No Other

37 Capítulo 37 - Crazy


Notas iniciais
Olá, pessoas < 3 Era para ter postado ontem, mas ai eu acabei não conseguindo acabar de digitar (pq agora tenho horário para dormir, de novo --') Enfim, sem mais delongas, a música é do Gnarls Barkley: https://www.youtube.com/watch?v=bd2B6SjMh_w

– Muito bem, desse lado da folha, eu quero que você escreva o que é que te dá força para continuar, mesmo depois de toda essa bagunça.

Peguei o lápis que Lara estendia na minha direção, respirando fundo. Força. De onde eu estava tirando força? Boa pergunta. E eu tinha a impressão de não saber qual era a resposta. Dei um suspiro e encostei a ponta do lápis na folha em branco.

Força. Eu tiro força do sorriso aliviado da minha mãe e dos meus irmãos, da voz preocupada do meu pai no outro lado da linha. Dos meus amigos também. Ali e Annie sentiram parte do que eu senti também. Tiro das músicas que eu gosto, que me deixam mais felizes. Tiro da vontade que eu tenho de fazer outras coisas, mais importantes.

— Ok. Agora, você vai escrever o que te assombra. Seus medos, ou só o que te assusta, mesmo que sem ser grave.

Tenho medo do escuro agora, ou pelo menos do que ele parece esconder. Tenho medo de repetir erros bobos, feito o último. Tenho medo de ficar sozinha.

— Ficar sozinha? Por medo de acabar acontecendo algo ruim ou por medo de ninguém querer se aproximar?

– Acho que um pouco dos dois. Não sei de onde eu tirei isso, só...

– Bem, agora vira a folha e escreve algo que você tem certeza sobre você. Do que está sentindo agora.

Eu tenho certeza de que não mereço a amizade de ninguém.

— Nhoim, de onde tirou isso?

– De tudo que eu já presenciei. Ali não confia em mim, Annie age como se eu algum dia fosse matá-la. Eu afastei os gêmeos de mim, afastei Shaun sem o menor motivo, sempre acho que eles vão me deixar um dia. E eu sei que é porque eu não sirvo para isso. Perguntar, ajudar, ser simpática...

– Isso tem a ver com seu medo de solidão?

– Não sei, pode ter. Ele pode ter surgido dessa minha certeza.

– Risque essa certeza daí. Não se calcula esse tipo de relação. As amizades acontecem pelas duas partes. Se você não as merece, elas também não te merecem. Aposto que não conta tudo para elas, nem elas para você. Normal. A gente até precisa ter alguns segredos.

– É, acho que faz sentido.

– Isso chama insegurança, Megan. Não precisa disso. Acredite quando eu digo que você já sofreu muito mais e parece muito mais segura, mais forte do que todos os outros pacientes.

– Valeu, Lara. – E corri o lápis por cima daquela frase tonta. Ela sorriu, mudando o assunto. Ela continuava com as perguntas sobre medo, escuro, trauma, até o relógio mostrar o fim da sessão. Ganhei um abraço e fui embora, um pouco mais calma.

Pouco. E nem durou muito.

Eu passei a semana toda naquele estado zumbi. Ainda não conseguira dormir bem, então continuava com olheiras imensas e sono constante. Fora a vontade inexplicável de chorar que surgia repentinamente.

Na sexta, o almoço estava mais agitado que o normal. Annie e Ali conversavam entre si, rindo desesperadas. Louis e Lólli falavam com Shaun, e eu continuava sentada, brincando com o canudo do suco.

– Megs, fala a verdade, você acha o Shaun bonito com esse cabelo começando a ficar com essa franja? Não ia ficar melhor depois de umas tesouradas?

– O que?

Não sei quando começou, mas agora eu conseguia o rastro frio que as lágrimas criavam no meu rosto. Todo mundo me encarava, preocupado, mas eu só queria sair dali. Peguei minha mochila e deixei o refeitório, tentando secar as malditas lágrimas.

Corri sem rumo e, depois de alguns minutos, sentei no chão e continuei chorando. Pensei em me esconder quando ouvi os passos se aproximando, mas nem tive tempo. Shaun parou de frente para mim, ofegante.

– O que há com você, hein?

– Eu não sei, Shaun. Ninguém vai vir, né?

– Não, eu disse que avisava quando te achasse. “Não achei”.

