No Ritmo

35 Entre irmãos


A brisa soprava ao lago de fora do carro,as poucas arvores de um pequeno parque,dançavam ao ritmo do vento frio.A arquitetura antiga dava ao ar um toque melancólico,pessoas circulavam nas ruas,o frio era intenso no começo da noite.Dentro do carro,apenas o som do asfalto ao lado de fora misturados a sua respiração junto a do motorista no banco da frente.Os olhos azuis antes tão expressivos,agora eram oblíquos,sem vida ou emoção,as lagrimas já não mais escorriam por suas bochechas como no avião quando acordou em um sonho com Adrian.Havia sonhado com toda sua vida ao lado do amado,mas foi arruinado por alguém e transformados em cinzas.A distancia machucava ambos os corações,tanto na Inglaterra quanto em Paris.

Escutou o motorista murmurar algo como "estamos chegando",vasculhou a bolça procurando o dinheiro para o pagamento ao bom homem quando encontrou uma foto sua junto ao loiro,fora a unica que não pediu a Nino para devolver,a primeira foto tirada juntos,onde Adrian a abraçava por trás e sorria para a câmera junto a Marinette,seu amigo Nino batia a foto a pedido do casal apaixonado.Um dia feliz.Guardou a foto de volta na carteira como um tesouro sagrado.

Saiu do carro quando o motorista parou a frente da padaria agora fechada,pegou as bagagens no porta-malas dando o dinheiro logo em seguida,esperou o carro partir para então andar até a porta que dava ao segundo andar onde viviam,já que a padaria foi construída no primeiro.Com a chave reserva abriu a a porta dando de cara com as escadas,ajeitou a mala de mão,posicionou a mochila nas costas e a bolça,um pé a frente do outro foi necessário para criar coragem e subir a escadaria parando na solalia da porta que dava entrada a sala de estar.Torcendo para sua mãe não estar em casa,destrancou a porta e se deparou com todas a luzes apagadas,suspirou aliviada, suspeitou que sua mãe estava no hospital dando apoio ao pai.

Tudo continuava em seu devido lugar como se lembrava,partiu então para seu antigo quarto.Adentrou o quarto jogando as malas em um canto qualquer,sentou-se na cama e poise a observar,nas paredes de cor lilas algumas medalhas de pequenas competições que participou ao longo dos anos,sua escrivaninha continha dois portas retratos,um com sua família o outro com seu treinador e algumas amigas,o guarda-roupas no mesmo lugar,tudo praticamente limpo e organizado.

Deitou-se olhando para o teto branco do forro,pegou seu celular e achou uma ligação perdida de Felix,lembrou-se que não havia avisado que chegará na casa dos pais,assim ligou para o amigo que atendeu na segunda chamada.

—Alô?
-Felix,sou eu,Marinette.
-Desculpe,atendi sem ver quem era direito,chegou?
-Sim,minha mãe não esta em casa,então estou no meu quarto.
-Como você esta?-Perguntou o amigo preocupado.
-Bem...eu acho.-Exitou.-Um pouco assustada,não esperava ter que voltar tão cedo,ainda mais para me casar com um completo desconhecido.-Comentou manhosa.
-Você comentou algo do tipo comigo,desculpe por não estar ai para te dar uma força.
-Não é sua culpa,mesmo não vendo você,ainda podemos nos falar por mensagem ou ligações.-Tentou anima-lo.
-Ótimo,assim não perdemos contato.
-Como estão as coisas ai,alguém já foi atrás de você pedir explicações sobre mim?
-...
-Felix?
-Oh,desculpe,tive que ir atender a porta.
-Quem é?
-O Adrian,esta bem na minha frente.
-Vou desligar!Não fale que sou e...
-Marinette?Por que saiu fugida de todo nos?-A voz grossa de Adrian ecoou por seus ouvidos.
-Você sabe meus motivos,agora por favor não me procure.Adeus.
-Não,Marinette eu...

