No Pride

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Boa leitura õ/

Alguns débeis raios de sol conseguiam atravessar as persianas da janela do quarto, indicando que já passava das onze da manhã. Demorei a abrir os olhos, mas o teria que fazer cedo ou tarde. Sentei-me na cama, livrando-me delicadamente do braço possessivo que rodeava minha cintura.

Observei o homem que dormia tranquilamente ao meu lado. O cabelo preto emoldurava tão bem o rosto moreno. Um lindo rosto, aliás, com aqueles lábios bem feitos que eram a minha perdição.

Deixei que meus olhos azuis descessem por seu corpo, que estava descoberto devido à noite quente. Também por causa desta, dormia apenas com uma boxer branca, que contrastava de forma estupenda com sua pele dourada. Mesmo que dormisse e estivesse relaxado, era possível ver cada músculo de seu corpo tão bem cuidado. Ele já passou dos trinta anos, mas tem um corpo lindo, assim como o rosto e o sorriso, o raro sorriso...

Bem, talvez seja meio óbvio dizer isso agora, mas eu sou completamente apaixonado por esse homem que descansa profundamente ao meu lado.

Ele é Ikki Amamiya, um escritor de mistérios renomado no Japão. Com trinta e dois anos ele já é rico o suficiente para viver nesta magnífica casa em uma região mais afastada de Tóquio. É muito inteligente também.

Essas são as qualidades do homem por quem me afeiçoei. Agora, seus defeitos... Bem, isso já é um pouco mais complicado. Ikki é mal-humorado, frio, sarcástico, às vezes até maldoso. Ele também odeia crianças pequenas e animais. Gosta de se fechar em seu próprio mundo e não ser incomodado.

Contudo, ele consegue ser gentil às vezes, mesmo que não queira. Isso me deixa feliz, mas não o suficiente. Ele é nove anos mais velho do que eu, então se supõe que já teve muitos amores. Para ele eu sou apenas um garoto que ele transa quando está entediado. Um garoto irritante que insiste em visitá-lo todos os dias e que foi idiota por se apaixonar.

Dessa forma, eu vou levando a primavera dos meus vinte e três anos nesse relacionamento unilateral da minha parte há cerca de nove meses. Desde que eu o conheci num bar próximo a universidade onde curso o último ano de arquitetura.

Olhei uma vez mais o rosto sereno dele antes de levantar e ir para o banheiro. Ele dormiria bastante, como sempre. Escovei meus dentes e lavei o rosto. Tomei um banho rápido, encontrando muitas marcas que Ikki deixara em meu corpo na noite anterior.

A paixão com que ele me possuía me deixava feliz e triste, ao mesmo tempo. Ele me amava com tanto ardor durante o sexo, mas depois voltava a ser indiferente. Eu me sentia como um pedaço de carne às vezes.

Vesti-me no banheiro mesm. Fitei a figura que aparecia no espelho, meu reflexo. Estava longe de ser um cara feio. Pode soar arrogante, mas sei que sou bonito. Meu cabelo loiro é comprido e repicado, meus olhos azuis são bem expressivos e tenho belos lábios também.

Também sou gentil com a maioria das pessoas, estudioso e cozinho bem. Mas nada disso é suficiente para que eu seja mais do que uma boa transa para o Amamiya. Talvez eu seja mesmo muito jovem e tolo.

OoO

Caminhava com meus livros pelos corredores da universidade. Já haviam acabado os períodos que eu teria hoje, por isso apenas compraria qualquer coisa para beber numa máquina e iria para casa. Tinha uma planta para desenhar que me tomaria algum tempo.

– Não vou poder visitar o Ikki hoje... – pensei alto enquanto colocava uma moeda na máquina de bebidas.

Escolhi um café quente com chocolate, pois, apesar de já ser primavera, o frio do inverno ainda não havia partido totalmente. Prova disso era o fato de todos ainda usarem casacos e cachecóis.

Peguei a lata de café e já me preparava para ir embora quando avistei o moreno alguns metros adiante. Um sorriso desenhou-se em meus lábios. Eu ainda não havia falado com ele hoje, mesmo que fôssemos da mesma sala.

Isaac. Ele realmente se destaca no meio das pessoas tão comuns da Universidade de Tóquio, principalmente do curso de arquitetura. Como se a cicatriz em seu rosto e o olho esquerdo desprovido de visão não fossem chamativos o suficiente, estava sempre vestido com roupas pretas com tachas.

