No Ritmo Da Vida

2 Capítulo 2 - No Ritmo da Vida.


- O que aconteceu aqui?! Cadê meu pai?! — Eu ainda estava calma.

- Quem é você?

- Eu sou Carla Ferrer.

- Então você é filha de André Ferrer?

- É o que parece, o que aconteceu? — Eu fiquei exaltada.

- Sinto muito, seu pai se matou.

- O que?

Eu não acredito, meu pai se matou? Não pode! Ele é meu ponto de equilíbrio. Agora tudo faz sentido. Emancipação, Colégio pago até o final do ano, me acordando cedo em pleno Domingo. Eu não aguento.

- Moça você tem alguém que possa te ajudar nesse momento?

Quem disse que eu consigo falar? As minhas lagrimas não deixam. Enfim consegui que saísse algum tipo de som da minha boca.

- Minha mãe morreu assim que nasci só tinha meu pai. Mas pode ligar pra Roberta.

Eu dei o numero entre prantos.

- Como você é menor, vamos ter que leva-la para o juizado.

- Não precisa, meu pai me emancipou.

- Ok, então você não é mais responsabilidade nossa. Ah, tem uma carta pra você aqui.

Quando peguei o envelope, tinha uma carta com a caligrafia do meu pai. Entre lagrimas eu comecei a ler.

“Filha, eu não sei nem como começar essa carta. Eu devo está lhe fazendo muito mal nesse exato momento. Desculpa-me! Eu nunca lhe falei nada, mas desde que sua mãe morreu, eu comecei a jogar, no começo eu só ganhava, juro para você que até os seus 10 anos eu não havia perdido uma partida. Depois veio divida e mais divida, eu não tinha como pagar tudo, então tive que vender a nossa casa e alguns de nossos bens. Até eu conseguir juntar o dinheiro para pagar seu colégio até o fim do ano foi duro. Mas eu paguei. Eu me matei sim! Eu não aguentava mais essa vida. Você é, e será a coisa mais importante na minha vida, e me prometa que você vai batalhar e nunca entrará em dividas e nunca vai desistir dos seus sonhos e você mocinha vai estudar até o fim do ano letivo, como eu paguei. O resto eu não tinha como planejar. Eu deixei 1000 reais para você no banco. Só pude deixar isso. Como vendi nossa casa, você vai ter que se arranjar na casa de Roberta. Só por um tempo. Sei que você vai dá um jeito. Eu te amo, e seu pai sempre vai está com você!”

Desabei lendo a carta, ainda bem que a Roberta chegou. Ela arrumou as minhas coisas. Ela fez tudo para mim, a família dela estava sendo um anjo na minha vida. Já havia passado duas semanas após a morte do meu pai. Já estava melhor, frequentando o colégio como o prometi. O ano letivo passou rápido. Já estávamos nos exames finais.