– Não sei o que tem de errado comigo, eu só...Shaun, pode me dar um abraço?

– Hum, posso.

Ele parecia hesitante de início, mas depois deixou os braços envolverem meu corpo e ficou passando uma mão sobre minha cabeça. Consegui me acalmar, calada.

– Valeu.

– Melhor? Descobriu o motivo do choro?

– Não, acho que nem vou. Pode ser só efeito dos dias sem dormir direito.

– Seu medo de escuro?

– Também. As poucas vezes que eu consigo dormir, eu...

– Você...

– Tenho pesadelos. Sobre o dia que me levaram para subornar Kyu. Um deles apontou uma arma pra minha cabeça.

– Não sei se o que eu falo tem algum valor, mas já provou que precisa de mais do que um tiro na cachola para te matar.

– É, mas agora o risco era maior.

– Era. Passou, Megs. Te tiramos de lá, Ali e Annie também ficaram assustadas. Você tem a gente.

– É, eu sei. É só...eu senti falta de Duran depois disso. Digo, eu sinto falta dele normalmente, mas...acho que ele me protegeria, sabe?

– Bem, eu não era o namorado, mas ainda pode contar comigo. Sabe disso.

– É, eu sei. Valeu, Shaun. por aturar o drama adolescente.

– Acho que é um pouco pior, Megs, mas tudo bem. Dá pra te aguentar.

Ele me ajudou a ficar de pé e, depois de passar a mão pelo meu rosto, disse que eu estava pronta para a tonelada de perguntas que se seguiriam. Sorri e o segui de volta para o refeitório, fingindo que estava tudo normal.

A melhor parte em fazer terapia eram as desculpas que podiam sair disso. Quando me perguntaram do surto de choro, eu disse que era um remédio que Lara tinha me receitado. Sendo psicóloga, ela não receitava nada, detalhe que ninguém precisava saber.

– Muito bem, então vamos cortar o efeito desse remédio pela raiz. – Louis agarrou meu braço, sorridente. – Para animar nossa menina favorita, vamos fazer um programa nesse fim de semana.

– Alguma sugestão?

– Natchigal. – A irmã dele falou, esperando apoio. Ele sorriu, olhando para mim.

– O que é isso?

– Natchigal, tipo a cidade vizinha?

– É, Shaun, minha avó tem uma casa de campo lá, o lugar é incrível. Ela nos empresta a casa sem problema.

– É uma cidade rural, sem os insetos, que fica a menos de duas horas. Bom passeio, na verdade. Ainda mais que tem uma piscina lá.

– Bom, eu poderia aproveitar uma piscina.

– Então pronto. A gente devia chamar suas amigas. Lara e Leticia.

– E Ali leva o boy magia dela, tudo resolvido. Ai ele leva parte do grupo e Shaun leva outra. Antes que você reclame, bicha roxa, a gente paga a gasolina.

– Eu não ia dizer nada, Louisa, mas aceito a oferta.

– Eu vou com você e mostro o caminho, Shaun. Meu irmão vai no carro do Kyu.

– Vou com você também. Lara e Leticia vão, pode ser?

– Por que não vai com a gente?

– Annie, é matemática. Se Louis vai com Kyu, sobram três lugares. Um é da namorada, os outros são nossos. Porém, Lara e Leticia não são amigas dos outros, seria estranho deixá-las sozinhas com eles.

– É, faz sentido. Entendi. Bem, a gente vai que horas?

– Oito é um bom horário. Saindo todo mundo da casa da Megs, a gente sai junto...

– Bom, decidido. Vou avisar minha mãe e pronto. E as meninas, claro.

Numa despedida bagunçada, a gente acenou um para o outro e saímos todos da escola, prontos para ir para casa. Ali e Annie caminhavam comigo, falando de Kyu.

– Ele era mesmo estranho com você.

– Ali, nem vem. Ele é humano, claro que ia ter medo por você. Para de show.

– Bom, meninas, o importante é que estamos aqui, juntas, lindas, vivas e deslumbrantes. Vamos.

– Tchau gente. Até amanhã.

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Lara e Leticia chegaram uma hora antes do combinado. Eu ainda estava de pijama, comendo uma tigela de cereal e assistindo desenho animado na TV. Corri e fui tomar um banho, ouvindo toda vez que a campainha tocava.