Diferente de mim, que tenho pai japonês, Isaac é totalmente russo. Conhecemos-nos na Sibéria graças ao fato de nossos pais trabalharem juntos. Quando eles foram transferidos para o Japão, acabamos por vir morar na terra do sol nascente.

Somos amigos de infância, mas mesmo assim, eu sempre senti algo a mais por ele. Quando ele sorria, eu queria que aquele sorriso fosse apenas meu. Eu sempre, secretamente, desejei monopolizá-lo. Foram longos anos de amor platônico. Até nove meses atrás...

– Ei, Isaac! – sorri quando o alcancei.

– Oga. – ele sorriu de canto – Nem te vi hoje. – afagou meus cabelos. Mesmo que agora eu fosse alto, ele mantinha a mania de bagunçar minhas madeixas loiras. E eu me sentia aquecido com esse simples toque – Você realmente sumiu ontem – comentou enquanto caminhávamos para fora da faculdade – Tentei te ligar algumas vezes. Queria sair pra beber.

– Desculpa – fiz um beicinho enquanto abria minha lata, sorvendo alguns goles daquela amarga bebida quente – Eu estive meio ocupado... – hesitei. Eu não havia contado a ele sobre Ikki. Sabia que levaria uma bronca.

– Você anda mesmo ocupado. – suspirou.

Mordi meu lábio. Eu não queria me afastar do Isaac assim, principalmente por causa de um cara que não me dá a mínima. Sei que Isaac apesar de não parecer, é um cara tímido. Sou um de seus poucos amigos, o único com quem ele sai para beber, aliás.

– Vou me redimir – sorri para ele – Vamos sair para beber hoje!

O lindo sorriso que ele abriu aqueceu meu coração. Mesmo que eu não o ame mais como homem, ele ainda é meu precioso amigo de infância.

– Eu adoraria, Oga. Mas temos uma planta para entregar semana que vem, lembra?

Bati em minha própria testa, quase derramando o café em meu cabelo. Havia esquecido completamente do desenho.

– Ei, mas e se desenhássemos isso juntos na... Hoje é terça? Que tal sexta? – ele continuou – Podemos beber também, mas em casa.

Sorri.

– Te espero às cinco. – avisei quando chegamos à sua imponente moto preta, estacionada em frente ao campus. – Leve cerveja!

Ele riu, colocando o capacete.

– Folgado. – murmurou.

Despedimo-nos e segui para casa, a pé, sentindo minha alma mais leve. Eu estava depositando tempo demais em alguém que não merecia. O visitando todos os dias quando ele insistia em me ignorar na maior parte do tempo.

A não ser, é claro, quando ele estava afim de sexo. Então ele simplesmente me puxava e eu entendia o que deveria fazer. Contudo, tão logo ele satisfazia seus desejos, passava a me ignorar novamente.

Então agora vou dar a devida atenção ao Isaac. Sei que não conseguirei deixar de ver Ikki permanentemente, mas ao menos até sábado não. Desenharei minha planta com calma e na sexta a terminarei com o Isaac. Depois penso no Ikki.

OoO

Nos dias seguintes, passei mais tempo com meu melhor amigo durante a aula, sentando ao seu lado como costumávamos fazer no começo do curso. Conversamos e rimos nos intervalos, demonstrando a falta que sentimos um do outro, mesmo que estivéssemos sempre perto.

Na sexta-feira, depois da aula fomos cada qual para sua casa, confirmando que nos veríamos mais tarde, em minha casa.

Assim que cheguei a meu apartamento, resolvi tomar um banho. Vesti um short preto que deixava minhas coxas à mostra. Eu gostava de usar roupas curtas, mas apenas quando estava sozinho ou com Isaac, pois a maioria das pessoas considera isso vulgar. Coloquei uma grossa blusa branca de mangas longas com detalhes dourados que eu havia ganhado do Isaac há alguns meses, no Natal.

Depois comi algo e também devotei algum tempo ao desenho, que já havia começado há alguns dias. Eu odiava ter que desenhá-lo à mão, quando eu podia fazê-lo mais rápida e precisamente no computador usando CAD*. Mas esse professor era velho e antiquado, então não havia jeito.

Quando dei por mim, já eram cinco horas. Eu nem havia visto o tempo passar. A campainha tocou. Isaac havia sido pontual, como sempre. Abri a porta rapidamente, encontrando o moreno com um belo sorriso e uma sacola com algumas garrafas.

Ele logo entrou, sentando-se no chão da sala, onde eu estava antes. Tirou a mochila das costas e já colocou seus papéis e lápis sobre a mesinha de centro. Sorri, indo sentar-me ao seu lado.

