No Other

17 Capítulo 17 - Linger


Notas iniciais
Gente, depois de muita demora...Voltei lol Não me matem .q Música do capítulo, Linger, do Cranberries :http://www.youtube.com/watch?v=G6Kspj3OO0s

Ali me ignorou. Assim que entrei na sala a vi, sentada no lugar de sempre. Ela me viu também, mas desviou o olhar.

Deixei minha mochila na minha carteira e fui até ela. Quando parei ao seu lado, ela simplesmente passou a mexer no celular, me ignorando.

– Ali, você vai me ouvir! – Me ignorou. Aquilo estava começando a me irritar. Muito. – Ali, para de drama.

Ela continuou olhando o vídeo que passava em seu celular. Apelei. Tomei o celular da mão dela e o levantei acima da minha cabeça, como se fosse tacá-lo no chão.

– Devolve. – Ela se levantou, tentando pegar o telefone de volta. Infelizmente, ao menos para ela, eu era mais alta que ela. Bem mais.

– Ah, agora você fala comigo? Então me escuta, ok? Foi um acidente! Eu sou o tipo de pessoa otária e retardada que não leva roupa pro banheiro e depois sai de toalha, no quarto que eu não tranquei.

– Acabou?

– Você só vai encostar de novo nesse negócio quando largar a mão de ser dramática.

– Gostou dele, não é? Já são “amigos”? – Ela cruzou os braços, tentando ser irônica.

– Ali, ele vai passar bastante tempo lá em casa. Mais cedo ou mais tarde vamos ficar amigos. Eu tenho Duran, idiota, quero ele com você.

– Meu celular? – Fofa de novo. Bipolaridade era mato naquele lugar.

– Toma. – Ela pegou e me deu um abraço, logo em seguida.

– Te amo de novo.

– Também. – Me soltei dela. – Meu Deus, que gay!

– Foi mesmo. – Ela voltou a se sentar. – Mas agora, fala da viagem. E dele também.

– Não sei muito de Kyu. Sei que ele tem 18 anos, é de Seoul, tem talento. Ao menos foi o que Kyle disse. Não sei pra que. – Dei de ombros. – Ah, e ele é tímido. Tipo eu, assim.

– Que fofo. Apesar de que você não é muito tímida comigo, não. E a viagem?

– Tirando meu pai ameaçando Duran, foi boa.

– Ameaçando pelo que?

– Acho que se ele me engravidar... Sei lá. – Ela olhava vagamente o celular. – Que foi?

– Tira foto dele pra mim? – Ela sorria, de um jeito sonhador.

– Vou ser trocada por um coreano que você nem conhece ainda?

– Vai ficar com ciúmes?

– Não, essa parte eu deixo pra você.

– Vai se fuder. – Grossa, por um minuto. – Se foi isso que você achou, eu fiquei foi com raiva.

– De que?

– De pensar que você trairia Duran depois do trabalho que eu tive.

– Fica quieta que quem fez tudo foi ele. E não sou assim, valeu.

O professor entrou na sala antes que ela pudesse revidar. Fui pro meu lugar. Nunca ache que Ali fosse fazer tanto drama. Mas, ao menos, agora estava tudo certo.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Ali foi pegar um caderno seu com alguém na hora do almoço, me deixando sozinha. Pelo que eu percebi, a história do carro daquela piranha já tinha sido esquecida.

Mas as pessoas me olhavam de um jeito estranho. E principalmente as que espalhavam boatos por ai. Não gostei daquilo. Ignorei o máximo que pude e fui almoçar.

Louis e Lólli se entreolharam antes de me cumprimentarem. Só faltou escreverem na testa “O que aconteceu? É verdade?”.

– Que foi?

Lólli ia me responder, mas Duran parou ao meu lado antes que ela começasse. Ele parecia triste, magoado.

– Posso conversar com você? Tipo, agora? – Ele apertava a alça da mochila, nervoso. Me apavorei.

– C-claro. – Me levantei e o segui.

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Estávamos no telhado da escola, no prédio de convivência. Era um prédio mais alto entre os outros quatro. Era nele que ficavam o refeitório, biblioteca, laboratórios de aulas práticas, etc.

Observei a paisagem. Seria bonita se eu não estivesse tão tensa. Ele também não parecia tão bem.

