No Tempo Dos Marotos
81 Acampamento Part.3
Notas iniciais

''A persistência é o menor caminho do êxito.'' (Charles Chaplin)
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POV Lilian Evans
(Thom Yorke — Hearing Damage)
Eu e Meredith já estávamos caminhando há algum tempo e eu já estava começando a perder o controle. Já não bastava eu ter ficado como dupla desta vadia de quinta, agora tenho que escutar ela reclamando e falando do meu homem? Não, isso já bastava para eu dar uns bons tapas na cara dela.
– James está tão gostoso naquela camisa preta... Está realçando seus músculos maravilhosos. Mal posso esperar para darmos um bom mergulho na cachoeira para eu poder ver melhor aquele corpinho delicioso... — ela diz e me seguro para não lhe dar um soco na cara. — Ah, não, espere... — ela diz, soltando um risinho que mais parecia uma hiena engasgada. — Eu já vi. Muitas e muitas vezes.
Aquela foi a gota d'água, paro de caminhar e lhe dou um tapa estalado na cara. Ela me olha com os olhos arregalados, furiosa. Seu rosto adquiriu a cor vermelha rapidamente.
– Isto é para você calar a boca antes que eu seja obrigada a acabar com isso que você chama de cara. — replico.
Ela deixa a sua mão escorregar por seu rosto vermelho, até cair ao lado de seu corpo. Ela estava tremendo de raiva e dou um passo para trás mesmo não tendo medo algum dela.
– Vadia! — exclama e tenta pular por cima de mim, mas vou para o lado e ela tropeça, escorregando e puxando meu braço, solto um grito e nós duas descemos rolando ladeira á baixo.
Solto vários murmúrios de dor enquanto minhas costas batiam no chão e minhas pernas e braços ralavam. Meus cabelos atrapalhavam a minha visão, mas não era preciso enxergar para saber que Meredith estava á alguns metros de distância de mim escorregando também, já que ela gritava que nem um babuíno com dor de dente.
Sinto meu corpo bater com tudo em uma pedra e caio com um baque no chão batido.
– Ai... — gemo, levando a mão até a cabeça, sentindo-a molhada. — Droga. — resmungo ao ver o sangue em minha mão e com dificuldade, me levanto, olhando ao redor.
Nenhum sinal da biscate. Olho para meus braços e pernas totalmente ralados e noto que minhas roupas rasgaram. Meus joelhos ficaram totalmente á mostra, e minha barriga também. Escuto um barulho atrás de uma pedra e vou até ela, encontrando uma Meredith toda errada. Ela estava á beira de lágrimas, seu corpo estava todo machucado, sua blusa, que já era extremamente curta, estava toda rasgada e sua barriga estava toda arranhada e sangrando. Seu piercing no umbigo havia sido arrancado, fazendo com que o mesmo ficasse inchado e em carne-viva. Engulo em seco e olho para o seu rosto, ela estava com uma expressão horrenda de dor e suas mãos, com as unhas quebradas, iam de encontro á sua barriga. Ela gemia de dor e chorava muito. Mesmo não querendo, fiquei com certa pena. Eu nunca iria querer que isso acontecesse comigo, imagina aos outros, mesmo sendo Meredith.
Olhando para o estado dela, vejo que o meu já não é lá grande coisa. Uns arranhões e machucados aqui e ali, os cabelos bagunçados e cheios de galhos, a cabeça sangrando, a boca cortada. Levo as mãos até um pedaço de roupa que estava caído ao chão e coloco sobre sua barriga. Ela se esquiva, me olhando com raiva.
– Não me toque, vadia! Isso tudo é culpa sua! — grita furiosa.
Fico indignada e a encaro com fúria evidente em meus olhos.
– Eu só estava tentando ajudar sua hiena desfigurada! — xingo.
Ela faz um movimento brusco, como se fosse me atacar, mas se arrepende instantaneamente, levando as mãos ao umbigo.
– Ai. — resmunga, fazendo mais lágrimas descerem por seu rosto.
Fico encarando-a surpresa por vê-la chorar, afinal, cobras não choram, não é?
– Isso... — começa, com a voz embargada, suas lágrimas desciam livremente por seu rosto. — Isso tudo é culpa sua. Desde o começo.
Eu já ia retrucar, mas paro ao ouvir sua próxima acusação.
– Se não fosse você, James ainda estaria comigo. Não sei como ele pode ter me trocado por você, uma cenoura ambulante sem sal nem açúcar, uma rata de biblioteca. Você jogou o seu charminho para ele, aproveitando que ele ainda supria sentimentos por você e o fisgou. — soluçou. — Você é pior do que eu, Lilian e é só esperar que logo logo todo o veneno que você espalhou por aí, vai voltar e te sufocar e você vai ver como é bom perder alguém que ama.