– Você já está quase terminando! – exclamou ao ver meu progresso – Eu mal passei da metade – choramingou.

– Quando começou a desenhar isso? – indaguei, tirando uma garrafa da sacola e abrindo-a sem cerimônia.

– Hoje. – respondeu simplista.

– Isaac! – ri alto – Você é louco, sabia? Estou desenhando isso desde terça-feira.

– Você é tão disciplinado. – apoiou o cotovelo na mesa, deixando seu rosto bonito repousar em sua mão, com um sorrisinho de canto.

Mesmo com sua deficiência, eu não cansava de admirar Isaac. Céus, ele é lindo.

– Não. Você que é desleixado – sorvi um longo gole daquela bebida alcoólica.

Riu, pegando outra garrafa. Depois de tomar um pouco, olhou-me intensamente por uns segundos.

– Fica bem nessa blusa.

Sorri levemente.

– Bem! Vamos desenhar logo. – murmurei.

Assim aquele início de noite passou rapidamente. Depois de cinco horas seguidas de trabalho, Isaac finalmente terminou sua planta. Eu terminei a minha bem antes disso. O que também havia acabado era a bebida. Agora estávamos os dois deitados no tapete da sala, assistindo um filme de terror que estava me deixando apavorado.

– Ahh! Esse filme está chato – ele murmurou.

Chato? Eu estava quase tendo um enfarto fulminante.

– É. – fingi concordar.

– Ei, Oga – ele me olhou, erguendo-se um pouco para apoiar a cabeça na mão e o cotovelo no tapete, ficando de lado agora – Como você soube? Que não gostava de garotas.

– De novo isso? – suspirei, permanecendo deitado.

Isaac é hétero. Esse também é um dos motivos que me levaram a tantos anos de amor não correspondido. Eu nunca escondi o fato de que era gay para ele e ele sempre levou numa boa. Mas às vezes ele vem com essas perguntas.

– É – riu.

Olhei-o por alguns instantes antes de responder. Um cara hétero nunca consegue entender como um homem pode rejeitar as mulheres, não importa quantas vezes eu tente explicar.

– Eu simplesmente não sinto atração. Então eu sempre soube.

– Mas... E quando sentiu atração por alguém pela primeira vez? Você se lembra como foi?

Corei rapidamente, e acho que ele percebeu.

Se eu me lembrava? É claro que sim!

Tínhamos uns onze anos na época. Estávamos no quarto dele, que disse que iria se trocar. Sim, eu lembro. Mesmo que fôssemos criança, eu achei tão bonito o modo como se despia e como sua pele ia aparecendo gradativamente. Eu senti vontade de tocá-lo. Isaac sempre teve um belo corpo. Sem dúvidas, foi depois disso que me descobri homossexual.

– Você ficou vermelho do nada – murmurou – O que estava pensando, seu pervertido? – riu alto.

– Chega, não quero falar sobre isso! – virei o rosto, formando um beicinho.

Ele continuou rindo.

– Ei, Oga.

– Hum? – não o olhei.

– Você está namorando, não é?

Voltei-me a ele, olhando-o com dúvida.

– Você some todos os dias depois da aula. – explicou – Admito que minha curiosidade me fez te seguir um dia desses. Fiquei surpreso ao ver você entrar em uma casa que deve valer mais do que a minha alma. Mas o que mais me surpreendeu foi ver você ser recebido de uma forma bem calorosa pelo dono da casa. – ficou em silêncio por um momento – Só não entendo por que não me contou. Eu gostaria de saber.

Suspirei.

– Não é bem isso. – hesitei – Peço desculpas por não ter te contado. Mas ele não é meu namorado.

Arqueou uma sobrancelha, mas nada disse, por isso continuei. Contei para ele toda minha história com Ikki Amamiya, contei como o amo e como ele me rejeita. Contei como joguei meu orgulho no lixo por alguém que nem me tratava como homem. Isaac pareceu realmente furioso com aquilo, e me disse o que eu já sabia que diria:

– Termine com esse cara. Não vá mais vê-lo. Esqueça-o.

Era tão fácil falar. Quantas vezes eu mesmo já não havia jurado que passaria ao menos um dia sem vê-lo? Tantas... Foram só nos últimos dois dias que consegui, realmente. Mas foi porque me mantive ocupado, para não pensar nele.

– Por favor, Oga. Não quero que você sofra assim – acariciou meu rosto – Você é como um irmão para mim.

Sorri fracamente.

