No Other

12 Capítulo 12 - Out Last Night


Notas iniciais
Então, música da vez é Out Last Night do Kenny Chesney :3 http://www.youtube.com/watch?v=lRfKfZHUg84 Aparecem outras duas durante o capítulo, que são Country Roads do John Denver e Riding With The King :3

Duran ainda não tinha carteira, então pegamos um táxi. Claro que ele não me deixou pagar a corrida, mas não discuti. Tinha a sensação de que não ia dar em nada.

Era um restaurante, mais afastado, nas redondezas do bairro. O lugar mais parecia um barzinho de beira de estrada, mas era bem confortável.

– Nada extravagante, mas também não é um buraco, nem nada assim. – Duran abriu a porta para mim, dando um sorriso vago. Entrei antes dele.

Algumas mesinhas estavam espalhadas pelo espaço, o balcão tinha vários banquinhos altos de madeira. Num canto mais escuro havia uma jukebox, brilhando com o neon verde e azul, tocando “Country Roads” do John Denver.

– Pode escolher uma mesa, se quiser. – Ele parou ao meu lado, colocando as mãos nos bolsos da calça.

– Não, pode... – Não precisei terminar a frase pra que ele entendesse. Ele olhou as mesas e me guiou até o balcão. Me sentei num dos banquinhos, puxando a saia do vestido e olhando as garrafas de bebida.

– Vão querer alguma coisa? – Uma garota da nossa idade nos encarava, não muito longe de onde estávamos, por trás do balcão, limpando um copo.

Eu tinha a impressão de que a conhecia. Ela devia ser da altura de Ali ou um pouco maior, com o cabelo castanho acobreado na altura dos ombros e olhos azuis claros. Ela parecia com sono, mas sorria como uma criança brincando no meio da tarde. Muito fofa.

– E ai? – Ela estava na nossa frente agora. Coçou o nariz com a palma da mão.

– Desculpa, eu te conheço? – Me parecia um pouco de falta de educação perguntar daquele jeito, mas eu precisava tirar aquela dúvida. Duran respondeu antes dela.

– Ela é da escola, mas acho que você quase não tem aulas com ela. Ela trabalha nos fins de semana para poder “alcançar seus sonhos”. – Ele se virou para ela, debochando no fim da frase.

– Sonhos? – Perguntei, ignorando a provocação de Duran. Ela revirou os olhos pra ele, batendo de leve no ombro com o pano que usou no copo.

– Em resumo, bancar um curso de coreano e pagar uma viagem para a Coréia do Sul. E aprender japonês também. Quero viver na Coréia ou no Japão.

– Por que na Coréia?

– Eu poderia dizer que é pela qualidade de vida, mas é por kpop e doramas mesmo. – Ela deu de ombros.

– Doramas? – Pensei por um instante, me lembrando das conversas com Ali. – Ah, sei.

– A propósito, já que o inútil aqui não me apresenta direito... – Ela coçou o nariz de novo, inclinando a cabeça para Duran. – Sou Kimberly.

– Prazer. Megan, ou só Megs. – Sorri para ela.

– O mesmo de sempre, Duran? – Ele concordou depois que ela retribuiu meu sorriso. – Você?

– Hm... – Pensei por um instante , mas eu não sabia nada do cardápio, então simplesmente dei de ombros. – O...mesmo?

Ela se virou e foi para a cozinha. Só quando ficamos em silêncio, ouvindo a música da jukebox, pensei em perguntar o que Duran sempre pedia.

– O que você pediu? – Soei um pouco alarmada.

– Batata frita e coca com vodka.

– Vodka? – Eu ia pedir outra coisa, mas Kimberly já tinha voltado com os dois copos e a cestinha de batatas.

– Só um gole, vai. – Duran pegou um dos copos e me entregou. – Não dá pra ficar tonto com um copo só, eu sempre peço Kim pra por pouca vodka. Só pra eu ver sua cara bebendo. Toma.

Peguei o copo e suspirei. Era só um gole, afinal. Kimberly nos observava de longe, provavelmente esperando para ver minha cara também.

Tomei o gole, hesitante. Franzi o nariz, fazendo Duran dar uma risada leve. Era estranho, o gosto. Apesar de bem disfarçada pela coca ainda dava para sentir a vodka.