– Eu confio em você. Tanto é que quero te perguntar antes.

– O que foi? – Ele se sentou com as costas contra a parede, me olhando de baixo. Me sentei de frente pra ele.

– Falaram... – Ele passou a mão no rosto. – Nem sei como começar, que merda.

– Vai direto ao ponto, então. Melhor.

– Ok. – Ele respirou fundo. – Já ouviu o que falaram de você?

– Não. O que? – Franzi o cenho.

– Acho que é aquele coreano que você me falou. Uma galera da turma de literatura disse que viu você brigando com Ali por ele.

– Ah, isso. – Relaxei na hora. – Foi drama de Ali.

– Bom, é um pouco pior. – Fiquei tensa de novo. – Andam falando que Ali ficou brava porque você dormiu com ele.

Não falei nada. Não consegui. Duran não me olhava. Aquele sentimento de culpa voltou. E tristeza também, pela expressão de Duran. Ele realmente achava que eu faria aquilo com ele?

– E você acreditou?

– Não. – Ele se mexeu, desconfortável.

– Então, por que tá magoado?

– Porque eu tenho uma imaginação muito fértil. Já vi como você fica vendo kpop.

– E...?

– Eu realmente tenho medo de ser trocado, ok? – Ele passou a mão no rosto. – O que eu tenho de especial? Nada. E por mais que eu saiba que não é verdade, não é legal ser chamado de corno.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Fiquei encarando o céu, respirando fundo. Aquela conversa não parecia estar tomando um bom rumo. Suspirei.

– Vai terminar comigo? – Olhei pro chão, mastigando a língua.

– Não quero. – Ele me olhava agora. – Mas talvez seja melhor pra você.

– Como? – Olhei pra ele de novo.

– Não quero fazer isso a cada vez que tiver medo de ser trocado.

– Duran, não vou fazer isso. – Peguei sua mão. – Não vou te trocar. Se você terminar comigo, vou ficar te seguindo o tempo inteiro, até você voltar.

– Vai me stalkear? – Ele deu um sorriso.

– Bem isso mesmo, é. – Continuei séria. – Ainda vai terminar comigo?

– Não. Você já acabou com a coragem que eu tinha juntado pra fazer isso. Agora não consigo mais. – Ele riu. Meu Deus, como ele ficava lindo rindo. – A gente devia descer, a aula vai começar agora.

– Alguém olha o telhado por fugitivos? – Deitei a cabeça no ombro dele, indo pro seu lado.

– Não. No que você tá pensando? – Ele sorria.

– Que eu não quero ver a aula de biologia e de história.

– Megs, cadê a boa aluna do início do ano?

– Foi pro telhado com o namorado e decidiu ficar por lá. Posso? – Sorri.

– Ai, Deus. – Ele passou o braço sobre meus ombros. – Então, isso virou algum tipo de encontro?

– Pode ser. – Peguei meu ipod no meu bolso e entreguei pra ele. – Toma. Escolhe uma música.

– Pra ser nossa? Que gay. – Pegou o ipod, rindo.

– Escolhe logo. – Ele passou algumas músicas e sorriu, satisfeito, colocando uma delas pra tocar.

Linger. Sorri.

– “You know I’m such a fool for you.” – Ele sussurrou no meu ouvido. Senti um arrepio em minha nuca.

Passei meus braços ao redor do seu pescoço e o beijei. Ficamos ali, até ouvirmos o último sinal, terminando a aula.

Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

O grupo que passava o almoço com a gente nos encarava quando entramos no corredor. Todos eles estavam perto do meu armário.

– Oi, gente. – Agi indiferente. – Tudo bem?

– Vivos, viu? – Shaun pareceu irritado quando falou com Lólli. – Posso ir agora? Ótimo. – Ele sequer a resposta e saiu, trombando em Duran.

– Onde se meteram? – Louis perguntou, calmamente. Lólli parecia nervosa, alternando olhares entre Duran e eu, e por onde Shaun tinha passado.

– O que interessa pra vocês? – Ali fuzilou os dois, com Kim parada ao seu lado. – Os dois namoram, gente, eles podem sumir assim quando quiserem.