– Vou tentar não sofrer, Isaac. Mas todos sofrem, não é? Até uns meses atrás você também ficou bem mal por causa da Eiri-chan, não foi?

– Aquela ingrata – murmurou.

Ri baixinho, acariciando seu rosto másculo.

– Vai ficar tudo bem. Com nós dois. Né? – sorri.

Fomos interrompidos por batidas na porta. No começo foram apenas duas. Logo tornaram-se insistentes e fortes.

– Calma aí! – gritei enquanto levantava – Já vai!

Abri a porta, já irritado e pronto para brigar com quem quer que ali estivesse, mas vê-lo fez com que eu perdesse o chão. Vê-lo ali, olhando-me tão firmemente com aqueles olhos tempestuosos, fez-me esquecer quem eu era e o que estava fazendo ali.

Usava aquele casaco preto que ia até o meio de suas coxas que eu tanto gostava. O cachecol cinza eu não conhecia, mas o que importava? Ele estava lindo, como sempre.

Olhou-me de cima a baixo, e notei que pareceu incomodado ao me ver usando aquele short. Também pudera, sempre que o visito estou de calça, pois vou logo depois da faculdade.

– Não vai me convidar para entrar? – indagou baixo.

A verdade? Eu não ia. Eu nem sabia o que fazer. Ele nunca havia me visitado, como sabia onde eu morava? Mas pior do que isso... O que ele estava fazendo aqui?!

Dei espaço para que ele entrasse. Vi que, enquanto ele tirava seus sapatos, observava atentamente as botas de couro de Isaac. Era óbvio que aquilo não era meu.

– Oga? – a voz do moreno quebrou o silêncio, fazendo com que Ikki se erguesse rapidamente – Quem está aí?

Ikki olhou-me e arqueou uma sobrancelha antes de adentrar a sala, deparando-se com um Isaac esticado no tapete felpudo. Eu ainda não conseguia pensar direito, muito menos me mover.

– Ah, eu estava me perguntando por que você não apareceu para me ver, agora entendo. – Ikki disse secamente.

Era a primeira vez que ele falava tanto assim. Se fosse só isso! Ele estava falante, vindo à minha casa... Deus!

– Então estava se divertindo com outra pessoa – mesmo que falasse comigo, ele encarava Isaac, que estava agora de pé e mantinha o mesmo olhar desafiador – Eu devia ter imaginado quando atendeu a porta usando roupas tão curtas – a última frase foi proferida bem baixo. Talvez mais para ele mesmo do que para mim.

– Não, Ikki. Não é isso... – finalmente eu conseguia falar alguma coisa.

– Prefere um pivete desses a mim? – passou as mãos pelos cabelos negros – Francamente, Hyoga, não foi me ver pra ficar se atracando com um pirralho? – finalmente olhou para mim. Seu olhar frio como o gelo pareceu perfurar meu peito.

– Respeite o Oga! – a voz alta de Isaac chamou nossa atenção – Você acha que tem o direito de vir a casa dele e nos ofender dessa forma? O que fazemos ou não... Não é problema seu! Pelo que sei você não dá a devida atenção para ele.

– E isso te dá o direito de dar essa atenção no meu lugar? – Ikki rebateu rápido, num tom de voz baixo e assustador, deixando Isaac sem palavras.

– Chega. – falei baixo, atraindo os olhares dos dois – Não admito que desrespeite a mim e ao Isaac assim, na minha própria casa. Por favor, Ikki, vá emb...

Ele me puxou pelo pulso tão depressa que não consegui terminar minha frase. Sua mão esquerda segurou minha cintura com firmeza enquanto a direita se enroscou nos cabelos de minha nuca. Sua boca faminta cobriu a minha e logo sua língua corria esperta dentro da minha cavidade úmida.

Mesmo que eu não quisesse, me deixei levar por um instante, sentindo o gosto tão bom daquela boca. Mas logo lembrei da situação em que estávamos, do modo como ele me tratava e que eu não queria mais sofrer por ele e espalmei minhas mãos em seu peito vasto, numa tentativa inútil de afastá-lo. Ele era muito mais forte.

Numa tentativa de ajudar, Isaac puxou-o para trás, afastando-o de mim. Mas ele não conhecia aquele homem. Ikki Amamiya não deixava nada barato, mesmo que fosse algo simples como aquilo.

– Quem você pensa que é, pirralho? – quase cuspiu as palavras sobre Isaac. Aproximando-se dele rapidamente.

Num esforço sobre-humano, abracei suas costas largas com força, tentando impedi-lo do que pretendia fazer com Isaac, seja lá o que fosse.