Fico sem palavras, encarando-a perplexa. Suas palavras me atingiram de um jeito que eu nunca iria imaginar.
– Eu não estou roubando ele de você, — ela diz, fechando os olhos por um momento, enquanto tentava achar uma posição mais confortável. — Só estou tentando pegar o que é meu, de volta.
Engulo em seco novamente, sentindo as lágrimas preencherem meus olhos, parte pela dor que vinha de meus machucados que estavam ardendo, parte por estar com medo de que James realmente tenha algum sentimento por Meredith ainda.
– Se ele te amasse realmente, — começo, engolindo o choro. — Ele não estaria correndo atrás de mim.
Ela geme de dor, enquanto tentava de algum jeito, arrumar o seu umbigo que saltou pra fora.
– Ele me ama, só é cabeça dura o suficiente para não admitir isso. — diz, soltando mais um gemido, desistindo de mexer no umbigo.
Fico encarando o chão por um momento, sentindo as lágrimas descerem por meu rosto e me afasto de Meredith, me sentando encostada em uma árvore.
James não poderia nutrir sentimentos por ela, poderia?
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(Bon Iver & St. Vincent — Roslyn)
Escuto barulho de passos abafados pelo gramado e acordo, alerta. Já estava para escurecer e os pássaros voavam em bando em direção ao pôr-do-sol. Olho em direção á onde estão vindo os passos e vejo James, com os olhos arregalados. Ele olhava nervoso para Meredith e para mim e se agacha para falar com ela. Não consigo escutar o que estão falando, pois não passam de sussurros, mas logo ele vem em minha direção, se ajoelhando ao meu lado.
– Lily, você está bem? — pergunta, preocupado.
– Hum... — murmuro, olhando para suas belas íris esverdeadas e sorrio de leve. — Sim, agora estou.
Ele sorri vacilante e beija o topo de minha cabeça, se levantando logo depois e pegando Meredith no colo. Olho confusa para ele, meus coração parecia que ia sair pela boca, a bile me sufocando, as lágrimas vindo. Não, James não vai me deixar aqui, não...
– Almofadinhas, leve a Lily. — manda James e logo vejo Six sair do meio das árvores e vir até mim, me olhando preocupado.
Ele se ajoelha a minha frente e começa á olhar meus machucados e falar comigo, mas não conseguia prestar atenção em suas palavras, estava desesperada demais olhando em direção a James que caminhava em direção á floresta com Meredith em seu colo.
Por quê ele pegou ela? Por quê não eu?
Tudo bem que ela está mais machucada do que eu, mas... Tinha o Six para carrega-la, mesmo eu odiando esta opção também.
– Vamos, Lily. — escuto Six dizer e logo depois sinto seus braços segurarem minhas costas e pernas e encosto minha cabeça em seu pescoço e começo a chorar silenciosamente, enquanto ele me levava em direção ao acampamento.
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Sinto-me encostar em uma cama macia e abro os olhos com dificuldade pela luz. Sirius, Lenne, Dorcas, Remus, Frank, Lice e até mesmo Pedro me encaravam preocupados, menos James, ele não estava ali. Me sento, olhando para os lados, procurando nos cantos, para ver se ele não havia dormido em algum canto, mas... nada. Nada. James não se encontrava em lugar algum do quarto e isso me deixou preocupada.
– Como você está, Lily? — pergunta Lenne, roxa de preocupação.
– Onde está o James? — pergunto, esticando o pescoço para dar mais uma procurada pelo quarto.
Quem sabe ele estava se escondendo para me fazer uma surpresa?
– Ahm... — escuto a voz receosa de Lice e olho imediatamente para ela, estreitando os olhos.
– O quê? — pergunto, desconfiada e temerosa.
Todos se entreolham e voltam a olhar receosos para mim.
– Ele... Ele está com Meredith. — diz Lenne e arregalo os olhos. — Ele está cuidando dela.
Sinto as lágrimas preencherem meus olhos e tento me levantar, totalmente desesperada, mas Alice me empurra de volta para cama.
– O quê? O que ele está fazendo com aquela biscate de quinta? Por quê ele não está aqui comigo? — bombardeio, sentindo as lágrimas descerem por meu rosto, molhando o que sobrou da minha blusa. — É a mim que ele tem que cuidar. — murmuro, abaixando a voz. — Ele me ama, não ama ela.
– Lily, isso não tem nada haver com amor... — murmura Lenne, fazendo uma careta. — É que... Ele é a única pessoa daqui que conhece a Meredith o suficiente para ficar na ala hospitalar com ela... As amigas dela são todas do quinto, lembra?
Sinto a bile subir em minha garganta e fecho os olhos, permitindo que as lágrimas voltassem a descer por meu rosto. Meus soluços tomavam conta do quarto e sinto todos me envolverem em um abraço coletivo.