– Valeu, Ali. – Duran acenou com a cabeça para ela. – Bom, preciso ir falar com meu pai. Te vejo amanhã? – Estava falando comigo agora.

– Claro. – Me deu um selinho e saiu.

– Vamos também, Lólli. Shaun ficou irritado. – Louis olhava para a porta. – Vou atrás dele, antes que ele faça merda.

– Vou com você. Tchau, gente. – Os dois saíram do prédio, apressados.

– Já vou também. – Kim deu um aceno e foi para outro corredor. Me virei para Ali.

– Vamos?

– Posso ir pra sua casa? – Ela segurou a mochila, pegando o fone do celular.

– Claro, não vou fazer nada mesmo. – Sorri, saindo do prédio com ela.

– Ah, meu Deus. – Ali paralisou no meio do estacionamento, esticando a mão para me impedir. – Ele é tããão lindo.

Olhei na direção que ela olhava. Kyu caminhava calmamente até nós, arrumando o terno, o mesmo que usara no primeiro dia que o vi.

– Ei, Kyu. – Acenei, cutucando Ali para tirá-la do transe. – Ah, Kyu, essa é Alice, minha melhor amiga.

– Prazer. – Ele deu um aceno tímido com a cabeça.

– Oi. – Era impressão minha ou Ali tinha ficado tímida? Logo agora.

– Kyu, o que veio fazer aqui?Assim, não que eu me importe, mas não preciso de carona.

– Kyle e sua mãe pediram para te levar até a empresa.

– Ah. – Olhei para Ali. – Ela pode vir também?

– Claro.

– Ok, então. Vem, Ali. – Ela me seguiu, se mantendo afastada de Kyu.

– Ain, que fofo.

– Você é louca, sabia? Por que não vai falar com ele?

– To como vergonha.

Revirei os olhos. Kyu destrancou o carro, um Jaguar preto. Ali correu e se sentou no banco de trás, fechando a porta. Parecia que Kyu ia matá-la se ela fosse na frente.

Ele abriu a porta da frente pra mim e foi para o lado do motorista.

Saímos do estacionamento, calados. Ele ligou o player, cantarolando Why So Serious? Do SHINee. Ali e eu acompanhamos o ritmo. Ele sabia coreano, a gente não.

Nunca tinha ido praquele lado da cidade. Kyu dirigia bem mais rápido do que eu o imaginaria fazendo.

– Coreano parece tão difícil. – Ali falou quando ele parou num semáforo.

– Nem tanto. Vocês provavelmente achariam difícil de escrever.

– Meu pai tem um colega que viaja para a Coréia, ele fica me fazendo raiva, falando em coreano. – Falei, só pra continuar o assunto. – Mas depois ele acaba me explicando.

– Fala tipo o que? – Kyu me olhava pelo retrovisor.

– Não sei se fala assim, então não ri. Ele falou que tem três jeitos pra se cumprimentar. Annyeong? É tipo, encontrar alguém na rua.

– Certo. Os outros dois?

– An-nyeong-ha-se-yo?O mais usado. An-nyeong-ha-sim-ni-kka? O mais formal.

– Bom professor. – Ele deu um sorriso.

– Ui, desculpa se eu só sei bonamana.

– Pela música? – Ele olhou para ela pelo retrovisor.

– É. E dorama também. – Ela tinha ficado sem graça.

– Se vocês procurarem letra na internet,dá pra aprender algumas coisas. – Ele estacionou em frente a um prédio enorme.

– Empresa de que? – Ali estudava o prédio pela janela do carro.

– Entretenimento. – Respondi.

– Bem, vamos. – Kyu pegou a chave. – Ah, Megs, me faz um favor?

– Fala. – Sai do carro.

– Fala o jeito mais formal de novo. – Trancou o carro depois que Ali saiu.

– Pra quê?

– Só fala.

– An-nyeong-ha-sim-ni-kka?

– Tenta Alice.

– An-nyeong? – Ela ficou sem graça. – Serve?

– Vocês ficam fofas, falando coreano. – Ele falava olhando pro chão.

– Valeu. – Entrei no prédio com Ali, sorrindo com o cenho franzido. Estranhei o jeito de Kyu, mas não falei nada.

Notas finais
O que acharam? Quando escrevi achei tão fofo :3