– Por favor, por favor, deixe-o em paz. Por favor, não toque nele! – o desespero presente em minha voz pareceu o tocar por um instante, pois senti seu corpo retesar – Vá pra casa, Isaac, por favor!

Isaac continuava ali, olhando-nos com surpresa. Ao menos Ikki parou, tornou-se imóvel.

– Por favor, Isaac...

Acho que meu desespero o tocou também, pois Isaac rapidamente pegou sua mochila e sapatos e saiu, batendo a porta. Mesmo que ele já tivesse ido, fiquei alguns instantes abraçado às costas largas de Ikki, ainda em choque.

Foi ele quem me afastou, virando-se e encarando-me com seus olhos negros.

– Então esse é o pirralho que você tanto ama. – falou baixo, sem desviar os olhos dos meus – Era ele que você desejava esquecer quando começou a se encontrar comigo, não era? Se você queria esquecer, Hyoga, por que demônios deixou de me ver pra ficar com ele?! – a última frase foi proferida num grito, que fez com que eu me encolhesse.

– Por que se importa? – murmurei.

– Eu me importo? Eu não me importo! Não dou a mínima! – continuava a gritar. Eu nunca havia visto Ikki Amamiya alterado. Nem uma vez. – Não ligo nem um pouco! Se você deixou de me ver pra se esfregar com outro, eu não ligo! Se gritou daquele jeito pra eu não bater no seu pirralho precioso... Eu... Não ligo. – jogou os cabelos negros para trás, respirando profundamente antes de olhar-me nos olhos e dizer algo – Chega. Não quero mais te ver.

Aquela frase, que se dita em qualquer outra ocasião por ele me mataria por dentro, me irritou. Ele estava fora de si também, por isso me permiti gritar um pouco.

– Ikki, está louco?! Vem à minha casa, estraga a noite que eu estava tendo com meu melhor amigo, quase o agride, tira suas próprias conclusões malucas sobre minha relação com ele e acha que tem o direito de nos ofender?! – ele parecia chocado, mas eu não iria recuar – Se não quer mais me ver, seja homem e assuma! Não jogue a responsabilidade disso em mim. Estou há meses me esforçando por você, indo te ver mesmo quando fico o dia todo apenas vendo TV ou fazendo meus deveres, já que você me ignora... Se tem alguém com o direito de estar furioso aqui, com toda a certeza esse alguém não é você!

Um pequeno silêncio se instalou entre nós.

– Está dizendo... – ele começou – Está dizendo que não há nada entre você e aquele garoto?

Deixei que meus orbes cor de céu respondessem por mim, quis que ele lesse em meus olhos o quanto eu o amava, o quanto eu sofria por ele. Mas ele parecia incapaz de ver por trás de mim.

– Ok, entendo. – ponderou – Então eu fiz papel de idiota.

– Fez.

Um novo silêncio.

– Fez tudo isso... apenas porque não apareci na sua casa? – indaguei.

Ele pareceu constrangido.

– Você vai todos os dias, é normal que eu estranhe quando não aparece.

– Estou pensando em não ir mais. – cruzei os braços, olhando-o seriamente.

– Por quê?!

– Sou um ser humano, Ikki. Uma hora eu iria cansar de ser chutado como uma doença, não achou?

Ele mordeu seu lábio inferior, se aproximando de mim. Mantive minha postura negativa a ele, apertando os braços sobre o peito.

– Eu sei, fui cruel com você. – suspirou – Mas isso foi porque no começo não queria me apaixonar. E depois... Foi por não querer admitir que estava apaixonado.

Meus olhos pareciam querer saltar das órbitas, meus braços caíram lado a lado do meu corpo. Eu me negava a crer em meus ouvidos. O que ele disse foi... O que ele quis dizer foi que...

Eu sentia meu coração bater com tanta força que senti medo de que Ikki o ouvisse. Eu só podia estar ouvindo mal. Não, eu só podia estar dormindo! Bebi demais com o Isaac, daqui a pouco vou acordar babando em meu sofá com meu amigo rindo de mim.

Sinto algo quente deslizar pela minha face. Uma lágrima? Logo vieram outras.

– Eu fiz você sofrer mesmo, não é? – Ikki sussurrou, me abraçando calorosamente.

Secou minhas lágrimas gentilmente, selando meus lábios.

– Eu não quero mais que chore, Hyoga. Eu não quero mais te ferir.

– É tão fácil falar, não é? – minha voz saiu embargada pelo choro – Não vê que estou ferido por sua causa?

