No Ritmo da Amizade
15 Capitulo 14
Notas iniciais
2 meses depois.
Já eram quase 23h de uma quinta-feira, Géssica fez uma chamada de vídeo para Saskia e Jaciara.
— Gess? Aconteceu algo? Perguntou Saskia, que já estava deitada em sua cama.
— Desculpe Sah se te acordei. Mas, precisava falar com vocês.
— Então diga, porque estou muito cansada. O dia foi puxado hoje no Café Music.
— Eu sei que parece um absurdo, mas tem como vocês chegarem amanhã no ensaio às 5h?
— PARA QUE ISSO?! FICOU LOUCA?
— Calma Jaci. Eu prometo que será por uma boa razão. E levem seus chaveiros.
— Que mistério é esse? E para que os chaveiros? Eu sempre ando com o meu.
— Não posso falar mais nada. Até amanhã e não se atrasem. Boa noite.
— Oh quem fala! Boa noite.
— Tchau.
Géssica desligou. Saskia mexeu no despertador. Jaciara estava desconfiada de que Géssica estava aprontando algo. No dia seguinte, Géssica chegou 5h:15min.
— Está atrasada! Saskia e Jaciara falaram juntas.
— Foi mal.
Risos.
— E então? Não vai entrar por completo?
— Vou sim. Só que tem alguém que também vai entrar.
Em um clima de suspense, Lucy entrou. Jaciara correu para abraça-la. E depois, teve um abraço coletivo emocionante. As 4 amigas estavam chorando de felicidade. Por fim, Lucy disse.
— Agora estamos juntas novamente. E nossos chaveiros também.
Lucy tirou o seu chaveiro do bolso. Saskia riu e falou.
— Agora entendi porque Gess disse para trazermos nossos chaveiros. Pô Gess! Você bem que poderia ter dito para a gente.
— Desculpinha.
— Eu que pedi para Gess não contar nada para vocês. Eu queria fazer uma surpresa. Na verdade, queria fazer surpresa para ela também, mas eu precisei entrar em contato, para que a doutora Géssica Sales fosse a minha advogada no processo de saída da banda Corações Alados. Na verdade, eu só consegui o contato dela, graças a visita de vocês, não foi difícil eu ter acesso a papelada de autorização.
— Eu ainda não entendi, por que você saiu? Seguir carreira musical era o seu sonho.
Lucy ficou em silêncio por alguns segundos, respirou fundo e falou.
— Vamos sentar. Eu tenho muito a dizer. Gess por esses dias, eu não te respondi o motivo real da minha saída, eu disse que responderia quando estivéssemos todas juntas, eis que chegou o momento.
— Então fala logo porque eu estou curiosa, ansiosa, desesperada por respostas. Disse Jaciara euforicamente.
Todas sentaram, exceto Lucy, que preferiu ficar recostada na parede.
— Seguir a carreira musical sempre foi o meu sonho. Achei que conseguiria realiza-lo com a Happy Friends, mas infelizmente, a banda foi desfeita. Então eu decidi correr atrás dos meus objetivos. Abri mão de faculdade e investi em cursos técnicos relacionados à música. Eu tentei gravar um CD solo, mas não consegui patrocinador e o custo é alto. Então foquei em apresentações em bares e eventos, até que um dos produtores da gravadora me chamou para fazer um teste para guitarrista da banda Corações Alados, como vocês já sabem, eu fui selecionada. No início, eu achava o máximo fazer parte uma banda já conhecida, famosa. Era um mundo diferente, novo. Aos poucos, eu fui percebendo que aquele ambiente é um campo de batalhas. É uma competição de quem toca melhor, de quem faz mais sucesso com o público, pois o cachê dos shows não é repartido igualmente e sim de quem tem mais destaque.
— Luh. Era você quem fazia mais sucesso, não é?! Não é porque somos amigas, mas Vanda não é carismática.
— Eu amo tocar e cantar. O público simplesmente, “abraçou” essa minha energia, o meu amor pela música. Só que isso despertou a inveja de Vanda, porque antes da minha entrada, ela era a favorita das fãs. E para piorar a situação, eu me envolvi com Raniel. Então nós duas tínhamos uma rixa dupla, chamar a atenção do público e de Raniel. Eu estava cega de paixão, quando eu os via juntos, eu me entregava a ele com mais entusiasmo e não suportava ver as investidas dela. Enfim, essa situação foi me adoecendo por dentro, eu tinha discussões constantes, desenvolvi sentimentos negativos, uma vez, antes de um show, cheguei até sabotar a guitarra de Vanda. Meu relacionamento era uma bosta, eu não tinha amigos e por isso, eu busquei refúgio nas drogas. E de pensar, que eu... quase destruí a minha vida.
Saskia, Géssica e Jaciara já estavam com os olhos lacrimejando, então Lucy começou a chorar e elas também deixaram as lágrimas escorrerem por suas faces. Em meio a um abraço coletivo, Jaciara disse.
— Luh! Você tem amigos sim, nós estamos aqui e vamos continuar ao seu lado para todo sempre.
— O destino tentou separar a gente, mas nossa amizade é tão forte, que conseguimos vencer a distância e o tempo. Disse Saskia.
— Vocês são muito importantes para mim, nunca mais vou abandonar vocês. – Complementou Géssica.
Lucy juntou as mãos das amigas e as segurou firmemente.
— Obrigado minhas amigas. Se vocês não tivesse dado um jeito de me visitar, eu juro que não sei o que aconteceria comigo. Provavelmente, eu ia continuar me afundando no poço das drogas, sem tentar sair dele. Mas, a amizade de vocês me deu forças para escalar até a saída desse poço. Amo cada uma de vocês, mesmo com suas mudanças e defeitos, porque vocês são os tesouros de minha vida.
As meninas se abraçaram novamente, depois tocaram a música Amizade Não Tem Fim.
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