Quando eram oito da manhã, já estava todo mundo lá, guardando a ciaxa de comida que estávamos levando e as mochilas de cada um. Kyu estava sem o terno costumeiro, mas com o sorriso brilhante no rosto.

– Ficou melhor?

– Eu já te disse que ela não me para. Falando sério, já estou melhorando.

– Fico feliz.

Separamos os dois grupos. Lólli estava tão amiga de Lara que quis ir no banco de trás. Fui para o carona, colocando os óculos escuros. Shaun deu a partida, esperando o carro de Kyu nos passar.

Com meu iPod ligado ao som do carro e o bom humor lá nas alturas, eu fui berrando a letra de Your Love pela estrada afora, sem me importar se estava desafinando. Os quatro me acompanharam, nas que eles conheciam.

Depois de quase duas horas, Lólli indicou uma entrada para Shaun. Ele parou o carro perto da piscina, tirando os óculos do rosto e estudando a casa. Fiz o mesmo.

A casa tinha dois andares, bem larga e, ao que parecia, bastante espaçosa. Tinha uma área de churrasqueira aos fundos, na frente a piscina limpa, um gramado bem cuidado ao redor. Melhor do que o esperado.

– A casa é grande, mas só tem quatro quarto mobiliados. Então, vamos ter que pensar numa divisão. Eu tenho um quarto com o Louis.

– Eu fico com a Megs. – Annie deu um desespero para falar que eu até estranhei, até entender o plano. Sorri para ela.

– Isso ai. O outro quarto da Lara e da Leticia. E um para o casal? Olhe só.

– O sofá é meu então. – Shaun descarregou o carro e entrou na casa, sem esperar convite. Sorri e o segui.

– Não, não vão fugir assim não. – Ali subiu correndo atrás da gente, desesperada. Eu e Annie já estávamos rindo do despesero dela. – Oi, vocês são doidas? Eu vou dormir aqui.

– Ali, relaxa, Você já dormiu com ele. Na cama dele, eu digo.

– Mesmo assim. Vocês anunciaram para todo mundo.

– E dai? Você faz o que quer. E não faz o que quer também. Fora que Kyu não vai te fazer mal nenhum.

– Ainda mais numa casa cheia de gente. Eu, hein, alucinada. Você que pensa maldade.

Ali nos deixou no quarto, irritada. Não ia durar três minutos, mas tudo bem. Deixei minha mochila na cama do canto e esperei ela falar algo. Estava pensando se nadava ou não.

– Vai nadar? Eu te ajudo se precisar, mas odeio piscina.

– É, pode ser. E passa protetor também.

Eu estava com medo de ser a única a querer nadar, mas fui a última a chegar. Sorri comigo mesma. Ali e Kyu se pegavam num canto, os irmãos estavam brincando na água, Shaun conversava com Lara e Leh. Entrei na água e fui irritar o casal.

– Depois reclama, né, Ali. Na frente dos outros tá suave?

Ela me ignorou. Indignada, dei um tapa nas costas de Kyu. Ele soltou Ali, num sorriso cínico. Acho que ele estava pensando se me afogava naquele instante ou mais tarde.

– Você é uma vadia.

– Te amo também, lindo. Vou deixar o casal sozinho e vou dar uma volta, beijos.

Depois de falar com quase todo mundo, eu fui parar do lado de Shaun. Ele parecia distraído, olhando sempre para frente. Entrei no caminho, só para ver a reação assustada dele. Discreto, ainda assim.

– Oi.

– Pensando em que?

– Em fazer almoço. Quer ajudar?

– Não, sou um horror cozinhando. Não sabia que você cozinhava.

– Hum, raramente. Minha avó gostava de me ensinar, mas nunca fui muito de praticar.

– Boa sorte. E desculpa.

– Tranquilo. Até daqui a pouco.

Ele saiu da água, jogando o cabelo molhado para trás. Louis tinha razão, ele ficava muito melhor com o cabelo fora do rosto. Fechei a boca, indo até a borda e parando perto de Annie. Ela estava com os pés na água, calada.

– Que foi, An?

– To observando as panelinhas, o casal, e eu na minha solidão.

– Olha, aproveita a psicóloga gratuita e fala com ela. Sério agora, está tão sozinha quanto eu.

– Tem Duran.

– Não tenho não. Não mais. Você pode ter o Elijah.

– Nem brinca, meu coração não aguenta. Eu amo seu irmão.

– Não sei como, mas tudo bem. Eu vou lá dentro, quer vir?

