No Tempo Dos Marotos
44 Never leave me
Notas iniciais

"A diferença do amor e do ódio, é que pelo ódio a gente mata, e pelo amor a gente morre..."
Clarice Lispector
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POV Lilian Evans
(Florence and The Machine — Never Ler Me Go)
Acordo tremendo. Olho em volta e não tem ninguém no quarto. Espera! Esse não é o meu quarto! Olho pros lados e noto que estou no dormitório dos meninos, mais especificamente, no quarto dos marotos.
Estou com dor em todas as partes do corpo, inclusive no abdômen e os pulsos que estão roxos.
Me levanto da cama com certo esforço e vou cambaleando até o banheiro. Sério, parece que estou bêbada de tanta dor.
Tranco a porta do banheiro e tiro a roupa, a atirando no lixo, não quero nada que me lembre de ontem. Abro o chuveiro e vou para baixo da água morna.
Imediatamente todas as lembranças da noite passada me vem a cabeça. Caio sentada dentro do box, á água do chuveiro caindo sobre mim, enquanto eu soluçava alto.
Depois de um tempo, desligo o chuveiro e me enrolo em uma toalha que encontro em um dos armários do banheiro. Abro a porta do banheiro e vou até a cama de James, me sentando na mesma. A porta do dormitório se abre e por ela entra James. Ele parece cansado.
– Lily. — murmura em um tom preocupado.
– James. — murmuro chorosa e corro até ele o abraçando.
Ele parece ficar sem reação por alguns segundos, de certo pelo fato de eu estar somente de toalha. Mas logo envolve os braços por minha volta.
– Eu… Eu não sei como agradecer. — murmuro com a cabeça encostada sobre seu pescoço.
– Não precisa agradecer, Lily. — murmura com a cabeça enterrada em meus cabelos.
Meus olhos enchem de água novamente. Pisco várias vezes para tentar despista-las, mas é em vão, elas descem por meu rosto, molhando toda a camisa de James.
– Eu só quero saber o porque de você ter ido se encontrar com aquele idiota? — pergunta segurando meu queixo.
– Eu… Ele falou que tinha que falar comigo. — respondo.
– E você foi falar com ele, mesmo depois do que ele te fez! — exclama irritado.
– Desculpe. — murmuro chorosa.
– Lily, você não tem que pedir desculpas para mim e sim a si mesma. — diz.
Olho pra baixo acanhada, seco algumas lágrimas que deslizam sobre meu rosto com as costas da mão.
– Você está enganando a si mesma, poxa! Achando que aquele idiota um dia vai mudar! — exclama.
Engulo em seco. Eu sei que fui idiota em ter ido falar com ele, mas eu achava que ele sentisse pelo menos algo por mim.
Mas depois daquele sorriso falso que ele me direcionou ao dizer que gostava de mim, daquele sorriso malicioso e de ter me violentado, eu sinto nojo, repulsa, ódio do Amus.
– Eu sei. — murmuro chorosa.
– Merlin! — exclama colocando as mãos no rosto.
Volto a abaixar a cabeça, olhando para os pés, me sentindo uma idiota por ter acreditado que Amus poderia um dia mudar.
– Se você não tivesse chegado á tempo… — murmuro, as lágrimas voltam a descer por meu rosto.
– Mas eu cheguei, okay? Ele nunca mais vai encostar um dedo em você, Lily! Eu não vou deixar! — diz me abraçando.
– Nunca me deixe. — peço chorosa.
– Nunca. — diz.
Mais algumas lágrimas descem por meu rosto, James as seca com o polegar.
– Os meninos eles… — tento perguntar, mas minha voz falha.
– Sim, já falei a eles e as garotas. — responde James.
Assenti, voltando a enterrar minha cabeça em seu pescoço.
– E o Amus... — tento perguntar, mas minha voz falha novamente.
– Aquele idiota vai pagar pelo que fez a você, Lily. — responde.
– Não, James… Não se meta em encrencas por minha culpa. — falo.
– Lily, eu não me importo com isso, eu e Almofadinhas batemos o recorde de detenções da escola, uma a mais não vai mudar nada. — diz.
Dou uma risadinha. Ele sorri.
– Anda, vamos tomar um café, você precisa se alimentar. — diz.
– Ahm... E como vou sair só de toalha? — pergunto.
– Ah! Pode pegar uma roupa minha. — diz.
Assenti, indo até seu malão e pegando uma camisa e uma calça de moletom.
– Ahm, posso pegar uma cueca? — pergunto envergonhada.
Ele ri assentindo. Pego a cueca, a camisa e a calça e entro no banheiro. Depois de me arrumar, prendo meus cabelos em um coque e saio do banheiro. James sorri largamente ao me ver. Sorrio de volta envergonhada.
– Está linda, vamos? — pergunta sorrindo, me estendendo a mão.
Assenti, ainda um pouco envergonhada e juntos caminhamos em direção ao Grande Salão.
