No Topo do Edifício
1 Capítulo Único
Sentada no topo daquele edifício, refleti sobre minha vida fazia. Mais uma lagrima desce pelo meu rosto, e eu tento em vão conte-la. Quando tomei essa decisão tinha prometido não mais chorar. Mas como é difícil.
Lembro-me de todas as vezes que chorei me sentindo vitima das pessoas más. Quantas vezes foi deixada de lado nos trabalhos em grupos pelos meus amigos porque o numero de pessoas estava passando? Quantas vezes tive que andar atrás porque a calçada era estreita? Ou foi interrompida quando estava contando um caso?
Sempre chorava quando chegava em casa depois dessas coisa. Por que faziam isso comigo? Não era justo, não merecia isso. Sempre fui ignorada. Nunca convidada para uma festa. Nunca notada. Sempre tratada como um lixo.
Sentia-me estranha no meio de muita gente. Era como eu não devesse estar lá.
Então no ultimo mês comecei a pesar sobre isso. Por que era trata desse jeito por todos?
Pensei nas coisas que eu fazia. Nas piadas sem graça que contava, em todas as vezes que fechava a cara quando brincavam comigo, nos assuntos que tinha. E fazendo isso, pensando sobre essas coisas, conclui que não gostaria que convivesse com uma pessoa como eu.
Não. Eu não era uma vítima das pessoas más. Eu era uma vítima de mim mesma, de minhas atitudes, da minha incompetência.
Sempre fizera tudo erado desde o inicio. Não passava de um incomodo para as pessoas ao meu redor.
As conversas, os amigos, a família. Tudo não passava de educação por parte das pessoas. Todo amor, que essas pessoas sentiam por mim não passava de uma fantasia de minha mente.
Nos últimos dias mal comi ou conversei com alguém. Tinha decidido não mais incomodar. Mas ainda não era o suficiente, não era o bastante para os vinte anos que essas pessoas tiveram que me suportar. Então tomei minha decisão.
Agora estou aqui, olhando para as luzes da cidade abaixo de mim e lembrando de tudo isso.
Não queria que fosse assim, mas é o único jeito de não incomodar mais ninguém.
Aproximo-me da beira e respiro fundo. Olho para cima, para as lindas estrelas, e fecho os olhos já desistindo de conter as lagrimas que caem livremente pelo meu rosto. Sinto o vento gelado atravessar meu pijama frio fazendo com que os pelos do meu corpo se arrepiem.
E então faço, antes de ter a oportunidade de desistir e voltar atrás. Deixo meu corpo cair leve para frente. Abro os braços para abraçar meu destino. Espero ansiosamente pela dor do impacto, mas quando ela vem ainda me assusto.
Sinto todos os meus ossos quebrados, e minhas costelas perfurando meus pulmões. Porém ainda dou um sorriso. Pela primeira vez fiz algo certo, pela primeira vez fiz algo bom para o mundo. Finalmente a dor vai passando, e então tudo fica escuro para sempre, e sei que não vou incomodar mais ninguém.
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