Notas iniciais
Demorou mas o primeiro capítulo saiu, esse ramo ainda é um pouco desconhecido pra mim, mas eu estou estudando o assunto. Boa leitura

Fecho os olhos tentando fazer com que a pequena miragem que se materializou na minha frente sumisse, porém quando abro os olhos, ela ainda está na minha frente com um minúsculo sorriso em seu rosto pequeno

"Eu não estou na sua imaginação. Eu existo" — a figura em minha frente se pronúncia, fazendo-me ter um susto. De todas as vezes em que o vi, ele só me observava, agora é a primeira vez que o escuto falar

"Como eu posso saber que você não está mentindo?" o questiono

"Simples, você está me vendo não está?" — assinto, e era verdade eu estava o vendo, bem a minha frente.

Meu pai disse para não confiar muito em minhas visões, ele dizia que minha imaginação é muito fértil, fazendo com que as coisas que tenho em minha cabeça ganhassem vida, ele até me deu uma coisa que posso usar pra os espantar, é só eu o usar. Um colar, ele é simples mas que possui um pingente guardião, e desde do dia em que soube isso, nunca o deixo de usar. Ele me protege, já que, quem me o deu já não está mais presente para fazer isso.

Meu pai morreu há cinco anos, vítima de um tumor cerebral, ele não sofreu muito e agradeço por isso, o câncer foi rápido de o tirar de mim, ele era meu anjo, um anjo bom. E anjos não merecem sofrer

Já a minha mãe não é como meu pai, longe disso, ela não acredita em mim, ela acha que eu sou doente que precisa diariamente tomar aqueles inútis remédios. Eu odeio eles, ela diz que é para o meu bem, mas o que ela não sabe é que isso me causa ainda mais dor. Eu não sou doente, só porquê eu consigo ver coisas que ninguém mais consegue isso não significa que eu sou maluca. Ou significa?

Aos cinco anos, fui diagnosticada com esquizofrenia. Eu sou esquizofrênica, palavras da minha mãe e do doutor Heidegger, coitados, eles que não querem enxergar a verdade. Eles dizem que o meu caso é raro já que, descobriu-se logo cedo essa 'pequena falha' em meu psicológico, ou seja, isso não me afeta de todo se fizer o uso adequado dos medicamentos. Apesar disso tento levar uma vida normal de uma adolescente de dezessete anos ignorando os olhares tortos e cochichos que recebo quando chego em um determinado lugar

Não sou uma pessoa comunicativa, na verdade, um dos meus piores defeitos é ser introvertida poderia ser facilmente comparada com uma idosa de oitenta e quatro anos, acho que é por isso que em toda minha vida não tenha conseguido amigos à não ser aqueles que ninguém mais consegue ver

Passei todos os dias da minha vida ate agora, morando em Nova Iorque, depois da morte do meu pai quando tinha doze anos minha mãe se fechou ainda mais, pelo menos comigo. Nunca tivemos um momento normal de mãe e filha, acho que no fundo, ela não o queria ter, afinal, ninguém quer ficar perto de uma doente esquizofrênica. Depois disso, ela começou trabalhando mais e mais, deixando — me mais tempo sozinha do que o necessário. Ela trabalha como bióloga num centro de pesquisa marítimo de Nova Iorque, as vezes ia ao seu trabalho, gostava de ficar observado os diferentes tipos de peixes e animais mamíferos que tinham no grande aquário

Mas isso iria mudar, eu estou de mudança. Minha mãe resolveu que já era hora de casar — se novamente, Estou predestinada a morar nos confins do mundo vulgo Vancouver — Canadá, ela diz que vai ser bom pra mim e que vou gostar. Tudo treta! Ela só que saber do que é melhor para si mesma! não pra mim

Ainda não cheguei a conhecer o meu futuro padrasto — só o nome me causa ataque de risos — mas soube que irei ter dois irmãos e uma irmã, isso não e ótimo!? Não. É horrível, deve ser mais uns filhinhos de papai mimados, e a ideia de ter que os suportar não me agrada nem um centésimo de segundo

Aliás, tudo que minha mãe vem fazendo não me agrada ultimamente

Nossa mudança para o outro lado do país

Seu novo noivo, que até algumas semanas atrás eu desconhecia

A minha descoberta que terei irmãos

E que terei que morar com todos eles na casa de um desconhecido como uma família grande, alegre e feliz. Isso me causa enjoo

"Porque você nunca falou antes?" resolvi por fim perguntar. Esse é um dos exemplos, pra minha mãe, eles não existem, para mim são reais, ela que não consegue ver

"Porque não tinha o que falar"

"O que você é?" existia vários tipos de várias personalidades. Esse pelo o que vi me parecia ser do 'bem' já que, não me atacou ainda

