziam que povos antigos habitavam a floresta e tinham a capacidade de comunicar-se com essas criaturas, conhecidos como sirenas, eram conhecidos por suas canções hipnotizantes que ecoavam através da mata.
A mesma floresta só poderia ser coincidência. Enquanto pensava, dirigi-me ao local, sentindo a escuridão da floresta se contorcer ao meu redor. Uma sombra se move entre os arbustos, mas minha mente, turvada pela tensão, poderia muito bem brincar com meus sentidos naquela altura só pensava em chegar rapidamente.
Ao chegar, encontrei uma viatura estacionada, e junto com ela, John Retckley, o guarda da floresta, compartilhando a agonia do desaparecimento. Durante o tempo em que narrava traga-va um cigarro observando o lugar e refletia; um casal, uma noite estrelada, e um destino sombrio à espera na floresta.
Caminhamos até o local do acampamento, pistas perdidas na mata, e uma barraca aparentemente intocada. No entanto, marcas no chão indicavam um arrastar sinistro para fora da tenda. Os rastros na lama guiaram nossa busca até a beira de um riacho e, mais além, uma caverna. Sem esperar por reforços, a lua cheia iluminava nosso caminho enquanto entrávamos no portal sombrio entre raízes caídas.
A transição para a caverna revelou-se ainda mais perturbadora à medida que avançávamos nas entranhas da floresta. O eco dos nossos passos criava uma sinfonia dissonante com os murmúrios das árvores. Podia-se notar que John estava assustado, a luz de sua lanterna tremulava cortando a escuridão, mesmo oferecendo um cigarro este recusou, tentava parar de fumar.
Chegamos a um lago submerso, onde mantos escuros dançavam ao ritmo de cânticos profanos, revelando um horror indescritível diante de nossos olhos. O corpo dilacerado do homem, a mulher levada ao lago como oferenda a algo indescritível. Um líder atraiu um livro antigo, invocando os "Antigos", desencadeando uma fenda na água de onde emergiu uma criatura negra e esguia. A voz sibilante ecoou, afrontando minha sanidade. De volta à realidade, meu estado mental tornou-se o foco de discussão em uma sala estéril de hospital. Delírios alimentados por uma narrativa insana, onde seres sobrenaturais emergiam de abismos no vazio.
Quando me dei conta estava inerte em uma sala só ouvia uma voz distante pronunciando; “A civilização começa com a repressão”, diagnosticou o médico, enquanto a enfermeira se preparava para o tratamento de choque. Uma tentativa desesperada de separar a verdade da ilusão que me aprisionava.
A eletricidade percorreu meu corpo, mas as imagens da caverna, do lago e das entidades persistiam. O desconhecido continuava a me assombrar, enquanto eu, aprisionado entre a lucidez e a loucura, afundava cada vez mais nas profundezas de um pesadelo infindável. Contudo, o tratamento não resultou em nada além de intensificar minha conexão com o abismo. Em meus sonhos, criaturas falavam comigo, e longas febres seguidas por delírios tardios. O médico, impotente diante da escuridão que se instalou em minha mente, murmurou sobre os limites tênues entre o real e o sobrenatural, enquanto minha mente se debatia entre a lucidez e a escuridão.
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