– Psiiiu, eu sei – apertou o abraço, beijando meu pescoço suavemente – Eu te amo tanto e te machuco assim. Sou um idiota...

– Sim, você é! – abracei-o com o máximo de força que pude.

Um idiota que eu amo tanto... A ponto de jogar fora meu orgulho.

Depois disso, as coisas aconteceram muito rápido. Não sei como viemos parar no meu quarto. Minha cabeça está girando, talvez um pouco pela bebida, talvez mais pelos beijos alucinantes que recebo de Ikki agora.

Eu juro que queria afastá-lo e dizer que de nada adiantaria se declarar agora, que eu não o queria mais. Eu havia prometido que faria isso, mas... Já não me importava mais. Não dava a mínima para princípios ou coisas do gênero. No momento eu apenas queria ser dele. E, se não fosse desejar muito, que ele fosse meu também.

– Hyoga – ele sussurrava meu nome seguidas vezes enquanto beijava meu pescoço, puxando a gola da blusa branca que eu usava para lamber e morder meu ombro – Eu fico louco... – suas grandes mãos deslizando por debaixo do tecido, arrepiando minha pele quente – Fico louco só de imaginar outro cara te tocando assim.

Gemi alto quando sua mão fria invadiu minha cueca, apertando meu membro recém-desperto.

– Essa expressão, só eu posso vê-la – chupou meu pescoço com um pouco de força. Eu sabia que ali ficaria uma marca arroxeada – Só eu, Hyoga!

Não consegui responder, pois as sensações em meu corpo eram intensas. Ikki logo se livrou de minha blusa branca e de seu casaco preto, jogando-os num canto do quarto.

Eu estava deitado na cama com as costas no colchão com o corpo másculo do moreno sobre o meu. Mesmo que aquela estivesse longe de ser minha primeira experiência sexual, eu me sentia como se fosse. Tremia e me constrangia a cada olhar lascivo de meu amante.

Talvez fosse porque eu nunca me sentira tão nu aos olhos de alguém. Ele me desejava e não escondia isso. Era notável em cada toque, em cada beijo o tesão enorme que sentia. Mas, mais do que isso, eu podia sentir e até mesmo ouvir que havia mais do que isso...

– Eu te amo – falou em meu ouvido antes de lamber e morder o lóbulo de minha orelha – Amo você, loiro.

Acho que foram essas palavras que me acordaram de meu transe. Eu estava ali, com o homem da minha vida dizendo que me amava a todo instante. Era tudo o que eu sempre quis. Não havia sentido ficar me comportando como uma virgem!

Mais do que depressa inverti nossas posições, deixando-o deitado de barriga para cima e sentei sobre sua excitação. Arrepiei-me ao sentir como ele estava duro. Sorri de canto ao lembrar que aquilo era por mim.

Ele retribuiu meu sorriso com um carregado de luxúria e deixou que suas mãos corressem espertas por minhas coxas, apertando-as e acariciando-as. Eu bem sabia que aquela era a parte do meu corpo que ele mais adorava tocar e marcar.

Curvei meu corpo, unindo nossos lábios num beijo intenso e gostoso, onde minha língua acariciava a sua numa dança sensual. Deslizei minhas mãos por sob sua camiseta preta, sentindo com verdadeira devoção os gominhos de sua barriga até alcançar seus mamilos já rígidos de excitação.

O gemido rouco que ele deixou escapar me arrepiou uma vez mais. Foi tão gostoso e sexy que tudo o que pude fazer foi livrá-lo daquela camiseta, louco para ouvir mais daqueles gemidos.

Assim que pude vislumbrar seu tronco nu, lambi-o lentamente, acariciando um de seus mamilos com a mão direita, enquanto a esquerda acariciava seu falo rígido por sobre a calça que usava.

– Ahh, Hyoga! – gemeu alto quando passei a chupar seu mamilo sem parar a massagem em seu membro.

Suas grandes mãos logo encontraram o caminho às minhas coxas novamente, apertando com força, deixando as marcas de seus dedos, com certeza. Ele puxou meu short preto para baixo, junto da cueca de mesma cor, tirando-o desajeitadamente.

Levantei-me um pouco, apenas pra me ver livre de qualquer peça de roupa, logo tornando a sentar em seu colo, dessa vez totalmente nu. Seus olhos negros praticamente me devoraram. Seu peito subia e descia rapidamente enquanto ele apenas me olhava.