– Eu queria ele aqui... — murmuro.
– Ele vai estar, Lily... Só dê tempo á ele. — diz, Six e me agarro mais á eles, permitindo-me chorar tudo o que estava guardado em mim á tempos.
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POV James Potter
(Robert Pattinson — Never Think)
Carrego Meredith em meus braços, enquanto a mesma chorava enlaçada em meu pescoço. Chego no acampamento que já estava cheio de alunos e todos me olharam confusos, enquanto a professora Minerva corria até mim, preocupada.
– Sr.Potter, o que aconteceu? — pergunta, parando na minha frente e olhando preocupada para Meredith.
– Encontrei ela junto á Lily perto do lago. As duas estavam machucadas e adormecidas. — respondo e a professora me olha confusa e parece ficar mais preocupada ainda.
– E onde está a Srtª.Evans? — pergunta.
– Almofadinhas está trazendo. — respondo.
– Tudo bem, tudo bem, leve-a para a ala hospitalar. — ela manda e caminho em direção á ala hospitalar.
Chegando lá, Madame Pomfrey me manda coloca-la em uma maca e começa a fazer os curativos. Coloco um banquinho ao lado de sua maca e a observo.
– Agora eu irei lhe dar um remédio para dormir, querida. Você não vai sentir nada. — diz, Madame Pomfrey e Meredith assente, me olhando com os olhos cheios de lágrimas.
– Vai estar aqui quando eu acordar? — pergunta, manhosa.
Sorrio e seguro sua mão.
– Vou. — respondo e ela sorri de volta, enquanto Madame Pomfrey lhe dava o remédio.
Logo ela adormeceu, e fiquei lhe observando por um longo tempo, até que sinto-me sonolento, e coloco o braço encostado na maca, deitando sobre ele, enquanto minha mão continuava segurando sua mão.
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Acordo com um leve carinho em meus cabelos e olho para Meredith, que me observava sorrindo carinhosamente. Sorrio para ela e solto sua mão, me espreguiçando, ao mesmo tempo em que bocejava.
– Que horas são? — pergunto.
– 8h da manhã. — responde, sorrindo.
– Está acordada desde que horas? — pergunto, tornando a segurar sua mão.
– Hum, não faz muito tempo, acho que á uma meia hora atrás. — responde, fazendo uma careta enquanto pensava e rio fraquinho. — Que foi?
– Seu nariz, — respondo e ela arregala os olhos, levando a outra mão, que não está segurando a minha, até o nariz, talvez preocupada achando que tenha algo nele. — Ele forma uma ruguinha aqui, — toco no topo de seu nariz, no espaço entre os dois olhos e ela solta um muxoxo. — Quando você faz careta, é fofo.
Ela ri baixinho e fica me observando, os olhos brilhando.
– Obrigada. — murmura.
Inclino a cabeça para o lado, com a sobrancelha arqueada, enquanto á observava.
– Pelo quê, exatamente? — pergunto e ela sorri.
– Por ficar aqui, cuidando de mim.- responde, baixinho.
– Não precisa agradecer, estou aqui porque eu quero. — digo e aperto sua bochecha, fazendo seu sorriso ampliar. — Vamos dar uma olhada nesse umbigo?
Ela assente e levanta os lençóis, receosa. Subo a blusa branca de paciente e observo seu umbigo, que estava cheio algodão, com fita adesiva. Havia alguns pedaços de gaze presos á fita adesiva também, tampando onde estava o piercing.
– Está sentindo dor? — pergunto, voltando a olhá-la.
Ela engole em seco, fazendo uma careta como se dissesse sim. Suspiro, olhando ao redor e voltando a olhá-la, segurando mais firme sua mão.
– Espera, eu vou pedir para a Madame Pomfrey lhe dar um remédio pra dor. — digo, beijando sua mão e me levantando.
Sinto Meredith me puxar de leve e me viro para olhá-la.
– Vai voltar? — pergunta, os olhos brilhando.
– Vou, eu só vou chama-la, ir tomar um banho e voltarei. — respondo e ela assente, me soltando.
Suspiro, saindo pelos corredores. Avisei a Madame Pomfrey que Meredith estava com dor e ela foi lhe dar o remédio. Segui para a minha barraca e fui para o quarto que divido com uns garotos da lufa-lufa, indo direto para o banheiro, tomar um banho.
Logo depois que sai do banho, muito mais disposto do que antes, fui em direção á barraca da Lily e entrei no quarto, onde estavam todos os meus amigos em volta de Lily. Todos me olharam e fizeram um sinal de cabeça, como se entendessem que eu quisesse ficar sozinho com Lily e saem do quarto. Fecho a porta, e me viro para olhar Lily, esta que me encarava com raiva.
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