"Trincapomorfo, uma espécie de gnomo, porém mais inteligentes"- se gabou, essa imagem era cômica

"Isso è você que diz." sorri, gostava de gnomos, eles eram legais, só que muito barulhentos

"Você vai se mudar?" — sua voz suava triste e não pude deixar de me simpatizar com ele, tinha roupas com símbolos e letras que desconhecia e suas mãos estavam enluvadas

"Vou." digo em lamento, não queria me mudar da casa na qual passei toda minha vida; a casa do meu pai

"Eu não quero que vá"

"Eu também não quero ir." assim que término de falar, a porta do meu quarto abre — se ligeiramente revelando minha mãe com um semblante confuso e irritado

"Você estava falando com quem? "

"Eu? Falando? Você deve está imaginado coisa fiz" — me de desitendida, não queria parar em um manicômio

"Tudo bem." suspira "Pra que tanta demora, o táxi já nos espera, esqueceu alguma coisa?"

"Estava me despedindo." mumurro

"Ah, eu entendo filha, você passou a sua vida aqui não é verdade? Mas essa mudança vai fazer bem a você, vai ver só." mais uma vez com o papo furado ' é o melhor pra você'

"Tanto faz." susurro pegando na minha última mala, percebo que o trincapomorfo foi embora, nessa confusão toda me esqueci de lhe perguntar seu nome, isso è; se houver uma próxima vez. Era tudo tão incerto. Saio do quarto ouvindo o som das passadas ocas e largas da minha mãe atrás de mim. passo pelos corredores observando cada detalhe das paredes e espaços, me despedindo silenciosamente da casa onde vivi toda minha vida. Ou uma parte dela

Ao final disso tudo, acho que não superei totalmente a morte de me pai, eu que sofri muito mais com sua perda do que todos meus familiares, inclusive minha mãe, porque se ela amasse tanto o meu pai como dizia, não estaria se mudando para o outro lado do país pra se casar com uma pessoa que não passa de um mero desconhecido pra mim

Creio que ela me odeia, ela diz que não, que me quer bem e que me ama, mas eu sei que não è verdade, no fundo ela me culpa pela morte de seu 'amado', já que meu pai cuidava mais de mim do que sua saúde e sua própria relação de casado

Conheci vários seres durante a minha vida de dezessete anos. Gnomos, dubhim, alketren, trincapomorfo, sultas e até demônios entraram em contato comigo,eles são horríveis. Vive para semear a desgraça e discórdia na terra, eu tenho medo deles

Minha aparência pode se comparar a uma garota californiana facilmente. Apesar de morar em Nova Iorque, minha pele possui um tom naturalmente bronzeado. Tenho olhos grandes e amendoados o que da um bom contraste com meus cabelos caramelados. Sou praticamente uma cópia feminina do meu pai. Eu gosto disso

****

Após subir ao avião, luto para não sair correndo dele, tenho medo de altura. Muito medo. Uma vez os dubhim's me contaram que a altura não é só um espaço entre o ar e a terra firme, ele é um monstro que aguarda um de seus deslizamentos para te devorar

Sento me na poltrona e minha mãe faz o mesmo do meu lado

"Mãe, eu to com medo." sussurro

"Não tem que ter querida, esse é o meio de transporte mais seguro que existe." pega em minha mão, tentando reconfortá me

"Os dubhins disse para não confiar nesses boatos."

"Ah, claro, os dubhins. Novamente!! você está tomando seus remédios ackalia?" sua voz sooa rude. Ela larga minha mão e passa a sua pelo rosto em sinal de irritação

"Você sabe que não preciso deles, mas pra sua felicidade eu estou os tomando." eu odeio isso

"Devem estar vencidos ou coisa do tipo."

"Por que custa pra você acreditar que não sou doente? Mais que merda." minha voz se eleva

Minha mãe olha pra trás e pede desculpas a um casal de velhinhos que escutavam silenciosamente minha gritaria

"Não é hora pra isso agora lia, depois conversamos." repreendeu me

Senhores passageiros, desliguem todos os seus aparelhos móveis. Em caso de turbulência cairão máscaras de oxigênio e coletes do pequeno compartimento que estão sobre vossas cabeças, se vier a ocorrer não entrem em pânico pois eu estarei no controle. Piloto William no comando, vôo 3257 próxima parada Vancouver — Canadá. Para todos vocês, tenham uma boa viagem

Me afundo na cadeira e fecho os olhos. Estou indo a caminho da minha própria auto-destruição

Notas finais
Yeah, eu estou gostando de escrever isso, mas vamos combinar, o que eu não gosto de escrever? Kks então foi isso, espero que tenham gostado, o trailer está quase ao fim, provavelmente farei o upload ainda essa semana. Deixem cometários minhas amoras. Até logo