No Ritmo da Amizade
7 Capitulo 06
— Com licença senhorita. Têm duas pessoas aqui na porta, que dizem serem suas amigas.
— Amigas? Isso é incomum. Elas disseram os nomes? – Perguntou Géssica curiosamente.
— Saskia e Jaciara.
— Olha que interessante. Diga que estarei esperando-as aqui no jardim. E Sebastian, providencie suco de manga e biscoitos com gotas de chocolate.
— Sim senhorita.
E elas chegaram ao jardim.
— Saskia! Eu não sabia que você já estava de volta.
— Cheguei na sexta passada.
— Sei. A Alemanha te fez muito bem, você está mais gordinha.
— E você está completamente diferente. Agora você está loiríssima, mais magra e usando roupas decotadas.
— Pois é. As pessoas mudam. Mas e você Jaciara? Tudo bem? Ontem foi a inauguração do seu barzinho, não foi?!
— Foi na sexta.
— Tanto faz. Eu não pude ir de qualquer jeito.
Saskia estava observando Géssica. Realmente ela não é mais a mesma, agora tem um olhar frio e usa um tom debochado / irônico ao falar. O mordomo voltou acompanhado de uma empregada, que trazia uma bandeja com o suco e os biscoitos.
— Precisa de mais alguma coisa senhorita?
— Não Sebastian. Pode se retirar.
— Com licença.
— Veja Saskia. Eu ordenei que trouxessem biscoitos com gotas de chocolate, os seus favoritos.
— Obrigado Gess, não precisava se incomodar, nós já tomamos café.
— Ah, por favor, não façam desfeita. Eu pedi suco porque hoje está quente, mas se preferirem café, eu mando trazer.
— Obrigado, estamos bem com o suco. – Respondeu Jaciara, em um tom um pouco irritado.
— E então? Que bom vento as trazem em minha humilde residência?
— Viemos conversar com você sobre certo assunto.
— Sou toda ouvidos, Saskia.
— Você já pensou em voltar a tocar?
— O quê? Voltar a tocar?
— Sim. Recebemos um convite para tocarmos em uma festa no próximo fim de semana.
— Imagino que você está de brincadeira, não é?! Porque não faz sentido esse absurdo.
— Viu Saskia?! Eu disse que seria uma perda de tempo vir até aqui.
— Acalme-se Jaci. E Gess, não é nenhuma brincadeira. Eu realmente vim aqui perguntar, se você não quer tocar com a gente no próximo fim de semana.
— Saskia, por acaso você não tem mais o que fazer não? Sim, pois se você trabalhasse, não estaria me propondo algo tão surreal.
— Amanhã eu começo a trabalhar no RH da empresa Pingu Tecnologias.
— Ora, ora. É uma empresa de prestígio nacional. Eu não esperava menos de você. Por isso, nós somos amigas.
— Eu não ligo para status Géssica.
— Eu acho que você deveria se importar, dinheiro é poder! E a música é insignificante.
— Quem é você? O que você fez com a minha amiga?
— Eu cresci querida.
Saskia pegou um envelope na bolsa e entregou para Géssica.
— O que é isso?
— Abra e leia em voz alta.
Géssica abriu o envelope e começou a ler.
— Olá eu do futuro!— Não creio que você ainda tem isso guardado.
— Continue.
— Se você está lendo esta carta é porque a minha amiga Saskia acha que eu fui corrompida. Bem, eu não sei o que dizer exatamente. Eu só não quero ser como o papai. Ele solta homens malvados e só fala em dinheiro. Eu sempre fico de lado, eu queria que ele me desse mais atenção. Vou te fazer uma pergunta. Eu tive filhos? Eu quero ter 2, um casal de gêmeos. Acho legal. Eu vou amar e cuidar dos meus filhos. Sabe, eu não estou sozinha no mundo, eu tenho a minha melhor amiga, Saskia. Nós duas vamos estudar juntas no próximo colégio também. Estou tão animada! Somos amigas para sempre ♥. Tchau eu do futuro, quero ser feliz e nada mais.
Ass. Géssica (14 anos)
Jaciara estava confusa.
— O que é isso? E por que estava com você?
— No fim do fundamental, nós escrevemos uma carta para nós mesmas. Eu guardei a de Géssica e ela a minha. Prometemos que só entregaríamos uma à outra, se fossemos adultas infelizes.
Géssica rasgou a carta.
— Isso é bobagem! Nós tínhamos 14 anos. E eu não sou infeliz, estou bem de vida, sou uma das melhores advogadas, nunca perdi um caso.
— Eu tinha esperanças que você voltasse a si, depois de ler a carta e dissesse que tocaria com a gente de novo.
— ACORDA SASKIA! VOCÊ ESTÁ VENDO ESSA PILHA DE FOLHAS AQUI? SÃO OS MEUS CASOS! Esse aqui, por exemplo, meu cliente matou duas pessoas e eu tenho que encontrar um jeito dele ser declarado inocente. Eu preciso estudar bem os meus passos.
— Se você sabe que ele matou, então por que você continua no caso?
— Porque é um cliente muito importante. Um milionário, muito poderoso.
— Sabe o que me entristece? É que você está fazendo exatamente o que seu pai fazia / faz, sei lá. Você se importa mais com o dinheiro e poder do que amizade ou a música que você tanto dizia amar.
Géssica deu uma risada irônica.
— Queridinha, eu me importo com a amizade. Principalmente, porque você vai trabalhar na Pingu Tecnologias e eu estou tentando fechar uma parceria com a empresa. Se você me ajudar, continuares a nos ver e seremos amigas por todo o sempre.
— Eu não vou te ajudar! E nem quero ser amiga de um lixo como você, que só se importa com dinheiro e se veste que nem puta. Adeus! Vamos embora Jaciara, você tinha razão. Foi uma perda de tempo vir aqui.
Saskia puxou Jaciara pelo braço e saíram apressadamente.
Fale com o autor