– Não, vou desabafar com as águas. Pode ir.

Sorri e sai da piscina, indo atrás de Shaun. Confesso que era curiosidade em saber como ele se virava na cozinha. Sequei um pouco no sol e entrei na casa, encolhendo de frio. Ele me viu entrando, mas continuou mexendo na panela, calado.

– Precisa de ajuda? Posso tentar, se quiser.

– Não precisa. Valeu.

Notei que ele evitava olhar na minha direção e me preocupei. O que podia estar o incomodando tanto? Conhecendo Shaun, devia ser alguma bobagem sobre eu estar de biquini.

– O que você está olhando?

– Seus braços. Estão manchados de amarelo. Imagino que tenha sido um roxo antes.

Olhei meus membros, identificando as marcas das quais ele falava. Não me lembrava muito quando eu as conseguira. Podia ter sido tentando escapar de Klaus, mas acho que já teriam sumido. Possivelmente quando Hye-In me jogou dentro daquele carro imundo.

– Eu nem lembrava disso. Posso chamar a galera?

– Pode. Almoço pronto.

Deixei o assunto morrer e fui chamar meus amigos.

Depos disso, a tarde passo bem rápido. Eu fiquei o tempo quase inteiro dentro da água. Parecia bobo, mas fiquei com receio de que os outros ficassem reparando nos amarelos dos braços. Quando já estava anoitecendo, Shaun sugeriu que fizéssemos alguma outra coisa. Sai da piscina e fui tomar banho.

Fiquei no quarto no fim do corredor. Peguei minha roupa limpa e fui para o banheiro no corredor, tremendo de frio. Lavei o cabelo, aproveitei o vapor no banheiro para ficar quentinha. Tudo lindo, até a hora de sair. Abri a porta e fiquei lá, encarando o escuro no corredor.

Meus passos iam incertos pelo corredor, até eu escutar a voz de Ali vinda do outro lado da casa. A varanda. Relaxei, apressando-me. Entrei na conversa, mais calma.

O clima ali era tão tranquilo que eu sorri de imediato. Lara se ofereceu para desembaraçar meu cabelo, me colocando sentada ao seu lado. Do meu outro lado ficou Shaun. Era melhor do que ficar entre o casal grudento.

A melhor parte daquelas conversas de amigos eram os assuntos. Principalmente o fato de que não precisávamos de assunto. Eles sempre surgiam sem esforço, e sumiam para dar lugar a outros ainda mais bobos. A roda foi se desfazendo depois de horas, quando a comida acabara e o assunto foi perdendo a força. Por fim, sobraram Ali, Shaun e eu.

– Boa noite, gente. Até amanhã.

– Tchau. – Comecei a pensar se Shaun não estava querendo ir dormir também, mas ele não aparentava cansaço algum. Ainda assim, eu devia ir dormir. Fiquei de pé, hesitante.

– Já vai?

– É, eu... – Mas não me movia. Fiquei esperando algo, algum sinal vindo de não sei aonde. Ele deu um sorriso torto.

– Que foi? Não quer ficar sem minha companhia.

– Boa noite.

Ele riu, enquanto eu “fugia” pelo corredor. Ia ficar tudo bem. Eu esperava que sim, sabia que sim. Abri a porta do quarto e entrei, no maior cuidado para não acordar Annie.

Acordei no meio da noite, assustada. Não conseguia lembrar com o que sonhara, mas não tinha sido bom. Olhei pelo quarto. Annie continuava deitada, a porta fechada. Meu coração continuava acelerado, esperando o pior.

“Água. Tome água e volte, tudo bem.”

Sai do quarto, sem me preocupar em achar meu chinelo no escuro, e segui pelo corredor. Do alto da escada, eu via Shaun deitado. O sofá era meio pequeno para ele, alto do jeito que era. Desci os degraus, respirando fundo. Água e voltar.

O silêncio era tanto que eu achei que estava surda. Peguei um copo para tomar a bendita água e tomei um gole. Dois. Segurei o meio copo. Continuei murmurando que não tinha nada, mas eu tinha certeza de que tinha algo me olhando do alto da escada. Continuei de costas para a porta. Pior erro.

Quando as duas mãos seguraram meus ombros, eu surtei. O copo escapou da minha mão e se despedaçou no chão, espalhando cacos para todo lado. E na tentativa de me soltar, eu acabei pisando no vidro, até escorregar e cair sentada sobre eles.