Desliguei a ligação sem ouvir o resto da frase,deixei o celular cair ao lado do meu corpo,voltei a fixar meus olhos no teto,adormecendo em seguida.

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Adrian fitava o irmão indignado.Logo após ler a carta cinco vezes seguida no apartamento de Alya,saiu do transe levando um beliscão do amigo,acordando para a realidade,desceu indo para sua moto,seguindo ao apartamento de Felix.Onde agora encarava o aparelho desligado.

—Era ela.
-Sim.-Deu espaço para o mais novo.-Sente-se.
-Por que você?
-O que quer dizer Adrian?
-Por que ela fugiu,como pode deixa-la ir,ainda mais as escondidas?!
-Foi a vontade dela,não podia simplesmente impedi-la.
-Ela devia ter falado comigo antes de ir.-Andava em círculos.
-Adrian!-Parou.-Pare de agir como uma criança mimada.-Adrian tentou interrompe-lo.-Quieto,sei que minhas atitudes foram as piores possíveis,sem contar que não agi como um irmão mais velho,Marinette me perdoou.Agora me escuta.Quando você decidiu dançar e sair de casa,papai ficou furioso,ele queria que seguisse a carreira de modelo,ficamos dias sem noticias suas,fomos saber que estava na Miraculous por um dos acionistas do pai,ele te viu la quando foi deixar a própria filha.Tentei conte-lo o máximo que pude,queria por a policia atrás de você.Em um dia qualquer chamei nosso pai para uma conversa particular,falei que seria bom para você,ser independente e tentar algo novo,já que é jovem,ele discordou de mim,por isso falei que havia entrado em contato,disse a ele que se não obtivesse sucesso,voltaria a ser modelo ser reclamar. -Nos não conversamos.-Interrompeu. -Me deixa terminar de falar.Sabia que chegaria longe com a dança,desde pequeno eu soube que dançava nas ruas.Coloquei toda minha confiança em seu potencial.Só não sabia que se tornaria um galinha que fica com uma garota por noite!-Brigou.
—Eu mudei.
—Quieto!Adrian como pode se tornar um moleque assim,nunca foi assim,mas quando descobri da sua fama,quase tive um treco,pensar que meu irmão mais novo,ficava com qualquer garota,sem se importar no amanha.Como falou antes,sei que mudou.Graças ao destino que colocou a Marinette em seu caminho,mas bancou o babaca,magoou a garota mais incrível que conheci.Sabia de sua fama,ela mesma me contou que foi a maior burrada se apaixonar por um cara como Adrian Agreste,uma pena que ninguém manda no coração,Marinette lhe deu uma chance e o idiota fez uma aposta em cima de seus sentimentos,com um ruivo sem sal.Teve sua chance e a desperdiçou.O coração da garota mais linda estava quebrado,ainda esta,então tentei conserta-lo,só que forcei a barra e fiz burrada como o senhor.
—Felix,não preciso de sermão.
—Precisa,sou seu irmão mais velho.Com a falta dela,posso notar seu sofrimento.
—Não estou sofrendo.-Falou rispído.
—Então o que faz aqui,por que roubou meu celular?-Ergueu uma das sobrancelhas em duvida.
—O.K,to mal,sinto falta dela.-Lamentou-se.
—Ela vai se casar.
—Eu sei,não posso fazer nada,Marinette esta nas mãos da própria família,precisa de dinheiro para a cirurgia do pai.Não tenho nem essa grana toda para terminar esse noivado.
—Quer um conselho?
—Fala,tudo é bem vindo.
—Engula seu orgulho,fale com nosso pai.
—Tire essa ideia da cabeça Felix,nosso pai não que me ver nem pintado de ouro.
—Faça o que quiser,pense nisso,esta sem tempo,irmãozinho.

Adrian apenas sentou-se no sofá colocando a cabeça entre as mãos.Falar com Gabriel Agreste,parecia ser o fim do mundo.

Notas finais
Até a próxima. BEIJOS —Mel