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POV James Potter
Só em me lembrar da expressão de dor e medo que Lily estava ontem, meu coração já se aperta. Não consigo vê-la assim.
– Ahm, posso pegar uma cueca? — pergunta envergonhada.
Rio assentindo. Ela pega a cueca, a camisa e a calça de moletom e entra no banheiro.
Me sento na cama para espera-lá. Logo ela sai do banheiro vestida com as minhas roupas e com os cabelos ruivos presos em um coque, mais linda impossível.
– Está linda, vamos? — pergunto sorrindo e estendo minha mão.
Ela assente envergonhada e entrelaçamos as mãos.
Entramos no Grande Salão e todos os presentes olham para nós. Claro que nenhum deles sabe dos acontecimentos de ontem.
– LILY! — grita Lenne correndo na direção de Lily.
– Lenne! — exclama Lily.
Elas correm uma em direção a outra e se abraçam. Sorrio com a cena. Olho ao redor e vejo todos olhando para nós, totalmente confusos.
Nos sentamos junto aos nossos amigos e logo eles começam a bombardear a Lily de perguntas.
– O que aconteceu?
– O que aquele idiota tinha na cabeça?
– Eu juro que mato ele!
– Lily, você está bem?
– De quem é essa roupa?
Rio com a última pergunta e Lily fica da cor de seus cabelos.
– Ahm… É do James. — responde envergonhada.
– O QUÊ? — gritam Lene, Dorcas, Alice, Emmeline e Mary juntas.
– É que eu não tinha como sair só de toalha do quarto dos meninos. — explica Lily envergonhada.
– Como assim só de toalha, Lily Evans? — pergunta Lenne.
E eu que achava que a Lily não podia ficar mais vermelha, ela ficou.
– É que eu tomei banho e toquei fora as roupas de ontem a noite. — responde Lily.
– Ah. — murmuram todos.
– O que aconteceu lá? — pergunta Lenne.
– Se importam se eu não quiser falar do assunto? — pergunta Lily.
– Não, imagina. Desculpe-nos. — pede Mary.
Lily sorri de canto e olha pra trás. Olho para onde ela está olhando e logo vejo o Diggory sentado na mesa da lufa-lufa com o rosto inchado e roxo.
– Oh, James, você deformou a cara do garoto. — murmura Lily.
– Sorte dele que não o matei. — murmuro irritado.
Ela arregala os olhos, olhando para mim.
– Não consigo acreditar que esse idiota não foi expulso! — exclama Lenne indignada.
– Não consigo acreditar que ele não morreu! — exclamo irritado.
– James! — exclama Lily assustada.
– Só estou falando a verdade. — murmuro dando de ombros.
Por mim esse idiota estaria morto! Não! Melhor... Estaria preso em Askaban pelo resto da vida!
– Ahm, vamos mudar de assunto. — pede Lily.
Todos assentimos.
– Estou louca que chegue as férias! — exclama Lenne.
Tipo, ela fala isso todo dia! Rimos, todos assentindo. Lily é a única que não ri, ela se levanta do nada.
– O que houve? O que está sentindo? — pergunto preocupado.
– Vou a biblioteca. — responde.
– Eu vou junto! — exclamo me levantando também.
– Não precisa. — diz.
– Lily, da última vez que você foi sozinha á biblioteca, você desmaiou. — falo.
Ela suspira.
– Okay, vamos. — diz.
Pego a mão de Lily e seguimos para a biblioteca.
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Depois de um tempo lendo um livro gigante, Lily o atira na mesa e coloca as mãos no rosto.
– Merlin! — exclama.
– O que foi? — pergunto preocupado.
– Não consigo nem estudar mais! — responde indignada.
Ri.
– É porque você está cansada demais. — falo.
Ela assente segurando os cabelos.
– Vem, você precisa descansar. — falo pegando sua mão.
– Mas nós temos aula daqui a pouco! — diz.
– Não importa, você está cansada, tenho certeza que os professores entenderão. — falo.
Ela assente pegando minha mão.
Entramos na sala comunal e a Lily começa a subir as escadas pro dormitório feminino.
– Vem. — chama.
– Ahm… Tá. — murmuro confuso.
Subo as escadas atrás dela. Ela abre a porta do dormitório e se deita na sua cama.
– James, eu até te devolveria as suas roupas agora, mas elas são tão confortáveis. — murmura.
Ri.
– As ordens. — brinco.
Ela ri. Me sento na cama dela.
– Obrigada por ter me ajudado. — murmura.
– De nada. — murmuro.
Ela sorri e me abraça. Sinto seu perfume floral, sorrio. Ela se desvencilha de mim, olhando nos meus olhos.
– Boa noite. — brinca.
Rio.
– Boa noite, bela adormecida. — brinco.
Ela ri abertamente. É tão bom vê-la rindo. Ela chega mais perto de mim e deposita um beijo casto em meus lábios. Olho para ela surpreso. Ela sorri e se deita na cama, fechando os olhos, e eu fico ali sorrindo feito um bobo.
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