Seu olhar me constrangeu por um instante, ele se deliciava com minha nudez e não se preocupava em disfarçar isso. Sua primeira reação foi explorar meu corpo com suas mãos, demorando-se em meus quadris e em meu traseiro.

– Você é lindo – sussurrou, sua voz rouca fazendo com que meu coração falhasse uma batida – Muito mais do que eu mereço – sorriu.

– N-Não é verdade – respondi num murmúrio – Você também é lindo, Ikki. Para mim, é o mais lindo – curvei-me para beijar seus lábios docemente. Senti quando ele sorriu entre o beijo e apertou minha cintura.

Em poucos minutos, apenas beijos e carícias não eram mais suficientes. Precisávamos nos sentir totalmente. Por isso desci meus beijos pelo pescoço grosso de Ikki, passando por seu peitoral firme, o abdome, até que meu queixo bateu no cós da calça jeans preta. Encarei seus olhos negros, que suplicavam para que eu o aliviasse.

Abri o zíper de sua calça, baixando-a um pouco, revelando a boxer branca que não disfarçava nem de longe sua proeminente ereção. Tirei com certo esforço o jeans e a cueca, recebendo a ajuda do moreno.

Ele gemeu em alívio quando se viu livre das roupas, seu falo excitado indo rapidamente de encontro à barriga. Sorri de canto. Devia estar sendo uma tortura para Ikki estar vestido até aquele momento, visto que ele possuía um membro grande; devia estar dolorido.

– Está mesmo duro – sussurrei mais para mim mesmo do que para ele, começando a masturbá-lo lentamente, me deliciando com seus gemidos prazerosos.

– Você me deixa assim – sorriu entre os suspiros, acariciando minha cintura e minhas costas.

Aproximei meu rosto daquele pedaço de carne suculento, aspirando seu cheiro, fechando os olhos enquanto o fazia. Eu adorava seu cheiro, seu sabor, sua textura. Eu o adorava.

O moreno segurou o próprio membro pela base, apontando-o para meu rosto. Seus olhos azuis escuros como uma tempestade suplicavam por aquilo. Meu corpo estremeceu com aquele olhar. Aquele olhar que eu nunca havia visto, já que ele sempre me possuía apenas para se satisfazer e nunca demonstrava gostar dos meus toques.

Agora era diferente. Ele estava pedindo para que eu o tocasse. Então resolvi me divertir um pouco. Lambi a parte interna de suas coxas morenas, sentindo os pelos ali presentes. Passava minha língua por ali demoradamente, chupando e mordendo certos pontos conforme minha vontade.

Subi um pouco meus lábios, chupando cada uma de suas bolas com prazer, ouvindo seus suspiros deliciados. Foi só depois de saborear cada pedaço de sua pele uma vez mais que levei seu falo intumescido aos lábios, chupando-o da melhor forma que podia. Era difícil colocá-lo todo na boca, mal consegui passar da metade.

– Ah, Hyoga! – fechou sua mão em meus fios loiros, jogando a cabeça para trás – Delícia!

Continuei com os movimentos em seu membro, lambendo e sugando intensamente, sendo recompensado com seus gemidos e oscilações de quadril. Em certo momento ele me puxou pelos cabelos, afastando minha boca dele.

O moreno me sorriu ofegante. Não foram precisas palavras para que eu entendesse o que ele desejava. Era o mesmo que eu desejava naquele momento. Por isso rapidamente invertemos nossas posições.

Enquanto eu estava deitado de barriga para cima, com dois travesseiros sob meus quadris, Ikki se mantinha ajoelhado de frente para mim, segurando minhas coxas contra meu peito, olhando-me nos olhos. Aqueles olhos negros que me faziam estremecer.

– Você tem camisinha? – sua voz soou rouca e baixa.

Pisquei meus olhos algumas vezes. Não, eu não tinha nenhuma proteção em casa. Afinal, sempre fazíamos em sua casa. Como ele esperava que eu tivesse?! Mas, de qualquer forma, eu não queria nem podia parar assim. Eu precisava continuar.

Por isso simplesmente fechei minhas mãos em suas nádegas, puxando-o contra mim. Ele pareceu surpreso, olhando-me com uma interrogação no rosto.

– Eu não quero nada disso – sussurrei – Só quero sentir você. Bem fundo. – deslizei minha língua por meus lábios de forma que eu sabia ser sensual.

Sorri de canto ao ver seu corpo estremecer. Ikki curvou-se e beijou meus lábios com paixão. Gemi abafado por seus lábios, suas mãos ainda firmes em minhas coxas grossas. Deslizou seus lábios rapidamente para minha orelha.