– Megs, calma. – Ergui as mãos, cobrindo parte da minah boca. Como se aquilo fosse conseguir abafar o choro histérico. – Megs, sou eu. Calma. Caramba.

Eu não conseguia responder, só choramingar. Depois de perceber o que estava acontecendo, eu só conseguia tremer, de dor e de vergonha. Todo mundo ia saindo dos quartos e descendo para entender a situação.

– Ai, minha nossa.

– Annie, vem cá. – Leh a chamou para o outro cômodo, querendo se livrar da visão ensanguentada e evitar um desmaio. Ali e Kyu foram atrás delas, querendo abrir espaço na cozinha.

Lara se abaixou do meu lado, evitando os cacos de vidro. A maioria deles estava debaixo de mim. Ela tentava me acalmar, falando na voz baixa e lenta.

– Era Shaun, calma. Foi só um acidente, nada mais.

– Foi igual eu imaginava, ele apareceu do nada.

– Desculpa, eu achei que tinha me ouvido. Megs, desculpa.

– Como eu ia ouvir se não tinha a maldita música?

– A que ele canta? – Lara perguntou, segurando minha mão no maior cuidado. – Não tinha nada lá, era Shaun. Fim.

– Vem cá, a gente precisa cuidar desses cortes seus.

Lara e Shaun me ajudaram a ficar de pé, mas os cortes ardiam tanto que eu quase caí de novo. Foi ai que Shaun me pegou no colo e me carregou até o sofá, enquanto os gêmeos iam procurar uma caixa de primeiros socorros.

– Ei, tudo bem? – Kyu e Ali vieram checar meu estado, sem olhar diretamente para meus pés.

– Sim.

– Você quer me matar de susto?

– Desculpa, eu...

Lara voltou para perto de mim, com um calmante em mãos. Tomei, sentindo o abraço fraco de Ali. Shaun pegou a caixa com os gêmeos e veio limpar meus pés, no maior cuidado. Ainda assim, doía.

Foi um pouco demorado. Pra minha sorte, nenhum dos cacos tinha entrado muito fundo no pé. Ele só precisou limpar o sangue e fazer um curativo.

– Pronto.

– Alguém consegu me explicar que surto foi esse?

Lara esperou minha permissão para explicar para os gêmeos. E para o resto do pessoal também. Acho que só Shaun e ela sabiam do novo medo. Dei de ombros, ainda envergonhada. A psicóloga contou a história, explicando que como tinham me deixado presa no escuro, eu tinha criado aquele medo.

– Hye-In fez isso com você? – Eu não entendi direito a expressão facial de Kyu. Acho que ele estava horrorizado. E pior ainda, com raiva.

– Era tortura. Ela queria me humilhar para te convencer. Parece que foi um efeito meio tardio.

– Ei, não tem nada de humilhação. Desculpa. – Ele se sentou ao meu lado e abraçou minha cabeça.

– Humilhante ou não, eu acabei de arruinar algumas noites. Ali já dorme super mal, agora ela vai ficar acordada até de manhã. Você vai ficar preocupada, Lara, e o resto eu nem sei.

– Olha, uma ideia assim, sem nenhum fundamento científico nem nada, só da minha intuição... – Louis falou, pegando a caixinha de primeiros socorros de volta. – Não ajudaria se você dormisse com alguém? Sei lá, para se sentir protegida.

– A ideia é boa, Louis. Tenta, Nhoim.

– Sem querer parecer abusado, mas esse sofá é meio pequeno...Então.

– Pode ser o Shaun? Se quiser eu fico lá...

– Não, pode ser ele, Ali. O sofá é pequeno mesmo.

Decidido aquele detalhe, cada um voltou a subir para os quartos. Eu subi também, me apoiando em Shaun. Os pés latejavam, incomodando. Annie esperou a gente se deitar na cama de casal para apagar a luz e se deitar também.

– Lembrem-se que consigo ouvir tudo, então...

– Annie!

– A gente vai ser discreto.

Olhei para ele, considerando ir dormir no sofá. Ele riu e me fez deitar enconstada na parede. Ele se ajeitou no espaço estreito e, sem dizer nada, dormiu. Demorei um pouco, mas acabei aceitando que nada me faria mal e dormi também.

Notas finais
Espero que gostem :3 Beijos e até a próxima < 3