– E ai? – Duran tomou um pouco também.

– Nunca te imaginei bebendo. – Comi uma batata, tentando tirar o gosto de álcool da boca.

– Digamos que é um segredo meu e de Kim. E seu também agora. – Ele sorriu. – Mas nunca cheguei a ficar tonto.

Ficamos conversando. As horas iam passando. Não me lembro muito do que aconteceu. Lembro dos copos indo vazios e voltando cheios. Da jukebox.

Duran estava rindo mais que o normal, abraçando meu braço. Tomei mais um gole, franzindo o nariz de novo. Odiei o gosto, mas continuei, não sei porquê. Eu sorria também.

A jukebox parou. Me levantei, sentindo as outras pessoas me olhando. Com muito custo, consegui coloquei uma ficha na máquina e selecionei uma música. “Riding With The King” do B.B. King com Eric Clapton.

– Boa, garota. – Duran pegou minha mão. Eu ouvia o burburinho das outras pessoas. Minha cabeça latejava um pouco.

– O que você fez comigo? – Minha língua parecia devagar, embolando na minha boca. – Eu quero dançar!

Antes que ele falasse qualquer coisa, eu usei sua mão de apoio e subi no balcão. Vi Kimberly rindo atrás de mim, surpresa.

– Sobe ai, Kim! – Gritei para ela antes de começar a berrar a letra da música.

“Don’t you know you’re riding with the king?”

Meu cabelo já tinha se desprendido, caindo no meu rosto. Peguei mais um copo e tomei outro gole. Vi a expressão no rosto das pessoas me olhando, mas não as interpretei. Não consegui direito.

A música acabou. Fiquei parada em cima do balcão, sem ter como descer. Duran abraçou minhas pernas e me tirou do alto do balcão. Ele estava vermelho, rindo e meio trôpego.

– Kim, fecha pra mim. – Ele passou um dos braços sobre meus ombros, me impedindo de cair e se apoiando em mim, ao mesmo tempo.

Não ouvi o valor da conta, nem Kim se despedindo, nem nada. Minha cabeça agora latejava insistentemente.

Saímos do bar, rindo alto. Fui me escorando nele. A rua estava vazia, a não ser por nós dois, tontos e risonhos, tropeçando na calçada.

Fomos para minha casa caminhando. Não era muito longe, uns 20 minutos de caminhada. O vento no meu rosto me deixava um pouco sonolenta, mas não me deixava passar mal.

Parei em frente à porta, Duran ainda me apoiando. Ele pegou a chave na minha mão e abriu a porta, me levando para dentro.

Duran me colocou na cama, depois de me carregar escada acima. Eu estava mais desperta agora, ainda tonta.

– Tudo bem? – Ele se sentou aos pés da cama, tirando minhas sandálias.

– To bem. – Respirei fundo e me sentei. – Vem cá. – Antes que ele reagisse, coloquei minha cabeça no ombro dele.

Meu quarto estava escuro, a casa estava em silêncio total e minha cabeça latejava, mas tudo parecia certo. Duran encarava o chão fixamente, como se pensasse em algo para dizer.

– Nunca achei que você fosse dizer aquilo. – Ele riu e afundou o rosto no meu cabelo, agora totalmente desgrenhado. Sua voz ficou abafada. – Sabe, mesmo antes daquele dia aqui no seu quarto eu já era afim de você.

– Sério? – Minha voz saiu fraca.

– É. Desde o primeiro dia, na aula de química. Você devia ver minha cara quando vi a mensagem que Alice mandou. – Uma riu, erguendo a cabeça. – Eu sei que você não diria aquilo.

– Acho que ela não pensou nisso. – Ergui meu rosto, tirando meu cabelo dos olhos. Olhei para ele. – Mas foda-se.

Não sei bem quanto durou, mas me lembro bem dos lábios dele nos meus. Senti as mãos dele no meu rosto e depois na minha cintura. Eu peguei a camisa dele e o puxei para mais perto.

Me lembro vagamente do travesseiro sob minha cabeça e do braço dele sobre minha cintura. Dormi.

Notas finais
John Denver é essa : http://www.youtube.com/watch?v=oN86d0CdgHQ e a Riding With The King é essa, do Eric Clapton e B.B. King : http://www.youtube.com/watch?v=a5T5qDRxbpM :)