– Louco... Você me deixa louco, Hyoga!

Abracei suas costas largas.

– Apenas me ame assim como eu te amo. – respondi num sussurro.

Depois disso, foi questão de segundos para que eu sentisse seu grande membro pedindo passagem pelo pequeno espaço por entre minhas nádegas. Fechei meus olhos com força, enlaçando seu pescoço. Aquilo seria doloroso sem nenhuma lubrificação.

O gemido deliciado que ele emitiu quando entrou totalmente me fez sorrir um pouco em meio a minha dor. O moreno ficou parado por alguns instantes, acariciando meu corpo suavemente, beijando meus lábios com certa doçura.

Encarava-,e, como se buscasse permissão para continuar. Sorri, deslizando minhas mãos para suas costas, abraçando-as. Ondulei meu quadril, arrancando um novo gemido dele.

Não foi preciso outro sinal para que ele começasse a oscilar seu quadril, penetrando-me profundamente. Minha voz, que começou baixa e contida, logo ecoava pelas paredes do quarto em gemidos e urros de prazer.

Ikki me acompanhava com seus gemidos guturais, penetrando-me com força e velocidade. Logo ele mudou sua posição, ficando ajoelhado na cama, segurando minhas longas pernas sobre os ombros enquanto investia contra mim. Por vezes ficava a olhar seu próprio membro entrando e saindo de minha fenda rosada sem parar, deliciando-se com a imagem.

Na verdade tudo parecia muito intenso para ele. Aquela era a primeira vez em que transávamos sem camisinha, a primeira vez que nos amávamos mutuamente, então ele parecia estar em êxtase.

– Você é tão apertadinho... Tão quente – falou entre os gemidos e ofegos, me penetrando com força. Eu só fazia gemer e masturbar meu pênis pulsante com velocidade, logo chegaria ao meu ápice – Meu gostoso – sorriu de canto, apertando minhas coxas com mais força.

Eu nem responder conseguia, pois fui tomado por uma sensação avassaladora, soltando um gemido alto e agudo enquanto minha semente lambuzava minha barriga e meu peito. Ikki passou a investir mais rapidamente. Seus gemidos ficavam mais constantes a cada segundo, logo ele gozaria também.

– Ah, loiro! Eu quero esporrar dentro de você – não diminuía a velocidade e força das investidas, me arrancando mais e mais gemidos – Posso te encher com a minha porra? – murmurou de uma maneira que me fez arrepiar por inteiro.

Eu adorava o modo como ele ficava quando estava alucinado de prazer. Perdia totalmente a compostura, esquecia toda sua altivez.

– Ah... P-Pode... Hm!

Poucos segundos depois, numa estocada mais profunda, fui preenchido com aquele líquido morno que veio acompanhado por um grito gutural do meu moreno. Gemi alto também, abraçando seu pescoço.

Ele ainda deu mais algumas estocadas antes de deixar seu corpo cair sobre o meu, saindo de dentro de mim lentamente. Gememos juntos mais uma vez e permanecemos em silêncio, buscando acalmar nossas respirações e batimentos cardíacos.

Meus olhos se fecharam sem que eu notasse. Meu corpo fora tomado pelo cansaço.

– Ei, loiro – chamou baixo – Não durma – empurrou minha bochecha com seu nariz.

Sorri, sem abrir os olhos.

– Você acabou comigo – murmurei.

Ele riu baixinho, beijando meu pescoço.

– È que você é gostoso demais! – riu.

Abri apenas um olho, observando-o.

– É sério? – indaguei – Que gosta de mim.

Ele tornou-se sério.

– Claro. Sei que já te fiz chorar muito, Hyoga, e, de verdade, me sinto um lixo por isso – franziu o cenho, como se estivesse irritado consigo mesmo. Talvez estivesse mesmo – Mas eu realmente amo você. – sorriu novamente.

Meus dois olhos estavam abertos agora, olhando a bela face do homem a minha frente. Eu o amava, não restavam dúvidas. O amava tanto a ponto de jogar meu orgulho pela janela e me entregar a ele quantas vezes ele quisesse.

Então apenas fechei os olhos e me deixei ser beijado mais uma vez. Logo nos amamos de novo e, entre gemidos e sussurros, lembramo-nos o quanto nos amávamos.

FIM

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*CAD: Do inglês: computer-aided design (desenho auxiliado por computador) é o nome genérico de sistemas computacionais (software) utilizados pela engenharia, geologia, geografia, arquitetura, e design para facilitar o projeto e desenho técnicos.

Notas finais
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